quinta-feira, 4 de setembro de 2008

My Iron Lung (parte 2)

E como não poderia deixar de ser, o "jeitinho" brasileiro prevaleceu mais uma vez.

Se você não está a par do assunto, acesse a postagem: My Iron Lung (ou nota sobre o coquetel do diesel com o enxofre).

Nosso nobre e ainda indecifrável Ministro do Meio Ambiente cedeu à pressão do interesse da indústria automobilística (entre outros - vide a "ambientalmente correta" Petrobrás) adiando de 2009 para 2012 o uso do diesel com menos partículas de enxofre (mais limpo) pela frota nacional de carros, ônibus e caminhões.
Trocando em miúdos, o acordo que o ministro classificou como "supimba" estende em três anos o prazo para adaptação da frota, condicionando a dilação à adoção de um padrão de mistura enxofre/diesel mais rigoroso.

Veja a reportagem completa sobre o assunto aqui: "Minc sede à pressão e muda prazo para redução de poluente."

Basicamente, podemos dividir em três grandes padrões de mistura enxofre/diesel os combustíveis comercializados:

S-500 (500 partes de enxofre por milhão) - adotado atualmente no Brasil, na África, e na esmagadora maioria dos países subdesenvolvidos; enfim, é o "combustível de pobre", mais insalubre e mais poluidor;

S-50 (50 partes de enxofre por milhão) - adotado atualmente na maior parte da Europa, e como podemos notar, 10 vezes mais limpo que a fumaça preta que respiramos atualmente em terras tupiniquins;

S-10 (10 partes de enxofre por milhão) - adotado nos EUA, no Canadá, e em alguns países europeus, é o "diesel de rico", pouco poluente; padrão esse que é a meta a ser adotada por toda a União Européia em 2012.

Qual é o lance do Ministro? Passar por cima da resolução 315 do CONAMA editada em 2002 (para ser cumprida a partir desse ano; observem, foram sete anos de prazo para adaptação!) que determinava o padrão S-50, dilatar o prazo em três anos, e chegar junto com a União Européia para adotar o padrão do diesel "extra-fino" em 2012.
Bom, no papel ou na cabeça do ministro é tudo muito bonito. Agora fica a questão daquele velho ditado do século passado: será que ele combinou com os russos?
Além disso, um acordo desses é mais um belo tapa na cara do cidadão brasileiro que comprova a velha idéia de que esse país não consegue se levar a sério, em especial no que se refere à política ambiental.

Mas enfim, um dia a gente chega lá, e isso aqui vira assunto de editorial do William Bonner.

2 comentários:

Sunflower disse...

Assim, eu fico meio pau com quem fala mal do desempenho brasileiro esportivo (que não seja de futebol ou volei) é uma coisa minha, cultural daqui de casa, pois meu irmão é triatleta e eu acompanho as dificuldades de treinador, patrocinio tudo.

Acompanho a biografia de João do Pulo que DEPOIS q bateu records a Caixa Economica resolveu dar uma casa, de uma lavadeira de roupas que ganha o arremesso de peso, da Diane ter sido descoberta aos 11 anos brincando em um parque e ser a primeira ginasta a dar um twist carpado duplo, e ter o movimento nomeado após ela. Atleta indo pedir dinheiro no sinal pra participar do sulamericano. As biográfias são quase óperas de tão trágicas e belas.

Crescendo sem ração de atleta, sem ginásio, sem tênis e sem as ameaças de voltar a trabalhar nos campos de arroz caso perca.

Fico pau de ver talento sendo desperdiçado, gente que tem o tino e que não pode fazer nada, gente indo lá e dando o melhor, e nego só esperando as medalhas aqui sem saber que pra muitos deles, só descer aquela rampa olímpica, é uma vitória.

Tanto que aquele post foi uma ironia, pq as minhas desculpas e razões para ter BRASIL! como resposta, eram de cagadas.

Nao era uma exaltação e sim uma inflamação. Pq se eu não falasse, minha cabeça iria explodir e eu iria ter que culpar o BRASIL! por isso.

Brigada pela visita, seu moço, beijasss

Cristina disse...

Ontem eu vi que comentaram alguma coisa sobre normas pra regulamentar a emissão de gases poluentes pelos carros, no jornal hoje. Mas acho que não era nenhuma notícia nova...