quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

o arquivo morto II..

Pois é, nada como a presença física pra resolver as coisas.. hehe. É engraçado como as pessoas mudam qndo em vez de só escutar a sua voz, enxergam a sua cara.
Baixei em Itatiba ontem. Chegando na escola, as duas secretárias sentadas na escadaria de entrada.. conversando e fumando (uma delas). O expediente devia estar beeemmm agitado..hehe. Entrei, me identifiquei, disse que era o chato do telefone (não literalmente óbvio, não cheguei a ser tão irônico assim..hehe): "Então fulana, eu sei que vocês estão em final de ano, mas eu preciso com grande urgência dessa certidão.. vou prestar um concurso e se eu passar e não estiver com o diploma da facul em mãos eu não vou poder assumir o cargo.. ou seja, vou ficar no prejuízo.."; conversa vai, conversa vem.. eu:"Vou prestar o concurso do INSS.." ela: "ah é?.. eu também!.." Putz!!... era só o que me faltava.. além de torrar minha paciência, a dita vai ser minha concorrente!!!.. é mole? hehehe..
"Então Alexandre, o problema é que como você se formou em 98 o histórico está fechado no arquivo morto..." (ráios!! eu quase não me contive em perguntar o que há de tão temeroso nesse arquivo morto.. mas fiquei na minha; estava quase com a certidão em mãos, obtendo progressos, não ia ser agora que eu ia estragar as coisas.. vai que a mulher tem algum surto psicótico se eu tentasse desvendar o enigma..hehe) "..de qualquer maneira, eu vou deixar um recado pro fulano e ele vai providenciar pra amanhã, pode ser?.. ele já vê cedo pra você isso" (tinha dito que precisa sem falta até o final da semana) "ok fulana, obrigado.. amanhã eu passo aqui pra pegar então.. você vê um protocolo de requerimento pra mim?"; fui embora.
Voltei hoje. Ela cheia das gracinhas: "Tá pronto.. olha só o tamanho do recado que eu deixei pra ele.." -e dá uma risadinha irônica, mostrando uma folha com a anotação do pedido-. Eu não entendo, afinal... é obrigação dela. Esse histórico é um documento público (a escola é particular, mas a educação é um serviço público.. no caso, cedido em concessão pra eles), e ela não pode se negar a extrair a certidão nem cobrar pela dita (isso tá disposto em lei; aliás, até pensei em levar junto a dita caso a coisa esquentasse mas desisti..). Bom, pelo menos ela foi educada.. até descobri que o filho dela estudou junto comigo, na mesma época..
Enfim, ela me deu a certidão e eu fui embora tranqüilo. Mas eu fiquei refletindo.. como as pessoas são idiossincráticas. Como deixam coisas simples se tornarem um tormento que fica entulhando a nossa cabeça. Falta um mínimo de exercício de empatia, de se colocar no lugar do babaca e pensar: "Poxa, isso deve ser algo importante pra ele lá.. imagine se eu estivesse numa situação dessas?"..
Talvez seja um reflexo de algo maior, de uma indiferença coletiva.. algo que se exacerba numa sociedade que ao mesmo tempo infla seu ego e esvazia.. deixando uma grande bolha amorfa e sem sentido.. como diz uma amiga minha, "that´s it".

Um comentário:

Carrie Bradshaw Tupiniquim da Silva disse...

É, sinceramente... eu já esperava por esse desprezo por parte delas... já trabalhei nisso e sei como esse povo é... por isso aguentei 6 meses só pra pagar meu cursinho...
E outra coisa: ela não é sua concorrente, ela pensa que vai passar empregando o mesmo esforço que empregou pra te ajudar (quase nenhum)...
beijos!