sábado, 24 de maio de 2008

Sobre Jefferson Peres (in memoriam) e a intransigência

Ontem faleceu o senador Jefferson Peres (PDT-AM). Um dos parcos guerreiros e sobreviventes da dita "banda boa" da política nacional. Era advogado e professor (nobres atividades), mas acima de tudo, um defensor ferrenho da ética e da chamada probidade.
Correndo a notícia, eu tentava identificar a causa da morte, reportava-se que foi provocada por um infarte fulminante. Comentava-se na mesma notícia que o senador era um sujeito preocupado com a saúde. Não fumava, não bebia, não era obeso (muito menos gordo), enfim, se cuidava. Em que pese a idade avançada (76 anos), eu me surpreendi com tal fatalidade.
Comecei a refletir sobre a questão da intransigência que muitos tem consigo mesmo. Como bom sujeito ético que era, o nosso caro senador provavelmente sofria do mal do excesso de auto-crítica (ou não) *. Pessoas que procuram o perfeccionismo a todo custo. Digo por conhecimento de causa própria, acredito que também sofra desse mal. É tiro e queda, o coração do nobre senador provavelmente parou por causa disso (ou não) *.
Trabalhei por uma ano e pouco em uma empresa gigante e lembro bem do meu grau de estresse e tensão por ter que cumprir bem o meu trabalho, observar a leniência e deslizes alheios, e ainda ter que dar satisfação a mim mesmo e meu orgulhoso ego. Foi um período em que me senti "sugado". Não só pela gana por resultados da própria empresa e o "sossego" dos colegas, mas também pela minha auto-intransigência. Emagreci demais e virei um verdadeiro "vara-pau" (no melhor estilo Jefferson Peres).
Bom, ficou o aprendizado. E acredito que estou melhorando nesse ponto. Aos pouco você cresce e percebe que ser, ético, íntegro é algo dissociado das suas próprias paranóias ególatras. Ter consciência disso já é um grande passo.
Só espero que até os meus setenta e poucos anos a coisa já esteja bem equilibrada.

(ou não) * - li no blog do Josias de Souza que o senador se encontrava abatido e desiludido com o rumo e o nível da política nacional; talvez seja isso, não a nada mais doloroso pra um coração do que a amargura.

4 comentários:

Menina Enciclopédia disse...

sabe, tb sofro bastante desse mal rs espero um dia conseguir ficar mais zen e não me preocupar tanto, como disse o "sr. enciclopédia" (rss) pra mim: você não tem que ser mártir!
e tá certo... pq querer trabalhar "certo" e com "ética" no Brasil se torna um trabalho hérculeo e de mártir mesmo...

Menina Enciclopédia disse...

quer dizer, só pra ficar claro: trabalhar com decência e querer isso dos outros e se frustrar pq os outros não fazem o mesmo, só nos dá de presente um problema de estômago, pra começar...

Aline-NC disse...

Estou tentando me livrar desse perfil "heroína de escritório". Gostar do que eu faço, e fazê-lo da melhor forma possível. Não deu certo, assumo e corrijo, sem lamentações. Essa é minha meta.
Mas pobre senador, não duvido nada que a desilusão com a política tenha lhe roubado uns anos de vida...

Cristina disse...

É, eu tbém acho mais saudável procurar fazer a sua parte - mas na medida do possível, sem exigir demais de si mesmo. A gente sabe que o mundo vai demorar pra mudar, de qquer forma, não vale a pena "se matar" por isso.