terça-feira, 23 de outubro de 2007

pausa para o informe publicitário (5)

(Vicent Van Gogh - "Passeio ao Crepúsculo" - óleo sobre tela, 1889-90)


"Esse quadro é tão bonito.. dá até vontade de chorar.." (Cristina Traskine - Museu de Arte de São Paulo - 23/10/2007).

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

bloco de notas (4)

Encuquei que precisava fazer uma faxina no guarda-roupas do meu apê. Fuçando lá dentro reencontrei a minha caixinha de fitas cassete que há seculos eu não mexia. Quando eu era criança era um "esporte". Adorava fazer seleções de músicas pra depois gravar no tape deck (só agora estou me dando conta de como eu era ultra-nerd naquela época). Eu praticamente só escutava Beatles e os lps progressivos (do "velho") e os nacionais (da matriarca). Pois bem, mesmo depois de crescidinho eu ainda continuei fazendo algumas, entre as quais me dei de cara com essa pérola esquecida no baú:


Reparem no tracklist:

01- London Calling (The Clash)
02- Rudie Can´t Fail (The Clash)
03- I am the Walrus (The Beatles)
04- Jimmy Jazz (The Clash)
05- Wrong ´Em Boyo (The Clash)
06- For You Blue (The Beatles)
07- Birthday (The Beatles)
08- Rocky Raccoon (The Beatles)
09- I´m so tired (The Beatles)
10- Back in the USSR (The Beatles)
11- Brand New Cadillac (The Clash)
12- Hateful (The Clash)
13- Get Back (The Beatles)
14- Should I Stay or Should I Go? (The Clash)
15- Your Mother Should Know (The Beatles)
16- Mean Mr. Mostard (The Beatles)
17- Polythene Pam (The Beatles)
18- She Came in through the Bathroom Window (The Beatles)
19- Lost in the Supermarket (The Clash)
20- The Fool on the Hill (The Beatles)
21- Atom Tan (The Clash)

Provavelmente, a melhor coletânia que eu já fiz. Com aquelas que poderíamos chamar de as duas melhores bandas de todos os tempos. Ainda vou digitalizar essa belezinha.

***
Ontem eu inventei de fazer um uni-dune-tê no cinema, e me ferrei. Quarta-feira, final de tarde, sozinho nas imediações da Av. Paulista, e lá fui eu. O nome da coisa tosca é "O Vidente". Não assistam. Um dos piores filmes que eu já vi. Até eu dirigia um filme melhor com aquele material. Foi difícil aguentar até o final. Até pensei em criar um tópico na linha de algo como "anti-dicas de cinema e vídeo", mas não estou com saco pra perder tempo escrevendo sobre filme ruim.

***
No mesmo dia, um pouco antes, analisava e reparava como professores de educação física são seres estranhamente felizes. Fui fazer um exame médico pra usar piscina pra natação e fiquei trocando idéias com um exemplar desse espécime enquanto esperava o elevador. Senti-me um cara mais chato e entendiante do que o já habitual.

***
E eu estou gostando desse negócio de escrever "anotações", é mentalmente relaxante. Acho que meu ócio está começando a ficar senão criativo, pelo menos um pouco mais produtivo em alguma coisa.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

gerúndio, o pós-moderno

Esses tempos ouvi comentários sobre o governador do Distrito Federal ter "eliminado", por decreto, o uso de uma das formas nominais do verbo (gerúndio) nas repartições públicas. De início, achei que era alguma gozação, mas depois de uma pesquisa na net achei, estava lá, na íntegra:

Decreto nº 28.314, de 28 de setembro de 2007.

Demite o gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.

O governador do Distrito Federal, no uso das atribuições que lhe confere o artigo
100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:

Art. 1° - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 28 de setembro de 2007.

119º da República e 48º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA

E eu fiquei imaginando quais seriam as "disposições em contrário" dessa bizarrice. Apesar do bom humor e tudo, isso demonstra bem o nível dos políticos que nós temos. Se fosse na Suécia, onde o povo é maduro e a sociedade é desenvolvida, esse tipo de "passatempo legislativo" não seria nada demais. Mas é só olharmos um pouco a nossa volta pra constatar o tipo de civilização "meia-boca" que nós somos e perceber que temos assuntos muito mais importantes pra tratar.

Bom, "terceiro-mundices" à parte, o gerúndio realmente é uma praga. Depois de ter lido isso eu comecei a pensar nos motivos para essa onda de "gerundismo". Poderíamos botar a culpa nas mocinhas do telemarketing e dos serviços 0800, mas eu acho que a coisa não é tão simples. Eu mesmo andei reparando (olha só!) que uso muito gerúndio. Nas últimas revisões de postagens que tenho feito aqui no blog fiquei de olho nisso, e vi muito mais "ndo" do que eu queria (ou imaginava) nos meus textos.

Na verdade, acho que isso é um grande sintoma da nossa "era", digamos assim. A tal da pós-modernidade é a grande época do agir "ad eternum". Da contínua busca por valores, significados que nunca se "solidificam". Por isso estamos sempre buscando, analisando, categorizando, filtrando, transformando, alterando. Vivemos em um mundo onde as idéias não se "sedimentam", simplesmente transitam, quase que "vaporizadas". Tudo é relativo. E, por consequência, nada termina no particípio.

(In)felizmente ainda não cheguei a nenhuma conclusão sobre os benefícios ou prejuízos de se viver a vida no gerúndio. Porque eu, você, nós todos, estamos indo pra algum lugar. E isso é muito mais filosoficamente complicado do que simplesmente dizer "iremos".

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

pausa para o informe publicitário (4)


"Existe muita gente que fala 'olha eu tenho um blog'. É a mesma coisa que falar 'olha eu tenho uma caneta Bic'. Tudo depende do que você vai fazer com ela [...]. Blog não valida o talento de ninguém. O que interessa é a história que cada um conta." (Marcelo Tas)

Falou tudo. E o pior é ficar imaginando as possibilidades que o sujeito tem de utilidade pra uma caneta bic.

link (fonte): Blog do Tas.

bloco de notas (3)

O fato de você estar sem fazer nada e ao mesmo tempo saber que tem um monte de coisa pra fazer é muito escroto, acho que todo mundo já passou (e passa) por isso. O apartamento está desarrumado, você programou livros para ler, assuntos para estudar, mas continua lá, estático, meio grogue, "viajando" em planos futuros que você tem plena certeza que permanecerão um tempo lá mesmo, no amanhã. Estou lendo o livro O Ócio Criativo, do sociólogo Domenico de Masi (ed. Sextante, 2000, 10 ed.), e tentando entender (classificar) que tipo de ócio é o meu. Por enquanto só consegui notar que ele está mais pra "ócio caótico" do que qualquer outra coisa.

***
Outra conseqüência das "férias forçadas" é a alteração no fluxo da sua conta bancária. Você nota que o fluxo de saída de dinheiro continua o mesmo, enquanto que o fluxo de entrada passa a ser uma "zona sombria" que você tem uma certa dificuldade de se relacionar. Aí bate aquela angústia de saber como as coisas ficarão daqui a 2, 3 meses. É como vivenciar de uma forma dissimulada aquela maravilhosa sensação de espera pelo seu carrasco.

***
Reparei também que eu tenho uma séria dificuldade em me relacionar com a faixa horária do dia que vai das 8, 9h da manhã até as 4h da tarde, quando eu tomo o meu cafézinho "pré-crepuscular". Durante esse período eu luto contra uma força fenomenal que diz: "Alexandre, agora você é um vegetal.." Em compensação, das 4h até por volta de umas 8h da noite eu me sinto como o pior dos "workaholics". Se alguém me desse uma guitarra durante essas quatro horas era capaz que eu criasse um novo London Calling, com direito a algumas faixas bônus. Outro "mistério" que eu ainda analiso (eu já pensei no efeito do café, mas não pode ser só isso).

***
E por falar em café, experimentem acompanhar o dito cujo com biscoitos integrais de semente de girassol. It´s pleasure, just pleasure.

***
E por falar em prazer, eu não consigo tirar Villa Rosie (Blur) da minha cabeça. Ô musiquinha filha da mãe.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

bloco de notas (2)

Hoje eu andava pelo centro de sampa e comecei a me lembrar de uma cena do filme "Ultimato Bourne" (o que o cinema não faz com as pessoas). Aliás, excelente filme. Minha amiga, jornalista e cinéfila, doutora Lucy, escreveu uma ótima resenha sobre o dito cujo aqui: Laboratório Cultural. Apesar de ser uma seqüência em formato de trilogia, com algumas informações colhidas junto aos meus companheiros de cinema, deu pra assistir numa boa. Recentemente passou um dos antecessores na TV, não lembro se o primeiro ou o segundo, assisti alguns trechos e era bem inferior. Então, pra economizar, veja o último de uma vez que vale por toda a série. Fica a dica.

***
Esses dias eu parei para analisar as estatísticas do meu last.fm e observei que os quatro álbuns que eu mais escuto atualmente possuem as seguintes alcunhas: Chaos and Creation in the Backyard, Modern Life is Rubbish, The Great Escape e A Rush of Blood to the Head. Aí comecei a divagar e relacionar as músicas, a temática, com o meu estado de espírito. Foi batata. Existem muito mais segredos entre os pobres mortais apreciadores e a música pop do que sonha nossa vã filosofia.

***
Vocês podem chamar isso de viadagem, mas eu estou comendo meu arroz de cada dia com pitacos de semente de linhaça. E pura, sem essa de triturar no liquidificador. Pode dar uma leve impressão de que você come arroz misturado com grãos de areia, mas passa rápido.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

empty spaces dicas: "Beleza Americana"


Já era mais de 1h da matina de "ontem" (madrugada de segunda, hoje), eu me preparando pra entrar debaixo do edredon, relativamente sonolento, quando começa a passar esse singelo filme na TV.

Eu nem vi as legendas de apresentação, mas me lembrei da cena inicial. Havia assistido o dito cujo há muito tempo, na época do lançamento. Porém, foi só começar aquela cena de diálogo confessional que, de sopetão, tudo voltou à minha memória.

Pra quem não viu, o filme é um petardo de ironia fina da melhor qualidade sobre o "american way of life", passeando sobre as idiossincrasias e paranóias de duas típicas famílias americanas em processo de implosão. Na minha opinião, um verdadeiro clássico do cinema recente.

Esse filme sempre me fez (e faz) rir muito quando o assisto. Existe nele uma mistura deliciosa de despretensão sarcástica e levemente cínica com um "pano de fundo" que traz uma mensagem filosoficamente sincera e visceral.

Nem preciso dizer que perdi o sono e fui dormir mais de 3 horas da manhã. Essas "sessões corujas" surpresas classudas são raras, e por isso mesmo, imperdíveis. Sempre valem o desarranjo no relógio-biológico.

Bom, a maioria dos leitores desse blog já deve ter visto o filme, e acredito que irão concordar comigo. Para aqueles que não viram, é essencial. Aluguem porque vale a pena.

Ficha Técnica:

Título Original: American Beauty
Gênero: Drama
Origem/Ano: EUA/1999
Duração: 121 min
Direção: Sam Mendes
Com: Kevin Spacey, Annete Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Peter Gallagher, Allison Janney, Scott Bakula, Sam Robards, Chris Cooper