sábado, 30 de dezembro de 2006

the end (reprise)

Meu ano em SP acabou de uma forma inusitada. Minha última noite aqui, e tudo se embaralhou. Minha cabeça pulsava e latejava de dor, mas espiritualmente ela queria outra coisa.
Eu queria continuar pra finalizar algo que precisava ser finalizado (?). Foi como se a citada energia que não sentia a um bom tempo, a qual comentei no texto anterior, se chocasse com as antigas, e brigassem entre si para saber quem iria dominar a joça Alexandre em 2007.
O estresse do trabalho, o cansaço, aquelas forças que vão-e-vem apareceram nessa noite como que pra "estragar a festa" e sentenciar metaforicamente que não poderia haver renovação. Era uma simples dor-de-cabeça (que na verdade não era tão simples assim), mas que veio afim de por tudo a perder. A minha noite (o meu 2007 e as minhas novas energias) não poderiam triunfar.
Enfim, uma briga cruel, onde o "bem venceu o mal", e onde eu me superei (será que consegui?) para tentar não transparecer ao máximo a revolução química no meu cérebro (estou falando de um triste e simples projeto de enxaqueca). E a noite terminou bem, muito bem, apesar de tudo. Em que pese eu não ter bebido a minha Guinness, o líquido predestinado a anunciar as boas novas, eu acho que elas estão vindo. E eu, pronto a recebê-las.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

the end

Então 2006 foi pro saco. (Ufa!..) Mas esse ano valeu, por cada uma das 365 cantadas de galo. Não sou adepto de melhores e piores, mas acho que nesse ano houve muito aprendizado, muita vivência, muitos ganhos, e poucas perdas. O balanço final foi positivo, sem "dividendos a pagar".
E sinto também que o ano que entra começa bem. Energias que havia tempo achava que não iam mais circular pelas bandas alexandrinas surgiram. Isso me dá um gás a mais pra encarar os desafios que eu tento propor a mim mesmo. Tomara que tudo se engrene e faça essa joça chamada Alexandre girar de uma forma mais calibrada.
"and in the end..." ..bom, vc sabem. "Abbey Road" na vitrola, por favor.

empty spaces dicas: "Mutantes ao Vivo - Barbican Theatre, Londres" (2006)

Queria escrever essa postagem sem esse sono acachapante que me atinge, mas ela tem que sair agora, com imagem na tela e som na vitrola.
Bom, eu sempre soube da importância dos Mutantes na música brasileira, mas nunca tinha escutado a fundo o som deles. Tudo se resumia a "Panis et Circenses". E nem visto uma performance ao vivo. Ainda mais sem a Rita Lee.
Aliás, é lógico que o grupo sem ela não é o Mutantes que ficou pra história, mas eu sinceramente não senti muita falta dela nesse show. De alguma forma, eles se superaram e supriram a falta dela. E acabaram acertando a mão ao convidar a Zélia Duncan pra fazer a voz feminina.
Bem, estou soniferamente muito lesado pra escrever tudo o que vi, escutei, e achei desse show mas, em resumo, depois de alguns séculos, os caras (Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Dinho Leme) resolveram se unir e fizeram essa apresentação especial num teatro em Londres, com ingressos esgotados.
Montaram uma banda excelente pra acompanhar e enfileiraram uma sequência deliciosa de clássicos do grupo. Detalhe: eu não conhecia 80% deles (santa ignorância!). Liricamente, um som sofisticado, mas sem deixar de trabalhar com versos simples. Musicalmente, algo que faz jus ao nome do grupo: vocais a la Beatles, Beach Boys, passagens numa mesma música que vão de uma levada as vezes "medieval" pra algo que lembra um hardrock refinado "puxando" Deep Purple e Led Zeppelin. Outras vezes, saem de uma harmonia bossa-nova e partem pra umas viagens psicodélico-progressivas desvairadas.
Poderia comentar uma a uma aqui, mas achei excelentes faixas como "Caminhante Noturno", "Ave Gengis Khan", "Cantor de Mambo", "El Justiciero", "Dois Mil e Um", "Ave Lúcifer" (essa é primorosa), "A hora e a vez do cabelo nascer" (psicodélica e deliciosamente ufanista), "A minha menina" (pop nacional perfeito, do Jorge Ben, anos-luz de distância de Jota Quest e similares), "Bat Macumba".
Enfim, a finalidade da postagem é essa: recomendação. Procurem na internet, comprem o DVD (pra quem tiver um dinheiro sobrando). Pra quem gosta de boa música, é material necessário.
E por último, queria agradecer meu pai por ter descoberto e trazido de presente esse trabalho diferenciado. Natal com som classudo na vitrola, e no vídeo.
na foto: Dinho Lemes, Arnaldo Baptista e Sergio Dias.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

My Dear Jo-Jo..

(!!!)
Angelina Jolie diz não ter planos de se casar com Brad Pitt
NOVA YORK (Reuters) - Angelina Jolie falou publicamente sobre o começo de seu relacionamento com o ator Brad Pitt, dizendo que nunca quis prejudicar o casamento dele com a atriz Jennifer Aniston -- mas ela também não tem planos de se casar com ele.

Jolie, de 31 anos, disse que, durante as filmagens de "Sr. e Sra. Smith", em 2003 e 2004, os dois astros perceberam que partilhavam "um laço emocional profundo", apesar de Aniston ser claramente, na época, a melhor amiga de Pitt.

"Por causa do filme, acabamos fazendo todas aquelas loucuras e acho que descobrimos essa estranha amizade e cumplicidade, que aconteceram repentinamente."

Jolie disse que continuou "muito, muito amiga" de Pitt depois de fazer o filme, sem comentar sobre a natureza do relacionamento. Pitt, de 42 anos, e Aniston, de 37 anos, romperam no começo de 2005.

"E então a vida continuou de uma maneira em que podíamos ficar juntos, e pareceu algo que podíamos fazer, que devíamos fazer", afirmou.

Jolie disse que não planeja casar-se com Pitt, mas que eles se comprometeram a criar seus três filhos. Jolie adotou seu filho Maddox no Camboja, em 2002, quando era casada com o ator Billy Bob Thornton, e sua filha Zahara na Etiópia, em 2005. Esse ano, ela deu à luz sua filha Shiloh.

"Nós dois fomos casados antes, de maneira que não é o casamento que necessariamente mantém as pessoas juntas. Estamos legalmente unidos a nossos filhos, não um ao outro, e acho que isso é o mais importante", declarou Jolie, cujo novo filme, "O Bom Pastor", será lançado este mês nos EUA.

A atriz, que está trabalhando no filme "A Mighty Heart" (coração valoroso), em que faz o papel da esposa do jornalista norte-americano Daniel Pearl, admitiu já ter vivido de maneira perigosa. Mas, segundo ela, tudo mudou depois de ela ter filhos.

"Sou comprometida com a vida. Acho mesmo que, antes do meu filho, eu era um pouco niilista", afirmou Jolie. "Começo a conseguir me ver com 50 anos, com os filhos se formando no ensino médio."

por Belinda Goldsmith
fonte: Reuters - link (newsbox.msn.com.br)
Nosso famigerado "mago" tupiniquim Paulo Coelho uma vez sentenciou que, quando a gente quer, o universo todo conspira a nosso favor. Sempre tive um pé atrás em relação a toda essa presunção. Porém, dessa vez, acho que está funcionando.
Eu tenho pra mim mesmo uma teoria bizarra de que minha amada Jolie possui clones espalhados pelo planeta. E que uma das minhas missões é encontrar o meu. Desejem-me sorte.
img: www.lechinois.com

"pai, eu quero falar com você.."

Foi a frase que eu ouvi ontem no recado da secretária eletrônica do meu telefone, quando cheguei do trabalho. Assim, na lata, direto, e depois desligou o fone. Era um moleque que devia ter seus 5, 6 anos, não mais que isso, e falava com uma voz embargada de choro.
É interessante como nessas horas você leva um susto, como se estivesse recebendo algum tipo de "mensagem cifrada". É lógico que não é nada disso, mas fica aquela sensação estranha. Uma comunicação "surda", perdida e sem sentido, por um milionésimo de segundo, ganha significado dentro da sua cabeça, como se fosse algo direcionado a você. Logo depois, ato contínuo, você começa a indagar: "onde? porque o choro? será que ele está sozinho? porque busca o pai? onde estará o pai? e a mãe?".
Mais fascinante ainda é perceber a necessidade que nosso cérebro tem de dar um significado a qualquer mensagem e comunicação, e ele busca isso inconscientemente, instintivamente, assim como um filho busca o pai na hora do aperto.
Parece bobagem, mas eu acho isso o máximo. Até porque somos um dos poucos animais que desenvolveram e souberam trabalhar essa capacidade de forma tão complexa.

domingo, 10 de dezembro de 2006

um dia na lavanderia

Esses dias tive a minha primeira experiência em uma lavanderia profissional. Com a mãe distante (lá no planalto central) , e com a máquina de lavar gratuita mais próxima a 90 quilometros de distância, eu tive que mudar de estratégia, e gastar dinheiro.
Uma das agruras da vida de solteiro masculina preguiçosa adulta é essa. Eu já comentei em outro espaço que lavar roupas é algo muito chato, apesar de ter ouvido de amigos que é uma atividade terapêutica (difícil). Os argumentos não me convenceram muito, apesar que parte do material eu lavei no tanquinho do apê e realmente traz uma vibração espiritual legal. (?)
Enfim, pesquisei e encontrei um estabelecimento legal no centro de SP. Eu achei que fosse ser um porre, mas, por incrível que pareça, eu achei gostoso. Aquele cheiro de amaciante permeando o ambiente, um silêncio mortal, aquelas janelinhas com roupas girando, e um ruído constante e grave das máquinas de lavar, como se fosse um mantra. Lembrei de um episódio da série de TV Seinfeld (uma das minhas favoritas), em que o enredo se passa todo dentro de uma lavanderia. Apesar de ser um ambiente totalmente "blasè", eu fiquei como uma sensação parecida como se estivesse num monastério (?!).
É coisa de norte-americano, mas têm coisas de norte-americanos que são geniais. Moedinhas, fichinhas, pegue sua roupa e faça você mesmo. Você ganha um saquinho de sabão e amaciante, e se vira. Tem uma "salinha de estar" (umas cadeiras) pra você esperar, com TV (!). Primeiro lava, depois enxagua, e depois seca. Essa a parte que eu mais gostei. Tira a roupa da máquina de lavar e coloca naquelas secadoras "estyles" norte-americanas que eu virei fã. O dia que eu tiver um pouco de dinheiro eu vou comprar uma dessas, nem que eu tenha que virar sócio da companhia de energia elétrica. Demora uns 40 minutos mas a roupa sai sequinha, quente, e macia.
Bom, essa postagem ficou bem confessadamente "amélia", mas não tinha outro jeito. Achei prático, como deveria ser. Mas não sei porque, sempre tive uma imagem de que lavanderias serviam mais pra atrapalhar do que pra ajudar, e pra tirar dinheiro da gente. Mudei completamente essa imagem.
E, como vocês podem notar, lidar com tarefas domésticas é algo complexo pra mim. Ou melhor, eu que deixo tudo ficar idiotamente complexo.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

um dia no inferno

Eu tinha uma missão: comprar dois ingressos pro show do Coldplay. Na prática, tinha apenas um dia pra fazer isso. Pois, como era previsível, os ingressos esgotaram em 48 horas ou pouco mais.

Segunda-feira (passada), eu saio do meu trabalho às 17:00h. E o que acontece? Desaba um temporal. Bom, tudo bem, faz parte da vida. Dou um tempo, passo no banco (pra zerar meu saldo, vocês devem imaginar o preço do ingresso), e aproveito pra comer alguma coisa num McDonalds ali perto. A chuva não passa, óbvio. Dei uns 15 minutos e encarei o aguaceiro.
Voltei pra Avenida Paulista e depois de um interrogatório com vários transeuntes perguntando sobre "como eu faço pra chegar na Vila Olímpia?" (sem obter resposta) resolvi pegar o busão. Entrei no famigerado "Circular Aclimação", também conhecido por "o amarelinho que sobe a Av. Angélica". A chuva vai aumentando. E o busão anda meio metro, pára, anda mais meio metro, e pára. Isso porque meu objetivo era apenas chegar até o cruzamento com a Brigadeiro Luis Antonio pra pegar o "cocozão", o temido "Terminal Santo Amaro".
Quando o busão havia andado dois quarteirões e tentava mudar de faixa pra chegar num ponto: splack!! (onomatopéia "estyle"). O nosso querido motorista arrancou o espelho retrovisor de outro busão. E lá vai ele descer pra pegar os dados do rapaz pra que depois descontem no seu mirrado salário a cagada. Nisso já se vão uns 15 minutos parado na Av. Paulista ajudando a complicar ainda mais o trânsito.
Enfim, tudo foi resolvido e eu consegui chegar na Brigadeiro. Nisso já se passavam uns 50 minutos que eu tinha saído do meu trabalho e não estava ainda nem na metade do percurso. Meu prazo final: 22 horas.
Desço um pouco a Brigadeiro (ainda num pé d´água) e chego até um ponto de ônibus. Não se vão nem alguns segundos e já avisto aquela jeringonça biarticulada do Terminal Santo Amaro. Era a carroagem para o inferno, lotada. Fecho o guarda-chuva, subo, e fico pendurado na porta massarocado no melhor estilo "eu moro na COHAB, e daí?". Naquele ponto eu olhei pra mim mesmo no reflexo do vidro e afirmei: fudeu.
Como o ônibus era biarticulado, o sufoco passou rápido e consegui achar meu espaço mais lá atrás, em pé, lógico. Porém, as coisas não ficaram menos estressantes, isso porque depois de uns 50 metros a avenida toda parou. E começou uma agonizante e torturante espera debaixo de chuva (lá fora), fedendo (e sentindo o fedor dos outros), com o sapato furado e encharcado.
Depois de uma meia-hora nessa situação, eu tive um "insight" de raiva súbita e baixou o Michael Douglas em mim, na sua célebre atuação em "Um Dia de Fúria". Dei um grito babuínico lá de trás pro cobrador avisando que eu queria descer de qualquer jeito e continuar a pé. Eles me entenderam.
Segui a pé, debaixo de uma chuva ainda mais forte (era o auge), com o sapato furado e encharcado, e com mais uma novidade: o guarda-chuva começou a "esfarelar". Eu nunca tinha visto isso na minha vida. A água da chuva começou a penetrar pelo pano (ou vinil, não sei bem do que são feito essas coisas). Mas nessa altura eu já tinha atingido um "nirvana" de estresse e nem estava mais ligado pra porcaria nenhuma.
Em suma, andei a pé uns 3 ou 4 quilometros (é sério), como um beduíno no deserto procurando por um oásis, e finalmente cheguei. Nisso já era umas 19:20h, e ainda chovendo. Aí teve a fase 2 do martírio, que durou mais umas 3 horas. Isso tudo com uns malas atrás de mim na fila falando pelos cotovelos e dando gargalhadas (só paulistano mesmo pra dar gargalhada em fila). Pelo menos na minha frente tinha uma bela e elegante "coldgirl" morena de olhos verdes, vestida como uma aeromoça. Fiquei curioso pra saber se ela era mesmo uma aeromoça, mas não me arrisquei a perguntar, apesar de ter batido um papo rápido com ela. Eu: "o que a gente não faz por um ingresso né?", e ela: "Pois é..."
O maior medo era passar das 22 horas (quando oficialmente fecham as bilheterias) e o pessoal do Via Funchal dispensar a galera. Mas eles foram respeitosos e esticaram até as 24 horas. Eu saí de lá as 22:30h com os ingressos em mãos, graças as forças cósmicas (!). Não eram os que eu queria (os mais baratos, esses evaporaram), mas não tinha outra saída. De última hora apelei mais uma vez pro meu saldo bancário e mandei ver. Nem que isso custasse o resto do mês em bolacha de sal.
Bom, existe aquela velha frase clichê: "eu tive uma visão do inferno". Depois dessa segunda, eu posso afirmar categoricamente com todas as letras: eu vi o capeta.

sábado, 2 de dezembro de 2006

tiro ao álvaro

(Adoniran Barbosa)
Apesar de ser um apreciador do rock and roll, não pude deixar de notar que hoje é o dia do samba. A nossa música. Eu acho que, assim como o blues, é um dos grandes troncos sonoros da música popular mundial. Como todo estilo, tem muita merda e coisa inútil, mas tem também coisas essenciais, como esse vovô aí emcima.
Bom, pra mim, se tem alguém que define o espírito do samba, é esse sujeito. Garanto que tem muita gente que vai discordar, mas o bom samba é ao mesmo tempo simples, elegante, pobretão, divertido, melodicamente austero e gramaticamente errático. E tio Adoniran sabia disso tudo.
img: www.vidaslusofonas.pt

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

zonas de baixa pressão atmosférica


Um dia desses vi na TV uma moça metereologista explicando sobre o clima nessa época do ano, e falando sobre umas tais de zonas de baixa pressão atmosférica. Eu na verdade estava prestando mais atenção nela do que no que ela estava falando. Ela era bonitinha. Aliás, metereologistas fêmeas em geral são belas, mesmo aquelas que não aparecem nos telejornais, ao contrário dos metereologistas machos, um mais tosco que o outro. Enfim, esse assunto me levou a ter uns "insights" interessantes, e meio bizarros.
Não sei porque eu tenho a nítida impressão que estou numa fase de "baixa pressão atmosférica", espiritualmente falando (?). Enquanto a moça do tempo falava, logo surgiu na minha cabeça a imagem de um tornado, e eu lembrei do filme "Mágico de Oz'. Imaginei a mim mesmo ali no lugar da Dorothy, mais leve que o ar. Imaginei também várias pessoas, situações, e coisas flutuando ali do meu lado, como se todos estivéssemos dentro de um liquidificador de sensações as mais díspares possíveis. Amigos, parentes, discos, livros, roupas, xícaras de café (!), tudo ali.
Bom, foi rápido. Logo eu voltei pra realidade e me dei conta de que precisava fazer minha janta. E não consegui bolar uma auto-explicação pra isso. Aliás, essa postagem ficaria mais apropriada no terreno do Sleepy Feeling, mas "insights" (eu adoro essa palavra) não são sonhos. E talvez não tenham significados próprios. Bem, sonhos também não tem. Eu é que sou um ser racional demais e tento dar uma lógica pra tudo.

O mais legal é que fiquei com aquela sensação de cheiro de ozônio no ar. Daqueles momentos pré-tempestades que dão ao mesmo tempo a agradável e temerosa sensação de bem estar na alma. Ou quem sabe, nada mais que um belo momento de "nóia alexandrina".

img: www.es.flinders.edu.au

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

momento ombudsman

Eu estava relendo minha última postagem e notando que preciso utilizar esse blog de uma forma mais vigorosa, falar mais de política, de coisas, digamos, úteis. E também atualizar com mais freqüencia. O que vocês acham?

para os que tiram São Paulo para dançar..

Na última terça-feira (21), o presidente da Comissão de Transportes da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Adilson Amadeu (PTB), denunciou haver indícios de superfaturamento em alguns itens do custo do transporte público de São Paulo. A planilha dos gastos para 2006, apresentada pelo prefeito Gilberto Kassab (PFL-SP) aos vereadores para defender esse aumento, é criticada por distorcer dados importantes.

Por exemplo, o gasto total com combustível dos ônibus foi 30% maior em 2006 com relação a 2005. O custo subiu de R$ 44 milhões no ano passado para R$ 57 milhões neste ano. Entretanto, o preço do litro do óleo diesel, utilizado nos ônibus, subiu apenas 13% neste mesmo intervalo, o que daria um custo bem menor do que o gasto apresentado pela prefeitura.

Não há justificativa, de acordo com o vereador Antônio Donato, para a diferença de valores. “Só posso supor que há uma distorção”, diz ele. Para Donato, existem “interesses escusos” por trás desse suposto superfaturamento.

A depreciação dos veículos utilizados para o transporte, que acumulou R$ 41 milhões neste ano, é outro valor com suspeita de ter sido superfaturado. O custo é 51% maior do que o medido em 2005. Já a variação real do preço de cada ônibus cresceu 19%, bem abaixo da depreciação total. Comparando os dados, Donato indaga: “Uma alta depreciação indica que a renovação [da frota de ônibus] foi alta? Quantos veículos ingressaram no sistema de transporte público para que a variação de custo seja tão alta?”.

“Esses dados, na verdade, antecipam o investimento que a prefeitura quer fazer em 2007, para a renovação de 3 mil ônibus”, diz o vereador Donato, que explica que a conta será paga pelos passageiros. Quem sairá lucrando são as empresas concessionárias, cuja obrigação contratual de renovar a frota será “subsidiada” com o aumento das passagens. “O prefeito Gilberto Kassab também quer garantir sua própria reeleição em 2008”, afirma Donato.
por Rafael Sampaio
Obs: o preço da passagem de ônibus, metrô, e trens em São Paulo será reajustado em 15% no próximo dia 30 (amanhã). Frise-se, a inflação do período foi de 7%.
Pois é, e você lá no busão, as 5 da tarde, tendo que se manter em pé enquanto é espremido por uma massa de gente cansada e suada, que vai e vem com as freadas e aceleradas bruscas de um motorista estressado e mal pago (sim, eu defendo eles), que põe em risco a integridade física de passageiros e pedestres.
Se você mora em São Paulo e ainda não experimentou isso, é um privilegiado e um total desconectado da realidade. E se você já experimentou, sinta a mesma raiva e desânimo que eu e bote a boca no trombone, ou simplesmente passe na frente daquele belíssimo prédio na beirada do Viaduto da Chá e solte um alto e potente urro do palavrão mais grotesco que você conhece.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

entra na fila!..


Chimpanzés preferem fêmeas maduras, diz estudo

Os chimpanzés machos preferem copular com fêmeas mais velhas, afirma um grupo de cientistas americanos em artigo publicado nesta terça-feira (21) na revista "Current Biology".

A equipe do antropólogo Martin Muller, da Universidade de Boston, baseia suas conclusões na análise dos chimpanzés na floresta de Kibale (Uganda).

Os autores do estudo admitem que os motivos dessa preferência ainda são difíceis de estabelecer.

"Considerando o fato que homem e chimpanzé evoluíram a partir de um antecessor comum, a preferência masculina por fêmeas mais jovens é considerada um comportamento alternativo", afirma Muller.

Sexualidade dos chimpanzés - Uma fêmea do chimpanzé alcança a maturidade sexual aos 10 anos, manifestando neste estágio uma protuberância rosa em torno dos genitais. Durante o cio, o globo rosa aumenta de tamanho, excitando os machos.

Cada macho pode, em princípio, reproduzir com qualquer uma das fêmeas --que copulam com até seis companheiros sucessivos, durante 15 ou 20 segundos cada um dos chimpanzés, colocados em fila indiana.

Nesta competição, a única oportunidade para um macho ser "pai" reside na quantidade de espermatozóides produzidos durante estes rápidos encontros. (Folha Online)

fonte: ambientebrasil
foto: http://www.delo.si/images/


Olhem isso: "Cada macho pode, em princípio, reproduzir com qualquer uma das fêmeas --que copulam com até seis companheiros sucessivos, durante 15 ou 20 segundos cada um dos chimpanzés, colocados em fila indiana." (!) Adorei essa parte. Praticidade, comododidade, rapidez, organização. Eu achei o máximo essa notícia. Nós temos muito o que aprender ainda com nossos "primos".

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

home alone (the best of)

A melhor coisa em morar sozinho? Fazer um belo prato de brigadeiro, comer tudo sozinho, e não ter que ouvir sempre aquele famoso "não coloque a colher de volta que vai estragar o doce, e tem mais gente pra comer!!". Não há o que discutir. That´s it.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

procura-se


Uma piscina olímpica (ou assemelhada), no centro de São Paulo, de preferência termocontrolada, em alguma academia (ou clube, que não seja a ACM, porque o preço está fora de cogitação), com uma mensalidade barata e acessível ao bolso de mortais assalariados, visando uma necessidade imperiosa que este blogueiro tem de nadar novamente. Quem souber de algo, por favor, entre em contato. Deixe seu comentário aqui, ou um e-mail (quem o possuir). Pois eu andei, andei, andei, e andei.. e não achei nada no coração da paulicéia.

foto: http://galerias2.lne.es/

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

vida de solteiro

São interessantes as peculiaridades inerentes a vida de solteiro, especialmente se você for homem. Talvez seja a única oportunidade que você poderá ter na vida de fazer com que uma lata de leite condensado perca a validade.

Convenhamos que tem que ser bom pra fazer isso. As que estão na minha dispensa venceram a 3 meses, e só me dei conta disso hoje quando tive a idéia muito oportuna de fazer uma panela de brigadeiro. Resultado: fiquei "a ver navios".

Sem falar em outras coisas bizarras que acontecem dentro da geladeira e que você só se dá conta quando resolve promover uma "expedição" lá dentro. Você se sente o verdadeiro Amyr Klink se aventurando entre icebergs e geleiras de onde surgem seres até então desconhecidos e não catalogados pela espécie humana.

Mas é legal. Ter a experiência de ser responsável sozinho por uma miríade (muito chique isso) de tarefas que antes eram compartilhadas com seus familiares é algo que só te deixa uma pessoa mais "forte" (com aspas sim) e segura de si mesmo. Afinal, esse é o derradeiro caminho a se percorrer pra buscar o sentido de toda a "gororoba" que é a vida.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

pára-raios

Hoje eu estava pensando em como energias negativas afetam a nossa vida, nosso humor, e muitas vezes até a nossa saúde. Eu não sou um sujeito místico (longe disso), mas acredito que o cérebro humano é um instrumento poderoso pra fazer as coisas acontecerem, "pra cima" ou "pra baixo".
Notei também que eu tenho uma séria dificuldade em lidar com isso. Volta e meia eu percebo que viro alvo de muitas energias negativas, por uma série de motivos as vezes perceptíveis, outras não. No âmbito do trabalho em especial, eu comecei a sentir isso. Apesar de eu ser um sujeito de personalidade contraída e ficar "na minha", sempre existem aquele "fluxo" de energia negativa que te acerta em cheio. Talvez o ambiente competitivo do meu trabalho atual ajude nisso, mas é algo que qualquer meio em que mais de meia dúzia de pessoas se reúnem produz.
Existem pessoas que tiram de letra, mas eu tenho uma tendência a absorver essas coisas. Tipo um pára-raios humano. O que é um péssimo negócio. Isso também no que se refere as amizades, também causa estragos, e acaba te desequilibrando.
Mas enfim, conforme a gente vai "crescendo" e amadurecendo vai lidando melhor com fatores como esse, mesmo que a sua personalidade jogue sempre contra. Bom, um dia eu chego lá.

empty spaces dicas: "The Fool on the Hill" (1967)

("Macca", the fool..)

Day after day alone on the hill,

The man with the foolish grin is keeping perfectly still,

But nobody wants to know him,

They can see that he's just a fool,

And he never gives an answer,

But the fool on the hill

Sees the sun going down,

And the eyes in his head,

See the world spinning around.

Well on his way his head in a cloud,

The man of a thousand voices talking percetly loud

But nobody ever hears him,

Or the sound he appears to make,

And he never seems to notice,

But the fool on the hill . . .

Nobody seems to like him

They can tell what he wants to do.

And he never shows his feelings,

But the fool on the hill . . .

("The Fool on the Hill" - J.Lennon/P.McCartney)

Canção singela alocada na segunda faixa do álbum beatle "Magical Mystery Tour", de 1967. Álbum levemente renegado, mas uma verdadeira pérola da música pop.

Bom, todo mundo tem (ou pensa que tem) uma música favorita. Aquela canção que nos personaliza em forma de melodia. A minha é essa.

Toques leves e solitários no piano, uma letra introspectiva, que discorre sobre os sentimentos e pensamentos de um homem fechado em si mesmo. Uma montanha, um olhar distante, o sol. São sempre as imagens que vem a minha cabeça. E que já vinham muito antes de eu conhecer o clipe da música.

Não sei porque sempre quando escuto ela lembro do início da minha adolescência. Do tempo quando comecei a me interessar por música, e talvez o começo de uma busca em entender quem realmente sou eu (mesmo que inconscientemente).

O tempo passa, e essa música sempre ganha um significado novo pra mim, ao mesmo tempo que mantém aquele sentimento essencial de quando a ouvi pela primeira vez.

No meu repertório auditivo, é uma canção especial. Talvez por sintetizar de uma forma lírica e melodicamente bela aquela simplicidade de visão de mundo que, cedo ou tarde, nós descobrimos que é essencial para levar uma vida autêntica.


quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Desciclopédia

Artigo: "Cheiramento de Gatinhos".
Cheiramento de Gatinhos: Prática ilegal muito difundida em países tropicais, subtropicais, intertropicais, atropicais, picais e New Jersey. Consiste em fumar um cigarro artesanal, feito de pêlos de gatos, o quê leva a pessoa afetada à experimentar variados sintomas como: estado de euforia ("Brasil é o país do futuro"), alucinações ("Eu vi um político honesto! EU VI!"), e, posteriormente, larica ("Tô cum fome, mamãe!").
Uma espécie especial de gatinhos (pequenos, peludos e fofinhos) é criada em milhares de fazendas espalhadas pelo
Brasil (que é o principal produtor e exportador). Os gatinhos têm seus pêlos escrotais retirados com uma pinça, um a um. (existem alguns que preferem cheirar os felinos inteiros também) Os pêlos são então lavados, secos e prensados em forma de tijolos de mais ou menos 1Kg. Para uso, utiliza-se uma parte do tijolo, que é colocada em papel de fumo e enrolada. Para fechar corretamente o cigarrinho, deve-se utilizar saliva, também conhecida como cuspe. Após, acende-se o cigarrinho e fuma-se tranquilamente, tomando o cuidado para não ser pego pela polícia (que com certeza vai querer uma tragada!).
Indicação da amiga Jacyra, esse site é muito bom, a Desciclopédia. Uma versão "trash" e politicamante incorreta da eficiente Wikipedia.
Eu dei muita risada com artigos como o da banda Pink Floyd que foi definida como "a banda que lançou a moda emo" juntando uns caras que "ficavam bem loucos de ácido ou maconha ou cocaína ou morfina ou qualquer outra droga que existia", e depois "pegavam os instrumentos e tentavam fazer barulho". Ou na descrição da revista Veja que é definida como a revista "Inveja" e que tem entre suas finalidades "espalhar as maravilhas do liberalismo, e fazer os brasileiros desregulamentarem a economia e admitir que petistas são demônios. Para isso, ela usa de grandes e renomados jornalistas, como por exemplo o infame (!) Diogo Mainardi". Tem ainda o elenco dos itens que caracterizam um sujeito "indie", definido como "coisas de um indie(ota)", entre outras:
-Filmes babacas (que eles fazem de conta que são complexos e inteligentes). Ex.: Pocahontas, Amelie Poulain e filmes do Quentin Tarantino, Stanley Kubrick e outros diretores babacas.
-Nutella.
-Café.
-Suco de limão com meio pingo de vodka (pra fazer de conta que são bêbados malandrões da night).
-Cigarro com aroma de café, limão, vodka, laranja, creme de papoulas chinesas, e outros "cigarros saudáveis".
-Falar putarias e não fazer. Ex.: "você é um tesão", "chupa que eu dirijo", "pega na minha benga", mas não come a mulher nunca. E se for mulher não esconde a vontade de dar.
-Expressões clichês tipo: "Mainstream!!!", ou "OMG, tive um déja vu x)", etc. "Rock Retrô".
-Pseudo-Arrogância. Pseudo-sarcasmo. Ironia não-inteligente. Ex.: "Às vezes fazer uma idiotice pode ser uma terapia."
-Grosseria desnecessária. Isso se deve ao fato de que Indies são todos losers mal-comidos.
-Adidas.
-Franja Playmobil.
-Óculos de aro grosso (muitos deles sem grau).
-Calça apertada e cinto zebra/onça/rebite.
-Perfil do orkut com quase nenhuma informação (porque isso é cool tá, gente).
E por aí vai. Minha diversão desde ontem à noite tem sido procurar por artigos temáticos no site. Já encontrei coisas pra lá de bizarras. E o legal é que os ditos artigos vem com "alertas" como "esse artigo contém verdades" ou "este artigo é medíocre".
Enfim, o que não falta é bom humor, e uma bela dose de sarcasmo e irônia. Recomendo o dito sítio virtual para todos os leitores corajosos desse blog.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

apenas um "eco-texto-chatinho"..

Achei muito legal e interessante esse texto publicado na Folha de SP desse domingo passado, falando sobre a questão da transgenia no meio ambiente. Com a devida vênia, vou deixar publicado aqui. Não só por ser muito bem ponderado, como pelo fato de bater muito com o ponto de vista que eu tenho sobre a questão:
Orgânicos X Transgênicos: A gente não quer só comida
JOSÉ AUGUSTO PÁDUA ESPECIAL PARA A FOLHA

A ciência descobre, a tecnologia executa, o homem obedece." As palavras escritas no portal da Feira Mundial de Chicago, em 1933, sintetizam a postura submissa que ainda caracteriza a relação de importantes setores da opinião pública contemporânea com as inovações tecnológicas.
No vazio das antigas certezas religiosas, a ciência tornou-se para muitos a única fonte confiável de verdade. É irônico observar, porém, que o próprio movimento da modernidade global age no sentido de dissolver a aura de devoção construída em torno do complexo ciência & tecnologia.
O número cada vez maior de pessoas escolarizadas, a velocidade e a intensidade dos meios de comunicação, o estabelecimento de múltiplos espaços para o confronto de opiniões vêm contribuindo para gerar sociedades que discutem cada vez mais seu presente e futuro.
O que está sendo discutido, na verdade, não são os limites da ciência, mas sim o alcance da democracia na alta modernidade. Nesse sentido, a surpreendentemente forte reação de diversos atores sociais aos alimentos transgênicos, especialmente dos consumidores europeus, representa um caso paradigmático.
A pressão democrática para que a produção de organismos geneticamente modificados seja debatida de forma intensa e transparente, com uma moratória no seu uso, contribui para dar visibilidade aos condicionantes econômicos que controlam grande parte da atual pesquisa técnico-científica.
E serve também para expor o uso da ideologia da pureza do progresso científico como instrumento para justificar decisões empresariais fundadas em objetivos bem menos etéreos, tais como o aumento dos lucros e o controle dos mercados.
Princípio de precaução.
Não se trata de coibir a pesquisa acadêmica. O esforço de politização das novas tecnologias, com exceção de algumas poucas vozes especialmente radicais, não passa pela defesa de uma censura da investigação teórica ou experimental.
O problema está na difusão social precoce, por motivos calcados essencialmente na busca por poder econômico, de técnicas perigosas que ainda estão sob intenso debate científico. Ou seja, uma clara violação empresarial do chamado "princípio da precaução", que estabelece, diante da incerteza, que não se devem adotar atividades ou técnicas cujas conseqüências, se negativas, podem ser irreversíveis ou além da nossa capacidade de controle.
Os organismos geneticamente modificados, na medida em que são seres vivos, podem mesclar-se com outros organismos e penetrar nas cadeias ecológicas planetárias, reproduzindo-se de forma descontrolada. É tolice, pois, associar os transgênicos à modernidade e os orgânicos ao arcaísmo.
No setor da produção orgânica, por exemplo, que está crescendo como uma alternativa ao modelo transgênico, existe hoje um grande investimento científico. Não se trata de aceitar passivamente os movimentos da natureza, mas sim de buscar ativamente, por meio de um conhecimento ecológico fino e sofisticado, formas de potencializar a produtividade e a capacidade de sustentação das lavouras.
Mas seria ingênuo supor que a polarização entre transgênicos e orgânicos esteja fundada em uma disputa apenas técnico-científica. Trata-se, mais do que tudo, de uma questão de poder. A agroecologia, por suas características concretas, não facilita a concentração de poder assim como não favorece o estabelecimento de monopólios, patentes e pacotes tecnológicos.
A gestão ecológica da agricultura requer desenhos locais, que dialoguem com as condições específicas de cada domínio do território. Seus insumos, além disso, são renováveis e recicláveis.
No núcleo da pressão pelos transgênicos se encontra a fome de poder de um número restrito de enormes conglomerados empresariais, que, no limite, buscam usar as novas tecnologias para dominar a oferta de sementes e reduzir a autonomia dos agricultores e, por extensão, das sociedades.
É assustador imaginar um futuro em que algo tão vital como as sementes -assim como as fontes da alimentação em geral- estejam nas mãos de pouquíssimas corporações.
O consumidor, ao optar pelo que comer e por qual modelo favorecer, pode estar fazendo política no mais alto grau.


JOSÉ AUGUSTO PÁDUA é professor do departamento de história da Universidade Federal do RJ e autor de "Um Sopro de Destruição".

fonte: FSP (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2910200612.htm)

terça-feira, 17 de outubro de 2006

A arte de descongelar geladeira

Esse último domingo foi revelador. Basicamente explicitou que o meu lado espiritual "amélia" é ainda muito pouco desenvolvido. Enfim, levar por volta de 10 horas pra descongelar uma geladeira não é algo normal.
Tá certo que fazia uns 5, 6 meses que o dito refrigerador não era descongelado (calma que é só um cálculo aproximado), mas isso não é desculpa. Esse tipo de tarefa doméstica é meio que um "ritual de aprovação" para o domínio do mundo dos afazeres domésticos. Se você consegue descongelar geladeira, você lava louças, lava banheiros, cozinha, passa roupas, varre o chão, faz tudo.
Fazendo uma análise holística da situação, acho que fui reprovado. Fiz uma pequena bagunça na cozinha, "lambuzei" o chão, sem falar de outras cagadas comprometedoras.
Em resumo, é uma arte. Dominar um eletrodoméstico que lentamente e de forma temperamental e aleatória começar a "vazar" água é coisa pra poucos e entendidos. Tarefa ingrata, e que demando muita paciência. Está provado (olha o trauma).

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

hasta la (windows) vista, baby..

Estava eu folheando a Folha (putz!) quando me deparei com uma reportagem comentando sobre a nova versão do sistema operacional Windows. Tudo leva a crer que será um belo de um mico, se for vendido do jeito que está. Olhem só as observações:
">>TRANSIÇÃO: vários programas atuais terão problemas para funcionar no Windows Vista. No site, há uma lista com softs incompatíveis com a versão RC1 do novo sistema. Alguns não podem ser instalados, outros tem limitações.
>>SEGURANÇA: Além da polêmica dos antivírus da Symantec e da McAfee, programas de proteção populares como o AVG, o Kaspersky Anti-Virus e o Avast! Home Edition apresentaram problemas. O firewall ZoneAlarm Pro 6.5 também não funcionou bem.
>>EDIÇÃO: O Photoshop CS2 e o editor de vídeos Premiere Pro, ambos da Adobe, estão na lista de softs incompatíveis.
>>GRAVAÇÃO: O pacote Ahead Nero não é instalado corretamente no Vista. Quem tentar usar o Burning Rom encontrará problemas.
>>TOCADORES: O iTunes tem problemas com o recurso iPodService.
>>GAMES: Os famosos RPGs on-line City of Heroes e Second Life não funcionaram na versão de 32 bits nem na de 64 bits do Vista."
(fonte: Folha de SP; 11/10/2006; p.F2)
Ou seja, 80% dos programas e aplicativos mais populares que rodam no Windows atual vão "dar pau". Que beleza hein?!..

domingo, 8 de outubro de 2006

scrapbook man


Nem sei porque estou escrevendo aqui, estou morrendo de sono. Devia ter ido pra cama, mas precisava comentar sobre isso.

Estava esses dias pensando sobre como eu não consigo mais organizar o meu dia-dia sem ficar fazendo pequenas anotações em bilhetes ou bloco de notas. É bizarro.

Quando chega o fim de noite, como agora, invariavelmente eu pego o bloco de notas e começo a anotar tudo o que eu vou fazer no dia seguinte, ou pelo menos as coisas mais importantes.

Compras no mercado na volta do trabalho, contas pra pagar, e até coisas que eu tenho que fazer aqui no micro. Fica tudo meticulosamente anotado para depois ser riscado impiedosamente quando a coisa literalmente sai do papel (ou da cabeça) e acontece. Essa foto aí emcima, que por acaso virou parte do layout do meu blog, é uma dessas anotações. Anotação de tempos mais radicais, quando ainda procurava emprego e tinha que organizar minha semana inteira nesse minúsculo pedaço de papel.

O fato é que virou rotina. E pior que virei um grande bloco de notas ambulante. Enfio todos os bilhetinhos que escrevo e vou deixando pelo apartamento no bolso da calça quando vou pro trabalho de manhã. A primeira coisa que faço quando saio da empresa é sacá-los do bolso e ir eliminando item por item.

Enfim, pode-se dizer que é natural esse tipo de atitude. Afinal, todo adulto normal tem uma série de coisas pra fazer no dia-dia e que precisam ser organizadas. Foi para isso que inventaram as agendas. Mas não sei, eu ando meio encucado com isso. Principalmente porque comecei com esse costume depois que me mudei para sampa e passei a morar sozinho. Dá uma sensação estranha de que, justamente ao contrário, você não consegue ter um controle sobre a própria rotina.

É provável que seja simplesmente um sinal inequívoco de que eu preciso comprar uma agenda. Mas isso eu não vou fazer. Eu odeio agendas. E também não sei explicar o porquê desse ódio.

Vou dormir.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

"não sei..."

Essa foi a resposta dada pelo deputado federal eleito Clodovil Hernandez ao ser indagado por um repórter sobre que tipo de projeto ele pretendia levar pra Brasília agora que o cargo de representante do povo perante o Congresso Nacional lhe foi dado.
Quem não sabe o que pensar sou eu. Senão vejamos:
- senhor Paulo Salim Maluf foi eleito como deputado federal mais votado (em termos absolutos) do Brasil (!!!);
- Valdemar Costa Neto, o homem que admitiu, no melhor estilo "peroba" de ser, que usava "caixa-dois" em seu partido para financiar campanhas e que renunciou ao mandato pra não correr o risco de ser cassado foi eleito deputado federal sem maiores problemas;
- outros eleitos, ou reeleitos: Antonio Palocci, José Genoino (como ele conseguiu ser eleito "sumido" do jeito que estava?!), João Paulo Cunha, Pedro Henry, Sandro Mabel (lembram deles?), e pasmem.. mister Fernando Collor de Mello foi eleito senador por Alagoas (!!).
E depois as pessoas ainda querem reclamar sobre a falta de ética na política. Mas como, se elas mesmas estão dando aval à falta de ética na política??..
Eu fui com muita dor na consciência justificar meu voto dessa vez. Porém, depois refleti bem, e talvez não tenha sido tão ruim assim. Agora, com o segundo turno, vou poder votar sem maiores dificuldades. A questão é: com que ânimo?

mother nature´s son (4)

Hoje eu estava lendo no site Ambiente Brasil: "(...) cientistas lançam um alerta: a temperatura média do nosso planeta em 2006 pode bater um recorde que já dura um milhão de anos." Bom, pra quebrar um recorde de 1 milhão de anos tem que haver muita força de vontade, ou falta dela. É uma proeza pra humanidade.
Olhando assim de uma forma distante, parece coisa de "ecochato", mas é algo que já afeta diretamente o nosso dia-dia. Como comentei em outras postagens, essas mudanças climáticas abruptas que tem ocorrido ultimamente andam acabando com a saúde das pessoas, pelo menos com a minha.
Se não acaba com a saúde, causa uma esquizofrenia no guarda-roupas. Hoje, por exemplo, saí de casa para trabalhar com uma jaqueta pra lá de pesada e fui embora no final da tarde pra casa morrendo de calor e carregando aquele trambolho nas mãos.
Eu não sei se é uma particularidade do clima aqui na capital paulista, mas enche um pouco o saco. Enfim, já tenho a nítida sensação de que esse tópico será um tema recordista desse blog.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

peroba neles!

Já repararam como essa eleição está sendo diferente? Sem sujeira nas ruas, tudo muito comportado, bonitinho, bem "clean". Em compensação, sujeira é o que não falta nos noticiários.
Bom, eu não sou nenhum fã do senador Heráclito Fortes (muito pelo contrário), mas essa frase dele é muito boa:
"Nossa capacidade de investigar fatos está anos-luz a distância da capacidade do governo de fazer cagada."
É uma sábia constatação, sem dúvida. A incompetência rola por todos os lados, seja pelo lado da oposição ou da situação. É entediante observar como nossa classe política está aos frangalhos. Como comentei recentemente aqui no blog, faltam caras, idéias, e projetos novos no meio político. "Farinha" nova.
Nós não podemos nos enganar. Não há nada de novo ou surpreendente nesse quadro político. Não fomos pegos repentinamente envoltos num "mar de lama" inusitado por esse governo atual. Esse "mar" sempre existiu. A única diferença é que agora um grupo político mais inexperiente e "pobretão" está se deslumbrando e se lambuzando nessas águas barrentas. E isso causa uma urticária danada no grosso da mídia que sempre foi alinhada com um povo politicamente mais sofisticado mas igualmente lambuzado.
Enfim, não há solução mágica. Política é uma combinação de fatores que vão desde o estágio de desenvolvimento social de um povo até a forma como esse mesmo povo enxerga a si mesmo e à idéia da disputa do jogo de interesses frente ao bem comum.
Eu assino embaixo a máxima daquele candidato do partido dos coitados dos aposentados da nação. Num mundo onde reina a cara-de-pau deslavada, nada melhor do que "vernizar" essas faces com o melhor óleo de peroba do mercado.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

"the dark of the matinee is mine!..."


(Alex Kapranos - musica.terra.com.br)


Bom, eu poderia escrever um verdadeiro tratado sobre a noite do último sábado, dia 16 de setembro de 2006. Assim como se tivesse o blog nos idos de março desse ano também escreveria um texto gigante sobre o fatídico 15 de março, o dia em que aquele que alguns chamam de "Deus" fez chover em SP.
Enfim, foram os dois melhores shows de rock que eu já tive a oportunidade de assistir. O Oasis debaixo de chuva mandando ver pra uma platéia de seguidores religiosamente fanáticos e o Franz Ferdinand fazendo aquilo que se poderia chamar de a melhor performance pop-rock-art-dançante que alguém pode vivenciar sobre a face do planeta terra.

(Kapranos e platéia - www.estadao.com.br)

E não é papo de fã desmiolado da banda não. O Franz Ferdinand faz um tipo de show raro que poderíamos chamar de a essência do que uma apresentação de boa música pop deve ser. Ao mesmo tempo, não se propõe a revolucionar o mundo, mas também não deixa nem aceita que a música seja algo puramente descartável e pra diversão instantânea.

Eu sempre visualizei a banda como uma mistura sofisticada e explosiva do melhor do "crooner pop" Elvis Presley com a criatividade e descontração dos Beatles. Aliás, uma das minhas músicas favoritas deles, You´re the reason i´m leaving, parece uma junção perfeita desses dois ícones do rock and roll. Pena que não tocaram no show em SP.

Mas em resumo, eu lembro muita pouca coisa da apresentação em si. Como todos lá, estava sensivelmente extasiado e sem muito raciocínio lógico. Lembro dos cabelos da minha amiga Cris "lutando" contra a força da gravidade num vai e vem frenético de pulos dançantes na minha frente. Do Kapranos esguelando lá no telão os refrões de pérolas como The Dark of The Matinee, Michael, Outsiders, This Fire.. essas, na minha opinião, as melhores performances da noite.

A verdade é que celebrações como essa são de tal forma empaticamente bombásticas que fica difícil você fazer uma "análise". E eu também não apareci aqui hoje pra isso. A postagem é única e exclusivamente pra deixar registrado que o Franz Ferdinand é uma puta banda, e que eventos como esse tem uma singularidade que nos deixam eternamente agradecidos. Seja pela música, pelos amigos, ou pela junção mágica das duas coisas.

sábado, 9 de setembro de 2006

"Lime and limpid green the second scene..."

Hoje a noite assisti a um show cover muito bom. Na verdade a banda que fez a performance não é uma banda cover, mas fez um excelente show cover. O pessoal do Violeta de Outono (foto ao lado) tocou num tributo ao guitarrista Syd Barrett, do Pink Floyd, dentro de um festival chamado "Poeira Zine Fest" (na verdade são três shows, não sei se isso chega a ser um festival).

Eu fui na fé de que seria um show "na faixa", mas cheguei no local e descobri que teria que desembolsar R$10,00. Fiquei um tempo refletindo sobre a indagação "será que vale a pena?". Nunca tinha escutado essa banda antes, muito menos fazendo cover. Mas valeu, e muito.

Eu arriscaria dizer que foi o investimento de 10 pilas mais "rentável" que eu já fiz na minha vida. O show valeu os 10 e ainda sobrou. Fizeram uma apresentação extremamente fidedigna pra nenhum "floydmaníaco" botar defeito. Sem falar que o ambiente (local do show) dava um clima a parte, com a banda fazendo o show num mini-teatro que era meio como um "buraco" onde a platéia podia ver de cima. "Nerds" e afins se ajeitaram e curtiram 1 hora e 40 e poucos minutos de um rock and roll de altíssima qualidade.

Eles abriram com uma performance matadora de Astronomy Domine. Tocaram o clássico The Piper at the Gates of Dawn de cabo a rabo. Conseguiram recriar aquele climão art-rock psicodélico com competência. Foram seguindo com várias canções da carreira solo do nosso amigo Syd aí do lado e mantendo o nível. A versão para Terrapin ficou muito boa. Mandaram ver também em Octopus (uma das minhas favoritas) e Baby Lemonade (excelente). Só senti falta de Apples and Oranges e Dominoes. Em compensação, eles tocaram algumas que eu não conhecia e que já serão alvo de uma pesquisa bem detalhada para trazê-las ao meu acervo.
Enfim, deu pra curtir um som refinado, pop, rock, poético, e competente, mesmo sendo cover. Talvez aliás isso tenha ajudado no esmero do trabalho. Convenhamos que a gente não acha isso em qualquer esquina. Ainda mais tratando-se de quem se trata.
Deixo meus parábens ao pessoal da banda. Apesar de ficar me metendo a escrever resenha aqui, não sou nenhum crítico de música pop. Mas tenho certeza que se houvesse um lá na platéia hoje ele iria concordar comigo.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

pensamentos no café da manhã

Cá estou eu, sentado com uma tijela de cereal e escutando Oasis na frente do computador. Não coloquei a "buzanfa" aqui na cadeira pra escrever algo de especial. Assim como minha amiga Cris tem seus "ordinary posts", é só uma postagem com pensamentos vagos e cotidianos. Ás vezes penso que minhas postagens são megalomaníacas demais.
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Não sei, eu não me sinto só, mas invariavelmente tenho um sentimendo de vazio em relação às pessoas que me cercam (seja física ou virtualmente falando). Sei lá, um certo imobilismo. Talvez seja um sentimento social geral (andei reparando nisso também). Dá impressão que as pessoas andam muito desacreditadas, sem sonhos. E obviamente que estou no meio disso também. Ando me sentindo muito "atado". O pior é que acho que 90% desse imobilismo é por culpa minha mesmo.
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Em contraponto, hoje soube de uma atitude oposta, de "desatamento", que me deixou muito feliz. Principalmente porque tem a ver diretamente comigo e com uma pessoa que eu gosto muito. Aliás, meio que inconscientemente, a gente conversa direto sobre isso.
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Estou adquirindo aos poucos uma pérola musical do Roberto Carlos de 1965. "Roberto Carlos canta para a juventude". E, sinceramente, eu nunca vi esse álbum numa pratelheira de loja de CDs. Enquanto os britânicos celebram Beatles e toda a produção cultural pop clássica de lá, nós ficamos aqui na falta de memória e na pindaíba. Dá raiva até.
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Um dia se eu tiver problema de vazamento de gás aqui no meu apê, com certeza, eu não vou morrer por sufucamento ou envenamento. Existe uma verdadeira "avenida" de corrente de vento que corta o dito cujo. O mais legal é que minha cama fica bem no meio disso tudo. E nesses dias de frio congelante, estou tendo que ter uma verdadeira mente de McGyver pra elaborar soluções que bloqueiem essa "avenida".
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A lista de hoje:
* crunch (cereal)
* bis branco
* pão de forma
* coca-cola
* chá-verde
* cds virgens
* um broche dos Beatles.
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Mãos à obra.
(detalhe: meu café da manhã está terminando quase depois do meio-dia).

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

"Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás"

Lembro dos tempos em que era criança que meu pai tinha um quadro com essa foto pendurado na parede de um quartinho no quintal de casa. Quartinho aliás que resguardava todo o acervo cultural da família, uma mini-biblioteca e um canto pra estudos.
Quando estava por lá eu sempre observava aquela figura e nunca entendia o porquê daquele olhar profundo e distante, que parecia lançar-se sobre um horizonte que não existia. Eu procurava, de uma forma inocente, visualizar o que havia por de trás dos olhos daquela "esfinge", mas não conseguia captar nada.
Desde a época dessa lembrança até os dias atuais já se vão mais de 10 anos, e, aos poucos, eu pude compreender e sentir um pouco do significado envolto naquela imagem, mas sempre de forma incompleta e distante.
Nesse começo de mês, no meu trabalho, eu pude "revisualizar" essa imagem na minha cabeça e captar, por completo, todo o sentimento que ela transmite. Em meio a choros, olhares de despedida, de resignação, e de impotência.
Eu diria que foi algo revelador (apesar de já revelado), algo que trouxe um sentimento que veio lá do estômago, de forma visceral, e tomou conta da minha cabeça, como se eu tivesse dando um grito histriônico pra dentro de mim mesmo. (?) Acho que nunca vou esquecer disso.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

uni-duni-tê..

Bom, as eleições estão aí. Em pouco mais de um mês iremos mais uma vez escolher (ainda bem) os nossos queridos representantes políticos.
Muita gente alardeia por aí que estamos vivendo um "momento de crise sem precedentes", que a política nacional é só lama, corrupção, sacanagem.. e blá, blá, blá..
Eu discordo. Na verdade acredito que estamos vivendo um momento de profundo amadurecimento político. Lógico que não está tudo lindo e maravilhoso, muito pelo contrário. Mas situação semelhante a que estamos passando, se fosse vivenciada a 30, 40 anos atrás, com certeza já teria descambado pra ruptura política, tentativa de golpe, essas coisas típicas de países com pouca cultura política democrática.
Contudo, acredito que toda essa "maturidade" está causando ironicamente uma homogeneização das opções de escolhas eleitorais. Talvez pelo fato (também irônico) de que os dois principais partidos políticos nacionais tenham uma origem programática e ideológica comum. Embora não pareça, PT e PSDB possuem mais coisas em comum do que a gente imagina. E consequentemente isso leva àquela sensação de que, tirando aqueles "outsiders" estilo Heloísa Helena, é tudo "farinha do mesmo saco".
Essa "farinha" é de uma safra interessante que surgiu no começo dos anos 80 e juntava um porrilhão de grupos políticos os mais variados que tinham (e tem) em comum a superação de toda aquela era autoritária que se sedimentou com o regime militar.
Talvez essa "farinha" já deu o que tinha que dar e seja necessário o surgimento de novos grupos políticos no jogo de poder. O que não deixa de ser triste, porque provavelmente perdeu-se uma oportunidade histórica. Se o PT ao invés de se "sectarizar" na sua trajetória de desenvolvimento, e o PSDB ao invés de se juntar a grupos conservadores como o PFL, tivessem ambos formado uma parceria política e caminhado juntos, talvez estivessemos vivendo hoje num país muito mais desenvolvido social e politicamente.
Enfim, há males que vem para o bem, espero. E eu quero "farinha" nova!..

(foto: Luiz Carlos Murauskas)

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

empty spaces dicas: "David Gilmour" (1978)

(David Gilmour, o álbum - 1978)

A postagem de hoje serve pra abrir uma série com sugestões, indicações, dicas de coisas que o editor desse humilde blog aprecia e que eventualmente serão expostas aqui para serem compartilhadas.

Bom, recentemente o guitarrista da banda Pink Floyd (esse sujeito aí decima) lançou um álbum solo chamado On an Island. O disco é interessante pra quem aprecia e é fã da sonoridade da citada banda, mas também é bem chatinho. Só não digo que é ruim mesmo porque tem algumas coisas interessantes ali no meio. No geral porém, o álbum é bem limitado.

Ao contrário, esse álbum da capa exposta logo acima é muito bom. Produto do mesmo guitarrista, foi lançado em 1978 no início do fim dos melhores tempos da banda londrina. É um disco bem simples, com músicas diretas, básicas, levemente melancólicas e melodiosas. Não traz nada de inovador (mesmo pra época), mas é delicioso de se escutar. Calcado no blues e num rock bem tradicional, é daqueles Cds que vc bota na vitrola e deixa rolar por inteiro, sem cansar.

Havia um bom tempo que ele estava escondido lá na minha coleção de CDs. Esses dias, "redescobri" o nosso amigo e voltei a escutá-lo vorazmente. Recomendo para tudo e para todos. Uma audição de qualidade, na minha modesta opinião. Não há nada mais aconchegante do que "conversar" com a guitarra melancólica e revoltada de "No way" a altas horas da noite.

Set List:


MIHALIS (David Gilmour) 5:48
THERE'S NO WAY OUT OF HERE (Ken Baker) 5:10
CRY FROM THE STREET (David Gilmour/Eric Stuart) 5:13
SO FAR AWAY (David Gilmour) 5:50
SHORT AND SWEET (David Gilmour/Roy Harper) 5:26
RAISE MY RENT (David Gilmour) 5:32
NO WAY (David Gilmour) 5:32
IT'S DEAFINITELY (David Gilmour) 4:27
I CAN'T BREATHE ANYMORE (David Gilmour) 3:08


* para uma compreensão mais completa da postagem clique no link seguinte : "deglutindo Gilmour".

terça-feira, 22 de agosto de 2006

mother nature´s son (3)


Agora à pouco escuto na TV que os termômetros registram 8º graus na Avenida Paulista. Olho pela janela nesse início de madruga e nenhuma alma viva na rua, com exceção de um gari solitário.
Talvez não haja relevância alguma em escrever essa postagem, mas é que eu quase congelei quando saí do trabalho hoje na rua. De manhã, coloquei apenas uma jaqueta leve pra encarar o dia, e quando saí do prédio no final da tarde dei-me de cara (literalmente) com uma daquelas brisas cortantes de friagem que faz você, por alguns meros segundos, se sentir em plena Patagônia.
Acredito que num prazo de 6 horas a temperatura caiu uns 15º graus (sem exageros). Esse tipo de variação do clima tem um sentido visivelmente aniquilador. É pra matar o sujeito mesmo.
Muito provavelmente, em breve, teremos um "planeta assassino". É deliciosamente irônico, e assustador.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

sinais

Bom, pra quem não sabe eu tenho uma camiseta vermelha com um ideograma chinês desenhado representando a palavra "sonho". Tenho uma afeição especial por essa idumentária. Não sei bem o porquê, mas ela me transmite uma idéia de força e perseverança que eu aprecio muito. Não só pela palavra em si, mas por todo o conjunto, a cor, enfim.
Hoje eu vesti a dita e fui aproveitar meu dia de folga, resolvendo algumas tarefas acumuladas. Quando cheguei no meu prédio no final da tarde, meio que por um desses infortúnios do destino (que na verdade não existem, mas fica bonito falar assim -rs-), uma das moradoras das famílias coreanas aqui do prédio estava esperando o elevador.
Tudo estava bem, ela brincando com os filhos, sorridente, até perceber a minha presença do lado e visualizar a minha camiseta. Do nada, ela "fechou" a cara e começou a me olhar, digamos, de uma forma menos amistosa.
Muita gente não sabe mas os coreanos com os chineses tem uma "rixa" histórica de conflitos e brigas milenares (sem falar nos japoneses; esses três nacionais não se aturam). E do nada, todo esse histórico surgiu na cabeça da moça como se ela tivesse sido atingida por um ráio.
É interessante essa questão dos sinais. De como os símbolos, as idéias, muitas vezes trazem toda uma gama de emoções que passam desapercebidas por quem não vivenciou toda aquela correlação. Talvez ela tenha sentido naquele momento o mesmo tipo de sentimento que um judeu teria ao ver uma pessoa carregando o desenho de uma suástica na camisa.
Eu obviamente fiquei com "cara de bunda", pois percebi a gafe. Mas é daquelas situações inevitáveis, que só um sujeito paranóico talvez tivesse evitado. Infelizmente fica aquela sensação ruim, porém, incontornável.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

lost in the refrigerator

Eu estou com uma péssima mania de "esquecer" coisas na minha geladeira. Não sei se isso é um mal comum a todas as pessoas que moram sozinhas, mas causa prejuízo.
Hoje fiz um "rapa" aqui e descobri um yakissoba mandado pela minha mãe que acho que fazia mais de 15 dias que estava lá no "fundão". Um yogurte com a validade vencida a um mês (!), entre outras coisas que só uma expedição apurada por dentro daquele eletrodoméstico é capaz de desvendar.
Sinceramente, as vezes dá medo de abrir essa geladeira. Sem falar que ela precisa urgentemente ser descongelada. Enfim, é uma arte doméstica que eu ainda não domino: relacionar-se bem sozinho e solteiro com uma geladeira.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Roberto Carlos Matinal Corn Flakes (?)

Por incrível que pareça, cada dia que passa gosto mais da minha vizinhança. Talvez seja porque são todos sujeitos meio excêntricos, cada um ao seu modo. Ao contrário da minha morada "pequeno-burguesa" em Campinas, isso aqui é uma verdadeira babel.
Hoje acordei as 7 e pouco da manhã ao som de estranhos barulhos que surgiam do apê ao lado, como se alguém estivesse arranhando o chão com as unhas (bizarro). Meia hora depois entro no banho e um vizinho distante bota uma trilha sonora do Roberto "é uma brasa mora!" Carlos no último volume. Pelo que pude identificar, era algo dos tempos da Jovem Guarda.
Fecho o apê e parto pro trabalho. Enquanto espero o elevador ouço pelas escadas o som de alguém cantarolando algo que parecia ser como uma prece medieval com letras da banda Calypso (aliás, eles são verdadeiros deuses aqui nesse condomínio).
É confuso, as vezes deprimente, as vezes muito interessante, mas sempre muito divertido.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

mother nature´s son (2)

E não é que eu posto 5 dias depois usando uma jaqueta pra lá de reforçada, dentro de casa, com as janelas fechadas, e mesmo assim tá um frio de lascar?.. Pra não ser pessimista, poderíamos dizer que o planeta está numa "fase rock and roll"..

quarta-feira, 26 de julho de 2006

mother nature´s son

Hoje eu atualizo esse flog vestindo apenas um short e com a janela do apê arregaçada, em pleno inverno de julho. Lá na Europa, o povo tá literalmente morrendo de calor. E boa parte da elite pensante da comunidade científica e política mundial ainda vê com uma certa distância a questão do aquecimento global.
Independentemente de ser algo resultante diretamente da ação do homem ou se é um movimento natural do planeta (é bem provável que seja as duas coisas juntas) o negócio vai ficar feio. Enfim, já está. 6 bilhões de macacos é muita coisa pra uma bola de terra finita, e com recursos finitos.
É triste, mas a verdade é que não temos saída enquanto espécie. Pelo menos tudo leva nesse sentido.

os dez mandamentos da nova reputação

(A Reputação, na velocidade do pensamento)

Estava passeando pelo blog do Claudio Humberto quando vi o anúncio desse livro (Geração; SP). Não li, então não posso falar sobre o livro em si, do jornalista e escrito Mário Rosa (que eu não conheço) . Porém, essa lista de 10 mandamentos eu achei muito interessante, proveitosa, pertinente e realista. Fala sobre a questão da ética, moral, da visão do indivíduo em relação aos outros nos tempos tecno-estresso-amalucados-egocêntricos atuais. Vejamos:
1. Não desprezarás a tecnologia. A tecnologia não é algo teórico nem distante. Está impregnada em todos os detalhes da vida atual e exige ser compreendida em todos os seus múltiplos impactos sobre a reputação e a imagem pública. Deve estar no topo não só de qualquer planejamento, mas de qualquer forma de pensar o mundo de hoje. Deve, sobretudo, estar refletida em novas ações – e não apenas em novos “diagnósticos”.

2. Romperás com velhos condicionamentos. Fomos criados numa outra Era e somos chamados a interagir com uma realidade em que a lógica é diferente daquela que fomos treinados a entender. Por sermos a primeira geração a enfrentar esse desafio, carregamos condicionamentos ultrapassados em nossa forma de pensar, de avaliar os riscos e de nos posicionarmos diante da nova realidade que surgiu há pouco. Temos que adquirir novos condicionamentos e abandonar aqueles que não funcionam mais.

3. Viverás sempre em público. Deixamos nosso rastro eletrônico praticamente em todo lugar. Mesmo em casa, quando usamos o computador, estamos potencialmente expostos ao olhar de alguém, que pode rastrear nossos passos digitais. No banco, no telefone, na rua, em qualquer lugar temos de entender que todos somos pessoas públicas ou potencialmente públicas, independentemente de nossa posição social. Não existe mais o cidadão comum. Agora somos todos cidadãos incomuns.

4. Obedecerás a uma nova ética. Nova tecnologia significa nova ética, novos conflitos, novas formas de detectar velhas transgressões. Segredos antes invioláveis serão expostos à luz, concordemos ou não. Para evitar transtornos, a melhor atitude é adotar preventivamente uma nova forma de conduta. Não se trata mais de uma opção moralista. Trata-se de uma necessidade concorrencial: num mundo onde o olhar do público está superdemandado por tanta informação, confiar é algo muito mais perigoso e desconfiança é sinônimo de descarte.

5. Não mentirás. Esse é um dos mandamentos que sobreviveram de forma literal, entre aqueles “originais”. Com tantas formas de cruzar informações, com tantos registros que se tornam inevitáveis em nossa forma de viver digital, mentir significa abrir um flanco perigoso e expor-se a um enorme risco de contestação cabal. Há quem julgue ingênuo falar a verdade. Mas ingenuidade crescentemente vai ser imaginar que os outros são todos ingênuos.

6. Serás uma marca. Marcas deixaram de ser empresas. Passaram a ser pessoas. Todos somos marcas e devemos buscar construir um significado claro e positivo perante a percepção alheia. Essa nitidez é ainda mais crucial porque competimos hoje muito mais pela atenção do outro. Uma marca é a expressão de um conceito previamente definido na realidade. Ela fala ao coração; deve despertar um sentimento. E suas virtudes devem estar ligadas a um valor maior que transcenda apenas à qualidade ou à eficiência.

7. Serás mais transparente. A tecnologia decretará a morte de segredos que, no passado, até podiam passar incólumes. O melhor a fazer é se antecipar, porque do contrário quando esses fatos, dados ou atitudes vierem à luz poderão ser vistos como transgressão a normas, ainda mais num momento em que os valores éticos deverão estar em transformação. Será preciso também encontrar novas formas de despertar percepção sobre os compromissos com os valores mais corretos.

8. Não esquecerás o passado. Por vivermos num novo estágio do conhecimento humano e ter de incorporar uma nova forma de lidar com a realidade que se transformou, devemos evitar a tentação de agir como se a História estivesse começando agora. Carregamos muitos condicionamentos de tempos imemoriais e jogá-los fora não é o mais apropriado porque nem todos os condicionamentos antigos deverão ficar desativados. O desafio é encontrar um novo ponto de equilíbrio entre nosso pensar primitivo e o nosso pensar “ponto.com”.

9. Viverás em duas dimensões. Viveremos cada vez mais nossa realidade concreta, mas estaremos crescentemente também vivendo e interagindo com uma outra dimensão: a dimensão da informação em tempo real, que nos transporta para qualquer lugar. Estaremos mais próximos de fatos geograficamente distantes, ao mesmo tempo que distantes de fatos fisicamente ao lado de nós. Se estamos mais próximos dos outros, os outros também estão mais próximos de nós. Principalmente de nossos erros.

10. Aprenderás a ver e a se expor. Uma nova forma de ver implica uma forma nova de ser visto, numa nova forma de se expor. Isso significa que teremos de repensar nossos conceitos sobre exposição e também sobre não exposição. O que antes era de domínio privado pode ser um novo espaço público. Do mesmo modo, o que antes era público, mas nos parecia longe do olhar alheio, agora pode não ser mais. Há uma nova esfera pública na qual teremos de praticar uma nova forma de percepção. Uma nova forma de provocar a percepção nos outros. E uma nova forma de compreender a percepção em nós.
Alguém duvida que esses "mandamentos" estão aí agindo a pleno vapor?..