quinta-feira, 31 de maio de 2007

empty spaces dicas: "Dark Side of the Moon" (1973)

Talvez o álbum "cabeça" definitivo da música pop. Ainda não escutei algo melhor nessa linha. Por conseqüencia, o álbum mais sofisticado já produzido no rock and roll, e (importante!) sem perder a essência do gênero (coisa que muito artista fez na época, produzindo algumas bizarrices).

Existe coisa melhor do que filosofar sobre a obscuridade da sua natureza enquanto ser humano escutando rock and roll?..

A angústia de sentir o tempo passando e não poder agarrá-lo, de ter que medir o tamanho da sua amabilidade pela quantidade de dinheiro que você tem no bolso, de saber que o que define a sua essência é a sua "classe" social, de saber que temos uma tendência inata em agir violentamente contra nós mesmos e contra os outros, de saber que a loucura é tão relativa quanto o medo que temos da morte.

Está tudo nesses 43 minutos de música. Tudo muito básico e ao mesmo tempo extremamente bem trabalhado, com injeções de efeitos sonoros especiais na medida certa. Com uma produção e gravação impecáveis. Basicamente um rock fincado no blues, levado por letras excelentes, viscerais e simbólicas.


Setlist:

1- Speak to Me
2- Breathe
3- On the Run
4- Time
5- The Great Gig in the Sky
6- Money
7- Us & Them
8- Any Colour You Like
9- Brain Damage
10- Eclipse

OBS: A capa do álbum foi produzida pelo artista Storm Thorgerson. Segundo o mesmo, o prisma reflete três elementos: loucura, oportunidades perdidas e megalomania.

* postagem original editada em 04/04/2005.

terça-feira, 29 de maio de 2007

"porque não a beija em vez de ficar falando.."

Essa frase soa estramente familiar pra mim. Em especial nas conversas que tenho comigo mesmo as vezes. Talvez seja por isso que tenha me identificado muito com o nobre George Bailey. O personagem principal desse clássico do cinema.

Ultimamente, devido a influência de velhos e novos amigos, tenho visto vários filmes. E esse acho que é o primeiro filme clássico "dinossáurico" que eu assisto. Não tenho o hábito de ver filmes de antes da décaca de 1970, mas preciso começar a fazer isso. Principalmente porque as películas, em média, são bem melhores que as atuais.

O filme conta a estória de um empreendedor imobiliário (o tal George) que se encontra numa situação delicada na sua vida. A beira da falência financeira, ele entra em "colapso" e passa por um "insight" que o leva a fazer um "review" da sua vida. Família, profissão, paixões, amigos, inimigos, atitudes, ações, omissões. Isso tudo pra, no final, colocar os pesos na balança e chegar a conclusão de que ele é sim um cara legal (pois é, o enredo daquele filme recente que você viu aquele dia no cinema não é nenhum pouco original). A narrativa não é bem assim, mas eu também não vou ficar contando como se desenvolve o filme porque a beleza do negócio está justamente nisso.

Apesar de ser um roteiro pra nós hoje em dia manjado, o filme é contado de uma forma tão simples e autêntica que se torna algo muito gostoso de se assistir, e prende a nossa atenção. Talvez pela época em que foi feito, não há a preocupação de ficar enchendo o telespectador de informação o tempo inteiro, mas sim deixar que a coisa flua sem se ater a idiossincrasias cinematográficas. Algo como um "let it be" narrativo. Muito provavelmente também isso se deva ao talento do diretor. O cineasta Frank Capra, fiquei sabendo, é considerado um sujeito "fodão" no meio artístico da sétima arte. Ou melhor, era. Já passou dessa pra melhor.

Tecnicidades à parte, na estória em si, essa simplicidade meio que universal é a grande "mensagem" que fica no final. Em resumo, não importa por quantas e tão intensas sejam as atribulações que você passe na sua vida, nunca deixe de ser autêntico e de buscar a essência nas coisas e nas pessoas que o cercam. Ou olhando de outra forma, nunca deixar que morra no seu interior aquele mínimo de inocência sentimental que é essencial pra qualquer ser humano manter-se saudável.

Algumas pessoas podem assistir e achar piegas, mas não é. Nós vivemos atualmente uma vida tão pesadamente dissimulada que muitas vezes é difícil captar a fina linha emotiva que a história revela. Aliás, é um filme que emociona, mas de uma forma sincera (algo muito difícil de se encontrar nos filmes atuais; quando aparece um, parece uma aberração).

Eu assisti esse filme num começo congelante de madrugada, sozinho, triturando um pacotinho de bis e me enchendo de coca-cola. Lembro que eram 2:30h da madruga, as legendas dos créditos começaram a subir, e eu me peguei olhando pra mim mesmo com um sorriso simples e ao mesmo tempo bobo no rosto. Antes de desligar a TV, e me afundar de vez debaixo do edredon.

E claro, sem antes deixar rabiscado no meu bloco de notas, que uso pra anotar assuntos/idéias providenciais pro meu blog, a singela frase do "anjo de segunda classe" (existe anjo sem asas?) Clarence Oddbody: "Remember no man is a failure who has friends..."

Quem dera tivéssemos sempre com frescor essa lembrança em nossas mentes. Nossas existências com certeza seriam mais interessantes.

Ficha Técnica

Título Original: It's a Wonderful Life
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 129 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1946
Estúdio: RKO Radio Pictures Inc. / Liberty Films
Distribuição: RKO
Direção: Frank Capra
Roteiro: Frances Goodrich, Albert Hackett e Frank Capra, baseado em estória de Philip Van Doren Stern
Produção: Frank Capra
Música: Dimitri Tiomkin
Direção de Fotografia: Joseph F. Biroc e Joseph Walker
Direção de Arte: Jack Okey
Figurino: Edward Stevenson
Edição: William Hornbeck


Elenco

James Stewart (George Bailey)
Donna Reed (Mary Hatch Bailey)
Lionel Barrymore (Henry F. Potter)
Thomas Mitchell (William Bailey)
Henry Travers (Clarence Oddbody)
Beulah Bondi (Sra. Bailey)
Frank Fayden (Ernie Bishop)
Ward Bond (Bert)
Gloria Grahame (Violet Bick)
H.B. Warner (Sr. Gower)
Todd Karns (Harry Bailey)
Samuel S. Hinds (Peter Bailey)
Sheldon Leonard (Nick)

segunda-feira, 28 de maio de 2007

the good, the bad, and the queen é o "pop etéreo"?

(The Good, The Bad, and The Queen - Albarn, o "chato", e seus amigos)

Com um certo atrasado, eu coloquei o álbum do "The Good, The Bad, and The Queen" (2007) pra escutar aqui no meu player. Aproveitei pra apreciá-lo enquanto fazia minha janta. E por incrível que pareça, eu gostei.

Antes eu só havia visto um clipe deles no youtube, e escutado alguns trechos das músicas rapidamente sem prestar muita atenção. Hoje escutei o álbum inteiro (com cuidado), e achei muito bom. Sempre tive um pé atrás com as tentativas de projetos paralelos do Damon Albarn no pós-"Think Tank" (último e "meia-boca" álbum do Blur). Pra ser bem sincero, nunca escutei esse álbum direito, mas das poucas vezes que escutei, achei um porre (e olha que eu gosto de coisas "experimentais").

Porém, esse novo trabalho do vocalista da super-banda de britpop junto com o ex-baixista do The Clash e o ex-guitarrista do The Verve é inusitadamente gostoso de ouvir, pelo menos eu fiquei com essa sensação. Não é nada revolucionário (acho que nem era essa a intenção), mas é um som criativo (ainda mais se levarmos em conta o "tédio inventivo" atual da música pop). Quando comecei a escutar percebi ao menos três referências musicais deliciosas (ou eu tô ficando maluco): Syd Barrett, um pouco de Beach Boys na fase "Pet Sounds", e Radiohead. Não é à toa que o Damon andou participando de homenagens ao fundador do Pink Floyd recentemente.

Sei lá que raios esse trio bolou nesse disco que ficou melodicamente muito chique, sem necessariamente ser um disco melódico (classicamente falando). Enquanto dava garfadas no meu prato de arroz com um bife de frango tragicamente esturricado eu fique prestando atenção nas "minúcias" sonoras que cada faixa traz. Alguns toques pretensamente psicodélicos, uma atmosfera levemente "etérea", uma linha sonora levemente progressiva, mas sem deixar de ser pop. Enfim, algo como um Gorillaz "adulto", feito pra gente grande.

Eu fiquei fã em especial de quatro faixas: 80´s Life, Herculean, Nature Springs e a faixa-título The Good, The Bad, and The Queen. Essa última é excelente, com um toque de piano maravilhosamente "entorpecido" e descontrolado.

Ponto pro Albarn, hein? Estava com saudade desse tipo de "chatice" na música pop. Essa é das boas, e eu gosto.

img: http://www.thegoodthebadandthequeen.com/

domingo, 27 de maio de 2007

empty spaces dicas: "RAM" (1971)

(álbum Paul McCartney: "RAM" - 1971)

Fazia tempo que estava pra colocar essa postagem aqui. Aproveitei que estava escutando o dito nessa manhã de sábado, junto a um bom café e um calor infernal.

É um dos meus discos favoritos, não canso de escutar. Tem gente que nunca ouviu falar na vida (a maioria dos visitantes desse espaço, garanto). Mas é uma obra-prima do que se convencionou chamar de música "pop" (no sentido estrito), aquilo que gente como Madonna (vade-retro!) diz que costuma fazer.

Feito na melhor fase do começo da carreira solo dele (na minha opinião - junto com "McCartney" - 1970), época em que Sir Paul McCartney ainda não havia inventado o Wings e ainda rezava fielmente na "cartilha" dos Beatles.

Canções leves, arranjos despojados, belas melodias. Um clima bucólico permeando o disco. Letras com coisas como: "Meu cachorro tem 3 pernas.. o seu não tem nenhuma.." (seria uma "cutucada" dissimulada nos ex-companheiros de banda?) ou "bem, eu sei que minha banana é mais velha que as demais.." (??). Aquilo que os detratores costumam chamar de "silly love songs".

Tudo isso feito numa época em que o barato era fazer música "cabeça" e engajada, ou seja, o disco do nosso amigo passou em branco. Hoje só apreciado por "arqueólogos" da música pop como o inútil ser que ora vos escreve..hehehe.

Porém, se você é daqueles que gosta de acordar numa manhã de sábado, todo felizão, assobiando e cantarolando pra lá e pra cá.. dê uma escutada nesse disco que vale a pena.

Setlist:

1- Too Many People
2- 3 Legs
3- Ram On
4- Dear Boy
5- Uncle Albert & Admiral Halsey
6- Smile Away
7- Heart of the Country
8- Monkberry Moon Delight
9- Eat at Home
10- Long Haired Lady
11- Ram On
12- The Backseat of My Car


* postagem original editada em 09/04/2005.
* para uma compreensão mais completa da postagem clique no link seguinte: "deglutindo Wings"

terça-feira, 22 de maio de 2007

a navalha e os gaiatos


(navalha usada por Giuseppe Pistone para assassinar sua esposa Maria Fea no crime que ficou conhecido como "Crime da Mala")

A internet é fascinante. Hoje eu botei o termo "navalha" no google pra fazer uma pesquisa em busca de uma imagem pra postagem e encontrei isso. Arma que um sujeito usou no começo do século passado pra assassinar e retalhar a mulher grávida e escondê-la numa mala. O tal crime chocou a sociedade paulistana da época e ficou conhecido como o "crime da mala". A história é bem interessante e vale a pena dar uma olhada aqui: "O crime da mala". Contudo, apesar do instrumento e das intenções comuns, o assunto da postagem é outro.

Comecemos com essa pérola proferida pelo senador Delcídio Amaral em entrevista com jornalistas tentando explicar a "ajuda" que pediu a um amigo pro fretamento de um jatinho para poder ir ao enterro do seu sogro (tal "ajuda" implicou num empréstimo do tal amigo junto ao famigerado Zuleido Veras, pivô de um dos mais maiores e mais complexos esquemas de corrupção que já se teve notícia no país): "Entrei, entrei de gaiato no navio, entrei pelo cano.. Entrei, entrei de gaiato no navio, entrei por engano.." Assim mesmo, musical, no melhor estilo Suplicy de ser.

Eu até gosto do Delcídio Amaral, parece (ou parecia) ser um bom político. Eu não conheço quase nada do trabalho dele (não é senador do meu Estado), mas parece (ou parecia) ser íntegro. Contudo, esse "estilo peroba" que os políticos adotam de uma forma geral muitas vezes me deixa com uma leve dor no estômago, como se tivesse levado um murro lá nas entranhas intestinais.

Lendo sobre o assunto, fiquei sabendo que o "empréstimo" (aluguel de jatinho) que ele fez pra acompanhar o enterro do sogro somava algo em torno de R$24 mil reais. In verbis, no blog do Josias de Souza:

"Ex-presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT-MS) é um dos políticos mencionados na contabilidade paralela da Construtora Gautama. O nome do senador consta de uma planilha apreendida na sede da empresa pela Polícia Federal. Está associado a um valor –'R$ 24 mil'—e a um comentário—'aluguel de jatinho'."

Fiz alguns cálculos rápidos e descobri que esse valor é equivalente a algo em torno de 40X o meu salário atual como "jagunço escravizado" de uma Central de Crédito, ou seja, um desses "mimos" que os políticos trocam entre si nessa rede de mútuas influências ilícitas como se fossem pequenas gorjetas equivalem a quase 3 anos e meio de trabalho suado em checagens e aprovações de crédito.

A porrada fica mais forte ainda sabendo que esse "mimo" é pequeno perto de outros que estão sendo descobertos na chamada "Operação Navalha" da Polícia Federal. E não escapa ninguém, gente de todos os partidos e de todas as cores. O que demonstra mais uma vez que o nosso problema é mais embaixo, e que a corrupção no Brasil é uma questão de cunho eminentemente cultural. O famoso "jeitinho brasileiro", ao contrário do que se pensa, não é nosso maior expoente de qualidade enquanto povo, mas sim nossa maior "chaga social".

Bom, isso todo mundo está careca de saber. O que realmente interessa pra mim nessa postagem é mostrar, e deixar bem claro, quem afinal é o "gaiato" da estória, e quem, com legítima propriedade, está realmente "entrando pelo cano". Enfim, chega. Acho que posso acabar a postagem por aqui.

domingo, 20 de maio de 2007

busão cult

Eu gosto de São Paulo por causa disso. Existem coisas que você só encontra nessa cidade maluca.

Ontem estava indo assistir a um show do
Electrics Oasis Cover com uma amiga minha quando comentei que tinha pego um busão (o antigo e famoso "Circular Aclimação") que tinha instalada uma TV (tela plana, com som ambiente integrado; muito chique) onde passava um clipe do Sonic Youth (!), com direito a legendas e comentários biográficos.

Hoje estava lendo o blog do
Lúcio Ribeiro e me deparei com isso:

O busão que percorre a linha Princesa Isabel-Aclimação continua sendo mais interessante que toda a programação junta da MTV. Segundo relato de colaboradora esperta deste blog, às 6h20 da manhã de hoje passou vídeos de Yeah Yeah Yeahs e Mars Volta, seguidos. “Imagine: trabalhadores (90%) mais estudantes (10%) vendo e ouvindo The Mars Volta no ônibus às 6h20 da manhã. Foi tenso”, testemunhou a poploader. Os vídeos têm legendas explicativas. “Tipo ‘The Mars Volta é um grupo de rock com influências do rock progressivo e música latina’. Daí fala do vocalista, das influências de Lee Perry etc. Info esquema wikipedia, direto ao assunto.” (15/05/2007)

Fiquei feliz em saber que não estou sozinho no desbravamento dos pequenos grandes "acontecimentos" que fazem dessa cidade algo ímpar, planetariamente falando.

sábado, 19 de maio de 2007

Vader na Rolling Stones

(edição de maio)

Fazia tempo que não vi uma capa de revista tão boa como essa. Aliás, já faz um tempinho que eu estou pra "rasgar uma seda" pro pessoal da versão tupiniquim da Rolling Stones aqui. A revista é bem editada, tem reportagens muito boas, críticas idem. Tudo muito bem feito, e gostoso de ler.


Além de ter "recheio". E não de publicidade, mas de conteúdo mesmo. Coisa rara nas revistas atuais. Eu diria que é a única revista atualmente que eu compro e leio mesmo. Sem medo de errar no gasto do dinheiro. Alías, tem um ótimo custo-benefício. Você paga realmente pelo que leva. Parabéns ao povo que edita, produz e publica essa firula.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

empty spaces dicas: "Icky Thump" na veia


I-E
Icky thump
Who'd've thunk?
Sitting drunk on a wagon to Mexico

Oh yeah, what a chump
Well, my head got a bump
When I hit it on the radio

Redhead señorita
Looking dead, came and said
"Need a bed?" en español

Said "Gimme a drink of water
I'm gonna sing around the collar
And I don't need a microphone"

Icky thump
With a lump in my throat
Grab my coat
And I was freaking
I was ready to go

And I swear, besides the hair
She had one white eye, one blank stare
Looking up, lying there

On the stand near her hand
Was a candy cane, black rum, sugar cane
Dry ice and something strange
La la la la la la la
La la la la la la la

White Americans, what?
Nothing better to do?
Why don't you kick yourself out?
You're an immigrant, too

Who's using who?
What should we do?
Well, you can't be a pimp
And a prostitute, too

Icky thump, handcuffed to a bunk
Robbed blind, looked around
And there was nobody else

Left alone, I hit myself
With a stone, went home
And learned how to clean up after myself

("Icky Thump", by White Stripes)

Eu já estava enrolando faz um bom tempo, mas finalmente baixei o novo single do White Stripes. E baixei no momento ideal. Fim de férias. Caiu como uma luva. Junto com Oasis, os irmãos White Stripes conseguem sempre me botar pra cima. Pra variar, eles não fugiram a regra de sempre lançar singles classudos. Coisa fina, de primeiríssima linha.

Bom, pra quem ainda desconhece, assim como a banda dos outros irmãos (os Gallaghers), a dupla faz um rockão conservador, sem grande novidades. Mas é aquela história, tradicional "pero" com qualidade, "siempre". Porém, eles investiram numa "pegada" mais pesada dessa vez. Apesar disso, não escorregaram pro "metaaaaaaaaaaal", como diria o vocalista do Massacration (graças ao bom pai!).

Nosso amigo Jack White sabe como poucos (diria que só ele, praticamente) fazer um "blues-punk nervosão" sem ficar apelativo. É daquelas seletas bandas que eu boto na vitrola com uma freqüencia quase diária. Pra se ter uma idéia, estou repetindo esse single no media player já faz uma meia-hora, sem parar. Tenho certeza que vou chegar amanhã no trabalho escutando esse MP3 a todo vapor nos ouvidos.

Recomendação absoluta pra tudo e todos. Dá pra baixar fácil a música nesse link (postagem dia 09/05): Indie Rock. Enjoy it!

Agora é esperar pelo álbum.

letra: http://lyricwiki.org/
img: http://www.yottamusic.com/

segunda-feira, 14 de maio de 2007

"por favor, algum médico entre os passageiros?"

Minha volta de viagem de Brasília dessa vez foi assaz emocionante. Tudo começou na capital federal, onde o meu vôo atrasou mais de meia-hora. Estava programado pra sair às 13:45h. Pelo que me lembre eram 14:20h e eu não tinha embarcado no avião ainda. Pelo menos me garanti, pois saí um pouco atrasado da casa dos meus pais pro "check-in" de embarque e estava com medo de perder o dito cujo (eu ainda demoro pra assimilar que embarcar em um avião é diferente de embarcar em um ônibus).

Dessa vez peguei um piloto arrojado (ou imprudente, dependendo do ponto-de-vista) que logo que saiu do chão fez uma curva pra direita que deu calafrios. Parecia que estava pilotando um caça. Mas o cara era bom (descobri depois vendo o telejornal que vários pilotos pousaram vôos destinados ao Congonhas em Guarulhos porque estavam com medo de pousar na pista auxilar do primeiro - a pista principal estava em reforma e causou mais um pequeno caos no tráfego aéreo paulistano), não arregou de pousar na pista traiçoeira do Congonhas.

Justamente por causa dessa bagunça no Congonhas, chegando em SP, o piloto teve que ficar sobrevoando a cidade por uns 15 minutos até conseguir autorização pra pousar. Resultado: teve gente que começou a passar mal lá em cima. Enquanto degustava uma saborosa barrinha de goiabinha, a aeromoça atacou no fone: "senhores passageiros, sua atenção por favor, se houver algum médico presente favor comparecer à traseira da aeronave portando o seu CRM...".

Na hora, surgiram dois pensamentos na minha cabeça. Primeiro: e se alguém sofresse algum mal súbito sério em pleno vôo e não houvesse médico a bordo? Eu não tinha me dado conta de que não existem médicos na tripulação. Segundo: eu fiquei imaginando a bizarra hipótese da solicitação de um advogado lá nas alturas (??), algo no estilo.. "senhores passageiros, sua atenção por favor, se houver algum advogado presente favor comparecer...". Enfim, deixa pra lá (pensar besteira é uma arte).

Eu vi que o médico foi e voltou lá pra atrás. Não sei bem se ele atendeu algum dos passageiros ou não. Só sei que logo após o pouso ele foi solicitado denovo, dessa vez com mais veemência: "por favor, algum médico entre os passageiros?". E dessa vez não foi pelo fone, foi no gogó mesmo. Uma moça que estava sentada um pouco atrás de mim começou a respirar com dificuldade e a passar mal.

Mas o que mais me impressionou foi a insensibilidade geral dos passageiros com a situação. Enquanto desenrolava o atendimento médico o avião estava taxiando e acoplou pro desembarque. Pelo procedimento, a moça teria que ser retirada antes dos demais passageiros, por motivos óbvios. Mas isso causou uma comoção à bordo. Um político de relativo renome que estava à bordo levantou a voz e começou a reclamar que não havia motivos pra segurar os passageiros e pra toda aquela demora (justamente quem tinha que dar o exemplo, patcha que la paria!). Isso com o apoio de todos os demais passageiros, que começaram um murmurinho e a falar mal dos tripulantes (essa é a elite do nosso maravilhoso país, hein?).

Nesse ínterim, mais uns 10 minutos de atraso. Saí do avião e já eram mais de 16:20h. E fui curtir o friozinho paulistano, pegando o busão urbano (mais 1 hora de poltrona) de volta pra casa. Talvez tivesse motivo pra reclamar de tudo isso, mas não me senti assim. Só fiquei pensando naquela mocinha que respirava fundo (com dificuldade) e gemia no fundo do avião. Soube depois que ela ainda teria que encarar mais algumas horas de viagem até Piracicaba.

"She Came in Through the Bathroom Window" (um novo capítulo?)

(será ele o novo namoradinho da vaca?.. suspense..)

* o nosso amigo da foto exigiu que os valores advindos do direito sobre imagem sejam doados ao sindicato dos gados pra abate do estado de São Paulo; documentação registrada em cartório sob o nº 33.694.936.958.201.555.078.374.665-87-A, tomo 29, livro III.

foto por Cristina Traskine.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Urânia City: Tatooine - 20°14'46'' sul, 50°38'35'' oeste

Um relato pela nativa e moradora ilustre, mestre jedi Cristina Traskine. Aqui: She´s so high.

Homem-Aranha não é nerd, é emo!


Nada contra os "emos", mas foi bem decepcionante saber disso. Só pra constar, não sou fã do personagem, nem muito fã de filmes feitos com base em estórias em quadrinhos, mas fui ao cinema conferir a última aventura do Peter Parker.

O filme em si não é ruim. Contudo, não chega a ser algo que saia daquela normalidade muitas vezes entediante dos roteiros dos "blockbusters" norte-americanos. Pior que eu não lembro direito do primeiro filme da série (o único que eu tinha visto até então) pra poder fazer uma comparação.


Uma olhadela na película acaba valendo a pena e sendo agradável pelos excelentes e bem caprichados efeitos especiais e pela forma carismática como Tobey Maguire interpreta o super-herói. Talvez o mais humano dos super-heróis, um fotógrafo "nerd" que tinha tudo pra levar uma vida extremamente sem graça e monótona, não fosse a sua "missão". Esse filme, aliás, aposta forte como base do roteiro nessa "humanidade" diferencial. Levando o homem-aranha a entrar em uma crise de personalidade ao ter que lidar com seus contraditórios e muitas vezes sombrios sentimentos. Esse é o mote da história.

O que eu sinceramente não esperava era que em certa altura do campeonato o comportado e desengonçado "nerd" nova-iorquino fosse virar um atormentado "emo" buscando sarna pra se coçar. Mas logo eu me lembrei que filmes precisam ser vendidos, e que os "emos", assim como os "nerds", são um público-mercado (novo) a ser explorado.

De uma forma geral, o filme segue interessante de se assistir até um pouco depois da metade, quando o roteirista tenta "amarrar" a história e esmerdeia tudo. O final do filme é um dos mais clichês que eu já vi, mesmo para os padrões hollywoodianos.

Eu paguei meia-entrada, mas mesmo assim, acho que vale uma inteira (ingresso). Se você busca diversão cinematográfica leve e supérfula, é uma boa pedida.

img: http://www.icicom.up.pt

quarta-feira, 9 de maio de 2007

adiós amigos!

(cafézinho fresco do sítio do Mirtão, preparado pela Dona Maria)

Fazia um bom tempo que eu mesmo não preparava o meu café. Com esse friozinho que baixou em São Paulo, aproveitei pra voltar à ativa. Bem descalibrado, por sinal. Ficou sensivelmente fraco e sem açucar o dito cujo.

Nos últimos meses, estava vivendo a base de chá verde no quesito bebidas quentes cafeinadas. E recentemente notei que, apesar de saudável, a bebida dos monges budistas vinha me dando dor de cabeça, literalmente falando. Talvez seja a quantidade, duas canecas de chá seguidas num curto lapso temporal pode ser um exagero (levando-se em conta que o chá que eu compro é "orgânico"). Ou talvez seja algum tipo de simples rejeição química mesmo, sei lá (mas lógico que eu não vou deixar de ingerí-lo de vez enquando).

Também descobri que precisava me desfazer dos meus saquinhos de "porções individuais" (p/ uma xícara) de café instantâneo, os sobreviventes (são de uma antiga promoção da Nescafé, onde você comprava 30 envelopinhos e ganhava de brinde uma xícara, algo assim). Ontem à noite me deu vontade de tomar um, e providencialmente acabei olhando de relance a validade e descobrindo que a dita expirou em agosto do ano passado (!).

Na verdade, eles foram um antigo presente, e possuiam um certo valor afetivo pra mim, mas... não podiam continuar apenas ajudando a enfeitar a minha fruteira, ocupando espaço, e estragando aos poucos. Eram gostosos, apesar da pré-fabricação. Caíam como uma luva para aqueles momentos em que o paladar pedia algo com um certo "azedume" industrial. E não foram poucos. Companheiros de boas batalhas, internas e externas.

Enfim, adiós amigos!

terça-feira, 1 de maio de 2007

Urânia City: Tatooine, here I am

(jardim da morada de mestre Traskine, in a sunny sunday)

Por enquanto, só pra registrar: promessa é dívida, e cá estou eu. Postando ao som da buzina do trem carregado de soja que passa na rua de trás, dos pássaros cantando na bela árvore que registra tudo no portão frontal, da voz do Fran Healy cantando "Side" ali atrás na televisão, do cheiro gostoso do almoço caseiro sendo preparado, e do sentimento especial da amizade simples, profunda, verdadeira, e sem limites. Como diria meu pai, a vida é bela. E não há como botar essa afirmação em discussão. E eu sou apenas um aprendiz, no mundo das vivências autênticas.