quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

the lunatic is on the grass..



(Syd Barrett - em foto de 2002)
Encontrei essa foto no fotolog de uma amiga (fotolog.net/bluesgirl). Bom, pra quem não se situou, esse pacato senhor aí é um dos maiores compositores de música pop que já passou pela face da Terra. Aliás, um dos poucos gênios vivos do Rock and Roll. Foi o responsável pelo desenvolvimento de uma singela estética musical chamada psicodelia. Em resumo, boa parte do que se produziu musicalmente nos últimos 34 anos no terreno da música pop tem influência direta do que esse agora discreto inglês produziu em 4, 5 anos de atividade musical no fim dos anos 60/começo dos 70. Em carreira solo, ou nos "early years" da banda Pink Floyd.
Bom, quem ainda não se situou e quiser saber mais, é só entrar em contato comigo que eu "apresento" o nosso caro lunatic.. hehe.. Música de altíssima qualidade.
Segundo boatos, hoje ele vive com a mãe e trabalha com jardinagem. Um poente digno pra um super-poeta que "pirou" um pouco antes dos pobres demais mortais.

recomendando: "Janela da alma" e um (bom) programa novo

Esse final-de-semana assisti ao documentário "Janela da alma". Excelente. O dito filosofa sobre a visão e sua importância (ou não) para as relações humanas. A melhor parte é a da entrevista com um fotógrafo cego francês... pois é.. e a gente ainda reclama das nossas capacidades. Fiquei abismado. Sem falar nas entrevistas com José Saramago e com o Win Wenders (o cineasta; acho que é assim que se escreve). Enfim, um excelente filme. Recomendo.
No mais, ontem estava assistindo TV (coisa que está ficando cada vez mais rara) na Globo quando tive uma boa supresa. Aquele tal de "programa novo". Achei bem interessante a idéia: um programa que fala sobre como fazer um programa. Não sei pq lembrei do Jerry Seinfeld.. hehe. Mas eu gostei. Aliás, qndo comecei a assistir achei que fosse detestar, pois é da mesma turma de atores que fez aquele "sexo frágil" (eu pessoalmente achava uma merda aquele programa.. hehe). Porém, o programa se superou. Tem um roteiro muito bom, é bem criativo. É daquelas coisas que só se vê em tv paga ou na TV Cultura. Não sei, posso tá sendo meio precipitado (é o primeiro programa).. mas pra média do que está aí na nossa programação televisiva, achei muito bom. Também recomendo.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

quem te viu, quem te vê...

Eu encontrei isso num canto de página da Folha de S. Paulo, a mesma que "soltou os cachorros" encima da nossa cara Marta Suplicy. Interessantíssimo como esses dados não apareceram durante o período eleitoral.. hehehe.. e olha que esse é o meu meio de informação preferido...
Bom, eles deixam num canto de página, mas eu vou colocar na página principal do meu blog. Contra-informação é o que há, meu caro(a)!.. hehehe..
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Prefeitura beneficia mais famílias


DO ENVIADO ESPECIAL
Os programas sociais Renda Cidadã e Viva Leite, do governador Geraldo Alckmin (PSDB), atendem menos do que o Renda Mínima e o Leve Leite, da Prefeitura de São Paulo, que até o dia 31 é administrada por Marta Suplicy (PT).
De acordo com a Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, 60 mil famílias são beneficiadas pelo Renda Cidadã. Cada uma recebe R$ 60 mensais. No próximo ano, outras 40 mil deverão se somar, oriundas do Alimenta São Paulo (distribuição de cestas básicas), que será desativado gradativamente.
O Renda Mínima, da Prefeitura de São Paulo, atende, de acordo com a Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade, a 178 mil famílias, com um complemento médio de R$ 120, segundo a prefeita Marta Suplicy.
Neste ano, enquanto o Estado reservou R$ 43,2 milhões para o pagamento do benefício, dos quais R$ 39,5 milhões haviam sido gastos, a prefeitura tinha uma dotação de R$ 187,6 milhões, mas, até a semana passada, foram pagos R$ 148,9 milhões. O Estado tem uma população de 37 milhões de habitantes, enquanto a capital abriga aproximadamente 10 milhões de pessoas.
Leite
Na distribuição de leite, o programa municipal também é mais abrangente que seu similar promovido pelo Estado. A assessoria de imprensa da Secretaria do Abastecimento da Prefeitura de São Paulo informou que são atendidas 970 mil crianças. Cada aluno das escolas de ensino fundamental recebe dois quilos de leite (o produto é fornecido em pó; cada quilo dá para fazer, segundo a secretaria, 7,7 litros de leite); os da escola de ensino infantil e creche recebem um quilo.
A prefeitura gasta aproximadamente R$ 90 milhões por ano com o programa, que é mantido durante o período escolar. O 1,4 milhão de quilos distribuídos mensalmente é suficiente para 10,7 milhões de litros por mês, ou 97 milhões de litros por ano.Já o Viva Leite, da Secretaria Estadual da Agricultura, deve atender neste ano a 740 mil pessoas, a um custo de cerca de R$ 147 milhões. Segundo dados do Sigeo (Sistema de Gerenciamento da Execução Orçamentária), disponíveis aos deputados na Assembléia Legislativa, o governo do Estado já gastou R$ 131,7 milhões desse valor. O produto é servido in natura, e não em pó, como faz a prefeitura. O Estado deverá distribuir neste ano 130 milhões de litros de leite tipo C, com teor de gordura mínimo de 3%, enriquecido com ferro.
A Prefeitura de São Paulo não tem um programa similar ao Alimenta São Paulo, que distribui cestas básicas a famílias carentes.
(FSP - 27/12/2004 - caderno Brasil - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2712200403.htm)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

"rapidinhas" musicais..





("Plastic Fang" -Jon Spencer Blues Explosion- e "R" -Queens of the Stone Age-)
Hoje estava rodando essas duas "figurinhas" na minha vitrola (tb conhecido por toca-cd.. hehe).
Pra quem curte um bom rock and roll de raíz, são duas dicas interessantes. Não é nada novo, mas de extrema qualidade. O da esquerda é de 2002, o da direito de 2000.
Pra quem curte algo numa linha mais Blues, bem cru, Jon Spencer é excelente. Pra mim, esse é um dos melhores álbuns de rock-blues que eu já escutei. O som é guitarra-bateria-voz, não tem baixo. Uma espécie de "proto-white stripes"..hehe. Toques rápidos, básicos. Excelente. Se tem um som que me faz "eletrificar" na hora é esse. Em suma, o essencial do rock.
Já pra quem gosta de algo mais pesado, QOTSA é a banda. Bom, pelo menos pra mim não tem nada melhor que seja ao mesmo tempo pesado (meio metal) e extremamente sofisticado. Tem algumas músicas que até me lembram Beatles. Aliás, acho o som deles um cruzamento de toques a la Beatles com uma "pegada" metaleira. Guitarras pesadas junto com palminhas e vocais trabalhados. Na verdade é isso que me atrai, pois nunca fui um fã de som pesado (generizamente falando). Eles conseguem fazer um som forte sem ter aquela aura, digamos, "messiânica" das bandas de metal..hehe.
Bom, uma boa parte das pessoas que lêem esse blog já tão carecas de saber sobre o som aí decima. Mas para aqueles que não conhecem e gostam de rock, são dois Cds de primeira linha. Não me canso de escutar, muito pelo contrário.

"Antes do verbo, era o silêncio"

Achei excelente essa crônica do Rubem Alves. Faço questão de transcrever aqui. Assino embaixo cada linha. Precisamos aprender a contemplar mais os espaços vazios e o silêncio. É tão simples.. e difícil ao mesmo tempo.
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Ouvir para aprender


Rubem Alves colunista da Folha


De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, da vida em conjunto e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: "No princípio era o verbo". Eu acrescento: "Antes do verbo, era o silêncio". É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim -para ouvir as vozes do silêncio.
Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: "Cessa o teu canto!/ Cessa, que, enquanto/ O ouvi, ouvia/ Uma outra voz/ Com que vindo/ Nos interstícios/ Do brando encanto/ Com que o teu canto/ Vinha até nós.// Ouvi-te e ouvi-a/ No mesmo tempo/ E diferentes/ Juntas cantar./ E a melodia/ Que não havia./ Se agora a lembro,/ Faz-me chorar". A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar.
Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa pára por não haver o que dizer, tratamos logo de falar qualquer coisa, para pôr um fim ao silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.
Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano, o nome do filme em que vi esta cena é "Aconteceu em Tóquio". Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do ser. A filosofia oriental, pela questão do vazio, do nada. É no vazio da jarra que se colocam flores.
O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. "Como é a professora?", sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: "Ela grita...". Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, dona Clotilde, tivesse jamais gritado. Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola, a violência começa com estupros verbais.
Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete: "Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei... O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra -"É exatamente como eu, eu...'- e começa a falar de si, até que a primeira consiga, por sua vez, cortar -"É exatamente como eu, eu...".
Essa frase parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar, à força, o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro".
Será que era isso o que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno (pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca. Talvez seja essa a razão por que há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não de "escutarória". Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir. Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana "Cem Mondialità" a sugestão de que, antes de iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças, há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência.
A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche.
Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma preocupação com o escutar claro. Amamos não a pessoa que fala bonito, mas a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar...


Rubem Alves, 71, que um menininho descreveu como "um homem que gosta de ipês amarelos", e um outro, como "um velhinho que conta estórias", relê bem devagar o "Livro do Desassossego", de Bernardo Soares (Fernando Pessoa), uma obra que nunca se termina de ler.
www.rubemalves.com.br - (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/sinapse/sa2112200415.htm)

domingo, 19 de dezembro de 2004

Placebo no Brasil

Essa notícia é pra deixar a minha amiga Carol W. angustiada (hehe..) :
As casas indies paulistanas já podem preparar sem maiores constrangimentos um "especial Placebo" por semana, daqui até meados de março. Chegou a confirmação nas EMI sul-americanas da bendita vinda para o terceiro mês de 2005 da banda de mr. (?) Brian Molko. Saiu na revista "Les Unrockuptibles" argentina a notícia de que finalmente o Placebo vem excursionar por Chile, Argentina e Brasil.O Placebo é uma das bandas indies mais queridas dos indies latinos. Aqui no Brasil DJs de toda festa de rock é assombrado com o pedido de "Toca Placebo", a versão anos 90 para o "Toca Raul".No Chile, amigo meu jura que a banda é mais popular que o Radiohead. Na Argentina, chamam o grupo de Molko de "o novo The Cure".A primeira vinda do Placebo para estes lados de cá se dá para a promoção da coletânea "One More with Feeling", a compilação de singles de 1996-2004 que acaba de ser lançada no Brasil.O disco traz 17 lados A da banda, tipo as campeãs "Nancy Boy", "Every You Every Me" e "Especial K", além de duas inéditas: "I Do" e "Twenty Years".
A cópia que sai aqui é a inglesa, só com um CD. A americana traz um disco extra de remixes. Tem dez versões dance, como "Special K" remixada por Timo Maas; "Without You I'm Nothing", com David Bowie e mexida pelo Unkle e "Pure Morning", "tratada" pelo Les Rythmes Digitales, entre outras.
E eu fui um ignorante em Placebo todo esse tempo. Só agora estou (re)descobrindo. Aliás, graças a esse ser aí decima que está me abastecendo com as MP3s dela. Por que se dependesse de mim, a preguiça domina.. hehe.. mas estou gostando. É da linha de som que eu sou fã: melancolia, "angústia sonora", letras consistentes. Enfim, música pop de primeira linha.





(Brian Molko e sua trupe)

duas leis, duas polêmicas

Estão tramitando no Congresso dois projetos de lei que vão dar pano pra manga. Coloco aqui pra que os doutos se informem e emitam opinião. Só pra constar, sou a favor e concordo com as duas.
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Projeto de Lei: Institui a profissão de trabalhadores da sexualidade e dá outras providências.
Fonte: Câmara dos Deputados 13/12/04

PROJETO DE LEI Nº 4244/2004

( Do Sr. Eduardo Valverde)

Institui a profissão de trabalhadores da sexualidade e dá outras providências.

O Congresso Nacional Decreta:


Art.1º - Consideram-se trabalhadores da sexualidade toda pessoa adulta que com habitualidade e de forma livre, submete o próprio corpo para o sexo com terceiros, mediante remuneração previamente ajustada, podendo ou não laborar em favor de outrem.

Parágrafo Único: Para fins dessa lei, equiparam-se aos trabalhadores da sexualidade, aqueles que expõem o corpo, em caráter profissional, em locais ou em condições de provocar apelos eróticos, com objetivo de estimular a sexualidade de terceiros.

Art.2° - São trabalhadores da sexualidade, dentre outros:

1 – A prostituta e o prostituto;

2 – A dançarina e o dançarino que prestam serviço nus, seminus ou em trajes sumários em boates, dancing’s, cabarés, casas de “strip-tease” prostíbulos e outros estabelecimentos similares onde o apelo explícito à sexualidade é preponderante para chamamento de clientela;

3 – A garçonete e o garçom ou outro profissional que presta serviço , em boates, dancing’s, cabarés, prostíbulos e outros estabelecimentos similares que tenham como atividade secundária ou predominante o apelo a sexualidade, como forma de atrair clientela;

4 – A atriz ou ator de filmes ou peças pornográficas exibidas em estabelecimentos específicos;

5 – A acompanhante ou acompanhante de serviços especiais de acompanhamento intimo e pessoal de clientes;

6 – Massagistas de estabelecimentos que tenham como finalidade principal o erotismo e o sexo;

7 – Gerente de casa de prostituição.

Art.3º- Os trabalhadores da sexualidade podem prestar serviço de forma subordinada em proveito de terceiros, mediante remuneração, devendo as condições de trabalho serem estabelecidas em contrato de trabalho.

Art.4º- São direitos dos trabalhadores da sexualidade, dentre outros:

a – Poder expor o corpo, em local público aberto definido pela autoridade pública competente;

b – Ter acesso gratuito aos programas e ações de saúde pública preventiva de combate às doenças sexualmente transmissíveis;

c – Ter acesso gratuito aos esclarecimentos das autoridades de saúde pública sobre medidas preventivas de evitar as doenças socialmente previsíveis;

Art.5º - Para o exercício da profissão de trabalhador da sexualidade é obrigatório registro profissional expedido pela Delegacia Regional do Trabalho. §1º - O registro profissional deverá ser revalidado a cada 12 meses.

§2º - Os trabalhadores da sexualidade que trabalham por conta própria deveram apresentar a inscrição como segurado obrigatório junto ao INSS, no ato de requerimento do registro profissional.

§3º - Para a revalidação do registro profissional será obrigatório a apresentação da inscrição como segurado do INSS e do atestado de saúde sexual, emitido pela autoridade de saúde pública.

Art.6º- É vedado o labor de trabalhadores da sexualidade em estabelecimentos que não tenham a autorização das autoridades públicas em matéria de vigilância sanitária e de segurança pública.

Art.7º - Os trabalhadores da sexualidade poderão se organizar em cooperativas de trabalho ou em empresas, em nome coletivo, para explorar economicamente prostíbulos, casas de massagens, agências de acompanhantes e cabarés, como forma de melhor atender os objetivos econômicos e de segurança da profissão.

Art.8º - O trabalho na prostituição é considerado, para fins previdenciário, trabalho sujeito às condições especiais.

JUSTIFICAÇÃO

As opiniões acerca da prostituição são diversas, tanto na sociedade brasileira como em outros países, do mesmo modo como são variadas as concepções políticas em relação ao tema. Na Holanda, por exemplo, a prostituição é legalizada e ordenada juridicamente afim de adequá-la à realidade atual e de melhor controlá-la, impondo regras para sua pratica e penas aos abusos e transgreções.

Assumindo a premissa de que milhares de pessoas exercem a prostituição no Brasil, proponho este projeto com intuito de regulamentar a atividade, estabelecer e garantir os direitos destes trabalhadores, inclusive os previdenciários. Fica estabelecido ainda o acesso gratuito aos programas e ações de saúde pública preventiva de combate às doenças sexualmente transmissíveis, bem como à informação sobre medidas preventivas para evitá-las.

A prática da prostituição em território brasileiro passará a ter, entre outras exigências, a necessidade de registro profissional, a ser emitido pela Delegacia Regional do Trabalho e renovado anualmente. Esta e outras medidas previstas neste projeto de lei visam dotar os órgãos competentes de melhores condições para controlar o setor e, assim, conter os abusos.



Sala das Sessões em,


EDUARDO VALVERDE Deputado Federal
Projeto de Lei: Fica extinto o pagamento de assinatura básica e taxa de consumo mínima para as empresas prestadoras de serviços de telefonia, água, energia elétrica, gás, e televisão por assinatura.
Fonte: Câmara dos Deputados 13/12/04

PROJETO DE LEI Nº 4269/2004

(Do Senhor Alberto Fraga)

Fica extinto o pagamento de assinatura básica e taxa de consumo mínima para as empresas prestadoras de serviços de telefonia, água, energia elétrica, gás, e televisão por assinatura.


Art. 1º Fica extinto o pagamento de tarifas e taxas de consumo mínimas ou de assinatura básica, cobradas pelas concessionárias prestadoras de serviços de água, luz, gás, tv a cabo e telefonia, devendo o consumidor arcar apenas com o pagamento do efetivo consumo ou uso do produto ou serviço disponibilizado pela concessionária.

Parágrafo único: As concessionárias de que trata o caput somente poderão cobrar pelo serviço disponibilizado, aferido individualmente por cada consumidor, ficando impedidas da cobrança de tarifa, taxa mínima ou assinatura básica de qualquer natureza e a qualquer título.

Art. 2º O não cumprimento do disposto no art. 1º implicará na aplicação, pelo órgão responsável das penalidades previstas na lei

Art. 3º O Poder Executivo regulamentará a presente Lei no prazo de sessenta dias, a contar de sua publicação,

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICAÇÃO


A cobrança de assinatura básica e o pagamento de taxas mínimas de consumo são comuns nas empresas de telefonia, energia elétrica e de água entre outras que também disponibilizam produtos ao consumidor.

Ocorre que a cobrança da tarifa mínima, penaliza o consumidor que economiza na utilização do produto, mas paga pelo que não consome.

A cobrança da forma como é feita desequilibra ainda mais a relação empresa e consumidor, sendo esse severamente prejudicado. Tal fato atinge principalmente a parcela mais pobre da população e traz efeitos reflexos para a qualidade de vida de toda a família.

O valor corretamente cobrado, pela exata quantidade consumida não onera as empresas operadoras dos serviços, mas contribuirá para uma forma mais justa da cobrança das suas tarifas.

Já existe norma semelhante aprovada no Distrito Federal, com resultados que indicam a perfeita exequibilidade em todo o país.

Por entender que o presente dispositivo significará sensível e justo benefício para toda a sociedade, solicito o apoio dos nobres colegas parlamentares

Sala das Sessões, 18 de outubro de 2004.

DEPUTADO ALBERTO FRAGA

(fonte: OAB-SP)

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

pequenos grandes momentos do meu cotidiano entediante..

Estava eu passeando pelo Extra (hipermercado) ontem à noite, dando uma geral, quando resolvi entrar na sessão de Cds (meu ponto fraco). Reparo num "estande" de promoções por R$9,90 (coisa de pão-duro..hehe). Aproximo-me e visualizo uma miragem.. ou melhor, isto aqui:





(John Lennon - Imagine, o álbum)

Dei uma olhada geral em volta pra ver se outros interessados também o haviam localizado. No fundo, na minha frente, uma gordinha me fita nos olhos por alguns segundos.. e vai em direção ao CD. Eu não perdi tempo, saí na direção oposta, em alta velocidade. Ela também aumentou a velocidade... pensei: "não pode ser.. ela não tem cara de fã dos Beatles.."

Por sorte minha, ela parou duas "fileiras" antes e sacou um CD do Wando. Fiquei aliviado. Catei o dito cujo aí de cima (único exemplar) e parti pro caixa, mas no caminho fui refletindo: Alguma coisa está fora do lugar.. ou as lojas de varejo realmente pegaram pesado na queima de estoque ou as grandes pérolas da música pop estão perdendo o seu valor e sendo renegadas. Enfim, o descuido com a memória musical é maior do que eu imaginava.

Eu me recuso a aceitar que o melhor álbum solo de um ex-beatle e um dos clássicos da música pop tenha o mesmo valor que um sanduíche "Big Mac" do McDonalds. Isso não entra na minha cabeça. De duas uma: ou o sanduíche tá sobrevalorizado ou o CD tá hiperdesvalorizado.

Não tô fazendo apologia nem defendo CD caro. Porém, não vejo aí nenhuma política de preços baixos, mas sim um definhamento da boa memória musical.

sábado, 11 de dezembro de 2004

"jus postulandi"

Finalmente.. desde o final da tarde desta sexta-feira passada eu sou oficialmente advogado.
Poxa, durante a cerimônia estava refletindo. Relembrando de mim mesmo no começo de 1999: "Será que lá em 2003, 2004 eu serei um advogado? Será que vou conseguir? Já pensou?".... e hoje estou aqui. Formado, com o poder constitucional de postular em juízo. Enfim, aquilo que a própria Carta Magna denomina como um agente essencial à administração da Justiça.
Agora estou num ponto de encruzilhada, e com outros desafios. O que farei da vida?.. Vou atrás dos escritórios e tento começar do zero, trabalhando como um "escragiário" de luxo? (esses dias estava passeando pela comunidade da OAB na orkut e tem advogado com especialização e com 6 anos de experiência procurando trabalho!.. desanima..) ..ou parto de vez para os concursos mais "pesados", descolando um emprego temporário pra sobreviver (e ajudar em casa) esperando pelo belo dia que poderei me tornar um agente público e gozar de um mínimo de estabilidade profissional?
São as variáveis... mas a verdade é que não tenho muitas opções. Não posso deixar as oportunidades passarem, como já deixei outras vezes. Não posso me acomodar, como já fiz várias vezes. Tenho que aproveitar que estou com as cartas boas na mão e joga-las na mesa.. sem medo de perder o jogo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

spotless mind..



(Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças - capa da trilha sonora)

Assisti nesse final-de-semana passado.. muito bom! Acredito que o melhor papel que o Jim Carrey já fez.. roteiro bem feito.. segundo minha mãe, "maluco".. hehe.. Resumindo, a história de um pacato cidadão que resolve apagar da sua memória um relacionamento amoroso.. pra isso contrata uma empresa especializada no assunto. O problema é que no meio do processo, o rapaz desiste da idéia (no contrato, a empresa limparia as recordações numa noite de sono) e fica preso nas próprias memórias, sem poder acordar... tentando de alguma maneira reverter o processo e vendo suas memórias sendo deletadas uma a uma..

Já imaginou? que situação angustiante? Alguém apagando suas memórias e você tentando salvá-las? Não consigo imaginar tortura pior... hehehe.. (recomendo! ..já tem nas locadoras).

o arquivo morto II..

Pois é, nada como a presença física pra resolver as coisas.. hehe. É engraçado como as pessoas mudam qndo em vez de só escutar a sua voz, enxergam a sua cara.
Baixei em Itatiba ontem. Chegando na escola, as duas secretárias sentadas na escadaria de entrada.. conversando e fumando (uma delas). O expediente devia estar beeemmm agitado..hehe. Entrei, me identifiquei, disse que era o chato do telefone (não literalmente óbvio, não cheguei a ser tão irônico assim..hehe): "Então fulana, eu sei que vocês estão em final de ano, mas eu preciso com grande urgência dessa certidão.. vou prestar um concurso e se eu passar e não estiver com o diploma da facul em mãos eu não vou poder assumir o cargo.. ou seja, vou ficar no prejuízo.."; conversa vai, conversa vem.. eu:"Vou prestar o concurso do INSS.." ela: "ah é?.. eu também!.." Putz!!... era só o que me faltava.. além de torrar minha paciência, a dita vai ser minha concorrente!!!.. é mole? hehehe..
"Então Alexandre, o problema é que como você se formou em 98 o histórico está fechado no arquivo morto..." (ráios!! eu quase não me contive em perguntar o que há de tão temeroso nesse arquivo morto.. mas fiquei na minha; estava quase com a certidão em mãos, obtendo progressos, não ia ser agora que eu ia estragar as coisas.. vai que a mulher tem algum surto psicótico se eu tentasse desvendar o enigma..hehe) "..de qualquer maneira, eu vou deixar um recado pro fulano e ele vai providenciar pra amanhã, pode ser?.. ele já vê cedo pra você isso" (tinha dito que precisa sem falta até o final da semana) "ok fulana, obrigado.. amanhã eu passo aqui pra pegar então.. você vê um protocolo de requerimento pra mim?"; fui embora.
Voltei hoje. Ela cheia das gracinhas: "Tá pronto.. olha só o tamanho do recado que eu deixei pra ele.." -e dá uma risadinha irônica, mostrando uma folha com a anotação do pedido-. Eu não entendo, afinal... é obrigação dela. Esse histórico é um documento público (a escola é particular, mas a educação é um serviço público.. no caso, cedido em concessão pra eles), e ela não pode se negar a extrair a certidão nem cobrar pela dita (isso tá disposto em lei; aliás, até pensei em levar junto a dita caso a coisa esquentasse mas desisti..). Bom, pelo menos ela foi educada.. até descobri que o filho dela estudou junto comigo, na mesma época..
Enfim, ela me deu a certidão e eu fui embora tranqüilo. Mas eu fiquei refletindo.. como as pessoas são idiossincráticas. Como deixam coisas simples se tornarem um tormento que fica entulhando a nossa cabeça. Falta um mínimo de exercício de empatia, de se colocar no lugar do babaca e pensar: "Poxa, isso deve ser algo importante pra ele lá.. imagine se eu estivesse numa situação dessas?"..
Talvez seja um reflexo de algo maior, de uma indiferença coletiva.. algo que se exacerba numa sociedade que ao mesmo tempo infla seu ego e esvazia.. deixando uma grande bolha amorfa e sem sentido.. como diz uma amiga minha, "that´s it".

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

o arquivo morto..

É impressionante como existem certas situações, muitas vezes estupidamente simples, que são capazes de estressar a gente de uma forma violenta.
Bom, no começo da semana passada fui dar entrada na papelada para retirar o meu diploma de formado na PUC (isso pq faz quase 1 ano que me formei; já tinha a papelada toda juntada mas deixei de lado por causa da OAB e esqueci..). Seguei lá, o rapaz começa a conferir a papelada: "bom Alexandre, tá faltando aqui a cópia autenticada do histórico escolar do 2º grau.. esse que está aqui é do 1º (...) peraí que eu vou verificar lá nos arquivos.."; cinco minutos depois: "realmente, não consta nada lá.." (qndo entrei na facul, somente me exigiram o certificado de conclusão do 2ºgrau; o histórico escolar eu nem tinha recebido); "bom, você vai ter que pegar uma certidão com o pessoal do colégio.." ..e volto eu pra casa com toda a papelada.
Chego, pego a lista telefônica de Itatiba (fiz o último ano do 2º grau lá).. viro, viro, viro.. e nada de achar o número da escola. Apelo pra moçinha-robô da Telefonica. Depois de uns 5 minutos falando com uma gravação, eu consigo o número.
Ligo lá (isso terça-feira da semana passada) a moça me atende, eu me explico, e: "ah sim... mas você tem que falar com a Ana, ela é a responsável por isso.. ela tá em horário de almoço.. você pode ligar denovo na parte da tarde?". --- Ligo por volta das 4 da tarde: "Cleyton, boa tarde.." (explico a situação denovo); "Ela já foi embora, mas deixa seu nome que eu passo pra ela.." --- Ligo novamente, na quarta. Cleyton atende novamente e eu explico denovo: "Pois é.. vc se formou em 98 né?.. é que a gente tem que ver lá no arquivo morto.. mas nos entraremos em contato." --- (passa quinta, sexta.. o final-de-semana) Ligo hoje, segunda: "Gabriela, pois não?" (a mocinha da primeira ligação); explico-me mais uma vez.. "Só um minuto.." (escuto um murmurinho de vozes ao fundo no telefone) "Então Alexandre, é que a gente tem que subir lá no arquivo morto pra tirar a certidão.. você não pode ligar mais pro final da semana?".
Nem preciso dizer que eu já estava puto. Nessa altura, eu já tinha dito várias vezes que precisava dessa certidão com uma certa urgência pra poder dar entrada no diploma, sem o qual eu não tomo posse se passar no concurso que estou prestando (a prova é dia 30/01 - no sistema da extremamente ágil sacrosanta Pontíficia Universidade Católica de Campinas, um diploma fica pronto em 165 dias, ou seja, 6 meses!!!!... entrando com um requerimento de urgência, eu consigo diminuir esse prazo; mesmo assim, temo que não dê tempo).
Afinal, é tão difícil assim subir no ráio do arquivo morto e pegar o histórico?????????!!!!!... a decisão: quarta-feira eu baixo lá em Itatiba e só saio de lá com a certidão.
Parece aqueles contos de suspense de segunda categoria... "ohh!.. o arquivo morto..." "é uma área proibida.." "cuidado!.. quem subiu lá nunca mais voltou.." "no arquivo morto.. não pode ser?!.. será?!.. é isso mesmo?!.." .. é de deixar qualquer um com o saco na lua (desculpem a expressão, mas é a realidade). Tão simples, tão fácil... se tem que subir, é só subir uma escada.. ninguém vai morrer.. ou vai? Será que os excelentíssimos funcionários do Objetivo de Itatiba vão cansar muito de dar alguns parcos passos, conferir o arquivo... letra "A", ano 98, formandos..
Definitivamente, ser humano é um bicho complexo..... (e estressado também....)

nariz de palhaço, o retorno..

"A polícia de São Paulo tem informações desde setembro de 2003 de que o Banco Santos fazia remessas de dinheiro para fora do país, ' legais ou não', como descreve um relatório. Duas empresas eram usadas na operação: a European e o Bank of Europe.
A European foi aberta em setembro de 2002 pela irmã do banqueiro Edemar Cid Ferreira (Edna Ferreira de Souza e Silva) e por um ex-executivo do Banco Santos (Ricardo Russo Candido de Souza), segundo o cadastro da empresa na Junta Comercial.
As investigações iniciais do Banco Central no banco de Edemar, sob intervenção desde 12 de novembro, confirmam algumas das informações da polícia. O Bank of Europe era um dos principais canais usados pelo Banco Santos para remeter dinheiro para paraísos fiscais."
( trecho de reportagem da Folha de S. Paulo - 06/12/2004 - p. B8)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

"Creative Commons"

Acho essa iniciativa excelente, faço questão de transcrever a reportagem aqui.
O conceito tradicional de direito autoral está fadado a sumir do mapa. Com toda a tecnologia de informação e troca das mesmas hoje em dia, não há como estabelecer um controle nos moldes tradicionais. O artista musical que quiser sobreviver hoje em dia tem que esquecer o "copyright" e partir pra ganhar dinheiro com shows, DVDs.. outras iniciativas de sustento que impliquem em espalhar a sua arte e ganhar dinheiro encima do alcance da mesma, principalmente na internet.
Ademais, gosto de uma resenha do Tom Zé que vem na contra-capa de um de seus álbuns e que eu tenho aqui em casa ("Jogos de Armar -faça você mesmo"). Lá ele diz que nesse início de século o artista inovador da lugar ao artista "plágio-combinador". Nada mais se cria, tudo são "colagens", de onde surge algo novo e artisticamente relevante. É isso aí...
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ENTRETENIMENTO
Licença permite ao usuário distribuir e remixar arquivos; veja sites com canções nacionais para baixarArtistas divulgam música sem restrição


JULIANO BARRETO FREE-LANCE PARA A FOLHA
Músicos brasileiros famosos e menos conhecidos já começaram a aderir ao formato de distribuição da licença Creative Commons. Criada para servir como opção à troca ilegal de músicas pela internet e impulsionar a criatividade dos artistas, a licença permite que os usuários copiem e troquem os arquivos de música digital e, em alguns casos, possam até mesmo editá-los."A Creative Commons permite um acesso mais amplo à música. O consumidor não fica restrito a ouvir um CD. Ele pode distribuir a música pela internet, fazer mixagens ou até compor uma nova letra usando a canção original", afirma Carlos Afonsso Pereira de Souza, coordenador-adjunto do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, entidade responsável pela adaptação da Creative Commons para as leis vigentes no Brasil.
Onde encontrar
Entre os artistas brasileiros que já dispõem de músicas para download nesse formato de distribuição, os mais diversos estilos estão representados. Quem aprecia batidas dançantes deve visitar sites como o do DJ Dolores (www.candeeiro.com.br/djdolores.html), o de Alex Mono & Modal Transgress (www.alexmono.com.br) e o do grupo Gerador Zero (www.geradorzero.com). Outra opção é o site www.recombo.art.br, que traz canções, textos e vídeos de diferentes artistas.
Quem prefere ritmos mais calmos deve acessar as páginas do Axial (www.axialvirtual.com) e da banda alternativa Luísa Mandou um Beijo (www.luisamandouumbeijo.8k.com). Outras canções podem ser baixadas em www.mombojo.com.br e em www.invernia.com.br.
Apesar da maioria de artistas alternativos, a Creative Commons também atrai músicos mais famosos, como o ministro da Cultura, Gilberto Gil (que colocou uma música sob esse tipo de licença). "A Creative Commons é aberta a todos os artistas e serve como um meio de divulgação que atinge uma gama de usuários muito maior", acredita Souza.
É importante lembrar, no entanto, que a licença protege os direitos autorais e não permite a comercialização das músicas.No site oficial da Creative Commons (creativecommons.org), há um sistema de busca para encontrar músicas, vídeos e livros que usam a licença de livre divulgação. Na mesma página, também há informações para artistas que tenham a intenção de utilizar a licença para distribuir suas músicas.
Novo Napster
Enquanto a Apple domina o mercado de venda de músicas on-line com o site iTunes, o Napster (serviço pioneiro de trocas ilegais, que se transformou em sistema de loja virtual) adota estratégias mais agressivas para ganhar espaço. Segundo o site The Register (www.theregister.co.uk), a empresa passará a vender músicas em papelarias e lojas de conveniência na Inglaterra.
As lojas reais venderão planos de assinatura mensais que, de acordo com o valor pago, permitirão que o usuário baixe de dez a 33 músicas.
Acordo de gigantes
As músicas das gravadoras Universal, Sony BMG e Warner serão vendidas por um único site no início de 2005. A empresa responsável pela futura loja anunciou que o serviço funcionará de forma parecida com os programas de troca de arquivos P2P, como o KaZaA e o antigo Napster.

Viola, minha viola...

Hoje finalmente tomei vergonha na cara e levei meu violão pro concerto.
Descobri que uma pessoa aqui perto fazia o "remendo". Uma casa simples, com um anúncio discreto, escrito numa tinta amarela opaca junto à maquete de um violão antigo. Aperto a campainha e surge um senhor, com certeza com mais de 70 anos, bem simpático... olha pro violão e sentencia: "Isso é simples, já vi coisas bem piores.." (meu violão está com o braço quebrado; e as cordas estão em péssimo estado). Pensa um pouco e diz o preço: "faço por 50 reais pra você.."
Sinceramente, não achei caro. Ainda mais levando em conta os preços atuais dos violões. Se o meu voltar a tocar, mesmo que com uma desafinação congênita, já está bom. Ando sentindo falta das dedilhadas toscas que fazia antigamente, tentando sem sucesso tocar alguma coisa. Quem sabe agora a coisa não desanda de vez.. hehe.
Antes de sair, ele saca um cartão de visitas ("Simon Moreno - Especialista em Reforma de Violões - rua Germânia, 627 - Bonfim, Campinas - SP - tel. 3241-2625 - 'Seu violão novo de novo') e encerra: "não se preocupe, faço isso a 44 anos...".
Eu me senti um blastócito... hehehe.

domingo, 28 de novembro de 2004

coloque o seu nariz de palhaço tb..

(o quarto poder...)




Ontem fui no hipermercado que fica aqui perto de casa comprar um pote de sorvete pra aliviar o calor insuportável que fez nesse sábado. Bom, estava eu lá na fila do caixa, pensando na vida, tranqüilo, observando o povo, qndo passei um olhar rápido sobre aquelas bugigangas que eles colocam na boca do caixa pro forçar o babaca a levar mais alguma coisa além do previsto.



De repente, me deparo com a capa da revista Exame desta semana, com o senhor Edmar Cid Ferreira fazendo pose de galã, num terno impecável.. com um leve sorriso discreto no rosto. E coisas começaram a vir na cabeça: como que um senhor que acabou de colocar um banco sob intervenção federal posta-se numa situação dessas?.. totalmente sem constrangimentos... Eu não via outra coisa naquele olhar senão uma mistura de ironia com soberba.. no final, eu que acabei ficando constrangido com aquela capa. Comecei a enxergar um nariz de palhaço no meu rosto, mas fui embora.
Hoje abro o jornal e descubro que, ao mesmo tempo que o Banco Santos "quebrava", algumas empresas da mulher e familiares do nosso amigo Edmar (o dono do dito, pra quem não sabe) cresciam. Segundo a Folha de S. Paulo, o capital dessas empresas aumentam em R$420 milhões nos últimos tempos.
Infelizmente, o nariz de palhaço é real.

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Verão

Ele definitivamente chegou.. pelo menos em terras campineiras ele apareceu.
Hoje o dia foi insuportavelmente quente, ainda mais que passei o tempo inteiro na rua.. ora resolvendo certas pendências, ora servindo de motorista pros outros.. hehe. Dentro de um carro preto, sem ar-condicionado (apesar que nem ligo pra isso - só que nesse momentos você clama pra ter um..hehe), sem qualquer líquido pra colocar na boca. Foi difícil.
O mês de novembro dava a pinta de que o verão ia ser meio esquisofrênico, variando entre dias quentíssimos e "frentes-frias" poderosas. Clima aliás ótimo pra contrair "resfriados". Mas a virada de mês parece apontar pra um verão daqueles ferozes, provavelmente com muita chuva.
Ainda bem, tudo tem o seu lado bom. Muito sorvete, suco.. a mulherada agitada e vestida muito bem à vontade na rua.. hehehe.. Sem falar que dá aquela impressão de que as pessoas ficam bem mais simpáticas e comunicativas qndo o dia está quente e ensolarado. São os hormônios atuando.. hehehe. Ainda bem.
É noite, está quente, sem brisa.. e eu conclamo por uma praia, uma sombra, uma cerveja, e uma das "guloseimas" aperitivas marítimas... Alguém aí falou camarão frito??.. por favor!.. hehehe.

"gripe espanhola"? - ação/reação

Toda ação tem a sua reação. Sou da teoria de que o planeta, apesar de não ser um ser orgânico (no sentido tradicional que a gente usa) é um ser "vivo" (entre aspas, pq vivo num sentido não-tradicional). Achar que todo o impacto que a gente causa como civilização no planeta não afeta o mesmo é de uma ignorância "busheniana" (esses ignorantes exitem, e são muitos).
Assim como qndo um vírus nos atinge nós reagimos com a febre, o planeta tb tem os seus momentos de "febre" pra tentar controlar esses macacos desvairados. Um exemplo foi a "gripe espanhola" do começo do século, uma "febre planetária" que se seguiu ao impacto causado pela revolução industrial no planeta: uma forma de controlar esse "vírus homo-sapiens", num extermínio natural em massa (pra diminuir a população e evitar que o planeta imploda).
Pois bem, parece que estamos chegando numa fase dessas novamente. Uma nova "onda" de controle natural dos "macaquitos" no planeta.. hehe. Já houve indícios alguns anos atrás.. e se a coisa continuar nesse ritmo, logo ela vem forte. Vejamos a notícia, fresquíssima:


25/11/2004 - OMS alerta que gripe do frango pode virar epidemia


A OMS - Organização Mundial da Saúde advertiu nesta quinta-feira (25) que a gripe do frango está prestes a se transformar em epidemia generalizada, que pode atingir 30% da população mundial. "Existem estudos que situam o número de mortes entre dois e sete milhões. E o total de pessoas afetadas, em milhões, já que de 25% a 30% cairão doentes", disse Klaus Stohr, coordenador do programa da OMS para o controle da gripe do frango.
A advertência foi feita em Bangcoc (capital da Tailândia) no início de uma conferência de dois dias com a participação dos ministros da Saúde da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), China, Coréia do Sul, Hong Kong e Japão, para garantir a cooperação na luta contra a gripe do frango. A reunião, promovida pela OMS, é realizada quando ainda na Ásia são registrados esporádicos surtos da gripe do frango, que causou 20 mortes no Vietnã e outras 12 na Tailândia desde o início do ano.
"Este vírus é, certamente, o que tem mais probabilidades de ser o causador da epidemia", destacou o especialista da OMS. Os ministros da Saúde esperam aprovar um documento no qual detalham os preparativos e as medidas de controle e acompanhamento que os 14 governos participantes deverão adotar para erradicar a gripe avícola.
A OMS informará os participantes sobre o estado da pesquisa de uma vacina para proteger os seres humanos da gripe do frango que, em princípio, pode começar a ser testada na Tailândia em 2007. "O assunto da vacina é extremamente complicado em termos de produção e efetividade", observou o representante da OMS na Tailândia, William Aldis.
Na conferência também estão presentes especialistas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, assim como da Organização Mundial de Saúde Animal, que participaram da elaboração do documento. As autoridades de saúde da Tailândia admitiram que irão demorar pelo menos três anos para erradicar a gripe do frango no setor avícola nacional, apesar das medidas de controle que já são adotadas, como o sacrifício das aves doentes ou em perigo de contrair a doença. (Terra.com)


fonte: (www.ambientebrasil.com.br)

segunda-feira, 22 de novembro de 2004

Dica 1: "Pink Floyd Live at Pompeii"

(capa do DVD)
Algumas dicas de coisas boas (pra mim pelo menos.. hehe) que vi esse final-de-semana.
Primeira delas, esse DVD. Já faz um tempinho que tenho o dito, mas esses dias peguei ele e botei pra rodar do começo ao fim. Vai melhor no breu noturno, mas deitar no sofá num final de tarde assistindo o dito com uma xícara de café (ou um copo de vinho) vai bem também.. hehe.
Normalmente assisto com meu pai, outro grande apreciador do material do Pink Floyd (não preciso nem dizer da onde comecei a escutar e gostar disso..hehe). Pois bem, esse é o melhor material deles, pelo menos em termos de apresentação ao vivo. Ainda não vi nada melhor. Os caras estavam no auge, tocando pras "almas penadas" da histórica cidade de Pompéia na Itália (explico: a cidade de Pompéia foi alvo da erupção de um vulcão na antiguidade; agora não estou me lembrando bem, mas acho que foi no auge do Império Romano; todos os habitantes foram pegos de surpresa, sem chance de escapar; muitos morreram ali no meio da bagunça, petrificados).
E o melhor do DVD é justamente isso, as imagens (o filme foi reeditado recentemente com uma edição e cenas novas excelentes). O dito começa com o batimento cardíaco e a respiração de uma pessoa, sem nenhuma imagem.. logo em seguida surge uma sonda vagando no espaço, seguindo a câmera por imagens de planetas do sistema solar, até chegar à terra (nesse ponto, "Echoes" já está tocando, com aquele início inconfundível do "som de sonar" tirado do sintetizador). Nesse ponto corta pra banda, aparecendo os músicos tocando pra absolutamente ninguém (apenas os técnicos e câmeras) num antigo colisseu da cidade italiana, e por aí vai... com a banda tocando entremeadas com imagens de esculturas e pinturas romanas antigas e a "boca" do vulcão em atividade.
Em suma, pra quem gosta de "som viajandante", é imperdível.. hehe.. Rock psicodélico, progressivo, "space rock".. pode chamar do que quiser, mas é bom. A banda ainda estava na sua fase mais "alternativa" e prestes a lançar o clássico The Dark Side of The Moon. Isto é, estava no cume.. antes de lentamente descer a ladeira.
Mas é isso, assistam.. "achável" nas melhores locadoras tupiniquins.. hehe..


Setlist:


1- Echoes (parte I)
2- Careful with that Axe Eugene
3- Us and Them (cenas de gravação em estúdio)
4- One of these days
5- Mademoiselle Nobs
6- Brain Damage (cenas de gravação em estúdio)
7- Set the controls for the heart of the sun
8- Echoes (parte II)

Dica 2: "Janela Secreta"

(cena do filme "Janela Secreta")
Assisti esse final-de-semana também. Muito bom filme. Nosso amigo Johnny Deep sempre trabalhando muito bem e levantando qualquer película. A história não tem nada de espetacular, muito pelo contrário.. é bem simples.
O caro Deep interpreta um escritor de romances "meia-boca" que vive isolado em uma casa à beira-lago em uma cidadezinha do interior dos EUA. A partir de um certo momento, ele passa a receber ameaças de um "caipira" que diz ter tido seu romance plagiado pelo dito escritor.. alterando o final do libelo da história original. Desse ponto em diante, a vida do coitado (que já não era boa) vira um inferno.. e o enrendo segue.
O melhor do filme não é a história em si, mas como ela é contada. O cara que dirigiu (não me lembro o nome agora) foi muito competente, pois o filme é de um suspense latejante do início ao fim. É daqueles que você não consegue dar pausa pra estourar uma pipoca na cozinha.. hehe. O silêncio domina, você percebe todos os detalhes acontecendo em cada cena. Sempre aparecendo uma tensão emocional no ar.. em suma, película das boas.
Recomendo aos nobres leitores desse espaço.. hehe.
P.S.: o filme saiu de cartaz no cinema; tem que ir pra locadora mesmo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2004

Dois pesos, duas medidas..

É interessante, durante toda a campanha eleitoral na cidade de São Paulo, 90% das notícias sobre os então candidatos no jornal Folha de S. Paulo eram críticas à gestão da Marta Suplicy. Não tô dizendo que não tem que criticar, tem que criticar e muito.
A gestão da Marta teve vários defeitos, assim como inúmeras qualidades (ainda não engoli aquela foto que o dito jornal publicou sobre o "passa rápido" na rebouças durante a campanha, mostrando os ônibus passando livre e os carros parados no congestionamento.. como se isso fosse algo ruim. Muito pelo contrário, eles esqueceram de citar que um ônibus leva em média 40 pessoas, enquanto um carro, no máx, 5). O problema é que o lado da plumagem tucana não era mostrado, pelo menos eu nunca vi. Dá pra se contar nos dedos a quantidade de reportagens críticas que a Folha fez sobre a gestão do Geraldo Alckmin no governo do Estado, por exemplo (o grande tutor eleitoral do Serra).
Aliás, é difícil ver alguma reportagem sobre o que se passa na administração estadual no jornal.. não tem nada. Nem parasse que a Folha é um jornal paulista.. ou se fala da prefeitura (falava-se; pq agora, passada a eleição, a prefeitura sumiu das páginas do jornal) ou do governo federal. É intrigante..
Pois bem, qndo abro o jornal hj, menos de 1 mês do fim do segundo turno, deparo-me com isso: "TCE vê falha em modelo tucano para a saúde"; subtítulo: "Auditoria aponta falta de controle em hospitais geridos por entidades; Serra estuda expandir o sistema" (FSP; 19/11/2004 - p. C1, caderno Cotidiano).
Interessante como essa notícia só surgiu agora, já que não há mais possibilidade de impacto eleitoral... hehehe..
Por isso que eu sou adepto da teoria de que não existe mídia imparcial. O que existe é mídia plural e mídia sectária. Sendo que a Folha está na primeira categoria (por isso que continuo lendo ela todo dia, faço questão).. ainda bem. O que não autoriza a dizer que seja um jornal imparcial.. longe disso. Quem lê o jornal com freqüencia e acompanha os editoriais sabe disso.

quinta-feira, 18 de novembro de 2004

Negócios, Negócios..

Estava lendo o jornal hoje qndo me deparei com esse texto; muito interessante. Tem uma relação muito grande com a minha postagem anterior. Pelo menos o que eu ando sentindo faz algum sentido (ficou estranha essa frase, mas não é nenhum trocadilho não..hehe..) :
Dulce Critelli
Vivemos sob a pressão do desempenho e de ações previamente definidas
Uma questão de negócios?


O que me entristeceu na maneira fria e técnica com que o recente processo político eleitoral foi tratado foi que, nele, se reproduziu o que acontece com cada um de nós na vida comum e diária. Tudo não passa de uma questão de negócios. Já há algum tempo os negócios deixaram de ser um tema exclusivo das empresas e dos governos. Eles se tornaram nosso modo de vida cotidiano. Tudo o que pensamos, queremos, necessitamos, acreditamos e fazemos é moldado e arrumado dentro do esquema dos negócios. Casar, nos divertir, escolher o que estudar, que profissão seguir, rezar, fazer planos para o futuro, cuidar da sobrevivência, da velhice e da morte são coisas que só podem acontecer se nos adequarmos ao sistema dos negócios. Até mesmo a caridade, que poderia ser o contrário, se não se submeter a tal sistema não poderia ser praticada.O problema decorrente dessa situação não está propriamente nos negócios, mas no fato de ele ter se tornado a única maneira disponível para se lidar com a existência. É a parte tomando o lugar do todo. Uma questão de proporções. É a complexidade da existência limitada ao simples esquema de operações dos negócios.O esquema dos negócios é um jogo. Pressupõe metas, meios e estratégias para atingí-las, normas a serem cumpridas pelos jogadores, certos princípios (por exemplo: não roubar). A tática fundamental do jogo é a competição. O resultado é a vitória, o atingimento da meta prevista. O que motiva os jogadores é o prêmio que se ganha com a vitória: dinheiro, prestígio, fama... De modo geral, sempre algo tangível, externo, visível a todos, impessoal.Como se negocia é hoje como se vive. Competência, controle, liderança, influência, auto-confiança, entre outros, eram comportamentos e atitudes exigidas aos "homens de negócio", em "situações de negócio". Hoje, são esperados dos cidadãos comuns, nas situações mais comuns da vida familiar e social. Vivemos sob a pressão do desempenho e de ações previamente definidas. Conseqüentemente, sob a pressão de uma avaliação desse desempenho, que pode ser feita por qualquer um, e pela incumbência de vencer.Mas, só ganham o jogo os mais competentes e adaptados para se conduzir de acordo com suas regras. Nunca quem pensa haver outros meios para se chegar aos mesmos fins. Ou quem tenha outros fins. Nunca os mais virtuosos. De alguma maneira, as cartas já estão marcadas. Não é à toa que há tantas pessoas com sintomas crônicos de cansaço, estresse, baixa auto-estima, depressão e sentimento de inadequação. Elas não têm aptidão para esse tipo de jogo. Não é à toa que a violência cresce tanto, pois ela tem se mostrado o meio mais garantido de virar o jogo. E não é à toa que as empresas têm dificuldade em motivar empregados. O que todas as pessoas querem, porque são criaturas humanas, é o que está para além da limitação do seu papel de jogadores. Querem o reconhecimento de sua existência singular tal como elas são e não como elas têm que ser. Querem arriscar, experimentar, inovar. Poder contribui com suas próprias qualidades e o testemunho de seus virtuosismos. Não querem ser aplainadas e empobrecidas pelo previsível esquema dos negócios. Por trás do jogador há uma pessoa. Se seqüestrada de sua singularidade, ela murcha. Não se envolve, não colabora, não assume, não tem motivos...Nascemos como indivíduos únicos, exclusivos. Não somos coisas ou puros objetos. É nossa singularidade de ser e lidar com a vida que queremos reconhecida, testemunhada. Essa é a base de todo nosso existir e agir. Sem o reconhecimento dos outros, sem a compreensão do significado do que sou e faço, sem a percepção da minha contribuição para o mundo e para os outros, não há razão nem motivos para coisa alguma. Uma saída? Talvez muitas. Entre elas, revalorizar o humano sob o papel do jogador. E deixarmos a existência recuperar sua amplitude e diversidade.


DULCE CRITELLI, professora de filosofia da PUC-SP, é autora dos livros "Educação e Dominação Cultural" e "Analítica de Sentido" e coordenadora do Existentia - Centro de Orientação e Estudos da Condição Humana; @> dulcecritelli@existentia.com.br

quarta-feira, 17 de novembro de 2004

Under Pressure







Feriado, final-de-semana alongado, reunião de família. É hora de fazer o balanço, traçar perspectivas.. enfim.. mais pressão.

Estive refletindo, e pior seria se ela não existisse. É natural. O que incomoda são certas atitudes e aquela perspectiva de que a visão do outro está deturpada. E pior, é ter que conversar com você mesmo e se sentir impotente, mesmo tendo uma potência latente explodindo dentro do seu crânio.

Vontade de buscar a autonomia e tomar as rédeas das próprias variáveis, e vendo o sistema todo te dizer não.. qndo não acontece de você per si negar as próprias iniciativas. De um lado a negação, do outro a pressão.. e você encurralado ali no meio. Às vezes surge aquela dor de cabeça do nada e você pensa: "Será que sou tão fraco assim?". Acredito que não. Meu ego não me deixa olhar por esse prisma, já notei isso. Ainda bem..

Como dizem os sábios orientais, é hora de respirar fundo e sentir o peso do vento no rosto. Hora de sacar a espada e cortar cabeças.. e depois se refugiar nos amigos (aqueles que estão sempre com um balde d´água e um pano na mão, para limpar as feridas). Não há outro caminho. Cedo ou tarde a engrenagem te espreme.. e com certeza vai doer.

Tenho no máximo um mês de estudo para afiar a espada e remoldar a armadura. Ganhei novas armas, o que ajuda, mas não ganha a batalha. A verdade é que o relógio anda disparando cada vez mais cedo, e isso é o que mais assusta. O pior de tudo é fingir que ele não estala. Dessa vez pelo menos eu não tapei os ouvidos.. um avanço.

O mais importante é não perder o controle. Ninguém consegue arrancar uma cabeça sem antes sentir a espada leve nas próprias mãos. Talvez seja esse o maior desafio.

domingo, 14 de novembro de 2004

"menino maluquinho" 1 x 0 blogger

Aeeee....!! marquei o primeiro.. hehehe..
Depois de passar um bom tempo no "switch-over" de janelas no meu windows, consegui carregar um servidor de imagens aqui pro blog. Até que deu pouco trabalho, achei que fosse ser mais complicado.. e que perdesse meu humor nesse domingão, mas deu tudo certo.
O único inconveniente é a "frescura" da formatação desse template. Tive (e terei) que diminuir as imagens pra poder ajustar as ditas aos parâmetros do espaço aqui, mas tá bom. Melhor do que nada..

sexta-feira, 12 de novembro de 2004

TIM Festival

Não vi nem ouvi o pessoal comentando muito sobre o dito. Pelo menos das listas de discussões que participo na net, os comentários foram esparsos.
A apresentação do Libertines eu pude acompanhar pela TV (a Globo às vezes acerta à mão), pelo menos um trecho. Depois que vi comecei a apreciar mais o som deles. Não sei, gostei mais das músicas ao vivo do que as que pude escutar do álbum. Posso não ter escutado o suficiente as originais de estúdio, mas eles parecem ser muito mais uma "banda de palco" do que de bons álbuns. Pelo menos foram muito mais competentes no show que eu vi do que nas músicas que escutei na net.
Dizem que show da P.J. Harvey foi muito bom também. Bom, não conheço quase nada dela então não posso me meter a emitir opinião.
Um que parece ter sido excelente foi o do Brian Wilson. Esse eu estou arrependido de não ter visto, assim como o do Kraftwerk (foto abaixo). Mesmo que me roubassem por lá (parece que teve um "arrastão" de celulares e câmeras digitais), acho que teria valido a pena.. hehehe.. Assim como os Beatles e o The Clash, o Kraftwerk é uma das bases da música pop, uma das bandas mais importante e influentes. Mancada.. as condições de t$mp$ não ajudaram mas não era nada impossível. Faltou se programar melhor.



Kraftwerk na apresentação do TIM Festival - 05/11/04 - foto: Carola González/Showlivre

Arafat

Estava vendo na TV hoje de manhã o enterro do líder palestino Yasser Arafat. Um negócio surpreendente. Milhares de pessoas se empurrando e gritando, cercando o helicóptero. Ninguém conseguia segurar a massa. O pessoal da guarda palestina não conseguia colocar um mínimo de organização pra conseguir fazer o cortejo. Tentavam abrir caminho atropelando a população, sem nenhuma cerimônia. E uma interminável saraivada de tiros pro alto (os caras são doidos; tudo que sobe, caí..), e uma ode de gritos de "Arafat!.." sem parar. Foi uma das cenas mais surpreendentes que eu já vi. E também uma das cenas mais irracionais.. assim como aquelas cenas dos tanques israelenses derrubando casas e mirando civis palestinos. Tudo ali era instinto e emoção. Assim como as razões desse conflito besta, onde os dois lados batem no peito e deixam o cérebro de lado.
Aliás, estava vendo hoje na internet e meu pai já havia comentado comigo. O pessoal está com uma suspeita forte de envenenamento. Se isso for provado aquilo lá vai virar um inferno e a coisa vai descambar de vez. Pelo menos o nosso amiguinho "Sir" Tony Blair está tentando compensar a cagadinha política que fez ao apoiar a invasão do Iraque e tá tentando recriar um plano de paz pra região. Segundo os ingleses, eles querem uma recompensa por ter apoiado os EUA na guerra. Seria a vez deles. Quero ver mesmo se eles têm essa moral toda com Walker Bush, "the cowboy".. hehe..

Agradecimento

Queria fazer um agradecimento público à minha amiga Cris, que me ajudou (e ajuda) a entender os meandros do HTML do blogger.. hehe..

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

The Bravery of Being Out of Range

Faz uns dois dias que o exército americano está detonando Fallujah, no Iraque. Segundo a Folha de S. Paulo, hoje a "infantaria McDonald´s" (gosto dessa expressão pq ajuda a me lembrar sempre que nós financiamos tudo isso, somos co-responsáveis de alguma maneira) atingiu o centro da cidade. De brinde, vem uma foto de um terrorista com a cabeça estourada caído no meio de uma rua. Deu até pra identificar os pedaços de cérebro junto com os pedregulhos do asfalto. Lógico que não vou colocar aqui.. até pq meu servidor de imagens ainda está inoperante.. hehe..
Até aí tudo bem.. Pode-se dizer: guerra é guerra, algúem vai ter que ser abatido. Essa é a regra. Agora o que normalmente não vem estampado nas manchetes é o que acontece com os civis (pelo menos até algum tempo atrás, qndo a Convenção de Genebra ainda era respeitada entre os países, civil não era considerado combatente, nem alvo). Lendo nas entrelinhas da reportagem (não dessa, mas de uma outra anterior que eu li), descobre-se que como conseqüencia da ofensiva, cerca de 300 mil civis foram obrigados a escafeder-se da cidade de um dia para o outro.
Estou citando isso pq hoje fiquei pensando enquanto estava lendo o jornal e pondo-me na situação de um civil iraquiano. Depois me imaginei caminhando por uma daquelas estradas áridas e dando de encontro com todo esse povo.. Fiquei pensando como eles iriam reagir à minha presença, como iriam olhar pra minha cara.. O que eles iriam dizer?.. e depois.. O que eu posso dizer pra mim mesmo?..
Quando refleti sobre isso me deu vontade de colocar na vitrola essa música do Roger Waters, que retrata de uma forma bem perspicaz o quanto nós cidadãos ocidentais comuns temos de culpa nisso tudo:



The Bravery of Being Out of Range
You have a natural tendency
To squeeze off a shot
You've good fun at parties
You wear the right masks
You're old but you still
Like a laugh in the locker room
You can't abide change
You're at home on the range
You opened your suitcase
Behind the old workings
To show off the magnum
You deafened the canyon
A comfort a friend
Only upstaged in the end
By the Uzi machine gun
Does the recoil remind you?
Remind you of sex
Old man what the hell you gonna kill next?
Old timer who you gonna kill next?
I looked over Jordan and what did I see
Saw a U.S. Marine in a pile of debris
I swam in your pools
And lay under your palm trees
I looked in the eyes of the Indian
Who lay on the Federal Building steps
And through the range finder over the hill
I saw the frontline boys popping their pills
Sick of the mess they find
On their desert stage
And the bravery of being out of range
Yeah the question is vexed
Old man what the hell you gonna kill next?
Old timer who you gonna kill next?
Hey bartender over here!
Two more shots
And two more beers
Sir turn up the TV sound
The war has started on the ground
Just love those laser guided bombs
They're really great
For righting wrongs
You hit the target
And win the game
From bars 3.000 miles away, 3.000 miles away!
We play the game
With the bravery of being out of range
We zap and maim
With the bravery of being out of range
We strafe the train
With the bravery of being out of range
We gain terrain
With the bravery of being out of range
We play the game
With the bravery of being out of range
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A Bravura de Se Estar Fora de Alcance


Você tem uma tendência natural
A curtir um drink
Você se diverte nas festas
Você usa as máscaras certas
Você está velho mas ainda
Gosta de uma risada no vestiário
Você não agüenta mudanças
Você está em casa no campo
Você abriu sua mala
Atrás da velha mina
Para mostrar a magnum
Você ensurdeceu o canion
Um conforto, um amigo
Apenas derrotado no fim
Pela metralhadora Uzi
O recuo não te lembra?
Te lembra de sexo
Velho, o que diabos você vai matar agora?
Velha guarda, quem você vai matar agora?
Olhei sobre o Jordão e o que eu vi
Vi um fuzileiro americano em uma pilha de destroços
Nadei nas suas piscinas
E deitei-me sob suas palmeiras
Olhei nos olhos do índio
Que se deitava nos degraus do Federal Building
E através da mira eletrônica por sobre a colina
Vi os garotos na linha de frente tomando suas pílulas
Enjoados da bagunça que encontram
No seu palco do deserto
E a bravura de se estar fora de alcance
É, a questão é controvertida
Velho, o que diabos você vai matar agora?
Velha guarda, quem você vai matar agora?
Ei barman, aqui!
Mais dois drinks
E mais duas cervejas
Senhor aumente o som da TV
A guerra começou no solo
Adoro estas bombas guiadas a laser
São realmente demais
Para se consertar o errado
Você atinge o alvo
E ganha o jogo
De bares a 3.000 milhas de distância, 3.000 milhas de distância!
Jogamos o jogo
Com a bravura de se estar fora de alcance
Zapeamos e aleijamos
Com a bravura de se estar fora de alcance
Bombardeamos o trem
Com a bravura de se estar fora de alcance
Ganhamos terreno
Com a bravura de se estar fora de alcance
Jogamos o jogo
Com a bravura de se estar fora de alcance
(Roger Waters - "The Bravery of Being Out of Range")


Com certeza alguém vai dizer que eu sou um grande hipócrita. Eu retruco: vamos fazer um turismo rápido em Fallujah esse final-de-semana? Quem topa?

Anti-estresse

Não sei o que se passa, ando irritado além da conta essa semana. Ontem discuti com meu irmão, e quase atropelei um PM no trajeto pra ir buscar o dito. Sem falar que no começo da semana tratei mal uma amiga minha, talvez sem um motivo que justificasse.
O pior é que nem tenho razões sérias que pudessem me levar a ficar estressado. Minha vida anda tão pacata e tediosa que o estresse só pode ter surgido pela falta de fatos estressantes. É bizarro.. estou numa espécie de situação "anti-estresse" estressante..
Por outro lado, posso não ter me apercebido dos motivos reais. Pior, eles podem estar tão evidentes que eu os estou ignorando, até de forma meio inconsciente. Seria uma hipótese..
Bom, vou pegar minha segunda xícara de café.. hehehe..

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

menino maluquinho em ação...

Salve, Salve!... hehe...
Voltei a ser um blogueiro...
Comentei um tempo atrás com a encliclopédia que estava sentindo falta do meu extinto blog. Pra ajudar, ontem a bidulina me diz que está fazendo um pra ela também. Não resisti.. hehehe.. Em vez de ressuscitar o extinto A Rush of Blood to Our Heads, achei mais interessante respirar novos ares. E dessa vez não vou mais ficar nesse vai-e-vem; agora é definitivo. Nesse ritmo, eu já estava fazendo jus à alcunha de menino maluquinho.. hehe.. agora vou baixar a poeira e ver se consigo fazer esse blog durar mais de um semestre.
Com relação ao dito, ele ficou bem parecido com o da minha amiga guria sulina. Espero que ela não fique brava.. hehe.. mas não achei um outro layout mais interessante que este. No mais, achei muito bom o servidor, um dos melhores que eu já vi. O único defeito é a ausência de um servidor de imagens próprio. Vou ter que solicitar a ajuda da minha amiga e blogueira Cris pra solucionar esse pequeno entrevero.. hehe.. mas acho que não haverá problemas.
Por hora é isso, entrem.. sintam-se à vontade.. que logo o café será servido.. hehe..