sábado, 20 de setembro de 2008

momento ombudsman (5)

Fazia tempo que não rolava um "momento ombudsman" por aqui. Já estava na hora.
Esses dias estava revendo algumas postagens antigas. Volta e meia tenho dessas. Apreciando vários textos do começo do blog. Pra alguns rola aquela sensação de "nossa, mas foi eu quem escreveu isso?" (com o peito estufado de orgulho), já pra outros fica a impressão de leveza no sentido de que "eu uma vez já fui criança e cresci" (dá até uma certa vergonha alheia de si mesmo).
Junto com esses momentos nostálgicos, aparecem certos "questionamentos existenciais" relativos ao blog: afinal, pra que serve isso? será que realmente acrescenta algo? vale a pena? não estou perdendo um precioso tempo? E por aí vai. Mas passa rápido.
Aliás, a atividade de "blogueiro" já me fez sentar e pensar seriamente na possibilidade de seguir profissionalmente no ramo do jornalismo. Até porque existem vários seres do ramo jurídico que seguiram por essa rota e se deram bem. E eu gosto da brincadeira. Por outro lado, sinto que falta algo pra que eu realmente possa me ver como jornalista: escrever como ofício, será que funciona pra uma mente as vezes demasiadamente preguiçosa pro necessário e famoso "faro" jornalístico? Sem falar em outros empecilhos que surgem no meio do caminho.
Voltando ao que interessa, essas "escavações" no blog permitem também uma visualização das direções que o dito toma com o passar do tempo. Como os textos e o modo de escrever vão mudando ao sabor das circunstâncias. E já lá se vão mais de dois anos. Notei por exemplo como as postagens por aqui no começo era bem mais pessoais e ao mesmo tempo pretensiosas (será que é porque eu estava sozinho e queria que todos olhassem para mim?). Depois passando pra algo mais objetivo e menos megalomaníaco (será que foi porque eu arranjei companhia e descobri que existia vida além das minhas idiossincrasias?).
E o público? Quando inaugurei isso aqui a audiência se resumia a uma meia dúzia de fiéis e misericordiosos amigos próximos. Hoje em dia tem gente "googlando" meu blog no outro lado do mundo, e até minha mãe virou leitora dos meus arroubos indulgentes. (!)
Estou criando um monstro? É inevitável que essa seja sempre a última pergunta quando paro pra pensar sobre isso. Até agora tenho respondido com um inevitável sorriso no rosto. Mas quem sabe o que o futuro nos reserva.

8 comentários:

Aline-NC disse...

Ah, achei que você iria disponibilizar um 0800 para atendimento aos clientes! ;)
Eu também adoro escrever e lá no fundo, bem no fundo, acho que poderia viver disso, abandonando de vez os bits e bytes - que também adoro, mas estão se tornando um fardo ultimamente (essa é uma outra história...). Ainda temo o que pode acontecer quando o hobby virar obrigação...
Enfim, como você disse, quem sabe do futuro? Vida longa aos nossos blogs !

Cecilia disse...

Eu já passei por tantos blogs que, no geral, já faz cinco anos que vivo por esses lados.
Alguns textos são extremamente vergonhosos, com erros de vocabulário e concordância que me fazem tremer, e outros que digo "eu arrasei".
Mas é sempre bom retornar para lê-los - como você bem disse, há a questão de "nossa, como cresci", e outras constatações sobre si mesmo.
No meu caso, isso é um tanto assustador, pois meus blogs sempre foram extremamente pessoais e às vezes percebo que certas coisas prosseguem da mesma maneira. Porém, ainda assim, é gostoso.

Mas que pelamordedeus, minha mãe nunca leia nada. Nem ela, nem as pessoas a quem me refiro nos posts... =P

doug disse...

gostei do post! é bacana esse olhar metalinguístico sobre o que se escreve... nesse sentido, eu sou refém dos meus textos.

Apesar de passar aqui mais pela forma do que pelo conteúdo, vc já tem um leitor q vai querer uma cópia autografada ;p

Sunflower disse...

Olha, sou formada em comunicação social, publicidade e propaganda, mas queria era mesmo era ter feito cinema, por isso eu me espelho na Diablo Cody. Gosto de escrever mas nada jornalístico. Vou pelo lado pessoal e do entrenterimento. Deus que me livre (e a todos os seresumanos) de euzinha ser uma formadora de opinião. Não sou um modelo a ser seguido, nem quero que traduzem as minhas palavras de forma deturpada, sabe? è um peso muito grande.

Como sou formada em comunicação, conheço varEos jornalistas e vc é um dos poucos que gosto. A maioria é um bando de gente esnobe que usa o ofício para impor a sua visão sobre o mundo para o mundo.

Minha família não sabe que tenho um blog, na verdade, só uns poucos amigos contados a dedo sabem. Como é pessoal, fica no âmbito é melhor que totalmente estranhos saibam e pessoas que confio plenamente.

E, apesar, so blog me ter rendido ótimos amigos, ainda tenho um pouco de vergonha de dizer que tenho u, sabia? É quase como se eu fosse pronunciar que tenho sífilis.

beijas!

fabiana disse...

Alexandre, eu gosto muitomente das coisas aqui do blog, e sinceramente, achei que você já fosse jornalista. =0

fabiana disse...

Eu me arrependo de ter deletado meu outro blog, escrevi coisas bacanas lá. Enfim...

Garota no hall disse...

Lembre-se: todos os homens formados em meados do século 19 e que exerciam a profissão de jornalistas (ou cronistas, escreventes da imprensa...) eram do Direito. Afinal, ou era Direito ou Medicina ou Engenharia! Ainda dá tempo, hein?

Cristina disse...

Sempre que penso nas minhas "pretensões literárias", lembro de algumas coisas legais (na minha opinião) que escrevi no blog.
Acho que se vc gosta de jornalismo, poderia tentar encaixar isso entre as outras coisas que gostaria de fazer (mas não me pergunte como rs). O ideal seria a gente sempre fazer só o que nos desse prazer mesmo. ;)