quarta-feira, 29 de outubro de 2008

divagações sobre o "ser mãezona"

Eu começo a pensar sobre isso e me deprimo, deixo a melancolia tomar conta. Lembrando dos tempos difíceis porém completamente livres e oníricos de "sampa city à mil por hora". Era um bom momento pra sentar na beira da colina, beber um chá verde, e tomar uns conselhos com um velho e descolado sábio chinês.
Irmãos, namorada, todos no mesmo barco, uma "casa" pra cuidar (pais distantes), e aquela sensação de que uma "família virtual" caiu no meu colo e eu virei a "mãezona". O plano três anos atrás era fugir disso tudo, viver a própria vida, rumar ao sabor das próprias temperanças. Ser "mãe" era pra depois (e ainda é). Mas sempre elas, as contingências, o rasgo fundo no casco, faz você refazer os cálculos.
Sem dinheiro, sem emprego, sem grandes perspectivas, a maré econômica em refluxo, o universo conspirando contra, são inevitáveis os questionamentos virais.
Hoje de manhã tomando banho estava refletindo comigo mesmo sobre esse grande "deslumbramento" da vida adulta. A tomada de consciência de que você não mais navega na marola dos outros, que você tem a sua própria, e que junto com ela todo um oceano de possibilidades se altera ao sabor das suas atitudes. E que não adianta voltar atrás, uma vez que você resolve cortar a superfície da água, suas posssibilidades estão contingenciadas, e você terá que conviver com elas.

NOTA: graças aos b-sides do nosso grande Graham Coxon essa postagem pôde deixar o conturbado plano das sinapses cerebrais de hoje.

3 comentários:

Garota no hall disse...

Então você é a "mãezona" aí da casa? Que responsabilidade, hein?

Sunflower disse...

eu tb sou mãezona, mas não a de passar a mão na cabeça e fazer tudo.

beijas

Cristina disse...

Como eu te disse, não é só você que está numa situação complicada. Eu espero sinceramente que no ano que vem as coisas fiquem mais simples.
E isso de se sentir mãezona, acho que é inerente aos que tiveram a felicidade ou azar de serem os irmãos mais velhos da casa. Ou seja, f*deu rs.