sábado, 20 de janeiro de 2007

sanduíche prensado


Nessa última sexta eu e minha amiga Cris, num dos nossos muitos papos "cabeça" involuntários, começamos a discutir e filosofar sobre, afinal, qual seria a razão de ser da nossa existência (reparem como somos modestos).

Bom, esses dias eu saí do meu trabalho, coloquei meu MP3 no ouvido (rolando uma seleção de britpop carinhosamente preparada) e comecei a pensar muito nisso. Em como nossa existência é pobre, limitada, alienante e blasè (eu pensei em vários outros adjetivos, mas não quero deixar os parcos e nobres leitores desse blog ainda mais "deprês").
Estava observando como nossa vida gira em torno de um "fino fio" de frustração, satisfação de pequenos prazeres materiais, pressão (com um sopro de alívio no final do dia - aquela cervejinha básica) e descompressão (não o suficente pra que você acalme seu espírito). Na prática, o "sistema" me dá um trabalho que supre as minhas necessidades básicas de alimentação, vestimenta, e locomoção. Deixa uma "sobra" pra que eu gaste um mínimo com os "prazeres da vida", e depois me joga contra as cordas denovo, manda um direto de esquerda, alguns "jobs", e no final do dia eu tô no chão denovo. Aí vem o juiz, deixa que eu me recupere na lona, e me manda pra mais um round. E assim vai.
Eu na hora me lembrei do sanduíche prensado que o pessoal vende no centro de SP. Na verdade é um cachorro quente. Eu sempre passava em frente a uma lanchonete que vendia o dito na Av. Ipiranga, e um dia estava passeando por lá com minha amiga Tais e resolvi experimentar (imaginava que fosse bom). E me decepcionei. É seco, sem gosto, o pão esfarelava na minha boca, um dos piores lanches que eu já experimentei na vida.
Talvez eu esteja forçando um pouco a barra fazendo essa comparação, mas às vezes é assim que me sinto. Aliás, cada vez mais freqüentemente. Um sanduíche prensado, e levemente irado. E tão ruim e sem gosto como esse "hot-dog" do centrão paulistano.

5 comentários:

Bruna_ disse...

quando eu penso em hot dog eu penseo em: vai uma mostarda?
; )

Aurelius disse...

A subida da Consolação, a Flor de Lótus e o Sanduíche Prensado.

Uma vez em que subia a Avenida da Consolação - em direção ao trabalho (tripalium)- percebi uma pequena planta que nasceu e cresceu em uma trinca da calçada.

Pressionada pelo concreto, envolvida no lixo produzido por uma espécie que domina a Nave, (pequenos detritos, conduzidos pela chuva), exibia uma pequenina e bela flor.

Ou seria a Pequenina Vida que pressionava e rompia o concreto?

Somos todos Um.

Lembrei-me da flor de lótus, aquela que se projeta-se do pântano, com beleza ímpar.

Outrora forjas, para espadas, agora prensas, para "sandwishes".

Somos muitos. Nunca sozinhos. Sempre prensados. Certos de que alguém sempre colhe nossos frutos - sem pedir. E que Alguém sempre nos renova e nos floresce - sem cobrar.

Ave Alexandre.

Frater Aurelius.

Anonymous disse...

Querido, acho que está na hora de agir. Qualquer ação. Vc tem se mostrado muito triste e sozinho nos seus últimos posts e, na boa, isso parece estar te incomodando dia após dia na tua vida.
Beijos
Carol

Cristina disse...

Você lembra se nós chegamos a alguma conclusão na nossa conversa?
Eu, como te disse, acho que somos uns deslocados. Mas privilegiados, ao mesmo tempo, por tentar pelo menos entender o que se passa nesse mundo de doidos e o que é que a vida espera de nós. Talvez esse seja o nosso erro, pensar demais. Só que, sabe aquela esperança utópica? Acho que vale a pena se agarrar à ela - pelo menos é o que estou tentando fazer.

Ah, eu já comi um cachorro-quente muito bom perto da Paulista. Nem tudo está perdido, Pad.
beijo! ;]

Menina Enciclopédia disse...

nossa, me sinto prensada pra caramba ultimamente... mas o jeito é ir enfrentando essa realidade e aos poucos ir fazendo planos para mudá-la é assim que sigo...
estou te adicionando também, Alê e comentei no meu blog o q vc comentou, dê uma olhadinha lá ;)