terça-feira, 7 de agosto de 2007

São Paulo, a grande fênix


Esses dias estou podendo observar melhor (e com mais tranquilidade) as manhãs aqui da minha vizinhança. Noto cada vez mais que a coisa está começando a mudar no pedaço, e para melhor. Reformas nos prédios, novas pinturas, até o "hall" do meu prédio tá cheio de plantas, vasos, tapete vermelho (!) (parece uma verdadeira floresta, mas muito mais agradável que a palidez anterior).


Bom, de uma maneira geral, o centro de São Paulo está aos poucos voltando a "pulsar". Pena que os paulistanos mesmo estejam observando isso de longe, tirando a própria administração da cidade, claro. Por enquanto, os moradores da região ainda se resumem a "renegados" sociais e imigrantes de baixa renda de tudo quanto é tipo. Dá pra achar dos clássicos retirantes nordestinos até uma safra recente de africanos (só tem homem aliás, deve ser aquele povo que vem escondido em navios cargueiros). Sem falar nos maravilhosamente simpáticos coreanos (isso foi irônico) e os bolivianos.


Existe um projeto da prefeitura pra desapropriar boa parte da chamada "cracolândia". Não sei até que ponto isso é bom, ou irá resolver a situação, mas é melhor do que nada, do que a inércia. A verdade é que essa zona da cidade só vai voltar a se valorizar quando o paulistano "médio", aquele dito formador de opinião, voltar a frequentar essas ruas. Infelizmente esse "back to the egg" dos nativos da terra da garoa parece estar longe de acontecer. Pelo menos já existe um movimento de "curiosidade" desse grupo em desbravar a região. Afinal, coisas interessantes pra se descobrir/freqüentar aqui não faltam.


Num dia desses eu, meu irmão, e a namorada dele descemos à pé da Liberdade até a região da Praça Ramos de Azevedo. Passando pela Praça da Sé, rua 15 de novembro, Pátio do Colégio, Largo São Bento. Eu fiquei reparando e contando a quantidade de localidades culturais pelo qual a gente passava, e é impressionante o número de opções. Visitar a Catedral, a Bolsa de Valores, o Pátio do Colégio, o Edifício Martinelli, a torre do Banespa, o canto gregoriano dos monges beneditinos, o Centro Cultural do Banco do Brasil, Teatro Municipal, e por aí vai.


Essa cidade me deixa fascinado por isso. Por mais que a maltratem, a desconfigurem, mutilem suas ruas, seus parques, seus edifícios, ela reage. É algo cíclico, mas ela sempre se levanta. E com ela se levantam milhares de pessoas que acreditam na "sopa efervecente" de cultura e valor humano que essa terra "cozinha". Aqui não tem praia, belezas naturais, cartões postais românticos, mas tem uma concentração abismal de gente interessante, batalhadora, sonhadora, e receptível. Lá de Campinas eu sempre lia no jornal os artigos do Gilberto Dimenstein na Folha de SP enaltecendo a vocação energética dessa "aldeia", e agora estou podendo comprovar isso com meus próprios olhos.

3 comentários:

Anonymous disse...

taí uma das coisas que gosto de fazer, admirar as belezas (ou não)da cidade, principalmente através da janela do ônibus quando vou pro centro.

doug

Cristina disse...

Eu acho São Paulo uma cidade fascinante. Mas é uma sensação que não sei explicar ao certo; deixo isso para os poetas modernistas (aqueles da "Semana de 22", mesmo). E pro Caetano rs. ;]
beijo!

Grazi disse...

bom ,nos ja fizemos parte desse roteiro...mas quero terminar,viu?
essa cidade pulsa cultura e energia! e acho que todos nós precisamos respirar isso!
bjão!