sábado, 18 de outubro de 2008

sobre o babaquismo

Dizem por aí que acabou a "era dos ismos". As grandes ideologias, teorias, socialismo, comunismo, anarquismo, fascismo, tudo teria ido pro vinagre em definitivo com a virada do século. Discordo.
Embora esteja relativamente bem dissimulado no cotidiano, um "ismo" em especial tem se desenvolvido de forma vertiginosa nos últimos tempos, na minha modesta opinião: o babaquismo.
Não sei se sou o único que chegou a essa conclusão, mas o número de babacas andando pelas ruas das cidades brasileiras aumentou muito. Eu não consigo andar dois quarteirões (ir até o mercado) sem me deparar com uma "situação babaca". E não falo de babaquismos leves e clássicos como pessoas que tropeçam nos próprios pés ou que batem com a cabeça em placas de anúncios, mas gente urrando pela janela do carro e buzinando desesperadamente porque outro babaca parou o carro em local que não devia. Ou ainda gente na fila do caixa no supermercado reclamando em voz alta de outro babaca que empacota as compras como se estivesse dopado.
Poderíamos dizer que o babaquismo se fundamenta em três pressupostos básicos: o babaca primário (que dá causa ao imbróglio), o babaca secundário (que reage de forma mais babaca ainda à situação, dando vazão descontrolada a um sentimento "mal cozido" de raiva e prepotência), e o elemento neutro (aquele que não é portador do babaquismo e tem que se sujeitar - de forma involuntária - aos "caprichos" dos dois primeiros elementos).
Uma das situações mais estapafúrdias de babaquismo que eu tive que enfrentar - como elemento neutro - foi na piscina onde pratico natação. Nesse caso em particular, tivemos dois babacas de potencial secundário (coisa antes rara mas cada vez mais comum) em ação. Em resumo, um deles chutou ou bateu com a perna no outro (não me lembro bem, mas um fato normal e tolerável que ocasionalmente acontece em uma piscina lotada) e sucedeu-se uma discussão bizarra de mais de 15 minutos pra saber quem havia "insultado" quem e atrapalhado a "pilotagem" que faziam n´água. Pois ambos queriam reciprocamente saber quem era mais Michael Phelps (macho) que o outro. Foi necessária até a intervenção de um "árbitro" (o salva-vidas) para acalmar a situação e retomar a normalidade na piscina.
Quando até a raia livre de uma piscina recreativa, um dos locais de convivência mais "zen" que a sociedade contemporânea já conseguiu criar é atingida pelo babaquismo, a coisa está realmente feia e fora de controle.
Com seguidores mais fiéis que os do próprio nazismo, e uma quantidade de "trabalhadores da causa" muito mais numerosa que o do socialismo/comunismo real chinês, o babaquismo é o grande "fantasma" que ameaça a destruição do mundo do bom senso como o conhecemos. Aquele ainda livre da idiotização em massa e da falta de comunicação.
E não pensem que essa ideologia tem origem e prospera nas classes trabalhadoras, o grande "núcleo de ação" acontece na chamada classe média, e aniquila famílias inteiras. Tenho até um sério receio que meu irmão tenha se tornado um deles (nesse exato momento ele está escutando Emerson Nogueira a todo volume na sala e atormentando todo o apartamento).
Assim como a Regina Duarte, eu tenho medo. Muito medo.

7 comentários:

doug disse...

acho q sou bem neutro nisso tudo... mas, vem cá, isso pega?

Aline-NC disse...

Dá uma desilusão encontrar esses babacas por aí... Vontade de apertar o reset da humanidade e começar do zero!

Cristina disse...

Pode ser impressão minha, mas acho que, proporcionalmente, Campinas tem mais gente adepta ao babaquismo que São Paulo ¬¬

Sunflower disse...

acho que o grande mal da humanidade é a falta de educação, em todos os âmbitos.

beijas

Cecilia disse...

"Vontade de apertar o reset da humanidade e começar do zero!"

Quem sabe assim funciona, e o dito babaquismo vá para as favas. Tava precisando.

fabiana disse...

Emereson Nogueira nãoooooooooo pelamordedeus!

Garota no hall disse...

O seu texto refletiu bem nossa era de babaquismo. Não sei se é por causa do meu mau-humor, mas não tem uma vez que eu não me incomode com alguém fora de casa. Bem, em casa é normal mesmo...