quinta-feira, 22 de maio de 2008

Mulhollands

Desocupado há pouco mais de três meses pelo ex-reitor da Universidade de Brasília Timothy Mulholland, o apartamento então destinado para uso do reitor continua mobiliado com itens de luxo. A decoração do imóvel custou R$ 470 mil, segundo avaliação do Ministério Público, que diz que esse dinheiro deveria ter sido usado em pesquisa.
A compra dos artigos de decoração para o apartamento foi uma das razões que leva
ram o Ministério Público a mover ação de improbidade administrativa contra Mulholland e seu decano de finanças, Erico Weidle. Mulholland deixou a reitoria no mês passado, depois de alunos invadirem seu gabinete e ficarem na reitoria por duas semanas.
A Folha entrou no imóvel, ocupado por Mulholland por cerca de um ano, e encontrou os itens mais polêmicos da decoração estocados no quarto de empregada. Lá estão as três lixeiras que viraram símbolo do luxo (R$ 2.738, segundo o Ministério Público). O abridor de
garrafas, de R$ 1.400, está no fundo de um armário.
No mesmo quarto estão quatro das cin
co televisões de tela plana do apartamento -as quatro por R$ 11.599, segundo a Procuradoria. Elas estão embrulhadas numa colcha e dentro de uma caixa de papelão. Há marcas na parede e pontos de ligação das televisões nas três suítes e na copa. A quinta televisão está instalada no andar superior.
(...)
O apartamento tem 391 m2, divididos em dois pavimentos, sendo o segundo a cobertura. No primeiro, há três suítes, um escritório com banheiro, sala, cozinha e copa. O segundo é destinado ao lazer: área para home theatre, churrasqueira, sauna e uma jacuzzi.


Piscina e hidromassagem para 7 pessoas na cobertura do apartamento em que o ex-reitor da UNB (Universidade de Brasília) Timothy Mulholland morava


Abridor de garrafas comprado pelo ex-reitor da UNB (Universidade de Brasília) Timothy Mulholland

fonte: Folha de S. Paulo
img: Lula Marques


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A última vez que fui pra Brasília, pra prestar um concurso, indaguei junto ao meu pai sobre como uma cidade onde a esmagadora maioria da atividade econômica gira em torno da burocracia estatal poderia ostentar tanta opulência material. A pergunta surgiu depois de ter observado uma Mercedes-Benz estacionar logo ao lado do nosso "canela" (Fiat Uno) no aguardo da abertura do semáforo. Ainda lembrei que, na maioria dos países desenvolvidos, em especial os europeus, estar inserido no funcionalismo público de carreira é aceitar de antemão que você irá viver bem e servir o seu país, mas que com certeza não virará um milionário.
Aqui em terras tupiniquins, desde os idos longínquos da nossa formação enquanto nação, o raciocínio é invertido. Entrar para os quadros dos servidores públicos da República é como que uma carta branca para acumular riqueza como se fosse um empresário.
Eu tenho uma certa teoria pra comigo mesmo que, junto com o quesito educação, quando essa lógica "boquinha" for riscada do nosso excêntrico quadro de justificações tropicais, a coisa vai andar e não vai sobrar pra ninguém. Talvez nós não nos tornemos o próximo Estados Unidos da América, mas seremos severamente invejados. Pena que não vou ver isso. E acho que nem meu hipotético filhote.
Mas o que vale é a indignação. Enquanto ela estiver presente, a esperança é realmente (no cliclê ou não) a última que morre.

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Justificação

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Em epistemologia, justificação é um tipo de autorização a crer em alguma coisa. Quando o indivíduo acredita em alguma coisa verdadeira, e está justificado a crer, sua crença é conhecimento. Assim, a justificação é um elemento fundamental do conhecimento.
(...)
Uma maneira de explicar a justificação é: crença justificada é aquela que nós temos o direito epistêmico intelectual de defender. De acordo com o internalismo em epistemologia, de alguma maneira cada um de nós é responsável pelo que acredita. Cada um de nós tem uma responsabilidade intelectual ou obrigação de acreditar no que é verdadeiro e de evitar de acreditar no que é falso. Assim, a justificação é uma noção normativa. Isso significa que tem a ver com normas, direitos, responsabilidades, obrigações, e assim por diante. A definição padrão de normatividade é que um conceito é normativo se e somente se é um conceito dependente de normas, isto é, de obrigações e permissões (interpretadas muito amplamente) envolvidas na conduta humana. Aceita-se geralmente que o conceito da justificação é normativo, porque é definido como um conceito a respeito das normas acerca das crenças.

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Mulhollands - eu gostei disso, dá um belo nome de banda punk. Se eu tivesse uma.

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