sexta-feira, 26 de setembro de 2008

deglutindo Gilmour

("On an Island" - David Gilmour - 2006)

Eu precisava acertar as contas com o último petardo musical do "tiozão" Gilmour. Quando comentei aqui elogiando o primeiro disco solo do guitarrista do Pink Floyd, não falei muito bem do recém saído do forno (à época - 2006) "On an Island". Em suma, disse que o disco era chato. Um pé no saco.
Acredito que muita gente vá continuar concordando com o meu "eu de 2006", mas o meu eu atual mudou de opinião. Talvez a minha porção "tiozão" tenha aumentado, não sei. Só sei que estou respeitando cada vez mais esse trabalho dele. Junto com "Amused to Death", do "tio sarado" Roger Waters, os melhores álbuns solo de membros do Floyd, com certeza.
Sir David Gilmour foi uma espécie de Paul McCartney da clássica superbanda inglesa de rock psicodélico-espacial-pop-bluseiro-progressivo. Era o homem das melodias, que formatava o lado pop e desenhava o vocal das canções do grupo. Enfim, o cara que "mastigava" e "cuspia" pro público as canções na forma mais vendável possível.
Se já era notável esse "lado macca" do Gilmour nos discos "pasteurizados" (no bom e no mal sentido da metáfora) que ele lançou liderando o PF sem o parceiro Waters, com esse trabalho solo dele fica evidente.
Mas ao contrário dos dois últimos discos do PF, "On an Island" é um trabalho intimista, voltado pra dentro, solene (como os álbuns do Floyd) mas ao mesmo tempo despretencioso. Gosto de ouvi-lo em momento reflexivos, ou quando estou com aquela senhora enxaqueca. Pois bem, essa é uma boa definição, é um som "analgésico" e/ou inibriante. Aliás, a temática ou "conceito" de todo o trabalho gira em torno disso: um ar meio onírico, com letras sonhadoras, românticas, e ao mesmo tempo maduras, delineando o trajeto de um homem e sua "ilha existencial".
Interessante notar aqui o desenvolvimento do Gilmour no trabalho lírico (ou da esposa dele, parceira desde o "The Division Bell"), que sempre foi o forte do companheiro e ex-líder de banda Waters. É só comparar com os dois outros álbuns solos do guitarrista, e até mesmo com os do Floyd feito sob sua liderança pra perceber a melhora.
Eu destacaria no repertório a faixa-título, a "silenciosa" "The Blue", a "pesada" e floydiana "Take a Breath", a bluseira "This Heaven", e a sigela e romântica "Smile". A guitarra estérea durante todo o percurso é insubstituível e inconfundível. Não localizada em qualquer outra "quitanda roqueira". 
Pra quem curte ou tem simpatia pelo som do Pink Floyd é algo quase obrigatório, pelo menos algumas audições. E mesmo pra quem passa longe desses tipos de "viajens sonoras chatonildas" vale a curiosidade, nem que seja pra falar mal.
"Tio" David é legal. Apesar da careca, da barriga, da penca de filhos, da obscena conta bancária, o rock and roll ainda está lá. Escondidinho mas está.
Redimido e recomendado.

Setlist:

01- Castellorizon
02- On An Island 
03- The Blue 
04- Take a Breath 
05- Red Sky at Night 
06- This Heaven 
07- Then I Close My Eyes 
08- Smile 
09- A Pocketful of Stones 
10- Where We Start

p.s.: quem não tiver saco pra baixar o disco, recomendo uma olhadela nos vídeos dos shows da turnê no youtube; vale a pena.

4 comentários:

Sunflower disse...

Eu não sou super-fão do Pink Floyd, acredita? Em cntra partida, The Who...

beijas!

Garota no hall disse...

Quando vc for escrever sobre o novo do Oaiss, só vou ler depois de ouvir, hein?

Cristina disse...

Tbém achei que esse disco tem um quê de onírico.

Flávia disse...

Cara, eu AMO os trabalhos solos do Gilmour. Coisa de quem tem uma pesonalidade romântico-melancólico-psicodélico-rocker :)

E confesso que, até mesmo do trabalho do PF, as minhas preferências recaem sobre o Gilmour. Aliás, não sei se vc conhece, mas te recomendo 2 das minhas favoritas: "Wot's.., Uh, the Deal?" e "Fearless". Alguma coisa me diz que vc vai curtir.

Café e cancerianismo? Você também? Coisa boa! :)

Bem vindo por lá.

Beijos!