quarta-feira, 28 de março de 2007

a proposta

Na qualidade de editores de livros técnicos e científicos, estamos ampliando nosso catálogo e abrindo espaço para novos autores.
Isto posto, formalizamos o convite e expressamos nosso interesse para que considere a possibilidade de publicar algum livro de sua autoria em nossa editora.
Asseguramos que o presente convite não representa simples proposta comercial, mas, sim, demonstração de real interesse e certeza de transformar seu eventual livro num sucesso editorial de grande valia para a classe.
Havendo algum interesse e possibilidade de sua parte, não hesite em contatar-nos para maiores detalhes e os devidos aprofundamentos.

Atenciosamente e muito honrado,

Vanderlei Coelho
Editor Chefe
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Quando abri minha caixa de entrada hoje, deparei-me com esse e-mail. É interessante como certos "spams" dão a sensação de que você está recebendo algo realmente pessoal e fazem seu ego inflar (mais do que já é inflado).
Isso me fez lembrar também que uma amiga minha almeja ganhar o Nobel da Paz. E que eu preciso colocar de volta o melhor da minha megalomania em ação. Pois foi ela que me trouxe até aqui.

terça-feira, 27 de março de 2007

humor negro faz bem ao coração

Bom, seguindo na temática relacionada a água, ela se tornou elemento central de um pensamento não muito engrandecedor que eu tive esses dias. Eu reparei que quanto mais velho você vai ficando, passando por certas experiências, vivências, acontecimentos, mais sarcástico e irônico você fica. É quase como se fosse uma lei natural, como aquela maçã atrevida caindo na cabeça do Newton.
Pois bem, estava eu voltando de ônibus pra casa, por volta de umas 18 horas, enlatado e encurralado dentro daquela jeringonça, em pleno horário do "rush" paulistano, quando comecei a pensar sobre quais seriam "os grandes problemas" da cidade de São Paulo.
Violência, poluição, todos os grandes temas críticos vieram a minha cabeça. Mas eu pensei, analisei, depurei, e cheguei a conclusão de que o grande problema de São Paulo era (é) o trânsito. É o que ferra e detona com essa cidade. Tirando um pouco do brilho e do prazer de todas as coisas boas que se pode fazer nessa megalópole (e não são poucas).
Depois de ter localizado/determinado o "grande problema", eu passei a pensar na solução. E simplesmente não achei nenhuma que funcionasse a curto/médio/longo prazo, apenas a longuíssimo prazo (e de uma forma muito complexa, o que me fez desistir de continuar "pensando").
Do nada, enquanto olhava da janela do busão as colunas gigantes que sustentam aquela "cagada arquitetônica" chamada "minhocão", um sorrisão gigante surgiu no meu rosto, e arrematou: é simples, é só dizimar algo em torno de 1/2 a 2/3 da população da cidade que tudo vira uma maravilha.
Aí eu me animei e pensei nos "planos" que poderiam ser executados pra colocar esse "insight" maquiavélico em prática. Sem muito esforço, veio o tal elemento água na cabeça (tão bem conhecido dos paulistanos). E a arquitetura da utilização do sistema de abastecimento de água pra envenenar uma porcentagem determinada da população, de forma rápida e certeira.
Tudo começaria por localidades como o prédio da Daslu, ou os arranha-céus "sem sal" da Faria Lima. Algumas quadras de Higienópolis, Pinheiros, Itaim-Bibi e Jardins. Outras áreas teriam que ser integralmente preservadas, como a Av. Paulista, os barzinhos da Vila Madalena, e claro, o condomínio do meu prédio.
O mais interessante é que depois de toda essa "viagem", o estresse que eu estava carregando comigo embora pra casa simplesmente sumiu. E eu me senti extremamente leve. Uma leveza de espírito que me deixou até meio abobalhado (é sério). E completamente convencido da minha capacidade de extravazar o meu lado "Dick Vigarista" de uma forma plena e sem constrangimentos.

sexta-feira, 23 de março de 2007

água

(Rio Pinheiros-SP, por Henrique)
Ontem (agora pouco; estou escrevendo nas primeira horas do dia), dia 22 de março, foi o Dia Mundial da Água. Bom, eu já estava a par com as notícias, mas a ficha realmente caiu ontem de manhã, quando fui tomar banho e descobri que a válvula dinossáurica da privada do meu banheiro estava (está) com problema.
Bom, válvula de privada com problema tem um resultado certo: desperdício de água. Aí eu lembrei de um aviso no "hall" de entrada do meu prédio clamando os condônimos pra que verificassem os aparelhos hidráulicos dos seus apartamentos pois a conta de água do prédio estava fora de controle.
Eu entrei no chuveiro e fiquei olhando pra minha privada (no meu banheiro de kitnet eu tenho essa visão privilegiada), e confabulando sobre toda essa questão da importância do tratamento e da conservação da água nos dias atuais.
Não é preciso nem dizer que a água é algo vital pro ser humano por uma questão orgânica. Sem água, nós não existimos. Mas existem todas as questões subjacentes. Enquanto a humanidade ainda não era uma "praga" no planeta, essas questões não eram levantadas nem discutidas, em especial o aspecto econômico da coisa. Água sempre foi um bem abundante, mas está deixando de ser, ou seja, está ganhando cada vez mais valor econômico e virando uma "commodity".
Aí, lá debaixo do chuveiro, lembrei que o nosso país está em cima do maior complexo aquífero do planeta. E lembrei também que o petróleo é uma "commodity", e que o planeta todo se trucida por causa de petróleo. Aí minha cabeça foi longe (vocês imaginam até onde).
Terminei o banho, e dessa vez precisei usar o vaso com a função própria para qual ele foi desenvolvido. Bom, aquele cheiro característico do momento me fez lembrar da importância da água denovo, mais precisamente de um rio muito conhecido nosso (esse aí de cima na foto). E de como nós tratamos da utilização do nosso sistema de abastecimento de água, em especial aqui em São Paulo.
A coisa girou, girou, e chegou a conclusão óbvia. Aquele cheirinho que sempre circula perto dos melhores e mais úteis vasos sanitários poderia bem sair das nossas cabeças. Pois, no fundo, se analisarmos bem, e levando em conta a forma como lidamos com esse elemento ímpar da natureza, ela está realmente recheada daquilo que melhor representa a "evolução" da nossa espécie.

terça-feira, 20 de março de 2007

outono

(pôr-do-sol em Brasília; por "bobby-pai" e "bobby-mãe")

A época mais interessante do ano. As pessoas se vestem (mas nem tanto). As pessoas se comunicam (mas nem tanto). As pessoas trabalham (mas nem tanto). As árvores balançam (mas nem tanto). O sol brilha (mas nem tanto). As águas esfriam (mas nem tanto). A alma fica serena (mas nem tanto).

É o último pôr-do-sol do verão.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Coldplay em sampa (um relato)

(foto por Cristina Traskine)

Eu já escrevi aqui no blog sobre a minha odisséia pra comprar o ingresso pra apresentação do Coldplay em terras tupiniquins. Mas ainda não havia escrito sobre o resultado de todo trabalho, enfim, o show propriamente dito. Lá vai então um breve relato que fiz aos amigos de um grupo de discussão:

Algumas impressões rápidas (e um pouco atrasadas) do show:

- as "coldgirls" são comportadas, eu pelo menos não vi nenhuma calcinha voando pro palco;
- o ambiente estava legal, mas bem elitizado, cheio de "mauricinhos" e "patricinhas" andando pra lá e pra cá, aquele típico povo "arroz de festa" que mal conhece a banda e vai só porque é algo relativamente "in".. acho que é culpa do preço do ingresso; o bom é que isso deixou o ambiente pra lá de tranqüilo até a hora do show, parecia que a gente estava esperando o começo de uma ópera ou a orquestra filarmônica de Berlim;
- as cadeiras funcionaram até pouco antes do show, porque depois que começou era de se esperar que ninguém iria ficar sentado; porém, o povo não aglomerou envolta do palco, como eu fiquei especulando antes do show, todo mundo no seu lugar mas em pé.. como o Via Funchal é cheio das firulas e desníveis conseguimos uma visão de palco que há muitos séculos eu não tinha num show de rock;
- o show em si, pra quem é fã, foi excelente.. é o mesmo script do show do DVD "Live 2003" que eles lançaram, adicionando as músicas do último CD, lógico.. Chris Martin é definitivamente canditado a substituto do Bono Vox como o "messias" da música pop.. aliás, achei interessante a comparação que a Rolling Stones tupiniquim fez entre o Coldplay e o U2 no último número da revista.. a forma como eles se espelham na banda do Bono é constrangedora mas deixa claro que as bandas ocupam um lugar semelhante no rol das grandes bandas de música pop (isso é fato);
- o setlist:
Square One (boa, mas a música virou cobaia pra mesa de som ajustar a equalização da aparelhagem)
Politik (aqui o show começou pra valer, o som ficou pesado e faz vibrar as colunas do Funchal pela primeira vez)
Yellow (Chris Martin conquista a platéia, com direito a balões sendo jogados do mezzanino sobre os "fiéis"; vira "culto ecumênico")
God Put a Smile Upon Your Face (uma das minhas favoritas; não tem o que comentar, clássico)
Speed of Sound (Chris Martin parecia um astronauta (?) -com aquela dancinha- tentando se comunicar com a platéia)
Trouble (versão bem intimista, pra escutar "a dois"; agarrei uma amiga chegada e acompanhamos a música no mesmo "ritmo")
Sparks (não lembro bem dessa, lapso de memória)Daylight (outra das minhas favoritas, um mantra)
White Shadows (essa foi mediana, pelo que me lembre, manteve um ritmo mais morno)
The Scientist (o mesmo clima de "Trouble", reloaded)
Til Kingdom Come (aqui eles saem do palco e vão pra um canto da arena, do lado da platéia; versão acústica só no violão num estilo "caipirês" bem tosco em homenagem ao Johnny Cash)
Clocks (não sei o que comentar aqui, mas eu estava extasiado)
Talk (o hit; todo mundo canta, inclusive os "arroz de festa")
(saída pro bis)
Swallowed in the Sea (clima intimista denovo; nunca dei muita bola pra essa música mas gostei dela ao vivo)
In My Place (os "mauricinhos e patricinhas" da noite cantam de cabo a rabo; essa é a "Anna Julia" do Coldplay, com certeza)
Fix You (outra que todo mundo canta; destaque pro candelabro ou luminaria -fugiu o nome agora- pendurado no meio do palco que o "messias" Martin gira, gira, gira e joga em direção a platéia.. é a imagem definitiva do som da banda)
Shiver (essa foi bonus total, com direito ao Chris Martin xingando a platéia pela insistência do bis; uma das melhores músicas da banda, alguém discorda?)
- difícil localizar um "ponto alto" do show, foi tudo muito linear.. mas eu adorei.. eu sei que tem muita gente aqui na lista que torce o nariz pra banda, mas os caras são merecidamente uma das maiores bandas da atualidade.. até porque, eu pelo menos, sinto muita falta de uma certa megalomania e pretensão descarada no rock atual.. coisa que Chris Martin e cia ltda. têm de sobra.. hoje em dia tudo anda muito blasè e "afetadinho".. enche o saco. (rs)
Pontos baixos:
- o bar: lata de cerveja (R$5,00) + um saco de batatas fritas (R$6,00).
- o show sem telão (exigência da banda), mas nada que atrapalhasse o deleite visual do show; o desenho da casa ajudou muito nesse sentido, e justifica um pouco o preço do ingresso (das que eu conheço, parece ser a melhor casa de show de SP).

slide away..


Ontem estava me dando conta de que acho que perdi uma amizade. Das mais importantes. E acho também que é a primeira vez que isso acontece comigo, dessa forma.

Diferente, é uma dor diferente. É seca, mas visceral. Daquelas que você nunca espera que irá vivenciar. Eu não sei, há um silêncio, um poço aberto no meio do caminho, que eu ainda não consegui decifrar. O significado disso tudo, e até que ponto eu errei, é um enigma. E apesar de não transparecer, isso me angustia muito.

Nós sempre nos demos bem no silêncio. É irônico.

sábado, 17 de março de 2007

tio karl

("Monaliso"?!)

Bom, pra quem não sabe, apesar de advogado, atualmente eu sou o que jocosamente as pessoas chamam de "analistazinho de crédito". Faço trabalho terceirizado de análise de crédito pra bancos num call-center. Pra aquele banco que "nem parece banco", vocês sabem qual é. Checagem de cadastro, análise e aprovação de propostas de cartões das lojas as mais variadas possíveis. Um trabalho sacal, mas ao menos tempo divertido (em 1% do tempo, deixemos claro), e também profundamente provocador (no sentido de me fazer pensar em como essa bagaça gigantesca chamada de "sistema" ou "máquina" funciona).

Esses dias estava analisando uma proposta de crédito pra cartão de uma rede de lojas de material pra construção. O sujeito (cliente) era dono de uma empresa de segurança particular, e havia declarado uma renda de R$20.000,00 por mês. Fiz a análise, chequei os dados, contatos com referências, tamanho da empresa, quantidade de funcionários, participação societária, tudo certinho. O sujeito possuia dois carros importados de luxo na garagem, um deles novo. Enfim, liberei a proposta com a renda declarada, pois o sujeito ganhava isso mesmo, e ficou com um cartão pra compras com limite baseado numa renda quase irreal pra um país como o nosso.

Nesse mesmo dia, coincidentemente, eu havia recebido meu "holerit". Logo que terminei a proposta, na hora que fui dar o clique final de aprovação, eu olhei pros números daquele pedaço de papel do lado do meu computador, que pretensamente indicava a minha "mais-valia", e lembrei do tio Karl, aquele velhinho barbudo hoje tão esquecido e desprezado.

Eu fique lá, uns 5 minutos, pensando, pensando, e pensando no que aquilo representava. Eu ali, fim de dia, com o saco na lua, depois de ter trabalhado que nem um camelo o dia inteiro, e aquele sujeito lá, na loja, sentado na cadeira, provavelmente com seu rolex no pulso, olhando pro dito, e reclamando com o lojista porque de tanta demora pra aprovar "uma merdinha de cartão de loja".

Várias imagens, pensamentos, teorias, explicações, não-explicações, devaneios ficaram sobrevoando minha cabeça, girando pra lá, girando pra cá. Mas no final, o que sobrou foi essa imagem. Um simpático velhinho, meio estrábico, com um sorriso maroto dissimulado por trás de uma gigante barba malcuidada, como que dizendo: "é isso aí, meu rapaz..."

E eu dei o meu próprio sorriso maroto, e peguei a próxima proposta que aguardava lá parada no "sistema".

segunda-feira, 12 de março de 2007

momento ombudsman (2): nova roupagem

Bom, adicionei alguns elementos novos no meu blog. Uma nova roupagem com algumas ferramentas interessantes disponibilizadas aqui pelo servidor. Eu não sei quem teve a idéia, mas como o google comprou recentemente a marca "blogger", desconfio que isso seja coisa deles. Aqueles nerds malucos da Califórnia são experts nisso. Aliás, gostei muito das novidades.
Ainda tenho que ajeitar muita coisa aqui. Reconfigurar alguns parâmetros que o template remodelado detonou (nada é perfeito), incluir novas firulinhas, mas já está tudo mais ou menos do jeito que eu queria.

domingo, 11 de março de 2007

no ponto de ônibus (pesos e medidas)

Estava eu hoje esperando o providencial "Hospital das Clínicas" para me levar para o trabalho (essa linha me salva todo dia que eu durmo além do que devia e saio atrasado) quando uma viatura da polícia militar pára em frente à Praça Princesa Isabel.
Dois PMs saem de dentro do carro, com as armas em punho, e seguem em minha direção no ponto de ônibus. Pensei: "só falta essas figuras quererem me interrogar/revistar justamente no dia que eu estou atrasado pro trabalho". Pensei também nas minhas aulas de direito penal e dos ensinamentos do nobre professor Silvio Arthur, e sobre a possibilidade de ter que transmiti-los aos caros policiais e acabar parando na delegacia por "desacato a ordem de autoridade policial".
Lá estava eu, parado, com a minha mochila nas costas e o meu MP3 no ouvido, e com aquela cara de nerdão entediado com preguiça de ir pro trampo. Do meu lado, um sujeito moreno, típico morador remediado do centrão paulistano, boné falsificado da Nike na cabeça, bermudão de mano, e uma sacola na mão.
Bom, paremos tudo aqui e congelemos a imagem. Imaginem a cena, dois PMs de frente pra mim e pro rapaz (um do lado do outro), seguindo em nossa direção. O que vocês acham que aconteceu? Sim, isso mesmo, eles abordaram o rapaz do meu lado, mandaram ele encostar na grade, e revistaram o sujeito de cabo a rabo. Identidade, "o que você tem na sacola?", "pra onde você vai?". E eu? Eles mal olharam pra minha cara.
Fiquei observando aquela cena e meu ônibus chegou, entrei e fui embora. Depois, no trajeto, aquilo tudo ficou matutanto na minha cabeça. Primeiro que, eu, como advogado, tinha uma obrigação moral e estatutária de intervir naquilo, explicar pros PMs que ninguém pode ser invadido na sua intimidade sem uma ordem expedida por juiz de direito (ou em uma situação ímpar em que tal invasão seja necessária). Segundo, que eu fiquei com um sentimento de constrangimento que me incomodou de uma forma muito peculiar. Aquela velha máxima dos "dois pesos, duas medidas" me acertou em cheio no meio da testa, como se tivesse levado uma bolada de um chute do Roberto Carlos e caísse nocauteado.
Foi só eu chegar no trabalho e essa sensação passou, mas o fato ficou na minha memória, e está aqui agora. E deixa claro que, por mais que a gente tente, aquele véu de hipocrisia social que cultivamos com muito esmero todo dia, sem mais nem menos, e na hora que você menos espera, cai. Aí você se desarma, e tenta procurar em vão uma justificativa plausível pro injustificável.
É, somos mais covardes do que imaginamos.

quinta-feira, 8 de março de 2007

eu + ovo + George Walker Bush

(primeiro elemento)

(segundo elemento)

(terceiro elemento)

George Walker Bush está entre nós. Aterrisou por volta das 19 horas no aeroporto de Cumbica. Conseguiu atrasar 51 vôos do nosso já maravilhoso sistema de tráfego aéreo. Detonou o já detonado trânsito de São Paulo. Fechou ruas, fez a polícia brasileira trabalhar pesado, e fez até o exército brasileiro deslocar um canhão de artilharia anti-aérea de Santos aqui pra capital (eu dei muita risada quando vi na TV a cena daquela jeringonça subindo a serra).

Bom, ao contrário de muita gente que levou bala de borracha no lombo hoje na Avenida Paulista, eu tenho plena consciência de que não irei acabar com o imperialismo ianque. Nem por isso acho o Bush um sujeito legal, ou pelo menos não sou indiferente àquela carinha de caipira bem-nascido. Aliás, é um sujeito que consegue aglutinar num único ponto todas as coisas que eu desprezo filosófica-política-cultural-psico-socialmente falando.

Partindo de todo esse "feeling" especial, eu imaginei uma cena memorável enquanto conversava com alguns amigos esses dias. Quadro a quadro: eu, um ovo na mão, a janela blindada do vidro de um carro, Bush no carro, Bush olhando pro lado, meu braço se movendo, um ovo lançado, uma cara de assustado do Bush, um ovo arrebentado no vidro do carro, eu com cara de assustado, eu esmagado no chão com 50 seguranças em cima de mim, eu na delegacia prestando depoimento (essa imagem é um bônus). Imaginei também fotos disso, imaginei-me na capa do jornal Folha de São Paulo com a seguinte manchete: "Advogado é preso tentando tacar ovo no presidente dos EUA" (texto da manchete elaborado pelo meu amigo Henrique).

Enfim, essa postagem não foi feita pra dizer o quanto a política externa dos EUA é perversa, o quanto os "falcões" da américa detonam com a geopolítica mundial, com o meio-ambiente, com o equilíbrio da economia mundial. Ela foi feita simplemente pra dizer que eu queria tacar um ovo em direção à face do homem mais poderoso do planeta (nem precisaria efetivamente acertar o alvo). Um singelo ovo. Só isso pra mim seria o suficiente.