terça-feira, 30 de setembro de 2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

deglutindo Gilmour

("On an Island" - David Gilmour - 2006)

Eu precisava acertar as contas com o último petardo musical do "tiozão" Gilmour. Quando comentei aqui elogiando o primeiro disco solo do guitarrista do Pink Floyd, não falei muito bem do recém saído do forno (à época - 2006) "On an Island". Em suma, disse que o disco era chato. Um pé no saco.
Acredito que muita gente vá continuar concordando com o meu "eu de 2006", mas o meu eu atual mudou de opinião. Talvez a minha porção "tiozão" tenha aumentado, não sei. Só sei que estou respeitando cada vez mais esse trabalho dele. Junto com "Amused to Death", do "tio sarado" Roger Waters, os melhores álbuns solo de membros do Floyd, com certeza.
Sir David Gilmour foi uma espécie de Paul McCartney da clássica superbanda inglesa de rock psicodélico-espacial-pop-bluseiro-progressivo. Era o homem das melodias, que formatava o lado pop e desenhava o vocal das canções do grupo. Enfim, o cara que "mastigava" e "cuspia" pro público as canções na forma mais vendável possível.
Se já era notável esse "lado macca" do Gilmour nos discos "pasteurizados" (no bom e no mal sentido da metáfora) que ele lançou liderando o PF sem o parceiro Waters, com esse trabalho solo dele fica evidente.
Mas ao contrário dos dois últimos discos do PF, "On an Island" é um trabalho intimista, voltado pra dentro, solene (como os álbuns do Floyd) mas ao mesmo tempo despretencioso. Gosto de ouvi-lo em momento reflexivos, ou quando estou com aquela senhora enxaqueca. Pois bem, essa é uma boa definição, é um som "analgésico" e/ou inibriante. Aliás, a temática ou "conceito" de todo o trabalho gira em torno disso: um ar meio onírico, com letras sonhadoras, românticas, e ao mesmo tempo maduras, delineando o trajeto de um homem e sua "ilha existencial".
Interessante notar aqui o desenvolvimento do Gilmour no trabalho lírico (ou da esposa dele, parceira desde o "The Division Bell"), que sempre foi o forte do companheiro e ex-líder de banda Waters. É só comparar com os dois outros álbuns solos do guitarrista, e até mesmo com os do Floyd feito sob sua liderança pra perceber a melhora.
Eu destacaria no repertório a faixa-título, a "silenciosa" "The Blue", a "pesada" e floydiana "Take a Breath", a bluseira "This Heaven", e a sigela e romântica "Smile". A guitarra estérea durante todo o percurso é insubstituível e inconfundível. Não localizada em qualquer outra "quitanda roqueira". 
Pra quem curte ou tem simpatia pelo som do Pink Floyd é algo quase obrigatório, pelo menos algumas audições. E mesmo pra quem passa longe desses tipos de "viajens sonoras chatonildas" vale a curiosidade, nem que seja pra falar mal.
"Tio" David é legal. Apesar da careca, da barriga, da penca de filhos, da obscena conta bancária, o rock and roll ainda está lá. Escondidinho mas está.
Redimido e recomendado.

Setlist:

01- Castellorizon
02- On An Island 
03- The Blue 
04- Take a Breath 
05- Red Sky at Night 
06- This Heaven 
07- Then I Close My Eyes 
08- Smile 
09- A Pocketful of Stones 
10- Where We Start

p.s.: quem não tiver saco pra baixar o disco, recomendo uma olhadela nos vídeos dos shows da turnê no youtube; vale a pena.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Se a minha vida fosse um filme..

(a capa)

Descobri que essas "correntes blogueiras" chamam-se "memes" (?) - queria saber quem foi o nerd tosco que inventou essa alcunha.
Bom, mas vamos lá. Confesso que não tenho muita paciência pra essas coisas. Porém, como já fiz uma e essa outra é sobre música (assunto que eu sempre gosto, seja lá qual for a forma que ele surja), repassada pela "blog buddy" Fabiana, resolvi encarar.
A questão é: sua vida vai virar um filme musical, ou melhor, uma ópera-rock cinematográfica (fica mais legal assim). Algo tipo The Wall ou Tommy. Aí você tem que criar uma trilha sonora pra dita película. Sob uma condição - não pode haver pré-escolha. A seleção deve ser feita de forma aleatória em cima do gosto musical pessoal.

Então, eu ativei a biblioteca do meu Last.fm (que dispara tudo de forma randômica) e a coisa ficou assim:

Ato 1 - Créditos iniciais: "Whatever Get You Thru The Night" (John Lennon)

Bom começo de filme. A música é agitada, bem-humorada e descontraída. Poderíamos até visualizar uma primeira cena a la Saturday Night Fever.

Ato 2 - Acordando: "This Never Happened Before" (Paul McCartney)

Não combina. Quer dizer, a não ser que esteja acordando depois de uma "noite de amor" com uma bela de uma "brochada". Aí cai como uma luva.

Ato 3 - Primeiro dia de aula: "Karma Police" (Radiohead)

Até imaginei a cena da minha professora do primário me apresentando à classe no meio do ano depois de mais uma mudança de cidade. Encaixe total.

Ato 4 - Se apaixonando: "The Bravery of Being Out of Range" (Roger Waters)

Nada a ver. A menos que eu seja o Tom Cruise, e estejamos em uma cena de Top Gun. Apaixonar-se ao som de um petardo da carreira solo do Waters é dose.

Ato 5 - Música da briga: "Never Let Me Down" (David Bowie)

Never let me down
She never let me down..


Só se estivermos falando da "outra". Não combinou muito não, mas..

Ato 6 - Terminando tudo: "The Scientist" (Coldplay)

Perfeito.

Ato 7 - Aproveitando a vida: "Brand New Cadillac" (The Clash)

U-hu! É nóis!
E ainda ganhei um Cadillac. :P

Ato 8 - Formatura: "Lookout Joe" (Neil Young)

Quem é Joe? Nosso paranínfo?

Ato 9 - Caindo aos pedaços: "Lyla" (Oasis)

"Lyla" na festa de formatura, bêbado e caindo aos pedaços?! :D

Ato 10 - Dirigindo: "A Heart in New York" (Simon & Garfunkel)

Dirigindo em NY.. viagem de formatura? Dá pra visualizar. A câmera vindo de longe e aproximando do carro passando sobre a ponte do Brooklyn. Tô gostando disso.

Ato 11 - Flashback: "Untamed Girls" (The Raveonettes)

Um flashback diferente. "Garotas não domesticadas". Gostei.

Ato 12 - Reatando o namoro: "The Finish Line" (Snow Patrol)

I feel like I am watching everything from space
And in a minute I'll hear my name and I'll wake
I think the finish line's a good place we could start
Take a deep breath, take in all that you could want

Fico cada dia mais espantado com a beleza das músicas do Snow Patrol. E eu nem dava muita bola pros discos deles que eu tenho aqui. Essa é biscoito fino, e cabe certinho na cena.

Ato 13 - Casamento: "Linger" (The Cranberries)

But I'm in so deep. You know I'm such a fool for you.
You got me wrapped around your finger, ah, ha, ha.
Do you have to let it linger? Do you have to, do you have to,
Do you have to let it linger?

Ficou sinistra essa música aqui. Mas eu não quero casar, nem em filme. Vade-retro.

Ato 14 - A véspera da Guerra: "Blizzard of 77" (Nada Surf)

But in the middle of the night I worry
It's blurry even without light..

Hummmm. Interessante.

Ato 15 - Batalha Final: "A Rosa de Hiroshima" (Secos & Molhados)

Ficou chique isso. Uma batalha nuclear. Tudo em câmera lenta.

Ato 16 - Momento de Triunfo: "Jeez Louise" (Grandaddy)

"Jeez Louise", A common expression used to express frustration or a feeling of malcontent. One of several 'polite' ways to swear, more common in the Midwestern United States. (Wikipedia)

Anormal esse momento de triunfo.

Ato 17 - Cena da morte: "Flying", cover dos Beatles (Secret Machines)

Cool.

Ato 18 - Créditos Finais: "Beware! Criminal" (Incubus)

Gostei do desfecho. Ideal pra um assassino.
E quem diria que eu iria acabar assim nessa "ópera cinematográfica".

Achei legal a brincadeira. Consegui até fabricar um "roteiro virtual" dentro da minha cabeça. Tirando uma ou outra, as canções encaixaram-se bem nas hipotéticas cenas. E convenhamos que não é qualquer filme que tem o privilégio de começar com Lennon e McCartney.
É isso aí. Em breve nos melhores cinemas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Prêmio Dardos

(é um dardo isso? - ainda tentando decifrar essa imagem)

Fui "dardeado" (?) pela minha mais nova companheira de "bloguismo" Cecília. Assim como ela, não entendi nem de onde vem nem pra onde vai essa brincadeira. De qualquer maneira, vou deixar registrado aqui na postagem.
Basicamente, a idéia é indicar 15 blogs pelos quais você tenha algum apreço diferenciado "blogosfera" afora e torná-los "alvos" dos seus "cyberdardos" (??). E ao mesmo tempo registrar a "dardada" que a pessoa antecessora te deu, "colando" o adesivo da brincadeira no seu espaço virtual. E assim sucessivamente. (???)
Aparentemente é uma "corrente do bem" que visa a divulgação dos zilhões de blogs espalhados mundo afora. Enfim, não consegui visualizar outro sentido pra isso. E como disse a própria moça que me "dardeou", é uma bela massagem no ego (quem não gosta disso?).
Aliás, sinto-me lisonjeado por ter virado "alvo" assim tão precocemente, uma vez que a troca de leituras entre eu e a moça com síndrome de Mia Ferrow é bem recente.
Mas vamos lá, vou lançar e cravar os meus "cyberdados" em leituras altamente recomendáveis e pra lá de agradáveis:

Um arroto de prozac: nunca imaginei que um arroto um dia poderia tornar-se algo agradável; é leitura recente, mas até agora só identifiquei belos textos, temperados com boas doses de sarcasmo e ironia, "achegue-se" que vale a pena.

Léribi: descontração, acho que é a melhor definição pra esse espaço; definições milimetricamente bem postadas do nosso cotidiano ao sul do equador; uma espécie de Elaine Benes da "blogosfera" tupiniquim; dando sequência ao falecido "Imitation of Life", do qual a moça confessou aqui mesmo sentir falta (e eu também).

My Garbage: lixo? só se estivermos falando de uma reciclagem de alto nível; o que me chama a atenção é uma elegância refinada dos textos, e uma apologia implícita do "olhar feminino" sobre o mundo (partindo de um rapaz), coisa rara e diferenciada nas bandas virtuais.

Eu sei que você lê: realmente, ela sabe, e eu vou continuar lendo; a moça que comanda esse espaço é uma verdadeira "máquina" de postagens, as vezes tenho até dificuldade de acompanhar as "fornadas" de textos; o destaque vai pra "cobertura" esportiva, a melhor que eu já vi em um blog pessoal, aliás, acompanho praticamente tudo de F-1 através dele; há também uma verve Elaine Benes no espaço, junto com os famosos "desvios musicais".

Garota no hall: como ela mesma define, "uma visão pretensiosamente irônica e bem humorada do cotidiano", mas o que mais me atrai nos textos aqui são uma mistura paradoxal de inocência e maturidade que é raro de se ver, seja em blogs ou em qualquer outra forma de texto.

Síndrome de Mia Farrow: também uma leitura recente, mas resumindo, a moça me "dardeou" e acha a Angelina Jolie gostosa (e por isso comecei a lê-la), isso já fecha o caso; de qualquer maneira, faço questão de citar aqui o altíssimo nível dos textos do espaço; como diria o outro, totalmente excelente.

She´s so high: sou suspeito pra falar desse aqui, pois não compartilho só a leitura, mas zilhões de outras variáveis com a editora do dito; de qualquer maneira, destaco uma certa "leveza espiritual" que os belíssimos textos em 1ª pessoa exalam, junto com uma elegância e simplicidade fora do comum; é só conferir e vocês entenderão do que estou falando, coisa fina.

Tópicos de Quimera: esse blog está parado já faz um tempinho, e não é por falta de insistência da minha parte com a editora que a coisa não anda (amiga de longa data); independentemente disso, merece a menção aqui entre os meus favoritos; textos leves, ligeiros, sagazes, irônicos, e muito bem escritos.

Perplexões: "Menina Enciclopédia" é uma verdadeira lenda viva na história da "bloguiografia" nacional, ser um blogueiro e ainda não conhecer o espaço dela é o mesmo que ser um muçulmano e ainda não ter ido à Meca, por isso, aja rápido; em atividade desde o longínquo 2002, a moça lança suas "homéricas" postagens com uma dose cavalar de sarcasmo; visita obrigatória.

obs: bom, são 9 mas já está valendo; dardos lançados.

sábado, 20 de setembro de 2008

momento ombudsman (5)

Fazia tempo que não rolava um "momento ombudsman" por aqui. Já estava na hora.
Esses dias estava revendo algumas postagens antigas. Volta e meia tenho dessas. Apreciando vários textos do começo do blog. Pra alguns rola aquela sensação de "nossa, mas foi eu quem escreveu isso?" (com o peito estufado de orgulho), já pra outros fica a impressão de leveza no sentido de que "eu uma vez já fui criança e cresci" (dá até uma certa vergonha alheia de si mesmo).
Junto com esses momentos nostálgicos, aparecem certos "questionamentos existenciais" relativos ao blog: afinal, pra que serve isso? será que realmente acrescenta algo? vale a pena? não estou perdendo um precioso tempo? E por aí vai. Mas passa rápido.
Aliás, a atividade de "blogueiro" já me fez sentar e pensar seriamente na possibilidade de seguir profissionalmente no ramo do jornalismo. Até porque existem vários seres do ramo jurídico que seguiram por essa rota e se deram bem. E eu gosto da brincadeira. Por outro lado, sinto que falta algo pra que eu realmente possa me ver como jornalista: escrever como ofício, será que funciona pra uma mente as vezes demasiadamente preguiçosa pro necessário e famoso "faro" jornalístico? Sem falar em outros empecilhos que surgem no meio do caminho.
Voltando ao que interessa, essas "escavações" no blog permitem também uma visualização das direções que o dito toma com o passar do tempo. Como os textos e o modo de escrever vão mudando ao sabor das circunstâncias. E já lá se vão mais de dois anos. Notei por exemplo como as postagens por aqui no começo era bem mais pessoais e ao mesmo tempo pretensiosas (será que é porque eu estava sozinho e queria que todos olhassem para mim?). Depois passando pra algo mais objetivo e menos megalomaníaco (será que foi porque eu arranjei companhia e descobri que existia vida além das minhas idiossincrasias?).
E o público? Quando inaugurei isso aqui a audiência se resumia a uma meia dúzia de fiéis e misericordiosos amigos próximos. Hoje em dia tem gente "googlando" meu blog no outro lado do mundo, e até minha mãe virou leitora dos meus arroubos indulgentes. (!)
Estou criando um monstro? É inevitável que essa seja sempre a última pergunta quando paro pra pensar sobre isso. Até agora tenho respondido com um inevitável sorriso no rosto. Mas quem sabe o que o futuro nos reserva.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Richard Wright (in memoriam)

(Richard Wright, tecladista, vocalista e compositor do Pink Floyd; 1943-2008)

Faleceu hoje o homem que ajudou a construir e dar forma e sabor a uma das maiores bandas de rock and roll de todos os tempos. Fica a "postagem-homenagem", junto com um brinde à boa música e à elegância sonora.

domingo, 14 de setembro de 2008

TOP 10 - as fêmeas mais belas e talentosas do cinema atual

Sugerido pela minha companheira de "bloguismo" Fabiana, cá estou eu com meu top 10 das melhores e mais belas atrizes em atividade no circuito cinematográfico comercial mundial. Aquelas que me fazem enxergar a tela de cinema com olhos de cachorro perdido em dia de churrasco.
A nota de classificação é um misto de avaliação do profissionalismo (talento pessoal) com o critério subjetivo de beleza deste humilde escriba.


10. Angelina Jolie




9. Renée Zellweger




8. Leandra Leal




7. Alice Braga




6. Uma Thurman




5. Winona Ryder




4. Nicole Kidman




3. Jodie Foster




2. Scarlett Johansson




1. Natalie Portman




obs 1: Alice Braga e Leandra Leal classificam-se representando a "cota nacional" (20%).
obs 2: Podem reclamar, a Angelina Jolie está de gaiato aí no meio realmente, mas eu tinha que dar um jeito de enfiar o "monumento" nessa lista.
obs 3: Renée Zellweger pode ser a "café-com-leite", mas aparece justamente pra criar polêmica; eu acho ela uma boa atriz (nos dois sentidos), mais interessante dentro desses critérios do que as "sem-sal" Kate Winslet e Gwyneth Paltrow.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

My Iron Lung (parte 3)

Os cínicos de plantão costumam ironizar sobre a inocuidade de se "bancar o cidadão consciente". Pois taí o resultado. Graças à pressão de ONGs, outros institutos, e as mais diversas formas de manifestação civis (incluindo a desse blog), nosso caro Ministro "supimba" do Meio Ambiente voltou atrás e disse que vai cumprir sem concessão a resolução 315 do CONAMA.
Tá "boiando"? Então acesse o resto da brincadeira aqui (My Iron Lung, parte 1) e aqui (My Iron Lung, parte 2).
Tomava café tranquilamente na manhã de ontem quando me deparei com a  animadora notícia na Folha:

AFRA BALAZINA
ENVIADA ESPECIAL A BRASÍLIA 

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) desistiu, após ser alvo de críticas, de fazer qualquer acordo com as montadoras e a Petrobras para adiar o cumprimento da resolução que determina a redução de emissão de poluentes por veículos movidos a diesel. A medida entra em vigor a partir de janeiro do próximo ano.
Minc disse ontem que a resolução 315, do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente), que prevê o diesel S-50 (com 50 partes por milhão de enxofre) para 2009, não sofrerá nenhuma alteração e terá de ser cumprida, sem exceções.
Hoje, o diesel nas regiões metropolitanas tem 500 ppm (partes por milhão) de enxofre e, fora dessas regiões, chega a 2.000 ppm.

(...)

"As empresas que não cumprirem vão ter de se acertar na Justiça", afirmou o ministro. Ele ressaltou que, se não se adequarem ou não fizerem um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) na Justiça, os "caminhões e ônibus novos não serão licenciados pelo Ibama e não saem da fábrica". 

(...)

"O diesel hoje é inaceitável, é um veneno", afirmou Minc aos conselheiros do Conama.

(...)

A resolução tramitará em regime de urgência no Conama e deve ir à votação em um prazo de cinco semanas. Antes disso, a proposta será analisada por câmaras técnicas e poderá ser modificada.
Como a parte polêmica foi retirada, a expectativa é que seja aprovada sem grandes dificuldades. "Todo mundo quer isso, há um sentimento de bastante desconforto com o que aconteceu [possível descumprimento]", disse a secretária.


Então tá. A palavra da autoridade está posta. Agora é aguardar e fiscalizar o desenrolar dos fatos. E cobrar se for o caso. O meu, o seu, os nosso pulmões agradecem, caro ministro.

ATUALIZAÇÃO  - 17/09/2008**

Adendo com novas reportagens:




quinta-feira, 11 de setembro de 2008

deglutindo Wings

(Wings)

Essa postagem é para "arqueólogos" da música pop. Então, se você não for um, não adianta perder tempo lendo.
Já andei menosprezando o trabalho deles por aqui, de leve, quando comentei sobre o "RAM". A verdade é que comecei a escutar o som e desenrolar todo o trabalho de processo arqueológico dos Wings no final do ano passado. Antes disso, só conhecia e apreciava os "hits" da banda setentista de Sir Paul McCartney, os quais tomei contato via a excelente coletânia "Wingspan", lá em 2001. Mesmo assim não era dos maiores entusiastas, comparava e preferia os álbuns solos mais intimistas do ex-beatle que eu escutava na época.
Como disse, a coisa mudou no final do ano passado, quando comecei a adquirir, um a um, os álbuns da banda. Alguns ficaram na discoteca, outros foram direto pra "lixeira" do computador. No melhor estilo 8 ou 80, os Wings produziram desde grande "pérolas" pop até escrotices sem tamanho (essas em minoria, ainda bem). Desde então, a banda se tornou (previsivelmente) uma das minhas favoritas e das mais tocadas no menu estatístico do meu Last.fm.
Resumindo, enquanto John Lennon e George Harrison postaram-se em carreiras solo "sérias" e na "1ª pessoa do singular", mister McCartney tirou "férias" e resolveu cantar na "3ª pessoa do plural" sobre as coisas boas da vida com seus amigos. Pois Wings é isso, canções leves, simples, despretenciosas, sem qualquer traço da "responsabilidade sonora" dos Beatles. Eu diria que foi um passo ousado, ainda mais se levarmos em conta a época da empreitada, em pleno auge do rock "cabeça" e politizado. Nem preciso dizer que a crítica caiu matando.
Bom, mas vamos lá, depois desse período todo de "escavações" já sinto-me autorizado a dar meus pitacos aos nobres leitores desse espaço, indicando e contra-indicando os "bolachões" dessa turma:


Wild Life (1971): A estréia da banda foi bem fraquinha, com um disco que cheira às "sobras" do "RAM", um dos melhores trabalhos solo do Macca junto com a Linda. Eu destacaria a faixa "For Tomorrow" como algo um pouco acima da média, o resto é um punhado de músicas "sem-sal" que tentavam passar um clima meio "bicho-grilo sofisticado" que não colou. A banda tentou gravar a maioria das músicas em uma tomada só, pra dar a impressão de frescor e energia do som ao vivo, só que o tiro saiu pela culatra. Em vez de ajudar, atrapalhou um álbum já carente de bom material.

Veredicto: não recomendado.


Red Rose Speedway (1973): 4 em cada 5 fãs do Paul McCartney idolatram esse disco como um dos melhores da carreira dele. Já vi grandes músicos profissionais falando bem também. Eu sinceramente não consegui gostar tanto assim. Não é um álbum ruim, mas também não pode ser chamado de um grande álbum. De qualquer maneira, já podemos encontrar ali os sinais do que seria o belíssimo trabalho do disco seguinte, embora tudo pareça muito "arrastado" e preguiçoso. Acho que poderíamos classificá-lo como um "álbum laboratório", daqueles que todo grande músico/banda possui na sua discografia. Os destaques vão pras também sobras do "RAM" "Big Barn Bed" e "Little Lamb Dragonfly", a enérgica e vibrante "Get On The Right Thing" (minha favorita), a curtíssima e singela "Single Pigeon" e obviamente pra clássica "My Love". O melhor dessa época fica por conta dos grandes singles editados, como "Live and Let Die", "C Moon", e "Hi, Hi, Hi" (posteriormente foram adicionados ao álbum como bônus, com exceção do primeiro).

Veredicto: passável.


Band on the Run (1973): Bom, desse aqui eu nem preciso falar muito, só tem coisa de primeira linha do começo ao fim. Embora os Wings tenham se reduzido a um trio (Paul, Linda e Denny Laine, o chamado "núcleo duro"), eles se superaram e gravaram um dos melhores álbuns pop de todos os tempos. Não tem erro: "Band on the Run", "Jet", "Bluebird", "Mrs. Vandebilt", "Let me roll it", "Mamunia", "No Words", "Picasso´s Last Words (Drink to me)", "Nineteen Hundred and Eighty-Five", mais "Helen Wheels" e "Country Dreamer" (singles editados posteriormente como faixas-bônus), todas são primorosas e belíssimas. Esse disco também é mais uma prova da velha especulação (confirmada por John Lennon) de que Sir Paul McCartney "rende mais" e produz grandes pérolas sonoras quando está sobre pressão. Mesmo involuntariamente, esse é o grande "conceito" que ronda o álbum, uma banda "fugindo" de tudo e todos, em especial dos críticos que cobravam um grande disco à altura de um beatle. Pra se ter uma idéia do desespero da banda, o disco foi gravado num estúdio da EMI na Nigéria.

Veredicto: recomendadíssimo, e com louvor. \o/


Venus and Mars (1975): Mesmo com a dificuldade de editar um álbum na mesma altura do antecessor, eles conseguiram "ejetar" um belo trabalho. Com certeza, o disco mais divertido dos Wings (aqui de volta como um quinteto). Meio que uma sátira ao "rock farofa" e ao mesmo tempo uma ode à diversão dos grandes concertos de rock, entremeado com uma bela safra de "silly love songs" com a marca registrado do "Macca", é um álbum delicioso de se ouvir, gira bem do começo ao fim. Junto com o "At the Speed of Sound", podemos classificá-lo como um trabalho clássico da banda, com formação fixa completa (cada um tocando - e dando características próprias - a sua parte; o que é um acontecimento e tanto em se tratando de Wings). O disco é bem regular nas canções, o que elimina grandes destaques, mas podemos citar o medley-título "Venus and Mars/Rock Show", a singela e bela "Love in Song", a "grudenta" "Letting Go", a bluseira "Call Me Back Again", e o clássico pop "Listen to What the Man Said" (a melhor delas).

Veredicto: recomendado.


Wings at the Speed of Sound (1976): Feito no mesmo esquema do "Venus and Mars" (aliás, foi gravado durante a turnê desse disco), todo mundo mostra a cara e participa, até a Linda McCartney assume o vocal principal (e canta muito mal por sinal). Porém, ainda tudo sobre a batuta do "papai smurf" beatle. O álbum carrega duas das melhores canções pós-beatles do "Macca" - "Let´em In" e "Silly Love Songs" (essa última um divertido "contra-ataque" aos críticos musicais). Além dessas, podemos destacar a potente "Beware My Love", e as gostosinhas "She´s My Baby", "San Ferry Ane" e "Sally G" (essa última como single - bônus).

Veredicto: recomendado.


London Town (1978): A banda mais uma vez reduzida a trio. É o disco mais suave dos Wings e levemente melancólico. Gosto dele, possui uma boa seqüencia de canções agradáveis e bem construídas. É o que melhor lembra a futura retomada da carreira solo do ex-beatle. Além disso, o álbum carrega a deliciosa faixa-título "London Town" e o maior "hit" da banda, a clássica folk-escocesa "Mull of Kintyre" (single - bônus).

Veredicto: recomendado.


Back to the Egg (1979): Último álbum da banda, totalmente "fim de festa" e com aquele climão de começo de ressaca. Acho que é o único petardo da discografia em que eu não consegui gostar de nenhuma música. Em que pese a participação de ilustres convidados, como David Gilmour (Pink Floyd) e Pete Townshend (The Who). Um tempo depois a banda saiu em turnê e foi tocar no Japão, onde o "Macca" foi preso por porte de maconha. Aí fudeu. Acabou-se o que já estava pra acabar-se.

Veredicto: não recomendado.

sábado, 6 de setembro de 2008

empty spaces musas (7)


DÉBORA FALABELLA

obs: chega de discurso, a partir de agora vamos adotar o conciso e direto estilo "borracharia" consagrado pela Cris e pela moça do hall.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

My Iron Lung (parte 2)

E como não poderia deixar de ser, o "jeitinho" brasileiro prevaleceu mais uma vez.

Se você não está a par do assunto, acesse a postagem: My Iron Lung (ou nota sobre o coquetel do diesel com o enxofre).

Nosso nobre e ainda indecifrável Ministro do Meio Ambiente cedeu à pressão do interesse da indústria automobilística (entre outros - vide a "ambientalmente correta" Petrobrás) adiando de 2009 para 2012 o uso do diesel com menos partículas de enxofre (mais limpo) pela frota nacional de carros, ônibus e caminhões.
Trocando em miúdos, o acordo que o ministro classificou como "supimba" estende em três anos o prazo para adaptação da frota, condicionando a dilação à adoção de um padrão de mistura enxofre/diesel mais rigoroso.

Veja a reportagem completa sobre o assunto aqui: "Minc sede à pressão e muda prazo para redução de poluente."

Basicamente, podemos dividir em três grandes padrões de mistura enxofre/diesel os combustíveis comercializados:

S-500 (500 partes de enxofre por milhão) - adotado atualmente no Brasil, na África, e na esmagadora maioria dos países subdesenvolvidos; enfim, é o "combustível de pobre", mais insalubre e mais poluidor;

S-50 (50 partes de enxofre por milhão) - adotado atualmente na maior parte da Europa, e como podemos notar, 10 vezes mais limpo que a fumaça preta que respiramos atualmente em terras tupiniquins;

S-10 (10 partes de enxofre por milhão) - adotado nos EUA, no Canadá, e em alguns países europeus, é o "diesel de rico", pouco poluente; padrão esse que é a meta a ser adotada por toda a União Européia em 2012.

Qual é o lance do Ministro? Passar por cima da resolução 315 do CONAMA editada em 2002 (para ser cumprida a partir desse ano; observem, foram sete anos de prazo para adaptação!) que determinava o padrão S-50, dilatar o prazo em três anos, e chegar junto com a União Européia para adotar o padrão do diesel "extra-fino" em 2012.
Bom, no papel ou na cabeça do ministro é tudo muito bonito. Agora fica a questão daquele velho ditado do século passado: será que ele combinou com os russos?
Além disso, um acordo desses é mais um belo tapa na cara do cidadão brasileiro que comprova a velha idéia de que esse país não consegue se levar a sério, em especial no que se refere à política ambiental.

Mas enfim, um dia a gente chega lá, e isso aqui vira assunto de editorial do William Bonner.