segunda-feira, 10 de setembro de 2007

blogueiro viajante: Bon Odori

Justificando o lapso de ausência por aqui, o blogueiro local está com o "pé na estrada" a mais de duas semanas. Aproveitando a "mini-férias" para rever amigos e familiares distantes e queridos, e também para curtir os eventuais acontecimentos culturais locais.

Eu já tinha ouvido falar algo sobre essa festa nipônica. Na minha mais recente viagem a Urânia City, pude participar de uma das celebrações.


Segundo a minha assessora para "assuntos enciclopedianos", Dra. Wikipedia:

"..é um festival que ocorre anualmente durante o verão, sempre após o pôr do sol, pois prevalece a crença de que os espíritos somente saem durante a noite. Cada localidade escolhe uma data específica para fazer os seus festejos durante esse período. O Bon Odori é um festival de tradição budista que tem as suas origens na China. Durante o Bon celebram-se as almas dos antepassados com danças em grupo e levando-se lanternas acesas saudosamente lembrando da sabedoria dos antepassados. Apesar de análogo ao dia dos finados, durante o Bon são tocadas músicas tradicionais alegres e, sobretudo, predomina um clima de jovialidade, gratidão e participação geral."


Eu sempre me enturmei bem em eventos orientais, até por uma questão de afinidade filosófico-comportamental. Dessa vez porém, senti-me mais à vontade que o normal. Como dito ali em cima, apesar de ser um ritual, digamos, fúnebre, o clima é de pura empatia e confraternização.

Uma típica festa japa, a qual sempre tive contato do tempo em que morava em Suzano-SP (talvez a cidade com maior concentração por metro quadrado de japoneses do hemisfério ocidental), com aquela "indústria coletiva" que eles montam de uma forma espetacular pra produzir as iguarias típicas da terra do sol nascente, aquele clima todo de uma gigantesca "gincana social" que só eles sabem criar.


O diferencial (que eu não conhecia) eram as danças, a celebração em si. Achei muito legal. Mais legal ainda que eu pude participar da dita cuja como parte de uma delegação (no caso, da cidade de Urânia). A festa (nesse caso) baseia-se na "competição" entre as várias delegações das cidades da região (na época dos festejos -agosto-, cada cidade sedia o evento em um final-de-semana diferente do mês). Elas se reúnem, apresentam-se ao público, e partem pra dança. Todos vestidos à caráter (kimono; eu também ganhei um), executam as três primeiras danças. Em seguida, a "pista" é liberada ao público em geral, pra quem quiser dançar e acompanhar.


Bom, eu não arrisquei dançar. Junto com a amiga Cris (já experiente no assunto, e quem me convidou pro festejo), saímos do "palco" antes do começo do repertório. Mas a dança é bem simples, qualquer um aprende rápido.

Aliás, o que eu achei mais bonito e interessante na festa toda foi essa questão do aprendizado. A dança acontece em círculos, com os músicos no centro (numa parte mais alta), enquanto o povo vai dançando, dando voltas, com os mais antigos (os velhinhos), por fora, e os mais novos (a criançada), por dentro, formando uma "espiral geracional" que acaba se tornando uma bela metáfora para o caminho da nossa existência, que, por sinal, é anti-horária (detalhe importante).


Subi as escadas laterais do salão e pude observar essa bela imagem de cima. Algo como um "vórtice espiritual" expelindo energia vital de dentro pra fora. Foi o grande "instantâneo" que ficou na minha cabeça de tudo que vi lá.

Bom, eu já "pagava pau" de uma forma geral para a filosofia de vida japa. A cada dia que passa viro um entusiasta maior do "japonese way of life". Críticas? Sim, fiquei sem yakissoba. Mas a gente tem que dar um desconto, haja macarrão pra tanta gente.

obs: o "Bon" que eu fui aconteceu em Fernandópolis-SP.

2 comentários:

Cristina disse...

Gostei muito das suas observações.
E da próxima vez, você tbém vai dançar, ok? :]
beijo!

Cristina disse...

Faltou você falar sobre o taiko!

http://pt.wikipedia.org/wiki/Taiko