terça-feira, 29 de maio de 2007

"porque não a beija em vez de ficar falando.."

Essa frase soa estramente familiar pra mim. Em especial nas conversas que tenho comigo mesmo as vezes. Talvez seja por isso que tenha me identificado muito com o nobre George Bailey. O personagem principal desse clássico do cinema.

Ultimamente, devido a influência de velhos e novos amigos, tenho visto vários filmes. E esse acho que é o primeiro filme clássico "dinossáurico" que eu assisto. Não tenho o hábito de ver filmes de antes da décaca de 1970, mas preciso começar a fazer isso. Principalmente porque as películas, em média, são bem melhores que as atuais.

O filme conta a estória de um empreendedor imobiliário (o tal George) que se encontra numa situação delicada na sua vida. A beira da falência financeira, ele entra em "colapso" e passa por um "insight" que o leva a fazer um "review" da sua vida. Família, profissão, paixões, amigos, inimigos, atitudes, ações, omissões. Isso tudo pra, no final, colocar os pesos na balança e chegar a conclusão de que ele é sim um cara legal (pois é, o enredo daquele filme recente que você viu aquele dia no cinema não é nenhum pouco original). A narrativa não é bem assim, mas eu também não vou ficar contando como se desenvolve o filme porque a beleza do negócio está justamente nisso.

Apesar de ser um roteiro pra nós hoje em dia manjado, o filme é contado de uma forma tão simples e autêntica que se torna algo muito gostoso de se assistir, e prende a nossa atenção. Talvez pela época em que foi feito, não há a preocupação de ficar enchendo o telespectador de informação o tempo inteiro, mas sim deixar que a coisa flua sem se ater a idiossincrasias cinematográficas. Algo como um "let it be" narrativo. Muito provavelmente também isso se deva ao talento do diretor. O cineasta Frank Capra, fiquei sabendo, é considerado um sujeito "fodão" no meio artístico da sétima arte. Ou melhor, era. Já passou dessa pra melhor.

Tecnicidades à parte, na estória em si, essa simplicidade meio que universal é a grande "mensagem" que fica no final. Em resumo, não importa por quantas e tão intensas sejam as atribulações que você passe na sua vida, nunca deixe de ser autêntico e de buscar a essência nas coisas e nas pessoas que o cercam. Ou olhando de outra forma, nunca deixar que morra no seu interior aquele mínimo de inocência sentimental que é essencial pra qualquer ser humano manter-se saudável.

Algumas pessoas podem assistir e achar piegas, mas não é. Nós vivemos atualmente uma vida tão pesadamente dissimulada que muitas vezes é difícil captar a fina linha emotiva que a história revela. Aliás, é um filme que emociona, mas de uma forma sincera (algo muito difícil de se encontrar nos filmes atuais; quando aparece um, parece uma aberração).

Eu assisti esse filme num começo congelante de madrugada, sozinho, triturando um pacotinho de bis e me enchendo de coca-cola. Lembro que eram 2:30h da madruga, as legendas dos créditos começaram a subir, e eu me peguei olhando pra mim mesmo com um sorriso simples e ao mesmo tempo bobo no rosto. Antes de desligar a TV, e me afundar de vez debaixo do edredon.

E claro, sem antes deixar rabiscado no meu bloco de notas, que uso pra anotar assuntos/idéias providenciais pro meu blog, a singela frase do "anjo de segunda classe" (existe anjo sem asas?) Clarence Oddbody: "Remember no man is a failure who has friends..."

Quem dera tivéssemos sempre com frescor essa lembrança em nossas mentes. Nossas existências com certeza seriam mais interessantes.

Ficha Técnica

Título Original: It's a Wonderful Life
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 129 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1946
Estúdio: RKO Radio Pictures Inc. / Liberty Films
Distribuição: RKO
Direção: Frank Capra
Roteiro: Frances Goodrich, Albert Hackett e Frank Capra, baseado em estória de Philip Van Doren Stern
Produção: Frank Capra
Música: Dimitri Tiomkin
Direção de Fotografia: Joseph F. Biroc e Joseph Walker
Direção de Arte: Jack Okey
Figurino: Edward Stevenson
Edição: William Hornbeck


Elenco

James Stewart (George Bailey)
Donna Reed (Mary Hatch Bailey)
Lionel Barrymore (Henry F. Potter)
Thomas Mitchell (William Bailey)
Henry Travers (Clarence Oddbody)
Beulah Bondi (Sra. Bailey)
Frank Fayden (Ernie Bishop)
Ward Bond (Bert)
Gloria Grahame (Violet Bick)
H.B. Warner (Sr. Gower)
Todd Karns (Harry Bailey)
Samuel S. Hinds (Peter Bailey)
Sheldon Leonard (Nick)

3 comentários:

Menina Enciclopédia disse...

que bom que você gostou, Alê! sabia q ia acabar entendendo bem o filme (profundamente), adorei, como sempre, seu texto! beijo!

Cristina disse...

Esse filme é muito especial. Profundo e singelo, perfeito; não tem como ficar imune à ele. Tive a mesma sensação qdo acabei de assistir.
beijo!

Lety Lets Go disse...

não vi ainda...
mas valeu pela dica.
bjokas
=****

EStou meio down então naum é bom
falar muito.