quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Lennon & McCartney


Bom, na última postagem citei o meu diretor de cinema favorito, agora deixo aqui registrado aqueles que são na minha opinião os melhores (e meus favoritos) compositores de música pop. Já faz algum tempo que gostaria dar algumas pinceladas sobre o assunto aqui mas sempre arranjo alguma desculpa e enrolo.

Estou lendo um livro que ganhei de presente que relaciona a filosofia com as músicas dos Beatles, muito interessante. Aliás, recomendo: "Os Beatles e a Filosofia - Nada que você pense que não pode ser pensado" (São Paulo: Madras, 2007). Lógico que seria descabido encarar a música do quarteto de Liverpool como algo com pretensões eminentemente filosóficas, mas como tudo na vida, é algo passível de uma análise por esse prisma. Ontem estava lendo um capítulo muito bom (e bem escrito) que relacionava as letras das músicas da banda com a "ética feminista do cuidar", onde a autora se refere especificamente a dupla Lennon e McCartney como "jovens sem mães com um inquestionável lado feminino", lembrando o fato de que ambos foram privados prematuramente da presença materna e nem por isso deixaram de ter uma visão de mundo predominantemente matriarcal (e liricamente sensível, transmitindo sempre uma mensagem da importância fundamental das relações interpessoais no nosso crescimento espiritual - pessoal) [p. 71].

Bom, esse é um assunto pra ser destrinchado em uma postagem à parte (exclusiva). Só queria mesmo comentar rapidamente sobre a excepcionalidade do trabalho desses dois sujeitos, algo visivelmente acima da média. Existem várias grandes parcerias espalhadas pelo mundo da música pop mas nenhuma delas conseguiu alcançar uma combinação de lirismo e melodia tão perfeita como essa. As vezes eu me tomo especulando sobre as razões de uma "química artística" tão refinada. E é interessante observar todo o crescimento de ambos de meros guitarristas "meia-boca" ingênuos dos subúrbios ingleses para super compositores de música popular.

O encaixe é total. Enquanto Lennon desenvolveu um trabalho lírico fenomenal, "sir" McCartney foi (e é) talvez o maior elaborador de melodias pop do planeta. Curioso notar que tanto um como outro não conseguiu em carreira solo chegar perto do nível de "proficiência artística" da dupla. Muito provavelmente pelo fato de que ambos eram "mancos". O que faltava de "tino" melódico para Lennon na suas investidas sonoras com a Yoko sobrava para o "Macca", enquanto o que sobrava de sofisticação lírica para Lennon fazia muita falta nas "silly love songs" do "Macca".

Eu sinceramente acho difícil surgir uma nova dupla de compositores na seara da música popular comercial que alcance tamanha competência e sucesso. Até porque muita pouca coisa mudou depois que eles "inventaram" esse estilo de se fazer música.

Ontem também estava navegando no site youtube e achei o clipe do single "Paperback Writer/Rain". Lançado no auge criativo da dupla Lennon e McCartney, é um dos meus favoritos. E talvez o melhor single de música pop que já foi lançado até hoje (não acho exagero não). Coisa fina, muito fina. Enjoy it:



Dear, sir or madam, will you read my book?
It took me years to write, will you take a look?
It's based on a novel by a man named Lear
And I need a job, so I want to be a paperback writer

It's a dirty story of a dirty man
And his clinging wife doesn't understand
His son is working for the Daily Mail
It's a steady job, but he wants to be a paperback writer

It's a thousand pages, give or take a few
I'll be writing more in a week or two
I can make it longer if you like the style
I can change it 'round, but I want to be a paperback writer

If you really like it you can have the rights
It can make a million for you overnight
If you must return it you can send it here
But I need a break and I want to be a paperback writer.

***

If the rain comes
they run and hide their heads
They might as well be dead
If the rain comes
If the rain comes

When the sun shines
they slip into the shade
and sip their lemonade
When the sun shines
When the sun shines

Rain, I don't mind
Shine, the weather's fine

I can show you
that when it starts to rain
everything's the same
I can show you
I can show you

Rain, I don't mind
Shine, the weather's fine

Can you hear me
that when it rains and shines
it's just a state of mind
Can you hear me
Can you hear me

("Paperback Writer" & "Rain" - John Lennon/Paul McCartney)

img: www.bbc.co.uk

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

desconstruindo Kubrick

Eu já deixei algumas pistas aqui no blog, mas não custa afirmar mais uma vez que o meu diretor de cinema favorito é o inglês Stanley Kubrick. Muita gente que freqüenta esse espaço também deve ter a mesma opinião, e já deve conhecer bem o conjunto da obra do sujeito. Eu porém, até recentemente, tinha visto apenas quatro filmes ("Doutor Fantástico", "2001 - Uma Odisséia no Espaço", "Laranja Mecânica" e "Nascido para Matar" - o primeiro desses eu já comentei no blog: aqui), sendo que a meta é ver todos esse ano. E se me der ânimo, fazer uma postagem definitiva comentando os 13 longas.


"Glória Feita de Sangue"


Três semanas atrás, aproveitando o tempo livre e graças a dica da amiga Lucy, tive a oportunidade de assistir a mais dois filmes do diretor (oportunidade rara, em tela grande - cinema - e de graça). Primeiro vi este, "Glória Feita de Sangue", filme rodado ainda em preto e branco e que eu nem lembrava que fazia parte da filmografia do diretor. Muito boa película. O começo é meio arrastado, mas o filme vai melhorando aos poucos. Como em todo filme do Kubrick, os planos e seqüências de cenas são belíssimos, destaque para a cena do avanço da tropa pelo campo de batalha em direção ao inimigo. Coisa fina. E claro, o ponto alto da película, na seqüência de cenas do julgamento dos soldados pretensamente desertores por um tribunal militar. É um filme bem simples, ingênuo até, talvez o mais despretensioso do diretor. Eu não diria que é algo pra que gosta do gênero épico ou bélico, mas pra quem curte uma boa e elegante ironia.

Ficha Técnica

Título Original: Paths of Glory
Gênero: Guerra
Tempo de Duração: 87 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1957
Estúdio: United Artists / Bryna Productions / Harris-Kubrick Productions
Distribuição: United Artists
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick, Jim Thompson e Calder Willingham, baseado em livro de Humphrey Cobb
Produção: James B. Harris
Música: Gerald Fried
Fotografia: Georg Krause
Direção de Arte: Ludwig Reiber
Figurino: Ilse Dubois
Edição: Tom Finan

Elenco

Kirk Douglas (Coronel Dax)
Ralph Meeker (Phillip Paris)
Adolphe Menjou (General George Broulard)
George Macready (General Paul Mireau)
Wayne Morris (Tenente Roget)
Richard Anderson (Major Saint-Auban)
Joe Turkel (Recruta Pierre Arnaud)
Peter Capell (Juiz da Corte Marcial)
Emile Meyer (Padre Dupree)
Bert Freed (Sargento Boulanger)
Kem Dibbs (Recruta Lejeune)
Timothy Carey (Recruta Maurice Ferol)


"O Iluminado"


Alguns dias depois, voltei ao Centro Cultural Vergueiro (os filmes foram exibidos em uma mostra especial dedicada ao diretor) para ver "O Iluminado". Apesar de ter ficado mais de três horas esperando para conseguir ver o dito (enfim, o preço que se paga pra ver algo de graça em SP), valeu a pena. É disparado o melhor filme de suspense que eu já assisti, talvez o que mais lembre "2001" entre os demais filmes do Kubrick, em especial pelo uso diferenciado da trilha sonora e de cenas abstratas "cabeçudas". Não é qualquer filme que consegue prender totalmente sua atenção por duas horas initerruptas. Sem falar na atuação diferenciada (e memorável) do Jack Nicholson, que compensa até a péssima atuação da atriz Shelley Duvall como a esposa histérica. Não é o melhor trabalho do diretor (na minha opinião, dos que eu vi até hoje, nenhum superou a clássica "Odisséia no Espaço"), mas com certeza está entre os melhores. E claro, não podemos deixar de citar a atuação discreta mas fundamental do Tommy, o dedo humano (e "ator") mais talentoso de toda a história do cinema. Um filme altamente recomendável pra pessoas com tendência paranóico-psicóticas, de sono fraco, e que curtem um belo pesadelo noturno.

Ficha Técnica

Título Original: The Shining
Gênero: Terror
Tempo de Duração: 144 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1980
Estúdio: Warner Bros.
Distribuição: Warner Bros.
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Diane Johnson e Stanley Kubrick, baseado em livro de Stephen King
Produção: Robert Fryer e Stanley Kubrick
Música: Wendy Carlos e Rchel Elkind
Direção de Fotografia: John Alcott
Desenho de Produção: Roy Walker
Direção de Arte: Leslie Tomkins
Figurino: Milena Canonero
Edição: Ray Lovejoy

Elenco

Jack Nicholson (Jack Torrance)
Shelley Duvall (Winifred "Wendy" Torrance)
Danny Lloyd (Danny Torrance)
Scatman Crothers (Dick Hallorann)
Barry Nelson (Stuart Ullman)
Philip Stone (Delbert Grady)
Joe Turkel (Lloyd)
Anne Jackson (Doutora)
Tony Burton (Larry Durkin)
Barry Dennen (Bill Watson)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

leveza na noite ("cuca-fresca" buster)

Talvez a principal diferença do blogueiro versão 2008 para o blogueiro versão 2007 sejam os quilinhos a mais na região abdominal. Não que eu esteja visualmente gordo, mas pros meus padrões de magreza "vara pau", houve sim uma substancial mudança "organo-calórica". Notada não só por mim, como por parentes próximos e não tão próximos assim (sinal de alerta).

A despeito de eu não estar tecnicamente fora do peso ideal (pelo contrário, só agora cheguei ao peso ideal), eu não ando me sentindo muito, digamos, saudável. Paira uma sensação corporal nada agradável de se estar "pesado", como se algo estivesse "sobrando" (em especial na cintura) dentro da nossa "morada sagrada".

Listei alguns culpados pela situação: falta de exercício físico, certo excesso nas "beliscadas" em guloseimas, e a famigerada coca-cola.

Além do "fator natação" (que depois de muita lenga-lenga, parece que voltará à ativa no curto prazo), determinei que essa semana vou começar a agir, tentando colocar em prática o plano de ação mais antigo, sabido, e não praticado do planeta: a dieta equilibrada.

Pra começar, adotando uma janta leve e rápida que tem tudo pra se tornar rotina por essas bandas. Batizada internamente de "cuca fresca" buster, nada mais é do que o tradicional lanche natural, exatamente no mesmo estilo daqueles petardos assassinos vendidos nas praias de todo o litoral tupiniquim. Aí está ela, pro eventual leitor marciano que passar por aqui e não conhecer a receita, lá vai:


("cuca fresca" buster)


Ingredientes:

4 fatias de pão de forma tradicional;
1 cenoura ralada;
de 5 a 6 folhas de um pé de alface;
de 3 a 4 fatias de presunto e também de queijo;
requeijão a gosto.

Modo de preparo:

Enfie todos os ingredientes entre as fatias do pão de forma e com a própria mão (ou com instrumento semelhante que produza o mesmo efeito) dê uma leve prensada até que o dito cujo fique compacto e adquira um aspecto estético interessante.

Pra acompanhar, recomenda-se uma jarra de suco natural de sua preferência (o "gourmet" indica as polpas de fruta congeladas de abacaxi, acerola, morango e goiaba).

sábado, 19 de janeiro de 2008

um é pouco, dois é bom

Depois de um considerável hiato, estou de volta. Não que não tenham ocorridos fatos/sentimentos que merecessem ser comentados por aqui nesse começo de ano, mas eu estou podendo sentir cada vez mais a constatação óbvia de que quanto maior contato humano você tem no dia-dia menos tempo você tem pro mundo cibernético.

Pois bem, eu não sou mais um ser solitário na megalópole. Agora estou acompanhado, muito bem acompanhado diga-se de passagem. Não que eu já não tivesse tido roommates por essas bandas, mas esta é uma experiência diferente. Comecemos pelo simples fato de que o dito cujo é do sexo oposto. A partir desse ponto os nobres leitores desse espaço podem especular sobre as circunstâncias desse relacionamento (fiquem à vontade - só quero deixar frisado que não, eu não me casei! - nem tenho planos).

Pude reparar já nas primeiras semanas do ano as mudanças (pra melhor). Tanto no plano material como espiritual. Nesse último aspecto aliás eu senti uma forte renovação de ânimo, algo que eu realmente estava precisando. Viver sozinho pode ter lá suas vantagens (e não são poucas), mas se você é um ser introspectivo, fechado e relativamente anti-social, quando atinge uma certa idade (e porque não dizer um certo estado de espírito e amadurecimento) você naturalmente acaba buscando alguém pra compartilhar momentos/vivências/sentimentos de uma forma mais intensa.

Eu gosto de deixar as coisas seguirem seu curso natural (e ela também; não é à toa que estamos dividindo o mesmo espaço). Nesse aspecto da minha vida eu sempre procurei não compartimentar as coisas, e sempre fui visto como um cara meio "esquisito" por seguir esse rumo. Uma época pra "ficar", uma época pra namorar, uma época pra casar. Não consigo enxergar minha vida afetiva por esse prisma, felizmente.

Enfim, uma nova perspectiva surge, algo que eu tenho uma suspeita que tem tudo pra dar bons frutos. No mais, talvez as postagens por aqui fiquem levemente mais rarefeitas, mas com certeza sentarei minha buzanfa em frente ao editor do blogger de tempos em tempos. Isso é inevitável.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

2007/2008

Algumas impressões rápidas desse fim de ano:

- eu passei os últimos dias de 2007 com um certo mau-humor internalizado, como se uma leve e fina "cobertura" de melancolia tivesse fechado o "bolo" dos feitos/realizações do ano findado, quem viu minha cara de animação na festa de reveillon da família irá concordar comigo;

- por falar em festa de virada de ano, tá certo que é uma reunião familiar, mas aguentar uma sequência com alguns clássicos da "dor de cotovelo" nacional, mais Ivete Sangalo, Calypso, e um cover essencialmente trash do Elvis interpretados por uma banda, digamos, limitada, não é fácil - como bem salientou meu primo Samuca, eu tinha que registrar isso no blog;

- mas eu não quero transformar essa postagem num relatório de reclamações, no geral, o balanço foi positivo, o Natal em especial teve uma energia gostosa (uma mesa com muita comida e velas acesas sempre faz bem pr´alma), e todas as peças da engrenagem se encaixaram como tinham que se encaixar;

- agora, como fazemos desde os idos do começo do Império Romano, o negócio é ajustar os controles e contar mais 365 dias (um pouco a mais ou a menos - segundo meu tio, estamos num ano bissexto) até fechar as contas denovo, e claro, nesse meio tempo, sempre tentando colocar o nosso grande "plano-mestre" em ação.