segunda-feira, 14 de maio de 2007

"por favor, algum médico entre os passageiros?"

Minha volta de viagem de Brasília dessa vez foi assaz emocionante. Tudo começou na capital federal, onde o meu vôo atrasou mais de meia-hora. Estava programado pra sair às 13:45h. Pelo que me lembre eram 14:20h e eu não tinha embarcado no avião ainda. Pelo menos me garanti, pois saí um pouco atrasado da casa dos meus pais pro "check-in" de embarque e estava com medo de perder o dito cujo (eu ainda demoro pra assimilar que embarcar em um avião é diferente de embarcar em um ônibus).

Dessa vez peguei um piloto arrojado (ou imprudente, dependendo do ponto-de-vista) que logo que saiu do chão fez uma curva pra direita que deu calafrios. Parecia que estava pilotando um caça. Mas o cara era bom (descobri depois vendo o telejornal que vários pilotos pousaram vôos destinados ao Congonhas em Guarulhos porque estavam com medo de pousar na pista auxilar do primeiro - a pista principal estava em reforma e causou mais um pequeno caos no tráfego aéreo paulistano), não arregou de pousar na pista traiçoeira do Congonhas.

Justamente por causa dessa bagunça no Congonhas, chegando em SP, o piloto teve que ficar sobrevoando a cidade por uns 15 minutos até conseguir autorização pra pousar. Resultado: teve gente que começou a passar mal lá em cima. Enquanto degustava uma saborosa barrinha de goiabinha, a aeromoça atacou no fone: "senhores passageiros, sua atenção por favor, se houver algum médico presente favor comparecer à traseira da aeronave portando o seu CRM...".

Na hora, surgiram dois pensamentos na minha cabeça. Primeiro: e se alguém sofresse algum mal súbito sério em pleno vôo e não houvesse médico a bordo? Eu não tinha me dado conta de que não existem médicos na tripulação. Segundo: eu fiquei imaginando a bizarra hipótese da solicitação de um advogado lá nas alturas (??), algo no estilo.. "senhores passageiros, sua atenção por favor, se houver algum advogado presente favor comparecer...". Enfim, deixa pra lá (pensar besteira é uma arte).

Eu vi que o médico foi e voltou lá pra atrás. Não sei bem se ele atendeu algum dos passageiros ou não. Só sei que logo após o pouso ele foi solicitado denovo, dessa vez com mais veemência: "por favor, algum médico entre os passageiros?". E dessa vez não foi pelo fone, foi no gogó mesmo. Uma moça que estava sentada um pouco atrás de mim começou a respirar com dificuldade e a passar mal.

Mas o que mais me impressionou foi a insensibilidade geral dos passageiros com a situação. Enquanto desenrolava o atendimento médico o avião estava taxiando e acoplou pro desembarque. Pelo procedimento, a moça teria que ser retirada antes dos demais passageiros, por motivos óbvios. Mas isso causou uma comoção à bordo. Um político de relativo renome que estava à bordo levantou a voz e começou a reclamar que não havia motivos pra segurar os passageiros e pra toda aquela demora (justamente quem tinha que dar o exemplo, patcha que la paria!). Isso com o apoio de todos os demais passageiros, que começaram um murmurinho e a falar mal dos tripulantes (essa é a elite do nosso maravilhoso país, hein?).

Nesse ínterim, mais uns 10 minutos de atraso. Saí do avião e já eram mais de 16:20h. E fui curtir o friozinho paulistano, pegando o busão urbano (mais 1 hora de poltrona) de volta pra casa. Talvez tivesse motivo pra reclamar de tudo isso, mas não me senti assim. Só fiquei pensando naquela mocinha que respirava fundo (com dificuldade) e gemia no fundo do avião. Soube depois que ela ainda teria que encarar mais algumas horas de viagem até Piracicaba.

4 comentários:

Cristina disse...

Coitada da mocinha... eu teria ficado desesperada numa situação dessas. Mas legal mesmo era se tivessem que fazer um parto no avião, imagina! rs
beijo!

Luciana disse...

Há, eu falei que vc tinha muito o que contar sobre essa história do avião no seu blog!

Carol disse...

Povo brasileiro não tem bom senso.
Nem no chão, nem nas alturas.

Menina Enciclopédia disse...

uau! não me conformo com esses políticos e essa dita elite incoseqüênte, se fosse ele q passava mal ia reclamar mais ainda falando q um parlamentar tem seus privilégios... aff... paiseco esse o nosso... cada dia me revolta mais...