sábado, 21 de julho de 2007

o "dial" do amor

(Gradiente S-95 AM/FM Stereo Receiver; um guerreiro.. meu companheiro de todas as horas.)

Volta e meia eu me pego pensando sobre isso. Afetividade. Ora matutando sobre as minhas próprias relações afetivas com meus amigos, "rolos", ou whatever. Ora observando as relações dos outros, e tentando arrancar algumas explicações plausíveis sobre o porquê delas serem tão complexas, conflituosas, irracionais, muitas vezes violentas, e ao mesmo tempo vitais.

Num desses dias em que fui passear em Campinas, enquanto estava lá trancado no banheiro, tomando banho, comecei a pensar sobre essa questão com intensidade. No banheiro da minha residência campineira existe um rádio velho, enferrujado, que o pessoal liga enquanto manda ver na higiene diária. Apesar de ser um "tape" duplo, atualmente ele só funciona com o "dial" do rádio AM/FM.

Ficava eu lá, enrolado na toalha, tentando sintonizar o sinal da rádio que eu gosto de escutar (uma tarefa que requer paciência e muita concentração). Momentos antes de resolver tomar banho, estava navegando na internet, mais precisamente no orkut, e passeava por perfis de pessoas com quem eu tive (ou tenho) relações sentimentais próximas e muito fortes. Algumas com quem mantive (ou mantenho) fortes laços e me dou muito bem, outras com quem a coisa simplesmente explodiu, ou de alguma maneira se perdeu pelo caminho.

Entrei no banheiro pensando nisso, naquelas pessoas, e nos sentimentos contraditórios que vivenciei com algumas delas. E tentando entender porque é tão difícil transformar paixão em amor, violência química em suavidade empática. O motivo de alguns sentimentos surgirem e se evaporarem no ar, e de outros se solidificarem e entrarem num seleto grupo de algo que poderiamos chamar de "rochas espirituais" (!).

Aí a metáfora óbvia balançou na minha cabeça. Talvez a melhor representação que se possa fazer dos sentimentos "afeto-amorosos" seja a comparação com uma frequência de sinal de rádio. Nesse caso, milhares de frequências de rádio perdidas no espaço-tempo, caóticas, e totalmente intermitentes no que tange a intensidade e amplitude. E em busca delas, outras centenas de receptáculos, "receivers" sedentos por carinho, afeto, e compreensão. E no meio disso tudo, a sintonia, os grandes e pequenos encontros de paixão e empatia. Encontros esses tão aleatórios quanto indecifráveis, cognitivamente falando (??).

Eu pessoamente tenho uma tendência meio "burralda", digamos assim, de tentar procurar uma explicação relativamente lógica (?) para tudo que vivencio. Quem convive comigo percebe isso com facilidade. E durante um bom tempo, meses eu diria, tentei entender o porquê de uma das paixões mais fortes que eu já tive por uma pessoa ter se evaporado de uma forma até meio estúpida. E pior, não ter sobrado nenhum "lastro" desse "rompante de sintonia". O receptáculo simplesmente não captava mais as minhas frequências afetivas e não compartilhava de mais nada. Não havia mais conexão. E porque?

Esses dias, uma amiga minha se viu jogada dentro dessa "sopa caótica" de frequências moduladas que parecem nunca entrar em sintonia. Como eu tempos atrás, tentando entender porque ráios o rapaz não correspondia aos sinais de empatia que ela emitia.

Numa troca de e-mails, ela buscava angustiada por respostas. Na hora, lendo, lembrei desse meu dia trancado no banheiro, e dessa imagem, dessa metáfora pulsando na minha cabeça. E de como, depois desse dia, eu passei a enxergar as relações humanas em geral (e as minhas em especial) de uma forma um pouco mais tranqüila e um pouco menos paranóica (embora ainda não o suficiente).

Aliás, muito provalvemente, essa metáfora nada mais seja do que o resultado representativo de um processo de amadurecimento. Lento, doloroso, e pelos quais todos nós passamos, mesmo não entendo p**** nenhuma.

Enfim, a minha resposta foi simples: não se pode entender um processo que é naturalmente "desentendível" (gostei desse neologismo), que nasce e sobrevive da própria desconstrução de qualquer resposta lógica (não falei exatamente nesses termos, senão ela teria me trucidado vivo).

Eu bem que gostaria de ter, mas acho difícil um dia possuir um "receiver" capaz de captar a sintonia fina da eterna essência empática do ser humano.

* postagem dedicada à citada amiga.

4 comentários:

Carol disse...

sabe, querido, o q conforta e' saber q existe sim, alguem do outro lado, ouvindo e entendendo td q passou, alguem "na mesma freq."
vc e' mto querido e especial pra mim
espero q saiba disso
e nunca deixraei de sintoniza'-lo. prometo

Cristina disse...

Gostei do que você escreveu. Não sei bem o que comentar, apesar de achar que poderia escrever um post sobre o assunto rs. A metáfora é boa, e acho que é isso mesmo, uma questão de sintonia de freqüências. Se isso estiver acertado, o restante tente a ser mais fácil. É que tem sempre aquela coisa de orgulho e teimosia nossas, né? Mas a gente vai aprendendo.
beijo!

Menina Enciclopédia disse...

adorei esse post! gostei dessa sua metáfora... ah, coisa difícil essa sintonia... mas vc tem um exemplo de sintonia: seus pais, sabe q uma hora dá certo ;)

Bruna_ disse...

errrr
hum..
teus miolos ainda explodem
concordo em parte contigo
mas adoro tudo em vc.
besitos dear.