segunda-feira, 26 de junho de 2006

o não-lugar

Sempre quando vou trabalhar passo de busão pelo finalzinho da Avenida Ipiranga (em frente ao Copan), viro a Consolação, e subo em direção a Avenida Paulista. Esse é o trajeto do "cocozão", vulgo "terminal santo amaro", uma das linhas de ônibus mais "cool" da paulicéia. Principalmente porque ela passa no ponto da faculdade MacKenzie e sempre apanha as beldades que saem de lá.
Bom, mas voltemos ao que interessa. Esses dias estava vendo uma entrevista do ator Pedro Cardoso no programa Vitrine da TV Cultura e ele falava justamente do período em que morou em São Paulo e dava a sua visão de carioca sobre a cidade, a pedido do entrevistador. Comentou que o que achava mais legal na cidade eram as pessoas, e que não entendia aquela região do começo da Rua Consolação, a qual ele classificou como algo meio bizarro. E eu concordo com ele.
Nos últimos dias, de manhã, tenho reparado melhor naquele pedaço e realmente faz sentido. Diz o ator, algo assim: "eu lembro que eu morei ali no centro, como chama aquele lugar que tem uma igreja.. e tem um túnel que sai de um lado e de outro..? aquilo é muito estranho cara!.. eu não entendo aquele lugar.." Se a gente pára e reflete, é algo meio estranho mesmo. Primeiro, porque desde que eu me dou por gente aquela igreja está em reforma e parece que não passam almas vivas (?) por ali, que nem paróquia com padre tem no lugar. Depois você olha um pouco em volta e vê os túneis da radial leste saindo por ambos os lados, e o "minhocão" ali na frente. Parece que a igreja fica "suspensa" em meio a todo aquele trânsito. A cidade se tornou uma bagunça tal que a malha viária "comeu" o espaço da igreja e criou uma paisagem urbanisticamente meio insólita. Um não-lugar.
Eu ainda vou tirar uma foto dessa paisagem e passar o dia analisando e observando. Até porque é difícil parar naquele entroncamento, arranjar um canto, e contemplar o visual.

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