segunda-feira, 26 de junho de 2006

"Não existe amizade sem erro"


Estava eu zapeando os canais ontem de noite na TV quando parei no "café filosófico" que passa na TV Cultura (aliás, acho que sou a única pessoa que assiste esse programa no final de domingo na televisão). Um psicanalista, se não me engano, estava comentando sobre o tema do dia (a amizade) e falando pelos cotovelos quando soltou essa frase. Eu achei uma afirmação extremamente pertinente, feliz, e realista.

É interessante como os mais sinceros e profundos relacionamentos humanos dificilmente são pacíficos. Eu aprendi isso só com o tempo também. Quando era adolescente ainda tinha meio que uma idéia fixa e bem clara de que teria que me esforçar o máximo possível pra ser o cara mais legal possível pra ser aceito pelo maior número possível de pessoas, em resumo, era a ideologia "Alexandre paz e amor". Bom, como todo ser humano que tem um traço de personalidade conservador, eu continuo sendo e agindo assim em boa medida. Porém, conforme fui crescendo e "evoluindo" aprendi que essa idéia não estava de todo errada, ou melhor, que ela tinha muito pouco de certa e que o conflito é inerente e necessário no relacionamento entre pessoas.

Junto com o conflito, e como causa desse, sempre existe o erro. É meio que um detalhe fundamental que age de uma forma necessária e desconcertante para que uma boa amizade não se transforme em algo protocolar e, por consequência, perca a sua intensidade e sinceridade.

Falo aqui em amizade no sentido amplo, no relacionamento de empatia entre duas pessoas que de alguma forma se identificam. Seja no âmbito do que costumamos chamar de amizade padrão mesmo, seja dentro da família, ou em relações mais íntimas. Qualquer amizade que realmente possa ser chamada de amizade possui esse elemento que "joga a merda no ventilador" (não encontrei metáfora melhor).

Mas é interessante também que a questão do erro é muito relativa. Conforme ele aconteça, da forma que aconteça, como é interpretado, aceito ou não aceito, perdoado ou não perdoado, pode "azeitar" muito uma relação como também "azedar" de vez.

Tiro essas conclusões de experiências próprias que tive, e que volta e meia tenho novamente. É aquela história das "cagadas que não tem mais volta". Algumas são grandes cagadas que acabam sendo relevadas, outras são cagadinhas detalhistas que fazem uma sujeira legal. Conforme o grau de significação do erro e do que ele representa pra outra pessoa na amizade a coisa pode ser saudável ou não. E o mais legal de tudo, a grande arte do negócio, está em tentar adivinhar isso. Uns são grandes artistas e sabem trabalhar bem com esse "elemento do erro", outros são menos maleáveis e machucam ou são machucados pela dificuldade de lidar com essa questão do conflito.

No mesmo programa, um jurista conhecido que também estava de debatedor comentou que a base da amizade está na identidade. Naquele lance da empatia que "pega" e não deixa mais de existir enquanto houver uma visão comum na relação. Taí um contraponto de balança legal pra fechar o conceito e resolver a equação: amizade = erro + identidade.

O importante na verdade, sempre, é buscar equacionar a fórmula.

o não-lugar

Sempre quando vou trabalhar passo de busão pelo finalzinho da Avenida Ipiranga (em frente ao Copan), viro a Consolação, e subo em direção a Avenida Paulista. Esse é o trajeto do "cocozão", vulgo "terminal santo amaro", uma das linhas de ônibus mais "cool" da paulicéia. Principalmente porque ela passa no ponto da faculdade MacKenzie e sempre apanha as beldades que saem de lá.
Bom, mas voltemos ao que interessa. Esses dias estava vendo uma entrevista do ator Pedro Cardoso no programa Vitrine da TV Cultura e ele falava justamente do período em que morou em São Paulo e dava a sua visão de carioca sobre a cidade, a pedido do entrevistador. Comentou que o que achava mais legal na cidade eram as pessoas, e que não entendia aquela região do começo da Rua Consolação, a qual ele classificou como algo meio bizarro. E eu concordo com ele.
Nos últimos dias, de manhã, tenho reparado melhor naquele pedaço e realmente faz sentido. Diz o ator, algo assim: "eu lembro que eu morei ali no centro, como chama aquele lugar que tem uma igreja.. e tem um túnel que sai de um lado e de outro..? aquilo é muito estranho cara!.. eu não entendo aquele lugar.." Se a gente pára e reflete, é algo meio estranho mesmo. Primeiro, porque desde que eu me dou por gente aquela igreja está em reforma e parece que não passam almas vivas (?) por ali, que nem paróquia com padre tem no lugar. Depois você olha um pouco em volta e vê os túneis da radial leste saindo por ambos os lados, e o "minhocão" ali na frente. Parece que a igreja fica "suspensa" em meio a todo aquele trânsito. A cidade se tornou uma bagunça tal que a malha viária "comeu" o espaço da igreja e criou uma paisagem urbanisticamente meio insólita. Um não-lugar.
Eu ainda vou tirar uma foto dessa paisagem e passar o dia analisando e observando. Até porque é difícil parar naquele entroncamento, arranjar um canto, e contemplar o visual.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

miocárdio (-1)


Antes de mais nada, eu quero dizer que estou puto. Fiquei 40 minutos escrevendo um texto que fiquei refletindo horas e horas e que a merda do editor do blogger fez eu perder em um piscar de olhos.

Enfim, já de saída, a constatação óbvia: nunca abandone o "bloco de notas" do seu computador, pois ele é (e sempre será) o seu fiel escudeiro no mundo das letras internéticas.

De uma certa forma, foi até bom, pois o texto era de uma "singeleza paranóica" gritante. Idéias esparsas para preencher o espaço de abertura desse "post temático" que estava pedindo já faz um tempo pra ser "cuspido" da minha cabeça.

Daqui a menos de um mês completarei 25 anos de idade. Os entendidos diriam que estou no auge da minha plenitude física, o "ponto de vergência" daquela famosa curva da saúde física que qualquer ser do reino animal percorre. Curva essa que incomoda muita gente, e é o terror de qualquer alma feminina. Nesse ponto, para elas, a força da gravidade finalmente deixa de ser uma teoria física do colégio e passa a ganhar um sentido angustiantemente prático.

Nos últimos tempos tenho sentido os efeitos do "andar" dessa curva também. Nunca tinha parado pra pensar nisso antes, mas sinto e noto cada vez mais que tudo parece estar mais "pesado" e "lento" no que se refere a relação do meu corpo com a minha mente.

Talvez seja a constatação óbvia de que deixei de vez de ser um "meninão" e mergulhei de cabeça no mundo físico e psicológico adulto. Mas tal mudança não deixa de trazer uma sensação inquietante de que o "disco está saindo de rotação" e fazendo a música ficar distorcida, ou ainda, saindo daquela rotação alta que você estava acostumado a "tocar" sua vida e o obrigando a uma mudança na velocidade do "motor da vitrola".

E o mais interessante é o local onde você começa a sentir que esta "distorção" está acontecendo a pleno vapor: o coração.

Volta e meia vem aquela "palpitação" leve, aquela sensação de que o seu coração vai explodir e sair do seu peito. Tudo isso ali no dia-dia, vivendo emoções, digamos, normais. É como se, de tempos em tempos, ele virasse pra você e dissesse: "Alexandre, agora não sou só eu sozinho.. também dependo de você.."

Enfim, some-se a esse "diálogo interno" toda a predisposição do histórico cardíaco da minha família e temos um quadro, no mínimo, interessante. Algo que me fez dar conta, como um soco no estômago, de que a contagem regressiva começou.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Yes, I have banana..

Esses dias eu estava reparando um "aroma" diferente no meu apartamento, mas não sabia o que era. Sempre quando chegava do trabalho e abria a porta eu sentia o cheiro. Algo que contaminava a minha humilde kitnet. Ou melhor, ainda contamina.

Descobri que as culpadas são as pobres bananas que habitam o cesto que fica em cima da mesa. O pior é que fica um "fedor", digamos, agradável. Algo que camufla um pouco aquele cheiro massante de apartamento velho. Bananas aliás fundamentais na minha alimentação diária. Potássio e calorias que me fazem sobreviver até os 15 minutos de almoço que tenho no meu "job".

Receita básica matinal: duas bananas massarocadas, muito mel e aveia; pra acompanhar, um copo de leite e um pão com presunto/queijo/salame. E nada mais.
Preciso levantar mais cedo e aprimorar isso.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Isn't it a pity?


Isn't it a pity
Now, isn't it a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain
How we take each other's love
Without thinking anymore
Forgetting to give back
Isn't it a pity
Some things take so long
But how do I explain
When not too many people
Can see we're all the same
And because of all their tears
Their eyes can't hope to see
The beauty that surrounds them
Isn't it a pity
Isn't it a pity
Isn't is a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain
How we take each other's love
Without thinking anymore
Forgetting to give back
Isn't it a pity
Forgetting to give back
Isn't it a pity
Forgetting to give back
Now, isn't it a pity

What a pity
What a pity, pity, pity
What a pity...
("Isn´t it a pity" - George Harrison)

Alguém determinou que hoje é o "dia dos namorados". E eu estou longe de decifrar o que isso significa. Só sei que escuto essa música do George Harrison e descubro que ela é uma das mais belas baladas de todos os tempos. Uma canção para os amantes. Sejam aqueles com o outro ao seu lado, com o outro levemente distante, com o outro muito distante, com o outro na cabeça, com o outro na alma, com o outro no espírito. Enfim, para todos aqueles que sabem que tem o seu "outro" em algum lugar.


domingo, 11 de junho de 2006

A nossa vez..


Repararam que essa é a imagem do momento? Está em todos os lugares, em todas as direções. Onipresente e onipotente. Simbolizando bem a única coisa que nos une em todos os sentidos e deixa nossa alma tranqüila pra bater no peito e dizer "nós somos fodões!..": o futebol.
As ruas aqui perto de onde eu moro estão todas enfeitadas, chão de ruas pintadas, janelas estilizadas no verde e amarelo. É interessante, e ao mesmo tempo decepcionante. Senão, vejamos bem: já pensou se tivéssemos todos esse mesmo "feeling" no pensar político? Na atitute e no protesto por uma sociedade realmente civilizada?.. Enfim, seríamos nessa altura um país que não seria só levado a sério de quatro em quatro anos com uma bola no pé.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

"home, home again.."

"I like to be here, when I can.."

Realmente, é gostoso. Viver só tem os seus prazeres também, mas nada que substitua o convívio com sua família. Com seus defeitos e qualidades, é a única instituição moderna que ainda nos "protege" e nos faz ter aquela sensação "umbilical" ou "uteral" (putz!) de segurança e de ainda fazer parte de um "ninho".

Se o novo individualismo pós-moderno quer acabar com a família, que ponha outro "porto seguro" no lugar. Não existe ser humano no mundo que consiga sobreviver eternamente em "mar aberto".

OBS 1: estou em Campinas, aproveitando um pouco as minhas, digamos, "singelas" folgas.. por isso essa divagação pra lá de "divagatória".

OBS 2: meu deus! como eu uso aspas.. dá até medo.

Porras Jr.!!

Legal o nome do goleiro da Costa Rica, hein?..

Começou a Copa do Mundo, e parece que vai ser bem interessante. O primeiro jogo não foi entediante (Alemanha 4X2 Costa Rica), e nada como ter um "porras" segurando as bolas logo de saída. Genial.. e levemente contraditório.

terça-feira, 6 de junho de 2006

agradecimentos

Queria aproveitar e agradecer a Nicole, amiga de uma amiga minha (e que agora é minha amiga também), e a Jacyra (a amiga, no caso) pela ajuda fundamental na elaboração do layout desse blog. Obrigado moças!..

Agora que consegui configurar direito meu blog, os comentários podem ser feitos por qualquer pessoa, e em janela "pop-up", pra facilitar. Aliás, quem tiver bloqueador dos ditos cujos, favor liberar pro meu site. Obviamente. (rs)

segunda-feira, 5 de junho de 2006

elas precisam de nós?

"Eles [ os homens ] não são mais necessários. São artigos de luxo. À medida que a ciência avança e as mulheres conquistam o próprio cartão de crédito, muda a função do homem na vida da mulher. Ele não é mais necessário para as situações tradicionais, como pagar as contas da casa e reproduzir. Entrevistei um geneticista britânico que disse que no futuro meninas de 16 anos devem congelar seus óvulos, porque é nessa faixa etária que se tem os bebês mais saudáveis. Ele acha que isso será uma rotina. Os homens estão um pouco apreensivos com isso, depois do surgimento da clonagem. E, se as mulheres não precisarem mais de homens para se reproduzir, será que elas precisarão de homens em geral? Mas acho que os homens são necessários romanticamente. Quem, além deles, irá nos atormentar?"
(Maureen Dowd - colunista do New York Times)
Bom, nós precisamos delas. Isso eu garanto. Mas eu confesso que fico apreensivo com esse pensamento utilitarista e levemente egoísta que anda dominando as cabeças pensantes.

domingo, 4 de junho de 2006

"você vive no mundo da lua!"

Eu adoro essa frase. E também a pessoa que me chama assim.

Aliás, convenhamos, o visual daqui é bonito não?..


Estive pensando se estou só, mas não. Temos o Lucas Silva e Silva que também mora por aqui. Lembram dele? Aquele rapazinho com o seu gravador "teletransportador"? Eu também tenho os meus "teletransportadores" que me trazem pra cá, mas esses são "segredo de estado" (parênteses nesse momento pra esclarecer que não estou fazendo nenhuma analogia a qualquer psicotrópico ou alucinógeno).

Enfim, dando continuidade ao projeto empty spaces, está entrando no ar um blog produzido diretamente de "ares lunáticos". Com o mesmo intuito, a mesma ambição ridícula, a mesma metáfora planfetária, e também as mesmas babaquices reinantes no espaço fotologueiro.

O intuito aqui é criar um espaço onde idéias fervilhem. Pensamentos vaguem. E não fiquem simplesmente presos na massa cinzenta desse reles mortal que vos "escreveia". Mortal aliás que já se arriscou a adentrar no mundo das "letras blogueiras cibernéticas", porém sem muito sucesso. Esse mesmo mortal acredita que agora encontrou o "fio da meada", conseguiu criar a "morada virtual" que perseguia. Bom, é o que ele espera (não o levem muito a sério, por favor).

Sejam bem-vindos. Comentem, lancem suas idéias, elogiem, xinguem, gritem, critiquem, confabulem, ridicularizem, não tenham receio de sentar na cadeira e olhar pra nossa "casa" lá longe com um espírito mais livre. Aqui na lua sempre tem espaço pra todos.