segunda-feira, 8 de outubro de 2007

bloco de notas (3)

O fato de você estar sem fazer nada e ao mesmo tempo saber que tem um monte de coisa pra fazer é muito escroto, acho que todo mundo já passou (e passa) por isso. O apartamento está desarrumado, você programou livros para ler, assuntos para estudar, mas continua lá, estático, meio grogue, "viajando" em planos futuros que você tem plena certeza que permanecerão um tempo lá mesmo, no amanhã. Estou lendo o livro O Ócio Criativo, do sociólogo Domenico de Masi (ed. Sextante, 2000, 10 ed.), e tentando entender (classificar) que tipo de ócio é o meu. Por enquanto só consegui notar que ele está mais pra "ócio caótico" do que qualquer outra coisa.

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Outra conseqüência das "férias forçadas" é a alteração no fluxo da sua conta bancária. Você nota que o fluxo de saída de dinheiro continua o mesmo, enquanto que o fluxo de entrada passa a ser uma "zona sombria" que você tem uma certa dificuldade de se relacionar. Aí bate aquela angústia de saber como as coisas ficarão daqui a 2, 3 meses. É como vivenciar de uma forma dissimulada aquela maravilhosa sensação de espera pelo seu carrasco.

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Reparei também que eu tenho uma séria dificuldade em me relacionar com a faixa horária do dia que vai das 8, 9h da manhã até as 4h da tarde, quando eu tomo o meu cafézinho "pré-crepuscular". Durante esse período eu luto contra uma força fenomenal que diz: "Alexandre, agora você é um vegetal.." Em compensação, das 4h até por volta de umas 8h da noite eu me sinto como o pior dos "workaholics". Se alguém me desse uma guitarra durante essas quatro horas era capaz que eu criasse um novo London Calling, com direito a algumas faixas bônus. Outro "mistério" que eu ainda analiso (eu já pensei no efeito do café, mas não pode ser só isso).

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E por falar em café, experimentem acompanhar o dito cujo com biscoitos integrais de semente de girassol. It´s pleasure, just pleasure.

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E por falar em prazer, eu não consigo tirar Villa Rosie (Blur) da minha cabeça. Ô musiquinha filha da mãe.

3 comentários:

doug disse...

Hilária essa história de ler um livro e tentar identificar o seu ócio, uma situação meio metalingüística (?). Eu tendo a ficar pensando nos planos e acabo esquecendo que a realização de muitos depende do que faço agora, como parar de ler os blogs vizinhos e ir estudar (rs).

Menina Enciclopédia disse...

é seu ócio criativo em ação no blog ;)

Cristina disse...

Me identifiquei muito com essa postagem rs.

Linhaça, semente de girassol... você tá natureba, hein?

"Vila Rosie" é, definitivamente, uma das músicas mais filhadaputa do Blur.

beijo.