sábado, 27 de janeiro de 2007

empty spaces dicas: "King Kong" (1976)

(Jessica Lange sofrendo na mão do macaquinho)

Na última quinta-feira, eu estava zapeando os canais quando me deparei com essa pérola das minhas tardes infanto-juvenis na frente da TV. Conheço poucas pessoas que não tenham visto esse filme, normalmente mais novas, pois da minha idade pra cima, todo mundo já viu.

O mais legal foi que tive a oportunidade de ver esse filme por um outro prisma, com uma outra cabeça, e, por conseqüencia, com outras interpretações. Por óbvio, quando eu tinha meus 11, 12 anos de idade eu assistia o dito apenas pensando nas pernas da Jessica Lange e nos efeitos especiais daquele macaco de 30 metros de altura (na época eles eram bem legais, pelo menos eu achava; isso porque o filme já era velho praquele tempo - começo dos anos 90). Isto é, pura diversão num filme de terror-suspense meio kitsch que me distraía e fazia minhas tardes pós-escola da pré-adolescência algo interessante.

Nessa "releitura" que tive oportunidade de fazer, pude reparar melhor nos diálogos do filme, e em toda a carga simbólica que essa história carrega e nós (pelo menos eu) solenemente ignoramos (ou ignorava). Em suma, a questão do relacionamento homem/mulher e todas as suas "facetas".

Um gorila gigante e uma frágil garota, face a face, travando um "diálogo" onde um tenta entender o outro, cada qual ao seu modo "X" ou "Y" de ser.

A seqüencia em que o nosso amigo Kong tenta tirar as roupas (já mínimas) da mocinha Lange enquanto tem que brigar com uma cobra gigante, e ver a sua "amada" escapar com outro (no caso, o mocinho do filme -Jeff Bridges-) é ao mesmo tempo de uma simplicidade e de uma simbologia gritantes.

Enfim, é um filme que ajuda, de uma maneira quase até grotesca, você a entender porque aquela mocinha que você gosta se faz de "difícil" e/ou não dá bola pra você, bem como o porquê de você não entender porque é tão difícil entender as nuances da alma feminina. Em especial pr´alma daquele ser feminino que te faz regredir aos estágios mais primitivos dos seus sentimentos primatas (adorei o pleonasmo dessa frase).

Eu recomendo sim. Pra quem ainda não viu. Tecnicamente não tem nada demais, um filme regular, mas pitorescamente essencial.

Ficha Técnica:

"King Kong" (1976) - 2ª refilmagem (EUA) - 134 min

direção: John Guillermin

elenco: Jeff Bridges, Jessica Lange, Charles Grodin, John Randolph

roteiro: Lorenzo Semple Jr.

gênero: aventura

idioma: inglês

3 comentários:

Cristina disse...

Eu gosto de rever os filmes da infância/adolescência justamente pra isso, ver o que eles significam pra nós agora. Não me lembro muito bem do King Kong, mas sempre achei que tinha mesmo alguma conotação lasciva. (?)
Esse fim de semana eu vou assistir o "Planeta dos macacos", aquela versão dos anos 60.
beijo!

Butterfly Wings disse...

Soa ridículo o fato de seres humanos masculinos não-evoluídos ainda terem os estágio mais primitivos de seus sentimentos causados por seres humanos femininos tambpem não-evoluídos que ainda acham lindo esse negócio de "se fazer de difícil". Admirável era o King Kong, que durante todo o filme, fixou sua mente em apenas UMA mulher...

Cristina disse...

A propósito, eu vi o "Planeta dos macacos" (vou escrever sobre isso depois) e tem uma frase dele que creio que se encaixa com o teu post: "Os humanos adoram fazer humanices" rsrs