quinta-feira, 8 de maio de 2008

Do "cheiro" delicioso de autocomplacência e as recaídas

Autocrítica.

Datação
1899 cf. CF1

Acepções
substantivo feminino
1 ato de o indivíduo reconhecer as qualidades e defeitos do próprio caráter, ou os erros e acertos de suas ações

Paranóia.

(do grego antigo παράνοια, "loucura", composto de παρα-, "desordem" e do tema afim a νοῦς "mente") é uma psicose que se caracteriza pelo desenvolvimento de um delírio crônico (de grandeza, de perseguição, de zelo etc.), lúcido e sistemático, dotado de uma lógica interna própria, não estando associado a alucinações. A paranóia não acarreta o deterioramento das funções psíquicas externas à atividade delirante. Estas duas últimas características a distinguem da esquizofrenia paranóide.

No indivíduo paranóico, um sistema delirante amplo e totalmente defasado da realidade pode coincidir com áreas bem conservadas da personalidade e do funcionamento social do sujeito, pelo que a repercussão da paranóia no funcionamento geral do indivíduo é muito variável - a bizarria dos comportamentos do indivíduo depende do âmbito mais ou menos restrito do sistema delirante, pois a atitude geral é coerente com as convicções e suspeitas; por exemplo, quando o delírio é amplo, integrando todos os familiares ou colegas de trabalho num conflito prejudicial ao sujeito, as suas atitudes de defesa e/ou de vingança tornam-se tão inadequadas e graves que conduzem a graves defeitos pessoais e sociais. Os conteúdos típicos dos delírios incluem a perseguição, o ciúme, o amor (erotomania) e a megalomania (crença na própria posição e poder superiores).

fontes: Dicionário Houaiss e Wikipedia


*

Eu gosto de filosofar sobre a linha tênue que separa esses dois substantivos. E a pergunta bate: Onde será que eu me encontro? Na serena autocrítica ou na patológica paranóia? Anteontem mesmo quase apaguei minha última postagem no blog por não ter gostado do que escrevi (no final, exclui só algumas linhas). Queria botar em palavras simples os sentimentos especiais e significativos que tive dentro de um mosteiro e acabei, na minha visão, editando uma postagem levemente pedante e clichê. E isso é só um exemplo.
Volta e meia pego-me entremeado em algumas neuroses por opções e escolhas que fiz no passado remoto, outras que estou fazendo no presente, e também por aquelas que mal estão se formulando na minha cabeça. E é difícil delimitar exatamente onde termina a autocrítica saudável e começa a paranóia destrutiva. Se por um lado você "cozinha" bem os seus pensamentos e/ou devaneios e toma atitudes pretensamente sensatas, por outro lado você se torna uma potencial bomba-relógio pronta pra detonar um belo de um cogumelo psiconeurótico.
Adjetivos como "sério", "adulto", "compenetrado", dividem espaço com "tranqüilo", "zen", "sossegado" na definição da sua personalidade, somando-se a uma bela dose de verve megalomaníaca e idiossincrática. O bom é que com o tempo (e o esperado amadurecimento) tudo que era branco e preto passa a ser mais dégradé, e você se torna um sujeito mais palatável ao gosto do bom trato das relações humanas. Quando as coisas chegam nesse ponto, fica fácil enxergar o lado bom desse criticismo inato, e você meio que sente um alívio. Por todos os poros, começa a exalar um "cheiro" delicioso de autocomplacência.
Porém, junto com esse amadurecimento, surgem esparsas e randomicamente algumas recaídas, e é onde a coisa pega. Nada que o faça voltar a conspirar contra si mesmo de uma maneira psicopata, mas surge aquela sensação de que ainda falta alguma coisa. Algo que a minha mente sabiamente deixa ao relento. Ainda bem.

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Postagem produzida e editada ao som dos melhores petardos das bandas "paranoicamente" deliciosas Radiohead e Pink Floyd - como manda o figurino.

2 comentários:

Bruna_ disse...

eu gostei da postagem, mas vc parece meio azedo consigo mesmo :/
um tãnto impaciente, hein?

Cristina disse...

Acho que dá pra resumir esses seus sentimentos em uma palavra: amadurecimento. ;]