quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

"Bittersweet Bundle Of Misery"



Now the end is in sight, I'm just tired
Lying awake at night so wired
And fired up with biological urge in my belly
And I hunt for the words on my telecaster
Spinning faster, goodnight you

You're beautiful, I love to watch your face in the morning light
You're really cool, I like the way we fight right through the night
And the way we used to kiss was way out of sight
But I can never hope to set you free
Cos you're my bittersweet bundle of misery

As I study the lines on the ceiling
I find the fact you're unkind quite appealing
I'm feeling sure that I have come to the end of you tether
And there's no such thing as happily ever
After it just gets dafter, goodnight you

You're beautiful, I love to watch your face in the morning light
You're really cool, I like the way we fight right through the night
And the way we used to kiss was way out of sight
But I can never hope to set you free
Cos you're my bittersweet bundle of misery

It would take me an age to marry you
Now I've seen you use my razor like you do, its true

You're beautiful, I love to watch your face in the morning light
You're really cool, I like the way we fight right through the night
And the way we used to kiss was way out of sight
But I can never hope to set you free
Cos you're my bittersweet bundle of misery

(Graham Coxon - "Bittersweet Bundle Of Misery")

Eu já assisti esse clipe uma dezena de vezes, mas nunca desde o começo. Só hoje descobri que o Coxon cai do céu pra tocar. Já achava "cool" o dito, agora ficou mais ainda.

p.s.: um ótimo "reveillon" senhores; e espero que o Natal tenha sido um bom momento de reflexão e diversão para todos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

o ócio criativo e o mundo cor-de-rosa

("O Ócio Criativo", Domenico de Masi, 2000, ed. Sextante)

Esses tempos eu terminei de ler o livro "O Ócio Criativo" do sociólogo Dominico de Masi (depois de alguns anos de atraso). Confesso que eu tinha uma expectativa na leitura que acabou não se confirmando. Tudo bem que não se pode pedir muito de um livro baseado em uma entrevista, e eu nem queria realmente algo mais profundo e denso pra ler, mas o problema na verdade foram as "cores" pintadas. Tudo muito cor-de-rosa, otimista. Nunca li algo tão otimista vindo de um sociólogo.

Bom, a teoria do "ócio criativo" do autor é baseada em larga escala nas idéias do pensador Alvin Toffler, que formulou a chamada "terceira onda", ou o que se costuma denominar de era pós-industrial. A nova divisão social do trabalho, o propalado "fim do emprego", a revolução tecnológica. Isso tudo que nós da geração dos 20 e poucos anos já estamos sentindo na pele. Nesse ponto, a análise feita no decorrer do livro é perfeita. Ele discorre sobre o que chama de "traços" da "nova sociedade" que está surgindo: globalização, tempo livre (graças à tecnologia), "intelectualização", subjetividade (criatividade, estética), androgenia (emotividade, feminilidade), e o carisma. Até chegar no "ócio criativo", a síntese de todos esses fatores que será o grande motor econômico/social do novo milênio. Tudo muito bem dissertado. Mas a questão que fica sem resposta é: tem pra todo mundo? Ele tenta se explicar, mas lá no fundo fica implícito o temido "não".

O que eu mais gostei no livro foi que o De Masi busca sair um pouco daquela supervalorização do trabalho tão cara aos sociólogos em geral, escapando um pouco de uma certa crítica marxista pura que não cabe nos dias atuais como enfrentamento da exploração capitalista. Em suma, tanto o capitalismo liberal quanto a crítica marxista jogam o trabalho no centro da "engrenagem social", elegendo-o como o fim de tudo e o motivo básico da nossa existência. Visão essa que não teria espaço na sociedade pós-industrial. Essa passagem é muito boa:

"O trabalho oferece sobretudo a possibilidade de ganhar dinheiro, prestígio, e poder. O tempo livre oferece sobretudo a possibilidade de introspecção, de jogo, de convívio, de amizade, de amor e de aventura. Não se entende por que o prazer ligado ao trabalho deveria acabar com a alegria do tempo livre.

Mas a missão que temos diante de nós consiste em educar nós mesmos e aos outros a contaminar o estudo com o trabalho e com o jogo, até fazer do ócio uma arte refinada, uma escolha de vida, uma fonte inesgotável de idéias. Até realizarmos o 'ócio criativo'". (p. 320)

De qualquer maneira, eu recomendo a leitura do livro sem pestanejar. Principalmente pro pessoal da minha geração, nós que estamos começando a pegar a "rabeira" desse furacão sócio-político-economico que está surgindo no horizonte.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

empty spaces musas: comunicação de gravidez

(futura mamãe..)

Eu vi na televisão agora a noite, aí fiz uma rápida pesquisa na internet pra confirmar. Verídico:

Lily Allen está grávida de seu primeiro filho

Qua, 19 Dez, 10h39

Londres, 19 dez (EFE).- A cantora britânica Lily Allen está grávida de seu primeiro filho, fruto de sua relação com Ed Simons, da dupla "The Chemical Brothers".

O porta-voz do casal confirmou hoje que Allen, de 22 anos, está "entusiasmada" por ter ficado grávida de Simons, de 37, com quem começou a sair em setembro.

O representante pediu à imprensa britânica que respeite a intimidade do casal e esclareceu que não fará nenhum outro comentário a respeito.

A cantora apareceu na mídia por meio do MySpace, e em apenas um ano lançou seu primeiro disco, "Alright, Still".

O porta-voz explicou que a gravidez não atrasará a publicação do segundo álbum de Allen, previsto para 2008.

(http://br.noticias.yahoo.com/)

Minha musa "caçula" embuchou. Agora só resta a Natalie "zerada" no quesito maternidade. Essas moças não perdem tempo. Depois de 3 meses de "rolo" e já tem pimpolho na área.

PFAR (Pacotão de Filmes Assistidos Recentemente) - adendo

Adicionando mais duas películas ao PFAR (vistos a poucos dias no cinema). Vamos lá:

"Viagem a Darjeeling"


É um filme do mesmo diretor de "Os Excêntricos Tenenbaums" (Wes Anderson). Na verdade a história é uma continuação sobre a saga da bizarra família americana. Só que dessa vez o pai deles morreu e a mãe escafedeu-se pras montanhas do Himalaia. O mote do filme é justamente o encontro dos três filhos (mal se falavam antes disso), que saem em viagem (de trem recortando a Índia) a procura do paradeiro da mãe. É puro humor negro, sarcástico ao extremo (na mesma linha dos "Tenenbaums"). Pra quem não curte esse tipo de comédia é perda de tempo ir assistir, porque vai achar uma merda. Mas pra quem curte (como eu), é divertido. É aquele típico filme de "gargalhadas internas", onde você tem que prestar atenção pra entender as "piadas". Muito bom. Sem falar que conta com a participação de dois dos meus atores favoritos: Bill Murray e a Natalie Portman (a atuação dela é sensacional no começo do filme).

Ficha Técnica

Título Original: The Darjeeling Limited
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 91 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: www.foxsearchlight.com/thedarjeelinglimited
Estúdio: American Empirical Pictures / Cine Mosaic / Scott Rudin Productions / Indian Paintbrush
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Roman Coppola, Wes Anderson e Jason Schwartzman
Produção: Roman Coppola, Lydia Dean Pilcher e Scott Rudin
Fotografia: Robert D. Yeoman
Desenho de Produção: Mark Friedberg
Direção de Arte: Aradhana Seth e Adam Stockhausen
Figurino: Milena Canonero
Edição: Andrew Weisblum
Efeitos Especiais: LOOK! Effects


Elenco

Owen Wilson (Francis)
Adrien Brody (Peter)
Jason Schwartzman (Jack)
Amara Karan (Rita)
Camilla Rutherford (Alice)
Irfan Khan (Padre)
Bill Murray (Empresário)
Anjelica Huston (Patricia)
Trudy Matthys (Alemã no trem)
Natalie Portman
Roman Coppola


"Conduta de Risco" ("Michael Clayton" no original)


Um dos melhores filmes que eu vi esse ano. E o primeiro que eu assisto a menos de 3 metros da tela (minha estréia na primeira fila do cinema - pior que deu pra assistir sem maiores dificuldades). Se todos os atores escolhessem roteiros como o George Clooney, os grandes "micos" do cinema desapareceriam. O sujeito é criterioso (sabe bem escolher uma boa película pra atuar) e competente (assista que é fácil entender porque). Em síntese, ele interpreta um advogado endividado cuja principal atividade no escritório onde trabalha é dar um jeito na "sujeira" da clientela. A partir daí se desenvolve toda uma trama sobre moral e ética profissional. Um excelente "suspense jurídico". E não precisa ser advogado pra "rasgar a seda".

Ficha Técnica

Título Original: Michael Clayton
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 119 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: http://michaelclayton.warnerbros.com
Estúdio: Castle Rock Entertainment / Mirage Enterprises / Section Eight / Samuels Media
Distribuição: Warner Bros. Pictures / Imagem Filmes
Direção: Tony Gilroy
Roteiro: Tony Gilroy
Produção: Jennifer Fox, Kerry Orent, Sydney Pollack e Steve Samuels
Música: James Newton Howard
Fotografia: Robert Elswit
Desenho de Produção: Kevin Thompson
Direção de Arte: Clay Brown
Figurino: Sarah Edwards
Edição: John Gilroy
Efeitos Especiais: Handmade Digital


Elenco

George Clooney (Michael Clayton)
Tom Wilkinson (Arthur Edens)
Sydney Pollack (Marty Bach)
Michael O'Keefe (Barry Grissom)
Tilda Swinton (Karen Crowder)
Dennis O'Hare (Sr. Greer)
Julie White (Sra. Greer)
Austin Williams (Henry Clayton)
Jennifer Van Dyck (Ivy)
Frank Wood (Gerald)
Bill Raymond (Gabe Zabel)
Sharon Washington (Pam)
Ken Howard (Don Jefferies)
Rachel Black (Maude)
Christopher Mann (Tenente Elston)
Cynthia Mace (Wendy - voz)
Michael Countryman (Evan - voz)
Jonathan Walker (Del - voz)
Thomas McCarthy (Walter - voz)
Danielle Skraastad (Bridget Klein - voz)
Wai Chan (Traficante chinês)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

"oh by the way" (Pink Floyd box)

("oh by the way" - catálogo completo em versão original - torturante)

Bom, o Natal já está muito perto pra isso, mas caso alguém tenha interesse em me dar um presente de aniversário em meados do ano que vem, fica aqui uma dica. Essa singela caixinha com o catálogo completo dos álbuns de estúdio do Pink Floyd, trazendo encartes originais em versão "mini-vinil" (as capas dos CDs são uma versão miniatura da arte de capa dos vinis originais) e mais alguns "extras" ("Dark Side of The Moon" vem com um poster e mais dois adesivos; "Wish You Were Here" com um postal). Coisa fina. Essencialmente delirante pra qualquer fã da banda.

Pois bem, não deixem um pobre ser humano desamparado e passando vontade. Seja solidário, altruísta, faça a sua grande boa ação de 2008. Um dia você será recompensado (de alguma forma). Só seja rápido e generoso, a edição é limitada e custa a bagatela de $214 euros (!).

Dá pra fazer um "tour virtual" 3-D pela caixa nesse link:

http://www.pinkfloyd.co.uk/obtw

img: www.uncut.co.uk

sábado, 15 de dezembro de 2007

empty spaces musas: top of the pops

Lógico que eu não iria deixar isso passar em branco. Minha amiga cinéfila Lucie informa que a revista Empire divulgou uma lista com as "100 celebridades mais sexys do cinema". Eis que na "pole position" e na vice-liderança encontram-se, respectivamente:

(my dear Jolie..)



(..and sweet Natalie)


Como vocês podem observar, o blogueiro aqui possui um alto padrão de qualidade no quesito "platonismo pedestáltico". E a mulher perfeita existe sim, está aí. Aliás, caso você veja a simbiose desses dois seres femininos andando pela rua, por favor, avise-me. É questão de vida ou morte.

img: arquivo pessoal.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

PFAR (Pacotão de Filmes Assistidos Recentemente)

Bom, o Lula tem o seu pacote de aceleração do crescimento (econômico), o famigerado PAC, e eu tenho o meu PFAR, o pacotão de filmes assistidos recentemente. Nada como fazer um "sanduichão prensado" dos filmes vistos (e que merecem ser lembrados) com comentários em "pinceladas" rápidas pra facilitar as coisas. Vamos lá:


"O Grande Ditador"


Vi hoje esse. Aliás, a primeira película do Chaplin que eu vejo inteira. O filme é de 1940, então você tem que assistir o bicho com aquele olhar de historiador (o que acarreta numa certa falta de referência pra alguém que não tem uma extensa bagagem cinematográfica). Gostei do filme, em especial das sequências/cenas em que o Chaplin interpreta o ditador Adenoid Hynkel (uma sátira sensacional do Hitler). Ver esses filmes também deixa a gente com uma certa sensação de resignação em constatar que o gênero da comédia mudou muito pouco nos últimos 67 anos. Apreciando a atuação do Charles Chaplin dá pra visualizar desde Monty Python até Chapolim Colorado. Falar que o cara era gênio é pouco.

Ficha Técnica Direção: Charles Chaplin Roteiro: Charles Chaplin Gênero: Comédia/Drama/Guerra Origem: Estados Unidos Duração: 124 minutos Tipo: Longa Elenco Henry Daniell: Garbitsch Charles Chaplin: Adenoid Hynkel Jack Oakie: Benzini Napaloni Reginald Gardiner: Commander Schultz Billy Gilbert: Field Marshal Herring Grace Hayle: Madame Napaloni Paulette Goddard: Hannah


"Closer"


Passou na TV recentemente. Já tinha assistido na época do lançamento, mas não perdi a oportunidade de ver denovo. Aliás, foi depois de ter visto esse filme pela primeira vez que a nossa querida Natalie Portman entrou no meu "panteão" particular de musas. Gosto de uma certa humanidade apelativa que a película exala, e um leve sarcasmo difuso. E claro, a antológica cena de striptease da Portman. Minha colega de "bloguismo" Cris fez uma excelente resenha sobre o filme: aqui.

Ficha Técnica Título Original: Closer Gênero: Drama Tempo de Duração: 100 minutos Ano de Lançamento (EUA): 2004 Site Oficial: www.pertodemais.com.br Estúdio: Icarus Productions / John Calley Productions / Avenue Pictures Productions Distribuição: Columbia Pictures / Sony Pictures Entertainment / Buena Vista International Direção: Mike Nichols Roteiro: Patrick Marber, baseado em peça teatral de Patrick Marber Produção: Cary Brokaw, John Calley, Robert Fox, Mike Nichols e Scott Rudin Fotografia: Stephen Goldblatt Desenho de Produção: Tim Hatley Figurino: Ann Roth Edição: John Bloom e Antonia Van Dermellan Elenco Natalie Portman (Alice) Jude Law (Dan) Julia Roberts (Anna) Clive Owen (Larry) Jaclynn Tiffany Brown (Turista) Steve Benham (Motorista) Nick Hobbs (Motorista de táxi)


"Um Estranho no Ninho"


O mais legal de ter assistido esse filme foi descobrir que o Jack Nicholson foi jovem um dia. No mais, eu acho que criei expectativas demais sobre o dito (sempre que comentava que ainda não tinha visto todo mundo falava que era um filme fora de série). Bom, o filme obviamente não é ruim, muito longe disso, mas digamos que não me empolgou muito. Eu não sei se eu que estava meio de mau humor quando assisti. Até porque pra assistir uma película rodada quase o tempo todo dentro de um manicômio você tem que estar com o estado de espírito bem "up". Por outro lado, o que eu mais gostei foi justamente a temática: oficialmente ou não, de louco todo mundo tem um pouco.

Ficha Técnica Título Original: One Flew Over the Cuckoo's Nest Gênero: Drama Tempo de Duração: 129 minutos Ano de Lançamento (EUA): 1975 Estúdio: Fantasy Films / N.V. Zvaluw Distribuição: United Artists Direção: Milos Forman Roteiro: Bo Goldman e Lawrence Hauben, baseado em livro de Ken Kesey Produção: Michael Douglas e Saul Zaentz Música: Jack Nitzsche Direção de Fotografia: Haskell Wexler Desenho de Produção: Paul Sylbert Direção de Arte: Edwin O'Donovan Figurino: Aggie Guerard Rodgers Edição: Sheldon Kahn e Lynzee Klingman Elenco Jack Nicholson (Randle Patrick McMurphy) Louise Fletcher (Enfermeira Mildred Ratched) William Redfield (Harding) Michael Berryman (Ellis) Peter Brocco (Coronel Matteson) Dean R. Brooks (Dr. John Spivey) Alonzo Brown (Miller) Mwako Cumbuka (Warren) Danny DeVito (Martini) William Duell (Jim Sefelt) Josip Elic (Bancini) Lan Fendors (Enfermeira Itsu) Christopher Lloyd (Taber) Sydney Lassick (Charlie Cheswick) Will Sampson (Chefe Bromden) Scatman Crothers Anjelica Huston Vincent Schiavelli


"Tropa de Elite"


Provavelmente o Capitão Nascimento diria que eu sou um fanfarrão, e que blogueiro tem que pedir pra sair. Assim como "Um Estranho no Ninho", eu acho que vi o petardo tupiniquim também com um exagero de expectativa, por motivos óbvios. O país inteiro estava falando (e ainda está) sobre o dito cujo. É um filme muito gostoso de assistir, apesar da temática pesada. Porém, não é aquela coisa maravilhosa que meio mundo estava pintando. O legal é que a película exige bastante dos atores, e eles correspondem. É inevitável destacar a atuação do Wagner Moura, tendo que interpretar um personagem que poderíamos classificar como um tipo de "Rambo shakesperiano". Em suma: esculhachar ou não esculhachar? That´s the question.

Ficha Técnica Título Original: Tropa de Elite Gênero: Ação Tempo de Duração: 118 minutos Ano de Lançamento (Brasil): 2007 Site Oficial: www.tropadeeliteofilme.com.br Estúdio: Zazen Produções Distribuição: Universal Pictures do Brasil / The Weinstein Company Direção: José Padilha Roteiro: Rodrigo Pimentel, Bráulio Mantovani e José Padilha Produção: José Padilha e Marcos Prado Música: Pedro Bromfman Fotografia: Lula Carvalho Desenho de Produção: Tulé Peak Figurino: Cláudia Kopke Edição: Daniel Rezende Elenco Wagner Moura (Capitão Nascimento) Caio Junqueira (Neto) André Ramiro (André Matias) Milhem Cortaz (Capitão Fábio) Fernanda de Freitas (Roberta) Fernanda Machado (Maria) Thelmo Fernandes (Sargento Alves) Maria Ribeiro (Rosane) Emerson Gomes (Xaveco) Fábio Lago (Baiano) Paulo Vilela (Edu) André Mauro (Rodrigues) Marcelo Valle (Capitão Oliveira) Erick Oliveira (Marcinho) Ricardo Sodré (Cabo Bocão) André Santinho (Tenente Renan) Luiz Gonzaga de Almeida Bruno Delia (Capitão Azevedo) Alexandre Mofatti (Sub-Comandante Carvalho) Daniel Lentini

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

as filhas da mãe

Eu fiz um cálculo rápido (por baixo). Em qualquer saída despretensiosa que eu fazia pela rua, com intuito de gastar dinheiro (ou não), eu voltava pra casa em média com duas sacolas plásticas na mão (isso sem contar as eventuais idas ao supermercado - quase diárias hoje em dia pra qualquer ser humano urbano normal - onde poderíamos facilmente triplicar esse número). Bom, jogando essa média pro lapso temporal de uma semana, cheguei a 10 "mocinhas". No mês, 40 sacolas plásticas enfiadas embaixo da pia da cozinha. Fiquei assustado com o resultado.

Não vejo isso como questão de bom mocismo, ser politicamente correto, ou qualquer tagarelice do tipo. Pra mim é bom senso. A medida que vou me interessando e estudando cada vez mais as ditas questões ambientais, fico mais convencido disso (já falei sobre: aqui).

(chegando do mercado: antes era assim..)

Confesso que achei que fosse ser mais fácil, mas mudar um simples costume do dia-dia requer disciplina (em doses cavalares) e uma boa memória. Pra trocar esses pequenos estorvos derivados do petróleo por uma singela sacola de pano é preciso antes de tudo lembrar que a última existe. Bom, tratei de providenciar que ela ficasse num lugar bem visível, ou seja, perto da porta de saída do apê. Mesmo assim, depois de dois meses, volta e meia esqueço de levar a "rapariga" verde comigo no supermercado.


De qualquer maneira, já estou me acostumando, e sentindo a diferença. A quantidade de sacolas plásticas estocadas diminuiu drasticamente (apesar da reserva ainda gigantesca; meu primo - antigo morador do "cafofo" - caprichou no trabalho de estocagem) e as caixas do mercado já não me olham com aquela cara de espanto quando solto um: "não precisa de sacolas não, eu tenho a minha aqui..".


(agora é assim..)

É lógico que não dá pra abolir totalmente o uso das sacolas plásticas, até porque surge um outro problema: onde guardar o lixo. Questão que dá mais "pano pra manga", e uma bela postagem à parte. Mas enfim, já é um começo no intuito de mudar os costumes e a nossa mentalidade consumidora "plástica" contemporânea.


Pra descolar sacolas de pano "engajadas"*:

- Pão de Açucar (boa parte das lojas da rede vendem as ditas cujas, em parceria com a SOS Mata Atlântica - foi num dos mercados deles que eu comprei a minha);

- a ong Instituto Socioambiental vende uma "ecobag", dá pra comprar no site: aqui (o problema é o preço, bem salgadinho).

* parte do dinheiro obtido com a venda das sacolas é repassado às respectivas ongs.

Só pra constar, uma iniciativa muito boa da prefeitura de São Paulo: campanha "eu não sou de plástico".

"Bodysnatchers"



I do not
Understand
What it is
I've done wrong

Full of holes
Check for pulse
Blink your eyes
One for yes
Two for no

I've no idea what I am talking about
I am trapped in this body and can't get out
Ooooohhhh

You killed the sound
Removed backbone
A pale imitation
With the edges
Sawn off

I've no idea what you are talking about
your mouth only moves with someone's hand up your ass
Ooooohhhh

Has the light gone out for you?
Because the light's gone out for me
It is the 21 century
It is the 21 century
It can follow you like a dog
It brought me to my knees
They got a skin and they put me in
They got a skin and they put me in
On the lines wrapped around my face
On the lines wrapped around my face
Are for anyone else to see
Are for anyone else to see

I'm a lie

I've seen them coming.
I've seen them coming.
I've seen them coming.
I've seen them coming.

("Bodysnatchers" - Radiohead)

Eis que surge em outubro desse ano a melhor música de rock and roll do século XXI (pelo menos até agora)! E eu estava esperando por ela. Sim, sim. Um pouco de ar puro, de oxigênio realmente criativo na primeira década desse milênio. Podem me xingar, mas essa pequena "pituzinha marota" sozinha vale mais do que os dois álbuns juntos dos paparicados Macacos Polares.

E claro, ainda pretendo voltar a falar (bem) do Radiohead por essas bandas. Aguardem. Propaganda (de coisa boa) é a alma do negócio (do meu blog).

domingo, 2 de dezembro de 2007

é "nóis" na segundona


A capacidade bélica dos EUA, a competência pop-musical dos Beatles, e a fé da torcida do Corinthians. Não quero ser prepotente, mas são poucos os fatos mundiais inquestionáveis.

Era pra eu estar triste, mas pra dizer a verdade, não estou. Quer dizer, não tanto quanto deveria. Foi bonito ver uma torcida gritando e batendo no peito pra um time totalmente destruído jogando em campo. Digo totalmente porque não sobrou nada. Já faz um bom tempo que a "esquadra alvi-negra" virou um "time de várzea" (com todo o respeito aos times desse calibre), sem qualquer qualidade técnica, empenho grupal, trabalho coletivo. Pensando bem, essas duas últimas variantes até os times ditos de várzea tem.

Bom, isso tudo sem falar na destruição extra-campo. Essa sim a mais vergonhosa, e também repugnante. Já até comentei sobre isso no blog: aqui. Mas não vou me esticar nisso porque é chover no molhado.

Além disso, cair pra série B faz parte da vida de um clube de futebol. Assim como uma pessoa perde um emprego, leva um "pé-na-bunda" da(o) namorada(o), são coisas da vida. Coisas aliás que só agregam, e fazem amadurecer, melhorar na essência. Sem falar que outros times de garbo e elegância já passaram por essa situação. Palmeiras (vade-retro!), Grêmio, Botafogo, entre outros. Pelo que me recordo, todos se saíram relativamente bem da "fossa futebolística".

É difícil dizer, mas a algo de especial na simbologia que o time do Parque São Jorge tem no "inconsciente coletivo" nacional. Seja para o bem, seja para o mal. Coisa que eu senti na pele com a "tremida" que deu nos alicerces do meu prédio depois que o juiz apitou o fim do jogo (Grêmio 1X1 Corinthians), sem falar nos rojões e na gritaria pelas janelas.

E eu termino essa postagem escutando o Michael Stipe cantarolar na caixa de som: "it´s been a bad day..." E bota "bad" nisso.

img: http://www.moscanasopa.blogger.com.br/

"A Via Láctea"

Esse sábado eu inventei de ir ver um filme nacional no cinema. Esse aqui:

("A Via Láctea")

Tinha visto um trailer recentemente e achado interessante. Eu fui imaginando que seria algo na linha dessas "superproduções" nacionais mas é um filme "cabeça". Não que eu despreze e não goste desse tipo de filme, mas sempre tive um pé atrás com as produções tupiniquins desse estilo. Não sei explicar o porquê disso também, mas logo me vem na cabeça a imagem daquele estudante de faculdade de cinema recém-formado querendo mostrar que aprendeu tudo direitinho.

Bom, talvez seja essa mesmo a implicância, um certo excesso de didatismo. Pois o filme começa com essa "chatice". Você logo imagina que vai ser um porre acompanhar até o final, mas a coisa vai melhorando. Da metade pra frente o filme fica bem interessante, e prende a atenção. O roteiro cronologicamente intermitente ajuda nessa irregularidade, mas é ao mesmo tempo o ponto forte do filme.

Eu não quero ficar falando muito mas, em linhas gerais, conta a história de um professor de literatura e escritor de meia-idade e uma jovem atriz-veterinária que durante uma crise de relacionamento brigam por telefone. Aí o filme se desenrola em cima do período do "trajeto" de carro que ele faz da casa dele até a dela pra tentar contornar a situação (destaque pra fotografia urbana de São Paulo).

Mas o que me marcou nessa película foi que eu saí confuso da sala de cinema. Fazia muito tempo que um filme não me deixava assim. Não conseguia "decifrar" pra mim mesmo se tinha ou não gostado do filme. Aliás, até agora, não está bem claro pra mim.

De qualquer maneira, se tiver oportunidade, não é algo pra se deixar passar em branco. Vale a pena assistir.

Ficha Técnica

Título Original: A Via Láctea
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2007
Site Oficial: www.avialactea.com.br
Estúdio: Girafa Filmes / M & G Ricca / Europa Filmes / M.A. Marcondes / TeleImage
Distribuição: Europa Filmes
Direção: Lina Chamie
Roteiro: Aleksei Abib e Lina Chamie
Produção: Lina Chamie
Fotografia: Kátia Coelho
Direção de Arte: Mara Abreu
Figurino: Marjorie Gueller e Joana Porto
Edição: André Finotti


Elenco

Marco Ricca (Heitor)
Alice Braga (Júlia)
Fernando Alves Pinto (Thiago)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

pausa para o informe publicitário (6)

(27/10/2007)

"O pessimista se queixa do vento,
o otimista espera que ele mude,
o realista ajusta as velas."

(William George Ward)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

a primeira torta de um homem

Eu não podia deixar de registrar isso. Hoje saiu a minha primeira torta produzida sem a ajuda de nenhum outro ser humano. Apesar de ser talvez a receita de torta mais simples de que se tem notícia, não foi lá tão tranquilo assim produzi-la.

Como toda primeira vez, eu estava um pouco nervoso, o que acarretou em algumas cagadas. Definitivamente, eu preciso evoluir muito o meu manejo com ovos. Precisava usar só três, mas consegui quebrar um já dentro da geladeira (bom, difícil adivinhar que o nosso amigo iria estar grudado no suporte pra ovos; e lá se vai um bom tempo só limpando o estrago). Logo depois, consegui derrubar mais um com casca e tudo dentro do liquidificador.

Tropeços corrigidos, com o resto não tive problema. Estranhamente até acertei o ponto ideal pra tirar a nossa queridinha do forno (coisa que muita cozinheira "rodada" tem dificuldade pra acertar). Só achei que ficou um pouco salgado. Na verdade, bem salgado. Não sei se foi por causa da minha miopia, mas eu troquei a "colher de chá" da receita por uma "colher de sopa", uma baita "colher de sopa" aliás (com direito a transbordamento).

Enfim, no geral, acho que fui aprovado (apesar da ausência de juízes). Uma experiência bem interessante, que recomendo pra todo homem jovem solteiro suburbano que more sozinho. É como ficar "grávido" por uns 20 minutos e "parir" um "bebê-torta" que faz você se sentir o "pai" mais fodão do planeta por alguns segundos. Pena que estou sem câmera aqui, senão poderia ter registrado visualmente esse momento épico.

Acredito que 99% das almas femininas adultas do planeta tenham essa receita, mas vou deixar aqui para caso algum leitor aventureiro desse blog queira experimentar.


Bolo Salgado de Liquidificador

Tipo de Culinária: Culinária Popular
Categoria: Café da manhã/lanches/festas
Subcategorias: Tortas salgadas
Rendimento: 8 porções

Ingredientes:

- 12 colher(es) (sopa) de farinha de trigo
- 3 unidade(s) de ovo
- 1 xícara(s) (chá) de azeite
- 3 colher(es) (sopa) de queijo ralado
- 1 colher(es) (chá) de sal
- 2 colher(es) (sopa) de fermento químico em pó
- 2 copo(s) de leite

Modo de preparo:

Bata todos os ingredientes no liquidificador. Unte um refratário e coloque a massa. Por cima, distribua o recheio a gosto (carne moída, frango, atum, camarão ou bacalhau). Leve ao forno médio, pré-aquecido, até assar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

"Wot´s... uh the Deal" ("cause i'm the man on the outside looking in", parte 2)



Heaven sent the promised land
Looks alright from where i stand
Cause i'm the man on the outside looking in

Waiting on the first step
Show where the key is kept
Point me down the right line because it's time

To let me in from the cold
Turn my lead into gold
Cause there's chill wind blowing in my soul
And i think i'm growing old...

Flash the red is wots...uh the deal
Got to make to the next meal
Try to keep up with the turning of the wheel.

Mile after mile
Stone after stone
Turn to speak but you're alone
Million mile from home you're on your own

So let me in from the cold
Turn my lead into gold
Cause there's chill wind blowing in my soul
And i think i'm growing old...

Fire bright by candlelight
And her by my side
And if she prefers we will never stir again

Someone said the promised land
And i grabbed it with both hands
Now i'm the man on the inside looking out

Hear me shout "come on in,
What's the news and where you been?"
Cause there's no wind left in my soul
And i've grown old...

("Wot´s... uh the Deal" - R. Waters/D. Gilmour)

Passei a manhã escutando essa música. Depois coloquei novamente na vitrola no final da tarde. Recoloquei pra fazer a janta. E finalmente, estou escutando nesse exato momento pra postar no blog.

Dessas canções "menores" que grandes bandas fazem. E claro, que depois de você ter escutado algumas vezes e não ter dado bola, você a pega em um dia deprê e começa a reavaliar com mais cuidado, apreciando as nuances. E eis que essa música se torna uma das suas favoritas de todos os tempos.

de passagem ("cause i'm the man on the outside looking in", parte 1)

Eu acordei prometendo pra mim mesmo que não ia escrever sobre o meu humor, mas cá estou já sentado na frente do computador, comendo um daquelas mini-bolos sabor "café da manhã", tomando um chocolate, deixando a música contaminar o ambiente, e fluindo.

Eu acredito que um dos principais males de se morar sozinho (relativamente isolado) são as "recaídas". O seu humor necessariamente vai ao fundo do poço de uma forma violenta durante certos momentos. Isso já até foi registrado involuntariamente no blog: aqui. As atividades cotidianas se tornam demasiadamente tediosas (ou a falta delas), você sente uma falta fudida de interlocutores (mesmo que os amigos estejam por ali), e começa a se aproximar de uma daquelas "conversas a um" que não são muito saudáveis.

E é a tal história, você sabe que é algo químico e fugaz, e que necessariamente irá passar rápido, mas você não perde tempo em culpar até as baratas do ralo do seu banheiro pelas suas aflições. E como quem sofre de uma forma mais aguda desse "mal" é daquelas pessoas que "pensam demais", você se torna necessariamente um sujeito insuportável.

Eu reparei que até consigo lidar bem com isso, e "deglutir" muita coisa sem "contaminar" muito as pessoas a minha volta, mas é uma tarefa árdua. É impossível você eximir-se por completo, e a melhor tática acaba sendo um misto de reclusão e atividades "iluminadoras" (da última vez fui sozinho assistir um show cover do Pink Floyd na madrugada de uma noite congelante).

Estou pensando no que irei fazer dessa vez. Talvez seguir no curso normal do dia seja a melhor opção. Até no final da tarde pode acontecer um "revertério químico-psico-cerebral" e tudo voltará ao normal. Da última vez acho que durou uns três dias (já estou contando este como o segundo). Bom, nessas horas eu procuro sempre lembrar dos monges budistas, e a melhor receita é deixar fluir (vide primeiro parágrafo).

De qualquer maneira, esqueçam essa postagem. Era pra ser algo muito mais profundo (sentimentalmente falando) e pretensamente libertador, mas o tiro saiu pela culatra. Tá muito pedante isso aqui. E eu vou almoçar.

* To be continued (ainda quero desenvolver esse assunto com a cabeça mais equilibrada).

terça-feira, 20 de novembro de 2007

bloco de notas (6)

Eu gosto de feriados "híbridos", como esse do dia da consciência negra. São Paulo fica uma cidade deliciosa. A grande maioria das pessoas está viajando mas ainda sobra gente interessante pra se ver nas ruas. Pois o dia hoje está muito gostoso. Amanheceu com sol, ruas tranqüilas. Até me surpreendi com a quantidade de gente bonita andando na zona central da cidade, acima da média. Casais suburbanos de classe média perambulando pelo Largo do Paiçandú. Coisa rara. Normalmente umas poucas almas penadas. Quem ficou na cidade resolveu sair de casa, muito bom.

***
E eu estava louco pra comprar uma caneca tematizada com o "logo" do Dark Side of The Moon do Pink Floyd na galeria do rock. Depois vi uma outra dos Beatles. Estava disposto a gastar, mas R$20 por uma caneca meia boca feita pra destro (muito legal isso, só tinha imagem do lado da caneca que aparece quando alguém segura com a mão direita; mother fuckers!) não dá.

***
Flanando pelas vielas do centro velho, resolvi passar no Centro Cultural Banco do Brasil e ver a exposição da Yoko Ono. Como bom fã dos Beatles, fui com um pé atrás. Mas ela é uma artista competente. Obras interessantes, acessíveis. Diz lá que a exposição e a carreira da artista buscam justamente tirar a arte daquele campo restrito de críticos e especialistas e adotar uma linguagem mais objetiva. Eu gostei. Xícaras quebradas, mensagens escritas na parede expostas como se fossem um "manual" de simpatias e "dicas existenciais". Até aquela famosa obra que foi a causa do início do relacionamento dela com John Lennon está exposta (a escada, a lupa, e a pequena palavra escrita no teto: "yes!"). Ao contrário do talento musical, ela manda bem na arte visual. Dizem que os especialistas desdenham do trabalho dela, mas qualquer um que tente transformar algo elitizado em um trabalho mais pop, leva chumbo. Em tempo: sofri pra resistir à aprazível cafeteria local.

***
Já que mencionamos cafeína, descobri (experimentei, finalmente) um negócio chamado café aromatizado. Sabia que existia mas nunca me movimentei o suficiente pra provar. Agora provei. Pra "cafeínomaníacos", é obrigatório (e ao mesmo tempo um perigo). Quem resiste a um café com aroma de chocolate com trufas? Começa e depois não pára mais, tá loco.

domingo, 18 de novembro de 2007

"like a flower!"

Ao contrário de boa parte das pessoas, final de ano não é sinônimo de melancolia, depressão, mau-humor pra mim. Eu até fico mais animado, pensando antecipadamente nas possibilidades que o início de um novo ano no calendário pode trazer.

Quando chega nessa época parece que certos indivíduos acionam um botão e a vida se torna um grande poço sem fundo. Eles fazem o "balanço" dos últimos trezentos e poucos dias e "descobrem" que poderiam ter feito/vivido muito mais do que realmente fizeram/viveram. Começam a reclamar da chegada do Natal, que é tudo um porre, que terão que encontrar parentes indesejáveis, agir com hipocrisia, e blá, blá, blá.

Bom, no fundo, essas pessoas não deixam de estar certas, mas acho isso uma das manifestação de humor mais escrotas que a civilização ocidental já produziu. Na verdade, estou me antecipando, pois ainda não me deparei com ninguém que já tenha efetivamente ligado esse bendito botãozinho. De qualquer maneira, já fica aqui dado o recado na "toada" de um dos melhores "hinos anti-humor-escrotal" que a música pop já produziu. Pegue o seu fone de ouvido ou ligue sua caixa de som, e vamos nessa:



You want a love to last forever
One that will never fade away
I want to help you with your problem
Stick around I say

Coming Up, coming up, yeah
Coming up, like a flower
Coming up, I say

You want a friend you can rely on
One who will never fade away
And if you're searching for an answer
Stick around, I say

Coming Up, coming up
Coming up, like a flower
Coming up, yeah!

You want some peace and understanding
So everybody can be free
I know that we can get together
We can make it, stick with me

It's coming up, coming up
Coming up, like a flower
Coming up for you and me

Coming Up, coming up, I say
Coming up, like a flower
Coming up, I feel it in my bones

You want a better kind of future
One that everyone can share
You're not alone, we all could use it
Stick around, we're nearly there

Coming Up, coming up everywhere
Coming up, like a flower
Coming up for all to share

Coming up, yeah
Coming up, anyway
Coming up, like a flower
Coming up!

("Coming Up" - P. McCartney)

P.S.: não sei porque, depois que voltei de uma viagem em que vi minha avó completar 85 anos de idade, senti a necessidade de fazer essa postagem.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A/C: irmandade dos viciados em cafeína (um alerta)

Hoje à tarde, enquanto lia notícias na internet e tomava uma xícara de café, deparei-me com isso:

Aquecimento global pode reduzir produção de café em 92% até o fim do século, aponta estudo

Se nenhuma ação for realizada para diminuir os efeitos do aquecimento global sobre a agricultura, a produção de café no Brasil pode ter queda de 92% até o ano de 2100. A informação é de um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que também calcula a possibilidade de queda de R$ 370 milhões em exportações nos próximos 13 anos.

De acordo com o estudo, as plantações de café, soja e feijão são as mais impactadas pela elevação da temperatura. A estimativa para a produção do café é de queda de 30 milhões para 2,4 milhões de sacas até o fim do século, caso não haja diminuição dos danos causados pelas alterações climáticas.

Apesar da probabilidade de queda na produção, o pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa, disse acreditar que com o desenvolvimento de práticas agrícolas eficazes e ações da ciência, o quadro pode ser mais otimista.

“A boa notícia é que os pesquisadores não estão de braços cruzados. O Brasil é muito competente no uso de tecnologia em agricultura. Se acharmos que está tudo bem com o atual cenário, aí sim perderemos produção”, afirmou.

Entre as ações necessárias para evitar a escassez do café, Assad incluiu a utilização de novos fertilizantes e o desenvolvimento de espécies resistentes a temperaturas mais altas. Mesmo diante da perspectiva de diminuição das plantações, o pesquisador descartou a possibilidade de falta de café.

“Não vai faltar de jeito nenhum. Esse trabalho [pesquisa] tem a grande vantagem de se antecipar aos problemas. Nós não estamos apagando incêndios, mas nos precavendo”, garantiu.

O pesquisador da Embrapa ressaltou que, além dos aspectos econômicos, as plantações de café são importantes para combater a poluição atmosférica. Segundo ele, a planta tem a propriedade de catalisar partículas de dióxido de carbono (CO2), substância nociva ao meio ambiente.

“O café é uma planta que tem balanço positivo em termos de retenção de carbono. Ele ajuda, portanto, a limpar a atmosfera. Estamos intensificando as pesquisas para saber a proporção dessa limpeza”, afirmou.
(Hugo Costa / Agência Brasil)

fonte: Ambiente Brasil (12/11/2007)

Um chamado aos meus nobres companheiros de vício. Mesmo que você seja um cabeça dura que não está nem aí para o que anda acontecendo socioambientalmente com o planeta, ajude ao menos a divulgar essa notícia. Até as coisas ficarem realmente complicadas, você provavelmente já terá se tornado uma caveira sete palmos abaixo da terra, mas pense no bem-estar do seu futuro filho viciado em cafeína. Acima de tudo, salvemos a pobre cafeína da extinção!

sábado, 10 de novembro de 2007

yada, yada, yada? (3)


Eu acho que... mesmo que tenha namorado alguém... ou melhor, principalmente quando namorou alguém... e, depois, tenta manter a amizade... é difícil, não é? É difícil porque vocês se conhecem muito bem. Parecem dois mágicos fazendo "show" um para o outro. Um diz: 'Um coelho!' (tira da cartola) E o outro responde: 'E daí?' (...) 'Essa carta de baralho é sua.' (mostra a carta de baralho) (...) 'Vamos nos serrar pela metade e encerrar a noite?'.

(Jerry Seinfeld)

img: http://math.scu.edu/~dostrov/

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

empty spaces dicas: "Trainspotting - Sem Limites" e "Sunshine - Alerta Solar"

Hoje vão duas dicas rápidas do diretor Danny Boyle. Eu até recentemente não tinha dado muita bola pros filmes dele. Sempre tinha ouvido falar bem, mas não me entusiasmava em procurar ver os filmes. Graças a influência de amigos, estou conferindo. E, depois do clássico Stanley Kubrick, o sujeito tornou-se o meu diretor cinematográfico favorito.

"Trainspotting - Sem Limites"

"Os bons tempos não duram para sempre".
(Mark Renton)

Adorei esse filme. Assisti hoje. Com um atraso de mais de 10 anos (!). Todo mundo que eu conheço já tinha falado bem sobre o dito cujo, porém, eu sempre fiquei com um pé atrás. Na época, lia resenhas e achava que era mais um filme "da modinha" sobre um bando de drogados. Mas não é isso. Muito pelo contrário.

É daqueles filmes que os britânicos sabem fazer melhor do que ninguém. Uma narrativa em primeira pessoa com altas doses de ironia e sarcasmo. Dei muita risada. E adorei o contexto da história.

Talvez pelo fato de ser um "filho do britpop", ter crescido vivendo e consumindo toda aquela "onda cultural" que surgiu na terra da rainha lá em meados dos anos 90 e reverberou pelo mundo, a identificação foi total. Aliás, lembrei muito do Blur enquanto assistia. Algumas passagens do filme parecem cenários dos clipes da banda, em uma delas há referências claras ao clipe da música For Tomorrow (ou eu enxerguei demais).

Arrisco dizer também, pelo menos dos que eu vi até agora, que é o melhor filme desse diretor. Daquelas raras películas que não perdem o ritmo, e mantém a mesma "toada" do início ao fim. Além de ser o melhor momento da parceria que ele fez com o ator Ewan McGregor. Também assisti Por uma vida menos ordinária (1997) e Cova Rasa (1994). Apesar de serem bons filmes, são mais fracos que esse.

ficha técnica:

Título Original: Trainspotting
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra): 1996
Site Oficial: www.miramax.com/trainspotting
Estúdio: PolyGram Filmed Entertainment / Channel Four Films
Distribuição: Miramax Films / PolyGram Filmed Entertainment
Direção: Danny Boyle
Roteiro: John Hodge, baseado em livro de Irvine Welsh
Produção: Andrew Macdonald
Música: Georges Bizet
Direção de Fotografia: Brian Tufano
Desenho de Produção: Kave Quinn
Direção de Arte: Tracey Gallacher
Figurino: Rachael Fleming
Edição: Masahiro Hirakubo

elenco:

Ewan McGregor (Mark Renton)
Ewen Bremner (Daniel Murphy)
Jonny Le Miller (Simon David Williamson)
Kevin McKidd (Tommy MacKenzie)
Robert Carlyle (Francis Begbie)
Kelly MacDonald (Diane)
Peter Mullan (Swanney)
James Cosmo (Sr. Renton)
Eileen Nicholas (Sra. Renton)
Susan Vidler (Allison)
Pauline Lynch (Lizzy)


"Sunshine - Alerta Solar"


Meio que intuitivamente surge a comparação com o "2001, Uma Odisséia no Espaço", mas são coisas distintas. "2001" é um épico, enquanto esse filme de ficção científica do nosso amigo Boyle é mais despretensioso, e digamos, pop. Queria ter visto no cinema mas acabei assistindo esses dias, alugando o DVD mesmo.

Li uns textos na internet comparando o filme com "Alien, o 8º passageiro", o que eu achei meio forçado. Principalmente porque a mensagem do filme é outra, e não tem nada de terrorística, eu diria até que "Sunshine" é tematicamente meio lírico, buscando uma reflexão filosófica (daí a minha comparação no conteúdo com o "2001"). Basicamente falando do "embate metafísico"(?) homem/sol, e da nossa dependência pra lá de visceral dessa singela estrela.

Também gostei muito dessa película, já está na lista das minhas favoritas. Além do roteiro propriamente dito, a "fotografia" do filme (se é que poderíamos chamar assim) merece destaque. Belas imagens.

Especialmente pra quem curte ficção científica (como eu), é um trabalho que não pode passar batido. Quando for comprar o "2001" pro meu "acervo" particular de filmes vou levar esse junto, pra fazer um contraponto.

O filme só tem uma falha técnica, a meu ver, e gostaria que alguém explicasse: como um ser humano consegue "flutuar" no espaço sideral (nem que seja por alguns segundos) sem uma roupa de proteção? Pois o povo que tripula a Icarus II consegue. Porém, isso não estraga o trabalho.

Bom, agora só falta ver o tal do Extermínio (2002) e Caiu do Céu (2004). Talvez já tenha ouvido falar/visto o trailer do primeiro em algum lugar, mas não lembro de ter visto esses filmes em cartaz no cinema e nem reparei na presença deles na locadora.

De qualquer maneira, valeu Boyle, pelo petardos recentes de entretenimento de alta qualidade.

ficha técnica:

Título Original: Sunshine
Gênero: Ficção Científica
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra): 2007
Site Oficial: www.sunshinedna.com
Estúdio: UK Film Council / DNA Films / Ingenious Film Partners / Moving Picture Company
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Alex Garland
Produção: Andrew Macdonald
Música: Karl Hyde, John Murphy e Rick Smith
Fotografia: Alwin H. Kuchler
Desenho de Produção: Mark Tildesley
Direção de Arte: Gary Freeman, Stephen Morahan, Denis Schnegg e David Warren
Figurino: Suttirat Anne Larlarb
Edição: Chris Gill
Efeitos Especiais: Moving Picture Company / Snow Business International

elenco:

Chris Evans (Mace)
Cillian Murphy (Capa)
Rose Byrne (Cassie)
Michelle Yeoh (Corazon)
Mark Strong (Pinbacker)
Cliff Curtis (Searle)
Troy Garity (Harvey)
Hiroyuki Sanada (Kaneda)
Benedict Wong (Trey)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

bloco de notas (5)

Depois de uma certa ausência no espaço, voltando a escrever. Eu não sei se é porque o meu blog é pessoal, mas a vontade de escrever aqui é inversamente proporcional a positividade do meu estado de espírito. É lógico que o que realmente conta é o fator tempo (o que foi muito bem preenchido nos últimos dias), mas noto que minha "produtividade" de postagens é maior quando estou no melancolic mode on. Quanto mais animado fico mais eu "travo" na frente da tela do editor. Talvez mais uma evidência do quanto os blogs pessoais são, no que tange ao conteúdo, majoritariamente confessionais. E a gente só se confessa quando faz alguma cagada (a maneira clássica), ou está com o saco na lua, ou solitário, ou com aquela "pensatividade melancolista" (estou com sede de neologismos) típica de seres introspectivos em estado latente.

***
Eu queria falar de futebol (não sou um grande freqüentador de estádios e torcidas, mas eu gosto de acompanhar e torcer), pois é deprimente ver o estado em que se encontra o meu time do coração, aquele que nós da comunidade costumamos chamar de timão. Bom, todo corinthiano que se preze sabe que torcer pro time sempre envolve uma dose elevada de sofrimento. É uma característica histórica do clube. Todo mundo sabe, e todo mundo aceita. Não está escrito no estatuto do clube, mas é como se estivesse: "art. 1º, parágrafo único - você aí, associado, torcedor do time de futebol dessa agremiação esportiva, será sempre um sofredor." Porém, como tudo na vida, há um limite, e observando o time jogar ontem na TV (derrota para o Flamego; 2x1) foi fácil constatar que esse limite foi quebrado. Não que o Corinthians não tenha o direito de jogar mal, mas eu pude enxergar ali o reflexo perfeito de tudo o que está por trás daquelas 22 pernas que são (vou arriscar) as mais sufocadas e pressionadas pernas do futebol brasileiro. Politicagem rasteira, lavagem de dinheiro, irresponsabilidade, enfim, todo mundo sabe do que eu estou falando. Foi fácil imaginar cada um daqueles 11 jogadores carregando uma tonelada de esterco de porco nas costas (deu vontade de encomendar uma charge com o Angeli). Pois bem, lembrando um pouco daquela fábula roqueira antiga: eu não acredito em porcos voadores, mas que eles existem, existem. Ainda mais dentro do mundo futebolístico.

***
Já que tocamos no assunto, queria parabenizar os são-paulinos em geral (frise-se, eles não são palmeirenses, então eu posso elogiar) pela conquista do título. Mais do que merecido. As "arcadas" do Morumbi hoje representam a antítese do que se pratica dentro daquele feudo chamado Parque São Jorge. Uma salva de palmas pros "bambis".

***
God put a smile upon your face. Eu ando escutando muito essa música (que eu já ouço mais do que o normal faz muito tempo, desde que o Coldplay pariu essa bolacha para o mundo). Esses dias, conversando com um ser também adorador do som da banda, classifiquei a dita cuja como "catártica". Talvez eu tenha exagerado (como bem notou o outro ser adorador), mas o meu sentimento quando a escuto é algo nesse sentido. A provável falta de classificação pro meu estado de espírito com a "moça" na vitrola tenha me levado a pensar nesse adjetivo. De qualquer maneira, sorria por favor:



***
Eu passei o último domingo no parque. Aquele que começa com "Ibira" e termina com "puera". Aliás, agradabilíssimo domingo. E eu vi um senador. Uma visão rara, convenhamos, em um parque público. Um senador competente e honesto (adicionemos o substantivo "miragem"). Um político em quem eu sempre voto (votei), e nunca me arrependi. Um economista boxiador, ou boxiador economista. Um cara simples, meio quixotesco (no melhor sentido que a palavra pode ter). Vestido da forma mais "tiozão" possível. Ele estava lá. Talvez buscando (e sentindo) os mesmos "ventos empáticos" que eu busquei (e senti) lá.

"promoção": vamos ver, um copo de café (na Starbucks) pra quem acertar o nome do rapaz.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

pausa para o informe publicitário (5)

(Vicent Van Gogh - "Passeio ao Crepúsculo" - óleo sobre tela, 1889-90)


"Esse quadro é tão bonito.. dá até vontade de chorar.." (Cristina Traskine - Museu de Arte de São Paulo - 23/10/2007).

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

bloco de notas (4)

Encuquei que precisava fazer uma faxina no guarda-roupas do meu apê. Fuçando lá dentro reencontrei a minha caixinha de fitas cassete que há seculos eu não mexia. Quando eu era criança era um "esporte". Adorava fazer seleções de músicas pra depois gravar no tape deck (só agora estou me dando conta de como eu era ultra-nerd naquela época). Eu praticamente só escutava Beatles e os lps progressivos (do "velho") e os nacionais (da matriarca). Pois bem, mesmo depois de crescidinho eu ainda continuei fazendo algumas, entre as quais me dei de cara com essa pérola esquecida no baú:


Reparem no tracklist:

01- London Calling (The Clash)
02- Rudie Can´t Fail (The Clash)
03- I am the Walrus (The Beatles)
04- Jimmy Jazz (The Clash)
05- Wrong ´Em Boyo (The Clash)
06- For You Blue (The Beatles)
07- Birthday (The Beatles)
08- Rocky Raccoon (The Beatles)
09- I´m so tired (The Beatles)
10- Back in the USSR (The Beatles)
11- Brand New Cadillac (The Clash)
12- Hateful (The Clash)
13- Get Back (The Beatles)
14- Should I Stay or Should I Go? (The Clash)
15- Your Mother Should Know (The Beatles)
16- Mean Mr. Mostard (The Beatles)
17- Polythene Pam (The Beatles)
18- She Came in through the Bathroom Window (The Beatles)
19- Lost in the Supermarket (The Clash)
20- The Fool on the Hill (The Beatles)
21- Atom Tan (The Clash)

Provavelmente, a melhor coletânia que eu já fiz. Com aquelas que poderíamos chamar de as duas melhores bandas de todos os tempos. Ainda vou digitalizar essa belezinha.

***
Ontem eu inventei de fazer um uni-dune-tê no cinema, e me ferrei. Quarta-feira, final de tarde, sozinho nas imediações da Av. Paulista, e lá fui eu. O nome da coisa tosca é "O Vidente". Não assistam. Um dos piores filmes que eu já vi. Até eu dirigia um filme melhor com aquele material. Foi difícil aguentar até o final. Até pensei em criar um tópico na linha de algo como "anti-dicas de cinema e vídeo", mas não estou com saco pra perder tempo escrevendo sobre filme ruim.

***
No mesmo dia, um pouco antes, analisava e reparava como professores de educação física são seres estranhamente felizes. Fui fazer um exame médico pra usar piscina pra natação e fiquei trocando idéias com um exemplar desse espécime enquanto esperava o elevador. Senti-me um cara mais chato e entendiante do que o já habitual.

***
E eu estou gostando desse negócio de escrever "anotações", é mentalmente relaxante. Acho que meu ócio está começando a ficar senão criativo, pelo menos um pouco mais produtivo em alguma coisa.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

gerúndio, o pós-moderno

Esses tempos ouvi comentários sobre o governador do Distrito Federal ter "eliminado", por decreto, o uso de uma das formas nominais do verbo (gerúndio) nas repartições públicas. De início, achei que era alguma gozação, mas depois de uma pesquisa na net achei, estava lá, na íntegra:

Decreto nº 28.314, de 28 de setembro de 2007.

Demite o gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.

O governador do Distrito Federal, no uso das atribuições que lhe confere o artigo
100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:

Art. 1° - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 28 de setembro de 2007.

119º da República e 48º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA

E eu fiquei imaginando quais seriam as "disposições em contrário" dessa bizarrice. Apesar do bom humor e tudo, isso demonstra bem o nível dos políticos que nós temos. Se fosse na Suécia, onde o povo é maduro e a sociedade é desenvolvida, esse tipo de "passatempo legislativo" não seria nada demais. Mas é só olharmos um pouco a nossa volta pra constatar o tipo de civilização "meia-boca" que nós somos e perceber que temos assuntos muito mais importantes pra tratar.

Bom, "terceiro-mundices" à parte, o gerúndio realmente é uma praga. Depois de ter lido isso eu comecei a pensar nos motivos para essa onda de "gerundismo". Poderíamos botar a culpa nas mocinhas do telemarketing e dos serviços 0800, mas eu acho que a coisa não é tão simples. Eu mesmo andei reparando (olha só!) que uso muito gerúndio. Nas últimas revisões de postagens que tenho feito aqui no blog fiquei de olho nisso, e vi muito mais "ndo" do que eu queria (ou imaginava) nos meus textos.

Na verdade, acho que isso é um grande sintoma da nossa "era", digamos assim. A tal da pós-modernidade é a grande época do agir "ad eternum". Da contínua busca por valores, significados que nunca se "solidificam". Por isso estamos sempre buscando, analisando, categorizando, filtrando, transformando, alterando. Vivemos em um mundo onde as idéias não se "sedimentam", simplesmente transitam, quase que "vaporizadas". Tudo é relativo. E, por consequência, nada termina no particípio.

(In)felizmente ainda não cheguei a nenhuma conclusão sobre os benefícios ou prejuízos de se viver a vida no gerúndio. Porque eu, você, nós todos, estamos indo pra algum lugar. E isso é muito mais filosoficamente complicado do que simplesmente dizer "iremos".

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

pausa para o informe publicitário (4)


"Existe muita gente que fala 'olha eu tenho um blog'. É a mesma coisa que falar 'olha eu tenho uma caneta Bic'. Tudo depende do que você vai fazer com ela [...]. Blog não valida o talento de ninguém. O que interessa é a história que cada um conta." (Marcelo Tas)

Falou tudo. E o pior é ficar imaginando as possibilidades que o sujeito tem de utilidade pra uma caneta bic.

link (fonte): Blog do Tas.