terça-feira, 22 de maio de 2007

a navalha e os gaiatos


(navalha usada por Giuseppe Pistone para assassinar sua esposa Maria Fea no crime que ficou conhecido como "Crime da Mala")

A internet é fascinante. Hoje eu botei o termo "navalha" no google pra fazer uma pesquisa em busca de uma imagem pra postagem e encontrei isso. Arma que um sujeito usou no começo do século passado pra assassinar e retalhar a mulher grávida e escondê-la numa mala. O tal crime chocou a sociedade paulistana da época e ficou conhecido como o "crime da mala". A história é bem interessante e vale a pena dar uma olhada aqui: "O crime da mala". Contudo, apesar do instrumento e das intenções comuns, o assunto da postagem é outro.

Comecemos com essa pérola proferida pelo senador Delcídio Amaral em entrevista com jornalistas tentando explicar a "ajuda" que pediu a um amigo pro fretamento de um jatinho para poder ir ao enterro do seu sogro (tal "ajuda" implicou num empréstimo do tal amigo junto ao famigerado Zuleido Veras, pivô de um dos mais maiores e mais complexos esquemas de corrupção que já se teve notícia no país): "Entrei, entrei de gaiato no navio, entrei pelo cano.. Entrei, entrei de gaiato no navio, entrei por engano.." Assim mesmo, musical, no melhor estilo Suplicy de ser.

Eu até gosto do Delcídio Amaral, parece (ou parecia) ser um bom político. Eu não conheço quase nada do trabalho dele (não é senador do meu Estado), mas parece (ou parecia) ser íntegro. Contudo, esse "estilo peroba" que os políticos adotam de uma forma geral muitas vezes me deixa com uma leve dor no estômago, como se tivesse levado um murro lá nas entranhas intestinais.

Lendo sobre o assunto, fiquei sabendo que o "empréstimo" (aluguel de jatinho) que ele fez pra acompanhar o enterro do sogro somava algo em torno de R$24 mil reais. In verbis, no blog do Josias de Souza:

"Ex-presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT-MS) é um dos políticos mencionados na contabilidade paralela da Construtora Gautama. O nome do senador consta de uma planilha apreendida na sede da empresa pela Polícia Federal. Está associado a um valor –'R$ 24 mil'—e a um comentário—'aluguel de jatinho'."

Fiz alguns cálculos rápidos e descobri que esse valor é equivalente a algo em torno de 40X o meu salário atual como "jagunço escravizado" de uma Central de Crédito, ou seja, um desses "mimos" que os políticos trocam entre si nessa rede de mútuas influências ilícitas como se fossem pequenas gorjetas equivalem a quase 3 anos e meio de trabalho suado em checagens e aprovações de crédito.

A porrada fica mais forte ainda sabendo que esse "mimo" é pequeno perto de outros que estão sendo descobertos na chamada "Operação Navalha" da Polícia Federal. E não escapa ninguém, gente de todos os partidos e de todas as cores. O que demonstra mais uma vez que o nosso problema é mais embaixo, e que a corrupção no Brasil é uma questão de cunho eminentemente cultural. O famoso "jeitinho brasileiro", ao contrário do que se pensa, não é nosso maior expoente de qualidade enquanto povo, mas sim nossa maior "chaga social".

Bom, isso todo mundo está careca de saber. O que realmente interessa pra mim nessa postagem é mostrar, e deixar bem claro, quem afinal é o "gaiato" da estória, e quem, com legítima propriedade, está realmente "entrando pelo cano". Enfim, chega. Acho que posso acabar a postagem por aqui.

4 comentários:

Luciana disse...

Que comentário pomposo o meu, não? hahahaha

Luciana disse...

Como a minha formação é cultural, meu comentário não será sobre a Operação Navalha, e sim sobre "O crime da mala". Durante a pesquisa o do meu TCC li sobre esse crime, pq ele inspirou, se não me engano, mais do que um filme produzido no país no começo no século XX. Não é de hoje que o entretenimento policialesco agrada o povo: já naquela época, o nascente cinema brasileiro atraía público aos cinemas ao retratar crimes bárbaros como esse.

Cristina disse...

Se eu não me engano, esse caso do "crime da mala" já passou no "linha direta"...
E é isso mesmo, a corrupção é um desdobramento direto do jeitinho brasileiro. Me lembrei do conceito de "homem cordial" do Sérgio Buarque de Hollanda, agora... rs
beijo!

Menina Enciclopédia disse...

esse crime da mala tem tudo documentado lá no museu do crime - é!! ele existe! fica na usp, na verdade, na academia de polícia q fica na entrada, já fiz com uns amigos uma excursão lá rss tem -fotos da época, matérias de jornais, tem o zeca picadinho que tb fazia esse tipo de coisa... é um lugar trash rss
bem, sobre o jeitinho brasileiro: por isso entrei na comunidade do orkut: eu odeio o jeitinho brasileiro
outra coisa q meu irmão sempre diz é q a pf tá agindo muito mais no governo lula no q nos demais, estão trabalhando a valer pra tentar limpar esse país, apesar de que tem horas q eu acho q teria q explodir o Congresso e começar de novo rs (não só o congresso, mas desde aquela câmara da prefeitura no fim do mundo rss)
beijos!