segunda-feira, 23 de abril de 2007

no planalto central: a festança

Empty Spaces participou da festança de comemoração do aniversário de fundação da cidade de Brasília, dia 21. Seguem alguns cliques:

(tropeiros descendo a Esplanada dos Ministérios)


(versão turista, no olho do furacão)


(seguindo em direção aos palcos montados na esplanada; vários shows, mas eu só assisti Paralamas do Sucesso; apesar da equalização irregular do som e algumas paradas não programadas, boa performance)


(show pirotécnico no fim de noite)


(faltou um pouco de organização, temos que admitir; os fogos começaram com umas 3 horas de atrasado)


(mas compensou, já estávamos indo embora quando começou o dito e tivemos uma vista privilegiada)

domingo, 22 de abril de 2007

série "figurinhas do mundo alexandrino": "bis"inha da silva (postagem de aniversário)


Não é fácil conseguir uma foto dela assim. Ela não gosta de tomar sol e expor sua pele branquinha. Aliás, tem alergia aos raios do nosso grande irmão. Começa a se coçar toda e a "pipocar". E não fiquem paquerando muito que eu fico enciumado.. hehehe..

Bom, quem já conviveu com um "tablete" de bis sabe o qnto esses seres marcam a nossa existência. No caso de "bis"inha, essa convivência transcendeu a barreira da amizade corriqueira e chegou a patamares mais elevados. Quem consegue ter esse tipo de relação com um "bis", pode se considerar um privilegiado.

Assim como o "biscoito traskine", "bis"inha também tem 28 anos de idade*. É um bis ligeiramente genioso (pensem nos lados positivos e negativos da qualificação), mas adoravelmente meigo. Gosta de Oasis, e acha que o nosso amigo Noel Gallagher é uma espécie de divindade caminhando sobre o planeta terra. É o único "bis" jardineiro que eu conheço. Tive oportunidade de conhecer a pequena "floresta" que ela cuida no seu "cásulo", singela e ao mesmo tempo bela. Por falar em floresta, apesar de ela mesma não se dar muito conta disso, é um "bis ambientalista". Planta árvores com uma velocidade assustadora.

Desse ângulo da foto não dá pra notar, mas os "bises" (putz!..) possuem olhos. E esse "bis" em particular carrega um par de olhos que simplesmente me tira do sério. Todos nós temos aquelas situações/fatos/pessoas/emoções que nos entorpecem como um belo e grande copo de vinho. Imaginem isso e vocês saberão do que eu estou falando quando me encontro com esse bis e fito as suas "janelas da alma". Ainda não consegui definir uma cor para eles, então resolvi chamá-los de etéreos.

É um "bis" reservado, sempre está na dela, no que ela costuma chamar de "meu cantinho". Fala pouco, mas fala na hora certa (tá aí uma de nossas afinidades, admiro esse tipo de comportamento). É elegante, e tem um ritmo no andar que deve ser o mais peculiar entre todos os "bises". É um compasso diferente dos demais mortais.. estilo "Lemmings" (lembram desse joguinho antigo?) ..hehehe.

No mais, é um "bis" chocólatra (é bizarro, mas é verdade). Adora bolo de chocolate, brigadeiros, e afins. Aliás, é um "chocolate" que faz outros chocolates (as vezes eu me assusto com isso.. hehehe), que por sinal são deliciosos. Sou fã do bolo de chocolate da moça.

Tem uma relação de paixão por um pequeno ser chamado Igorlino da Silva, que ela trata como um verdadeiro filho. Presenciar os relatos que essa moça faz sobre esse pequeno ser numa espécie de "diário" que ela criou faz qualquer um parar e pensar: quem não quer uma mãe dessa para um filho seu?

Isso tudo num pequeno pedaço de chocolate. Eu sei que parece meio difícil de acreditar, mas é a realidade.

Assim como biscoitos, todos nós temos pelo menos um "bis" em nossas vidas. Eu só tenho um, e é esse aí. O que as vezes parece uma contradição, mas não é (quem se contenta com um?.. é o que diz a propaganda).

Eu não sei, muitos podem pensar: "mas você está exagerando Alexandre, um tablete de "bis" não tem essa bola toda não.. conheço alguns e não vi nada demais." Do que conheço da própria "Bis"inha, ela talvez concordasse com tal afirmação. Já iria me corrigir, dizendo que eu "viajo na maionese" e fico romanticamente "passeando nas nuvens" (bis é um chocolate cético). Afinal, é só um bis, que sempre está ali na caixinha, quietinho, pensando na sua própria vida de "bis".

Mas eu faço questão de afirmar e reafirmar: quem é um doce, por definição, sempre será um doce. Nunca perderá sua essência açucarada que atinge nosso cérebro e faz a endorfina circular. Como explicar isso?.. Não faço a mínima idéia.. deixo essa tarefa para os "doçólogos".. hehehehe.

OBS: na escala "alexandrina", uma caixa de bis é do tamanho de um transatlântico.. assim já dá pra vcs terem uma idéia da altura da moça. Como ela mesmo diz: "baixinha é a mãe!..."

postagem original editada em 13/12/2005.
* "bis"inha da silva, assim como "biscoito Traskine", também completa 30 anos de idade.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

no planalto central: o vôo e as primeiras impressões

Cá estou eu, reportando ao blog diretamente do planalto central, mais especificamente da bela capital federal Brasília. O olho do furacão político tupiniquim. Como diz aquela famosa frase, onde está o seu, o meu, o nosso dinheirinho (a maior parte, pelo menos). Mas eu não estou aqui pra fazer política (nem tenho muito talento pra isso), e sim visitar meus queridos ascendentes. Essa é uma das funções da minha incipiente vacância.

Eu já havia viajado de avião antes, mas era diferente. Não dá pra comparar um Cessna monomotor com um Boeing que carrega mais de 100 passageiros. Bom, até dá pra comparar. No fundo, é a mesmo coisa, o que muda é a escala. Ambos balançam feito gelatina, ambos tremem quando ficam "nervosos" e decolam, e ambos possuem boas asas (isso é o mais importante).


E lá fui eu pra minha primeira experiência de vôo "em larga escala". Em suma, é algo muito parecido com viajar de busão (uma especialidade rotineira pra mim), fazendo as devidas adaptações. A principal diferença é que, no busão, você pode chegar emcima da hora, faltando uns 3 minutos pra partida, e embarcar numa boa. Com um vôo de Boeing, a coisa já é mais complicada. Você se apresenta com mais ou menos 1 hora de antecedência para o "check-in", depois com meia-hora de antecência para o "pré-embarque" (naquela salinha prazerosa de espera pelo vôo), e depois mais uns 10 minutos pro povo da companhia se organizar e te "guiar" até o avião. A impressão que eu tive é que todo vôo comercial é como uma "mini-excursão" organizada pra atender aquela centena de incautos pagantes.

Voar é agradável. Mas o mais interessente foi observar as pessoas e fazer uma pseudo análise psicológica de butiquim enquanto transcorria a viagem. As pessoas entram, sentam em suas respectivas poltronas, e conversam normalmente, como num passeio coletivo qualquer. Mas é só o comandante acionar o auto-falante pra se apresentar e arrolar o "manual de instruções" do vôo que o clima muda completamente. Um silêncio temeroso impera. Como se inconscientemente todos se dessem conta de que suas vidas agora estão nas mãos daquele sujeito "sem rosto" de sotaque carioca sentado lá na frente.


A aeronave sai pra taxiar na pista, posiciona-se pra decolagem, e decola. Tudo no mais mortal silêncio. Enquanto o avião sobe (e bota subida nisso), um sujeito começa a brincar com os controles da poltrona, outro fica que nem criança ligando e desligando a iluminação interna, outro fecha os olhos e agarra-se na poltrona como se aquela fosse a última viagem, e outro lá na frente pede algo pra beber (coitado do comissário de bordo). Esse climão de pré-velório auto aplicado dura uns 10, 15 minutos pós-decolagem. Tempo suficiente pro piloto subir, ajustar os controles pra rota automática, e religar o auto-falante: "Senhoras e senhores, aqui quem fala é o comandante fulano de tal, atingimos altitude de cruzeiro, e blá, blá, blá.. (...) desejamos a todos uma boa viagem.". Desse ponto em diante, tudo volta ao normal. Recomeça o falatório e segue a viagem.


Lá do alto, a placidez impera. Enquanto via aquelas belas imagens do nosso planetão lá embaixo, comecei a me lembrar do filme "2001, Uma Odisséia no Espaço". E o clássico "Danúbio Azul" começou a ressoar intuitivamente no meu ouvido. Nessa hora, deixei meu Mp3 de lado (até porque não tinha essa música nos meus arquivos) e botei a imaginação pra funcionar. Do nada, trezentas mil coisas começaram a passar pela minha cabeça. É interessante como nesses momentos diferenciados "pensamentos ontológicos" surgem sem muito esforço. E você começa a refletir sobre sua razão de existência ( e a dos outros também), o porquê disso, o porquê daquilo. E por aí vai.


Quem te traz de volta a realidade é o comissário de bordo: "Senhor, gostaria de comer ou beber algo...?". Lá vou eu me encher de amendoim e pepsi-cola. Aliás, não sei porque, lá nas alturas, eu passei por uma necessidade violenta de ingerir sal. Conclui que deveria ter algo a ver com a alteração de pressão (o único real incômodo que eu senti de leve em todo o percurso), ou era fome mesmo.


Chegando perto de Brasília, o avião começou a descer (o processo mais interessante de toda a viagem). O bicho vai perdendo altitude por "camadas". Sendo que a passagem de um estágio pra outro sempre vinha com uma leve turbulência que dava um pouco de adrenalina à toda aquela "formalidade" dos níveis extratosféricos (bom, nós chegamos perto de lá). Já bem perto do chão, os primeiros flaps são acionados formando aquela "calda de ar" envolta das asas. O piloto anuncia o pouso e pede pra tribulação se preparar. O silêncio coletivo do "people" retorna. A tensão máxima acontece quando o reverso é acionado, e todo mundo "trava". Mas logo, tudo se dissipa.


Já no chão eu avisto, em um hangar relativamente discreto na lateral da pista, o avião presidencial. Nesse momento dei-me conta de onde realmente estava, e de como tudo estava estranhamente calmo. Eu sempre tive a imagem de Brasília como um lugar agitado, frenético, como a capital paulista. E não é assim. O que não me autorizou a concluir que fosse um lugar pacato, muito pelo contrário. Já na saída do aeroporto você sente um pouco do "cheiro do poder", com engravatados ao celular dando e retirando ordens. Isso tudo misturado com um leve "cheiro de mato", como se eu estivesse também em uma pequena cidade lá do interior paulista. A primeira impressão que eu tive foi de um pouco de esquizofrenia socio-urbana. Porém uma esquizofrenia muito gostosa e interessante de se desvendar.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

série "figurinhas do mundo alexandrino": o biscoito Traskine (postagem de aniversário)


Todos nós temos biscoitos em nossas vidas. Com ou sem consciência disso. Seres que trazem um pouco do sabor doce que toda e qualquer existência precisa ter. Obviamente não existem só os biscoitos, mas eles possuem aquela peculiaridade de estarem conosco nas horas que mais precisamos (não sei se vocês já repararam nisso). Ali emcima da mesa solitários e pensativos. Ou em bloco, todos juntinhos. Quem, em sã consciência, não deixa sempre um pacotinho dos ditos guardado na dispensa?..

Esse é o biscoito traskine, um biscoito fêmea, deixemos bem claro (tá meio difícil de identificar, mas é.. hehehe..). Desconfio ser o único biscoito de 28 anos* de idade que eu conheço. Temos uma amizade muito boa. Amizade que surgiu da ligação com um outro ser "docilínio" que de uma certa forma me apresentou a ela. Já se vai mais de ano. E a amizade segue firme e forte.

É um biscoito cientista social e que gosta de Blur. Muito chique isso. Coisas aliás que eu gosto tb, ou seja, nunca falta papo entre a gente. Falar sobre música, pessoas, ciência política, e banalidades.

Biscoitos são cheios de qualidades, e é difícil ficar enumerando todas (lá vou eu plagear a moça denovo.. hehehe..). Algumas?.. Bom.. senso de humor (característica infalível dos biscoitos), uma perseverança que me dá inveja (apesar de ela se dizer um biscoito resignado), paciência.. e principalmente, é uma amiga cúmplice (coisa rara entre as amizades hj em dia.. que andam muito frágeis e fugazes - ainda vou fazer um post sobre isso). Enfim, daquelas pessoas que você senta e pensa: "gostaria de ter essa força.. essa firmeza na alma.."

E você pergunta: cumplicidade com um biscoito?.. Pois é, é isso mesmo. A humanidade que pode existir em um biscoito é muito maior do que imaginamos muitas vezes. Você logo pensa no recheio.. em tirar a "tampinha".. mas existe muito mais coisa ali. Coisas que só percebemos qndo sentamos e refletimos sobre a "natureza ontológica do biscoito" (relembrando minhas aulas de filosofia do Direito.. hehehe..).

Garanto que a partir dessa postagem vocês irão refletir muito mais sobre os "biscoitos" que existem em suas vidas. Ou se não fizerem, façam!.. hehehe. Pois biscoitos são discretos, estão ali quietinhos.. mas são fundamentais.

OBS: essa foto está em escala reduzida.. "biscoito traskine" é da altura de um prédio de 10 andares.

postagem original editada em 12/11/2005.
* a postagem foi editada a 2 anos atrás, portanto, atualmente, "biscoito Traskine" completa 30 anos de idade.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

férias

Pois é, uma sensação diferenciada de que você deu um tempo e tirou das costas aquele piano de calda que carregava a um ano. No meu caso, será ao mesmo tempo uma pausa pra reflexão e pra ação. O desafio é depurar e botar em prática em 30 dias todas as idéias que ficam passeando na minha cabeça. Mãos à obra.

domingo, 15 de abril de 2007

"She Came in Through the Bathroom Window" (um causo)


Alex: Oi, você vem sempre aqui?
Vaca: Claro, eu moro neste pasto...
Alex: Verdade, desculpa.
Alex: Faz tanto tempo que não pego uma "balada campestre" que acabo dando esses foras.
Vaca: Não esquenta... (mascadinha básica de campim).
Vaca: Isso que você tá tomando é café?
Alex: É sim, acabei de fazer lá dentro, quer um pouco?
Vaca: Não obrigada, eu não suporto café. Vocês misturam essa coisa com leite, e só de pensar nisso eu já começo a ficar zonza.
Alex: Você é solteira?
Vaca: Sou sim, tá vendo aquelas duas outras vacas ali no fundo? São minhas amigas... Eu apostei com elas que não ia sair "zerada" desse pasto hoje, e que ia "catar" você.. hehehehehe.. (risadinha de vaca).
Alex: Hummmmmmmmmmmmmmmm.. bem direta a moça.
Vaca: Você sabe, dar uns beijos, uns amassos.
Alex: Olha vaca, eu achei você muito simpática, mas é meio complicado. Eu sou um cara tímido, reservado, na verdade nem sei bem o que estou fazendo aqui nessa cerca de pasto observando essa "rave campestre".. Além do mais, olha o tamanho da sua boca e olha a minha, não ia dar certo.
Vaca: É verdade...
Vaca: Mas você até que é bem ajeitadinho pra um ser humano, gostei de você... (piscadinha de olho).
Alex: Obrigado vaca, são seus olhos...
Alex: Mas vai lá, não vai me dizer que não tem nenhum touro ou um bezerro novinho aí na "pista" pra você dar uns malhos? Dá um giro...
Vaca: Pois é.. o problema é que o único bezerro do cercado é gay, e ainda por cima é filho daquela amiga minha ali, não ia pegar bem, né?..
Alex: Ãhnnn... complicado.
Vaca: Mas eu vou lá, vou ver o que minhas amigas estão aprontando com as gramínias.. hehehe.. (risadinha de vaca 2)
Alex: Ok, vai lá.
Vaca: E não deixa elas virem "tirar uma casquinha" hein?.. você já tem dona aqui no pasto!.. (abanadinha de orelha pretensamente sexy) ..se cuida, bonitinho.. (piscadinha de olho 2)
Alex: Pode deixar.. boa pastagem pra você!
Vaca: Beijinho.

foto por Juliana
postagem original editada em 20/01/2006

quarta-feira, 11 de abril de 2007

"Ave Lúcifer"

As maçãs envolvem os corpos nus
Nesse rio que corre
Em veias mansas dentro de mim...

Anjos e Arcanjos não pousam neste Éden infernal
E a flecha do selvagem
matou mil aves no ar...


Quieta, a serpente
se enrola nos seus pés
É Lúcifer da floresta
que tenta me abraçar...

Vem amor, que um paraíso
num abraço amigo
sorrirá pra nós
sem ninguém nos ver...


Prometa abrir meu amor macio
como uma flor cheia de mel
pra te embriagar
Sem ninguém nos ver...

Tragam uvas negras
Tragam festas e flores
Tragam corpos e dores
Tragam incensos e odores

Mas tragam Lúcifer pra mim
Em uma bandeja pra mim...

(letra e melodia por Mutantes)

* o cache da modelo foi gentilmente cedido em benefício do "Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta"; instituição inglesa séria e respeitada (com filiais em todo o mundo) que vem fazendo um trabalho fantástico em prol do desenvolvimeto afeto-empático-musical das pessoas desde 1967.

sábado, 7 de abril de 2007

"So ya, thought ya, might like to go to the show.."

Yes, I did.

Com um razoável atraso, cá estou eu pra relatar a minha última experiência de audição musical coletiva. Experiência "sui generis", com certeza. Pois dificilmente voltarei a ver algo do gênero. Não só porque esse tipo de "estética pop" está em extinção (o que os críticos chamam de "shows de rock afetados e megalomaníacos"), como o articulador do tal espetáculo também já está quase lá "no bico do corvo".

Bom, estou falando do show do Senhor George Roger Waters, ex-membro de uma singela banda de rock chamada Pink Floyd. Os leitores mais habituais desse blog já puderam perceber que eu sou um admirador do som da banda. O título do espaço aliás denuncia isso. Então, como fã do som, serei obviamente parcial.

Todos nós temos aquelas situações/eventos em que não pensamos duas vezes antes de torrar nossas economias financeiras. No meu caso, os shows das minhas bandas favoritas de rock. Nesse evento em especial o aporte de recursos financeiros foi violento, mas valeu a pena.


No aprazível sábado 24 de março, chegamos ao estádio por volta das 16 horas (o show era as 21 horas). Eu, "bobby-irmão", "bobby-irmã", "bobby-pai" (show em família; aliás, essa era talvez a principal "tribo" da noite). "Bobby-pai" a princípio não iria ao show, mas não resistiu em escu
tar o dito do lado de fora e apelou aos cambistas faturando um ingresso a R$75,00 (o mais barato -inteira- era R$140,00, se não me engano). Isso sim é que é saber negociar "sob pressão" (em especial pro lado do cambista).

Além da família "bobby", mais dois amigos iriam ver o senhor Waters lá do gargarejo. Privilégio que me espacapou pelos dedos por uma diferença de duas horas na compra dos ingressos. Mas depois eu me resignei e não me decepcionei com o visual que tive do palco. Ficamos quase de frente para o dito com uma visão, digamos, bem "holística", o que é muito importante pra esse tipo de show (na verdade, o baixista que criou isso tudo é um mero detalhe lá no meio).

Bom, vamos pro show. Quando entrei no estádio e procurei uma boa cadeira pra apreciar o espetáculo, fiquei reparando no fundo do palco numa imagem que parecia uma maquete gigante. Uma vitrola, uma garrafa de uísque e um aeromodelo de brinquedo. Na verdade, era um telão. O negócio era tão perfeito que demorou pra cair a ficha do que se tratava. E aquela singela imagem de um quarto nostálgico fez com que eu sentisse algo parecido com um "insight". Daquele ponto em diante, eu tive uma sensação ímpar de que o investimento valeria a pena, e que eu teria uma noite especial.

Por volta de uns 15 minutos antes do horário marcado, uma bela voz feminina anunciava que o show estava prestes a começar. O povo começou a urrar. Ela também pede pras pessoas das cadeiras do gramado permanecerem sentadas durante o show. Esse pra mim foi o ponto mais baixo de toda a noite. Isso não é coisa que se peça pra um público de show de rock and roll, por mais solene, "cabeçudo", e "viajante" que seja o clima do dito. Foi ridículo.


Enfim, a gritaria aumenta quando uma fumaça de cigarro aceso aparece no telão, uma mão surge e abre a garrafa de uísque e despeja uma dose no copo. Liga o rádio da vitrola e sintoniza numa estação que toca Elvis. Desse momento em diante, eu pude presenciar um senhor show de música pop, com "P
" maiúsculo.

Depois de passear no "dial" durante uns 10 minutos, deixando o povo excitado, aquela imagem de letargia da lugar aos martelos facistas de In the Flesh?. Talvez a melhor música já criada pra abrir um show de rock. Waters intima o povaréu trazendo algumas "bad news", reclamando que não foi com a cara daquele sujeito regulando o canhão de luz, nem com aquele outro fumando um baseado na primeira fila, muito menos com aquele "crioulo" e aquele judeu batendo palma e gritando lá no canto da platéia. Ironia fina.

Em seguida vem Mother. Clássica. Voltando à imagem e ao clima daquele melancólico quarto de hotel onde permanece estático o grande "herói" da noite.

Na seqüencia, Set the Controls for the Heart of the Sun e Shine on you Crazy Diamond. No momento mais lisérgico e psicodélico do show (um dos melhores, na minha opinião), com imagens da banda em início de carreira, uma "viagem pelo espaço sideral", e fotos do genial Syd Barrett lançadas entre as estrelas, numa bela homenagem pro cara que começou e arquitetou tudo.


Nesse ponto, Waters põe o "pé no chão" denovo e lança
Have a Cigar. Um rock/blues classudão que ficou excelente na versão ao vivo dessa turnê. Apesar dessa música sempre ter ficado meio escondida, eu sempre gostei dela. Fazendo um relato sarcástico e despojado da vida no "showbiss", e indiretamente da entrada sempre deslumbrante e inocente que todos nós temos na chamada "vida adulta".

Segue Wish you Were Here e a platéia em coro cantando. Um dos momentos "hit" da noite. Bom, essa música dispensa comentários. Todo mundo sabe do que eu estou falando.


Logo após, o nosso amigo Waters abaixa a bola e deixa o show intimista, atacando com o álbum mais deprê do Floyd e suas músicas solo. Southampton Dock, Fletcher Memorial Home, Perfect Sense e Leaving Beirut. Apesar de ser liricamente bela (com belas imagens e alegorias no palco), é a parte musicalmente mais fraca do show. O povo "arroz de festa" fica meio perdido nessa hora. Uns vão ao banheiro, e outros vão comprar cerveja.


Depois de "descer a lenha" na Rainha da Inglaterra e no nosso queridíssimo Bush, ele vem com Sheep, música do álbum mais "punk" (se é que dá pra chamar assim) do Pink Floyd: "Animals". O povo volta a ficar animadão. Principalmente depois que o inconfundível porco rosa alça vôo sobre a platéia pichado com frases mais do que pertinentes como "All we need is education", "Ordem e Progresso?", "Killers, leave the kids alone!", "Salvem a amazônia", e "Bush, o Brasil não está a venda" (essa aqui pichada num ponto, digamos, estratégico do suíno). Aliás, foi excelente essa iniciativa de pichar o porco com assuntos locais por onde a turnê passava (as frases foram escolhidas por uma votação na internet, se não me engano).


No final da música, o porcão foi solto e foi embora passear pelo céu de São Paulo. Fiquei sabendo depois por um blog na internet que parece que o porco saiu do estádio do Morumbi, atravessou a marginal do rio Pinheiros e explodiu (pelo excesso de atitude) na altura do bairro Pinheiros (tem até
foto de um sujeito com os "restos mortais" dele). Ou seja, o porco estava indo em direção ao estádio do Parque Antártica (era só o que me faltava).

Aqui Waters fecha a primeira parte do show e faz um intervalo (é o único show de rock que eu vi até hoje que tem um intervalo de 15 minutos). Durante essa pausa, a imagem da lua fica estampada no telão, como que anunciando o que estava por vir.


O melhor momento do show, sem dúvida (nem precisava dizer), estava pra começar. Aquela inconfundível batida do coração começa a ressoar pelo estádio e faz o povo soltar palavrões de satisfação (eu soltei o meu também, mas acho que só o velhinho-maconheiro-gay-aleijado que estava acompanha
ndo o show do meu lado escutou; aliás, essa figura dá uma postagem a parte aqui no blog). Começa a rolar a performance na íntegra do sensacional Dark Side of the Moon. Exatos 42 minutos de puro rock and roll de primeiríssima linha.

"Breathe, breathe in the air.. don´t be afraid to care". Todo mundo estufa o peito pra cantar. A execução de Breathe foi muito fiel ao original. Aliás, todo o disco foi interpretado de forma a manter o máximo da essência dos arranjos do disco original. Taí uma diferença fundamental das performance do Waters pro resto dos membros do Pink Floyd.

Os "loops" the On the Run na vitrola já são enebriantes, ao vivo ficaram sensacionais. Time foi executada também tentando imitar aquele "punch" único da gravação original. O solo de guitarra em especial lembrou os melhores momentos do Gilmour. "You fritter and waste the hours in an offhand way...". O nosso amigo Waters não grita como o "senhor Barriga" (apelido carinhoso do guitar player do Floyd), mas bota a mesma emoção do tempo em que o citado guitarrista ainda tinha um pouco de alma roqueira.


E por falar em alma roqueira, The Great Gig in the Sky talvez seja uma das maiores e mais autênticas músicas de rock que já foram feitas. Isso sem nenhum acorde de guitarra. Apenas um piano, um baixo, e uma voz feminina i
nspirada. No show, Waters procurou novamente ser fiel ao original, e fazer sua backing vocal soar o mais parecido possível com os gritos da Clare Torry lá em 1973 (muito provavelmente, em um dos seus dias de TPM). Pra mim, um dos melhores momentos do show.

Money foi muito bem executada também, mas eu já vi e escutei versões melhores que o Waters fez em shows solos anteriores. Aqui também fez falta a voz do Gilmour, bem como em Us&Them. Talvez o melhor momento do show. Aliás, difícil um show em que essa música seja executada e ela não roube a cena. Melódica e liricamente perfeita.


Enfim, toda essa seqüência final deu o ápice do espetáculo. A mudança radical pra psicodélica e esquisofrênica Any Colour You Like, fazendo a ligação com a fina ironia de Brain Damage, e o final épico, romântico e ao mesmo tempo desiludido em Eclipse. Mesmo que você ache Pink Floyd algo muito chato, e acredite piamente que o rock não pode se meter a ser "música adulta", não há co
mo não se render emotivamente a essas músicas.


Todo o álbum é dilascerado no palco com uma elegante imagem da Lua passeando entre as cores do prisma. Parafraseando o próprio senhor Waters tentando explicar a sua "mensagem" com a obra: É apreciar de camarote uma viagem sonora pelas nossas contraditórias "cores existenciais".


Teoricamente, é o fim do show. E o Waters volta para o bis, todo animadão. Aliás, eu me surpreendi com o humor dele. Brincalhão, agitado. Digamos que é algo pra lá de raro de se ver.


Depois de um breve silêncio no palco, no meio da escuridão, surge um canhão de luz apontando pra platéia, e uma voz grita: "You!, yes you!!.. stand still laddie!". Começam aquelas "marteladas" do contra-baixo mais paranóico do rock and roll, anunciando The Happiest Days of Our Lifes. Nesse momento, os "arroz de festa" ficam agitados pra entrada do hit pop Another Brick in the Wall. Essa aí, até o vira-lata lá do lado de fora do estádio na sarjeta cantou. Perfor
mance com direito a participação de uma molecada do "Projeto Guri" (algo relacionado a uma ONG que cuida de crianças carentes, se não me engano) no palco. Todos vestidos com os dizeres "o medo constrói muros". Ficou bonito, combinou com o espetáculo, mas era dispensável.

Seguiram Vera e Bring the Boys Back Home pra introduzir a impecável (sempre) Confortably Numb. Mais uma vez o nosso caro Waters tenta ser o mais original possível. Porém, aqui, não há quem substitua o solo do "senhor Barriga". Nada que tire o mérito da performance do esforçado "capanga" do Waters, nem a cara de atortoado do blogueiro que vos fala aquele dia na platéia.

É o fim do show, volta no telão a imagem do nosso amigo lá do começo (o do uísque, você lembra; existe um dele dentro de você), inerte sentado na cadeira enquanto rola o solo de guitarra. Por sinal, essa música foi uma bela escolha pra encerrar o show. Por que, pro bem ou pro mal, é assim que a gente costuma sair de um bom show de rock, confortavelmente entorpecido. Não foi diferente.


E pra concluir, quem gastou (em média) mais de 100 pilas pra ver esse show não estava procurando a última revolução sonora, nem que o Waters fosse apresentar em primeira mão algum tipo de "The Wall" ou "Dark Side of the Moon" do novo milênio. Até porque tudo isso que ele e os quatro ex-colegas fizeram lá no final dos anos 60 e começo dos 70, continua, por incrível que pareça, bem atual.

Aquela multidão que compareceu ao estádio do Morumbi queria "mais do mesmo", e isso não é necessariamente ruim, como os detratores costumam argumentar. Ainda mais quando esse "mesmo" é desse nível. Quem é esperto e inteligente sabe disso, e aprecia. Valeu sim, e muito.

fotos por Henrique e http://ubbibr.fotolog.com/pink_floyd_1967/

terça-feira, 3 de abril de 2007

George Foreman Grill, o jabá

Bom, eu não costumo fazer propaganda de eletrodomésticos no meu blog, mas vou abrir uma exceção. Hoje inaugurei o meu "George Foreman Grill". Na verdade, todo mundo conhece essa firulinha. Qualquer um que teve acesso a um aparelho de TV nos últimos 5 anos já viu Mister George Foreman pagando o maior mico com esse avental brega fazendo cara de bobo-alegre pra vender essa grelha elétrica.
Essa postagem num primeiro momento pode parecer algo pra lá de tosco e idiota, mas ela tem uma razão de ser. É porque o negócio é bom mesmo, extremamente útil pra "solteiros preguiçosos pós-modernos" como eu. Como eu sei que alguns "solteiros preguiçosos pós-modernos" visitam esse blog (olha a carapuça!), fiz questão de escrever aqui antes de dormir hoje.
O único trabalho realmente grande que você tem que ter é ir no supermercado comprar umas fatias de bife. E dar uma limpada rápida na grelha depois do uso (essa foi a parte que eu mais gostei). Na verdade, o que me deixou feliz foi que reduzi meu tempo médio de preparo de uma janta de umas 2 horas pra uns 25 minutos (por favor, não se assustem, mas essa era a realidade). Vocês não sabem como isso é importante pra mim.
Enfim, era só pra dizer que vale a pena comprar essa "mão na roda", sem constrangimentos. Sendo que eu sempre via a propaganda na TV e achava o negócio o maior engodo mercadológico do planeta.
Valeu George! Tem coisas que só o "american way of life" faz pra você: dá uma cevada na sua preguiça culinária suburbana tupiniquim, e enche a conta bancária do negão lá no norte.