sábado, 15 de março de 2008

Interpol em São Paulo 11.03.2008



(Interpol - Via Funchal, São Paulo, 11/03/2008)

Bom, logo logo as blogueiras Cris e Regina provavelmente irão escrever em seus respectivos espaços sobre o show da banda Interpol em sampa na última terça, mas eu vou dar alguns breves pitacos por aqui.

Ao contrário das moças, eu não me classifico como o que poderíamos definir sendo um fã "legítimo" da banda. Gosto do som, mas não sou daqueles que chega a cantar junto com o Paul Banks do começo ao fim todas as músicas (ao contrário de 95% do povo que compareceu ao Via Funchal). Porém, tiro o chapéu pra apresentação ao vivo da banda. Coisa fina.

O som do Interpol é algo que ainda me intriga profundamente, mesmo já tendo escutado o suficiente pra emitir um juízo maduro sobre o trabalho deles. Eu percebo (não sei se estou maluco, ou se tem mais gente que me acompanha) uma "esquizofrenia" sedutora no que eles produzem. Os críticos classificam o som como "pós-punk", mas vai muito além desse rótulo vago. Algumas músicas possuem algo climático, austero, levemente "progressivo", ao mesmo tempo que deslancham uma "pegada" punk e dançante que me fazem lembrar, por incrível que pareça, uma mistura de coisas tão díspares como The Clash ou Franz Ferdinand e Pink Floyd (?) ou Coldplay.

Já que eu citei o PF, a apresentação deles remeteu a minha memória ao show do baixista Roger Waters em terras brazucas, não exatamente pelo tipo de som mas pelo clima levemente cerimonioso, solene, e elegante. Assim como o "tiozão" floydiano, eles também não são muito chegados ao papo com a platéia, executam as músicas com um perfeccionismo genioso e gostam de uma produção "extra-som" classuda, coisa não muito comum em bandas de tradição punk (escutar "Heinrich Maneuver" com um clipe de um leão perseguindo uma gazela nas savanas africanas no telão atrás do palco é, digamos, metafórica e deliciosamente animalesco).

Também em relação ao vocal e as letras, esse feeling esquizo continua. É inegável a filosofia mezzo niilista/hedonista da banda. Eu ainda não me aprofundei muito no lado lírico da coisa, mas fica clara essa pose existencialista blasè. Tirando um certo exagero marqueteiro, eu gosto disso. Por outro lado, o vocal muitas vezes excessivamente angustiado do Paul Banks (que me faz lembrar sempre uma certa "pagação de pau" artística ao Kurt Cobain) chega a ser irritante.

Enfim, o show valeu com folga a grana investida. Ainda não degluti por completo (e com prazer) a sonoridade da banda. Volta e meia eu sinto um gostinho de azedo que me faz rejeitar algumas partes. De qualquer maneira, esses petardos descem gostoso pelo esôfago:

- Pionner to the Falls;
- No I in Threesome;
- Slow Hands;
- Untitled;
- Say Hello to the Angels;
- NYC;
- Hands Away.

O resto ainda está sendo trabalho pelos ácidos estomacais.

ADENDO:

Só pra constar, como todos sabemos, música é essencialmente identificação e sensação. Independentemente de qualquer avaliação técnica, isso vem antes. E pelo que eu pude sentir do som deles, desde que eu comecei a escutar, é algo eminentemente visceral. Não faça a cagada de ouvir o dito fazendo o almoço ou tomando café, porque não cola. Posso dizer com propriedade que o Interpol é feito sob medida para aqueles "carnificínicos" momentos íntimos. Em especial o álbum "Our Love to Admire", cujo tempo total de música encaixa certinho numa boa e bem vivenciada "noite antropofágica", se é que vocês me entendem.

4 comentários:

Bruna_ disse...

escutar "Rest My Chemistry" com um clipe de um leão perseguindo uma gazela nas savanas africanas no telão atrás do palco é, digamos, metafórica e deliciosamente animalesco).


ho ho ho.
vc vê mtos clipes e sai com idéias malucas depois.
Rá!

Carrie Bradshaw Tupiniquim da Silva disse...

não, eu não entendi o q vc quis dizer, explica pra mim? :P rsss
bem, qdo conversamos eu já sabia qual era mais ou menos sua opinião, não é um som que faz sua cabeça, mas que você, como disse, está deglutindo, ou digerindo rss acho que isso que é o legal de cada post, o seu vai ser mais frio do que o meu e da Cris pq vc pode ser mais crítico não sendo um fã ardoroso da banda como a gente.rs gostei da sua resenha pq você analisou a banda de forma imparcial, ponto pra vc!
beijos!

Alexandre disse...

A Cris me corrigiu aqui Bruna. A música que eu citei sobre o clipe é "Heinrich Maneuver", e não Rest My Chemistry". :)

Lívia disse...

Interessante o adendo ^^"""

=****