domingo, 14 de janeiro de 2007

notas cotidianas

Nota 1: a "boca do lixo"
Hoje estava reparando o quanto o bairro onde eu moro é insalubre. Não é à toa que a cercania é conhecida pelos paulistanos mais antigos como a "boca do lixo". Era a antiga "zona" de São Paulo, poderíamos dizer assim. A extinta rodoviária municipal ficava aqui, os hotéis, e tudo aquilo que sempre acompanha esses logradouros: "mulheres da vida", mendigos, travestis, pessoas "deslocadas" e vagabundos em geral.
Enfim, eu saí hoje no começo da noite (sábado) pra ir no supermercado e as ruas cheiravam mal. Em cada esquina tinha um entulho de lixo abandonado invariavelmente sendo alvo de um mendigo procurando por comida. Cruzei com uma meia dúzia de "bebuns" que mal conseguiam manter um ângulo mínimo de longitude pra ficar em pé, sendo que um deles quase caiu em cima de um desses acúmulos de lixo.
Bom, isso aqui já foi muito pior do que era antes, mas a prefeitura parece que está abandonando o trabalho de recuperação que foi iniciado e desenvolvido pela Marta Suplicy e pelo Serra aqui na cidade. Não sei, andando pelas ruas da pra sentir que as coisas pararam, em especial no final-de-semana.
Serviço de limpeza, assistência social, cada vez mais rarefeitos. Essa última na verdade eu nunca vi por aqui. O único agente que eu acho que era da assistência social que eu vi em quase 1 ano e meio de morada nessa cidade estava embaixo do "minhocão" cadastrando uma horda de pedintes que se instalou por lá recentemente, e só. Porque a coisa estava realmente crítica.
Um lugar tão belo, historica e culturalmente vital pra cidade, abandonado e sujo. Uma pena.
Nota 2: a cozinha
E por falar em insalubridade, minha "cozinha" anda um trapo (bom, acho que podemos chamar uma pia e um fogão de cozinha). Eu não devia confessar essas coisas aqui, mas faz séculos que não limpo meu fogão decentemente. Estou até imaginando a crosta de gordura que vou encontrar em certas cavidades. Como diz minha amiga Cris: "medo, muito medo...".
Nota 3: Eu preciso de um "Wilson" pra mim
Desde que me mudei pra SP, eu sempre convivi bem com a solidão. Eu gosto dela, até certo ponto. Mas tem horas que qualquer ser humano nessas condições (ou mesmo fora dela) precisa se tornar um autista e/ou esquisofrênico. Hoje estava pensando que preciso arranjar um "Wilson" pra mim. Sim, estou falando da bola de vôlei daquele filme com aquele ator que você conhece.
Primeiro pensei numa planta, como no girassol que eu ia trazer pra cá mas morreu antes mesmo da viagem (será que ele se suicidou antes ao saber que iria dividir apê comigo?). Depois pensei num peixe, mas aí eu me dei conta que pra não ter despesa teria que ser um peixe-beta (aquele ser aquático carrancudo, mal-humorado e que precisa de pouco oxigênio e espaço pra viver), o que não sei se seria uma boa idéia, pois não é muito saudável duas almas com personalidade parecidas conviverem juntas. Diz a sapiência que, cedo ou tarde, dá merda.
Bom, aceito sugestões.

4 comentários:

Bruna_ disse...

Wilsoooooooonnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Ahh bola de vôlei? Acho que você pode ter um peixe.. eu conversava com meu peixe. rs
2. vou te passar um bom produto, limpa fogão
3. o centro.. snif.. fiz uma reclamação no site da prefeitura sobre a praça na frente do municipal.. vamos ver se tenho resposta. rs

Carol disse...

Querido, já tive cachorro, gato, canário, peixes (várias espécies) e hoje tenho a Mocinha que vc já conhece!
Peixes são muito legais! Até 2004 eu ainda mantinha dois aquários aqui (um de 150l e outro de 25l) com mais de 20 espécies diferentes. Meus peixes viveram 6 anos (vieram pra Curitiba comigo) mas o problema não é o gasto com os apetrechos. O problema é limpar o aquário. Inevitavelmente, vc vai ter que passar uma tarde (dependendo do tamanho do aquário) com um sifão na mão e um balde, além de passar esponja no vidro que vai estar verde, cheio de musgos... eca! Garanto: muito pior do que teu fogão! Isso pra não falar em lavar os enfeites, controlar a temperatura, P.H. da água, verificar se as malhas do filtro já estão sujas e trocá-las, ter a surpresa de ter espécies comidas pelas outras, ter a tristeza de ter seus peixes doentes e contaminando outros (alguns são bem frágeis como lebistes e neons), cuidar das plantas dentro do aquário, etc.
Betas não são tão diferentes assim! Apesar de não precisarem de filtro e se adaptarem bem à temperatura ambiente, sujam o ambiente do mesmo jeito! Se prepare pra trocar água e ter o maior cuidado em não dar comida demais ou de menos...
Agora, vamos pra propaganda! Eu gastei 14 reais na gaiola que veio com 3 poleiros, comedouro e bebedouro além de, claro, a Mocinha dentro! A comida dela é básica (alpiste, gergelim e outras sementes) e muito barata (a granel, mensalmente, gasto + ou - 1 real) mas ela come de tudo, verduras, frutas até minhas sobras de arroz requentado! Outra coisa legal é que eles só comem qdo querem então vc não corre o risco de morrerem de tanto comer (como é o caso dos peixes). Água? Tomam 1 colher de chá de água por dia, pode? Sugiro um periquito-australiano pra vc! Quem sabe um "Mocinho" acaba com a sua solidão como a Mocinha acabou com a minha? Fora que ela conversa pra caramba, manda beijo, assobia mas à noite não dá um pio. E durante o dia, só fala se vc estiver por perto então vc não corre o risco dos vizinhos reclamarem de barulho. Se optar por um pássaro, me mande scrap que te dou mais dicas. Bjos

Obs: apenas pra lembrar, dependendo da espécie do pássaro, ele pode durar mais de 30 anos então escolha com muito cuidado seu bichinho, pensando à loooonnnnnnngo prazo. É como um filho! se vai adotar um, não é pra se arrepender depois, tá?

Cristina disse...

O que me deixa pensativa qto à esse descaso com a cidade é sempre pensar o que eu (ou você, quem quer que seja) poderia fazer pra ajudar, ou qual a melhor maneira de lidar c/ isso, principalmente qdo se trata dessas pessoas que vivem na rua.

A idéia é limpar o fogão td vez que acaba de usá-lo, sacou?

Eu acho que não posso morar em apartamento; não sei viver sem cachorros. Mas bem, nesse caso, eu arrumaria uma plantinha. Um cactus rs.

Cristina disse...

O que me deixa pensativa qto à esse descaso com a cidade é sempre pensar o que eu (ou você, quem quer que seja) poderia fazer pra ajudar, ou qual a melhor maneira de lidar c/ isso, principalmente qdo se trata dessas pessoas que vivem na rua.

A idéia é limpar o fogão td vez que acaba de usá-lo, sacou?

Eu acho que não posso morar em apartamento; não sei viver sem cachorros. Mas bem, nesse caso, eu arrumaria uma plantinha. Um cactus rs.