sexta-feira, 25 de agosto de 2006

uni-duni-tê..

Bom, as eleições estão aí. Em pouco mais de um mês iremos mais uma vez escolher (ainda bem) os nossos queridos representantes políticos.
Muita gente alardeia por aí que estamos vivendo um "momento de crise sem precedentes", que a política nacional é só lama, corrupção, sacanagem.. e blá, blá, blá..
Eu discordo. Na verdade acredito que estamos vivendo um momento de profundo amadurecimento político. Lógico que não está tudo lindo e maravilhoso, muito pelo contrário. Mas situação semelhante a que estamos passando, se fosse vivenciada a 30, 40 anos atrás, com certeza já teria descambado pra ruptura política, tentativa de golpe, essas coisas típicas de países com pouca cultura política democrática.
Contudo, acredito que toda essa "maturidade" está causando ironicamente uma homogeneização das opções de escolhas eleitorais. Talvez pelo fato (também irônico) de que os dois principais partidos políticos nacionais tenham uma origem programática e ideológica comum. Embora não pareça, PT e PSDB possuem mais coisas em comum do que a gente imagina. E consequentemente isso leva àquela sensação de que, tirando aqueles "outsiders" estilo Heloísa Helena, é tudo "farinha do mesmo saco".
Essa "farinha" é de uma safra interessante que surgiu no começo dos anos 80 e juntava um porrilhão de grupos políticos os mais variados que tinham (e tem) em comum a superação de toda aquela era autoritária que se sedimentou com o regime militar.
Talvez essa "farinha" já deu o que tinha que dar e seja necessário o surgimento de novos grupos políticos no jogo de poder. O que não deixa de ser triste, porque provavelmente perdeu-se uma oportunidade histórica. Se o PT ao invés de se "sectarizar" na sua trajetória de desenvolvimento, e o PSDB ao invés de se juntar a grupos conservadores como o PFL, tivessem ambos formado uma parceria política e caminhado juntos, talvez estivessemos vivendo hoje num país muito mais desenvolvido social e politicamente.
Enfim, há males que vem para o bem, espero. E eu quero "farinha" nova!..

(foto: Luiz Carlos Murauskas)

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

empty spaces dicas: "David Gilmour" (1978)

(David Gilmour, o álbum - 1978)

A postagem de hoje serve pra abrir uma série com sugestões, indicações, dicas de coisas que o editor desse humilde blog aprecia e que eventualmente serão expostas aqui para serem compartilhadas.

Bom, recentemente o guitarrista da banda Pink Floyd (esse sujeito aí decima) lançou um álbum solo chamado On an Island. O disco é interessante pra quem aprecia e é fã da sonoridade da citada banda, mas também é bem chatinho. Só não digo que é ruim mesmo porque tem algumas coisas interessantes ali no meio. No geral porém, o álbum é bem limitado.

Ao contrário, esse álbum da capa exposta logo acima é muito bom. Produto do mesmo guitarrista, foi lançado em 1978 no início do fim dos melhores tempos da banda londrina. É um disco bem simples, com músicas diretas, básicas, levemente melancólicas e melodiosas. Não traz nada de inovador (mesmo pra época), mas é delicioso de se escutar. Calcado no blues e num rock bem tradicional, é daqueles Cds que vc bota na vitrola e deixa rolar por inteiro, sem cansar.

Havia um bom tempo que ele estava escondido lá na minha coleção de CDs. Esses dias, "redescobri" o nosso amigo e voltei a escutá-lo vorazmente. Recomendo para tudo e para todos. Uma audição de qualidade, na minha modesta opinião. Não há nada mais aconchegante do que "conversar" com a guitarra melancólica e revoltada de "No way" a altas horas da noite.

Set List:


MIHALIS (David Gilmour) 5:48
THERE'S NO WAY OUT OF HERE (Ken Baker) 5:10
CRY FROM THE STREET (David Gilmour/Eric Stuart) 5:13
SO FAR AWAY (David Gilmour) 5:50
SHORT AND SWEET (David Gilmour/Roy Harper) 5:26
RAISE MY RENT (David Gilmour) 5:32
NO WAY (David Gilmour) 5:32
IT'S DEAFINITELY (David Gilmour) 4:27
I CAN'T BREATHE ANYMORE (David Gilmour) 3:08


* para uma compreensão mais completa da postagem clique no link seguinte : "deglutindo Gilmour".

terça-feira, 22 de agosto de 2006

mother nature´s son (3)


Agora à pouco escuto na TV que os termômetros registram 8º graus na Avenida Paulista. Olho pela janela nesse início de madruga e nenhuma alma viva na rua, com exceção de um gari solitário.
Talvez não haja relevância alguma em escrever essa postagem, mas é que eu quase congelei quando saí do trabalho hoje na rua. De manhã, coloquei apenas uma jaqueta leve pra encarar o dia, e quando saí do prédio no final da tarde dei-me de cara (literalmente) com uma daquelas brisas cortantes de friagem que faz você, por alguns meros segundos, se sentir em plena Patagônia.
Acredito que num prazo de 6 horas a temperatura caiu uns 15º graus (sem exageros). Esse tipo de variação do clima tem um sentido visivelmente aniquilador. É pra matar o sujeito mesmo.
Muito provavelmente, em breve, teremos um "planeta assassino". É deliciosamente irônico, e assustador.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

sinais

Bom, pra quem não sabe eu tenho uma camiseta vermelha com um ideograma chinês desenhado representando a palavra "sonho". Tenho uma afeição especial por essa idumentária. Não sei bem o porquê, mas ela me transmite uma idéia de força e perseverança que eu aprecio muito. Não só pela palavra em si, mas por todo o conjunto, a cor, enfim.
Hoje eu vesti a dita e fui aproveitar meu dia de folga, resolvendo algumas tarefas acumuladas. Quando cheguei no meu prédio no final da tarde, meio que por um desses infortúnios do destino (que na verdade não existem, mas fica bonito falar assim -rs-), uma das moradoras das famílias coreanas aqui do prédio estava esperando o elevador.
Tudo estava bem, ela brincando com os filhos, sorridente, até perceber a minha presença do lado e visualizar a minha camiseta. Do nada, ela "fechou" a cara e começou a me olhar, digamos, de uma forma menos amistosa.
Muita gente não sabe mas os coreanos com os chineses tem uma "rixa" histórica de conflitos e brigas milenares (sem falar nos japoneses; esses três nacionais não se aturam). E do nada, todo esse histórico surgiu na cabeça da moça como se ela tivesse sido atingida por um ráio.
É interessante essa questão dos sinais. De como os símbolos, as idéias, muitas vezes trazem toda uma gama de emoções que passam desapercebidas por quem não vivenciou toda aquela correlação. Talvez ela tenha sentido naquele momento o mesmo tipo de sentimento que um judeu teria ao ver uma pessoa carregando o desenho de uma suástica na camisa.
Eu obviamente fiquei com "cara de bunda", pois percebi a gafe. Mas é daquelas situações inevitáveis, que só um sujeito paranóico talvez tivesse evitado. Infelizmente fica aquela sensação ruim, porém, incontornável.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

lost in the refrigerator

Eu estou com uma péssima mania de "esquecer" coisas na minha geladeira. Não sei se isso é um mal comum a todas as pessoas que moram sozinhas, mas causa prejuízo.
Hoje fiz um "rapa" aqui e descobri um yakissoba mandado pela minha mãe que acho que fazia mais de 15 dias que estava lá no "fundão". Um yogurte com a validade vencida a um mês (!), entre outras coisas que só uma expedição apurada por dentro daquele eletrodoméstico é capaz de desvendar.
Sinceramente, as vezes dá medo de abrir essa geladeira. Sem falar que ela precisa urgentemente ser descongelada. Enfim, é uma arte doméstica que eu ainda não domino: relacionar-se bem sozinho e solteiro com uma geladeira.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Roberto Carlos Matinal Corn Flakes (?)

Por incrível que pareça, cada dia que passa gosto mais da minha vizinhança. Talvez seja porque são todos sujeitos meio excêntricos, cada um ao seu modo. Ao contrário da minha morada "pequeno-burguesa" em Campinas, isso aqui é uma verdadeira babel.
Hoje acordei as 7 e pouco da manhã ao som de estranhos barulhos que surgiam do apê ao lado, como se alguém estivesse arranhando o chão com as unhas (bizarro). Meia hora depois entro no banho e um vizinho distante bota uma trilha sonora do Roberto "é uma brasa mora!" Carlos no último volume. Pelo que pude identificar, era algo dos tempos da Jovem Guarda.
Fecho o apê e parto pro trabalho. Enquanto espero o elevador ouço pelas escadas o som de alguém cantarolando algo que parecia ser como uma prece medieval com letras da banda Calypso (aliás, eles são verdadeiros deuses aqui nesse condomínio).
É confuso, as vezes deprimente, as vezes muito interessante, mas sempre muito divertido.