quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

o Natal como engodo e os "fuckin' lazy nerds"

A maioria das manifestações sobre as festanças de fim de ano na internet e mais especificamente na blogosfera trazem consigo uma certa rabugice. Isso é consequência direta do fato do povo que "forma opinião" no meio ser dominado por nerds e seres não muito chegados a uma sociabilidade mais abrangente.

Minha avó, sua tia, aquele primo "amigão", todos estão lá curtindo a data. Nem que seja majoritariamente pra encher a cara, ficar falando mal dos outros e provocando a quietude alheia, eles estão minimamente (cientes ou não) sintonizados com o "espírito natalino".

Eu me considero um agnóstico. Não acho que Jesus seja uma sombra divina que irá resolver todos os nossos problemas e remediar todos os nossos sentimentos de culpa história adentro (aliás, suspeito que "Ele" pregava justamente o contrário), não sei nem se ele realmente foi um sujeito histórico,  mas sei que ele é cultura, é uma representação simbólica da nossa civilização, e está aí acompanhando o nosso fim de ano com firmeza há séculos.

Por essas e outras não consigo colocar o Natal como um engodo escroto do nosso calendário. Virou uma data de ode ao consumismo, é fato, mas resumi-la a isso ou a uma data reservada ao único e exclusivo despejo dos nossos sentimentos mais hipócritas é forçar a barra.

O homem é por natureza um animal social, isso já virou clichê e estamos carecas de saber. Viver, para nós, implica em encararmos o monstro da sociabilidade. Em nos relacionarmos com os outros de uma forma mais abrangente em algumas datas específicas.

Pode ser dolorido, pode ser mais difícil para alguns, mas é assim que a roda gira.

Existem sim os problemas familiares, existem sim as fraturas e fendas psicológicas profundas. Mas aqui eu nem me refiro a esses casos, e nem faço apologia do tapinha-filha-da-mãe-hipócrita-nas-costas, refiro-me àquelas famílias mais ou menos equilibradas, onde virou moda falar mal do Natal por uma pura, simples, e escrota "preguiça existencial" para com o outro.

É pra esses que eu deixo a mensagem: let´s do the social, you fuckin' lazy nerds!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

notas aleatórias de fim de ano

2010

Pois é, o ano, na prática, acaba essa semana. Depois, só 2010. 2010 meu amigo! Parece que foi ontem que eu estava no longínquo 2001, frequentando o Pátio dos Leões da PUC campineira, 3º ano da facul, descobrindo Strokes, White Stripes, Coldplay, petições, livros, recursos, códigos.. dando os primeiros passos num incipiente mundo adulto.

Está tudo bem claro na minha mente ainda. Quase uma década se foi e as memórias seguem frescas. Não sei até que ponto isso é bom ou ruim, o fato é que meu relógio biológico marca aproximados 3.285 dias desde então. Já posso dizer com propriedade que sou um sujeito rodado. Minha juventude "latu sensu" ainda tem gás pra dar, mas uma sensação de um certo peso na alma já se faz presente.

Blog

Como os nobres leitores desse espaço já devem ter notado, a coisa anda devagar. Digamos que seja um pouco do reflexo do estado de espírito do editor, mas não é só isso. Ultimamente tenho voltado minha cabeça pra elaborar uma nova arquitetura pro nosso amigo, não só no aspecto estético como de conteúdo, e uma eventual mudança de casa também está nos planos.

O melhor de 2009

Ontem me animei e pensei em postar uma listinha aqui com o que mais me interessou neste ano. Uma miscelânia mesmo, com assuntos de várias áreas. Não garanto nada, mas pode ser que role até o dia 31.

Direito versus Comunicação

Se tem algo que marcou o meu 2009 foi uma certa esquizofrenia profissional. Comecei o ano a todo vapor nos concursos jurídicos e termino finalizando um curso de webdesigner. É isso aí mesmo, advogado webdesigner. Talvez eu seja o primeiro do país, não duvido nada. E aguardem porque a meta para o ano que vem é completar a transição para o mundo da comunicação social, isso se os ventos (e a necessidade) não resolverem mudar de rumo mais uma vez. Podem me chamar de louco, mas um louco em busca de um certo tesão profissional desconhecido. O problema é que começo a desconfiar, ou melhor, a aceitar que o dito "T" não existe.

A receita

Ansiedade, tédio, comodismo, com pitadas de amor e cumplicidade. Assim podemos definir o 2009 do escriba.

Presente de Natal



(informações: aqui)

Ainda dá tempo pessoal. Estamos em época de fraternidade e boas ações para com o próximo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

me, bladerunner



Foi na minha adolescência que eu descobri uma das minhas películas cinematográficas favoritas. Lembro bem das vezes em que eu fantasiava e me colocava no papel do Harrison Ford, sentado solitário num restaurante chinês em uma Los Angeles desolada pela tecnologia e pelo nosso estilo de vida pós-moderno, no hoje não tão longíquo 2019, imaginando-me como um verdadeiro caçador de replicantes (ou seria da essência humana, e de si mesmo?).

Pois bem, hoje navego pela internet e me deparo com essa notícia:

IBM anuncia que está mais perto de produzir chip que opera como o cérebro


Segundo a companhia, o novo algoritmo, batizado de "BlueMatter", desenvolvido junto com a Universidade de Stanford, "mede e rastreia as conexões entre todos os pontos corticais e subcorticais do cérebro humano" utilizando técnicas de ressonância magnética.


Ao mesmo tempo, os pesquisadores da IBM conseguiram realizar a primeira simulação do córtex cerebral quase em tempo real, que contém um bilhão de neurônios e 10 trilhões de sinapses individuais, mais do que o córtex do cérebro de um gato.


A simulação foi efetuada com o supercomputador Dawn Blue Gene/P instalado no laboratório Lawrence Livermore e formado por 147.456 processadores centrais e 144 terabytes de memória.


A IBM disse que estes dois avanços a aproximam do objetivo de produzir um chip "sinaptrônico" compacto e de baixo consumo de energia utilizando nanotecnologia, que será necessário para criar "novas classes de sistemas de computação" em um mundo que gera crescentes quantidades de informação digital.


"As empresas precisarão controlar, estabelecer prioridades, adaptar e tomar decisões rápidas sobre a base de fluxos crescentes de dados e informação crítica. Um computador cognitivo poderia juntar de forma rápida e exata as peças díspares deste complexo quebra-cabeça", aponta a IBM.


A fase seguinte do projeto, financiada com US$ 16,1 milhões da Agência de Defesa para Projetos Avançados de Pesquisa (Darpa, na sigla em inglês) do Pentágono, se centrará em componentes com arquitetura similar à do cérebro e em simulações para produzir um chip de protótipo. EFE jcr/bba



Eu não me considero um pessimista clássico, mas também o otimismo clássico passa longe da minha cabeça. Acredito que estou ali em algum lugar que poderíamos chamar de realista melancólico. E essa notícia tem um "q" de realismo melancólico.

Sempre tive uma sensação, quando assistia Bladerunner, de que o filme não se tratava de ficção científica, e pior, essa sensação só cresceu junto com o tempo e a proliferação da minha pelagem.

Nowadays, macaco pleno, vejo que uma fagulha quase-revolucionária surgiu fora das telas, e eu sou mais Rick Deckard do que nunca.





quarta-feira, 11 de novembro de 2009

no escuro


Esse blog é escuro, e tem uma razão de ser. Para tentar enfrentar os limites dos nossos questionamentos existenciais é preciso encarar a escuridão.

Esse recente apagão elétrico que atingiu grande parte do país me fez refletir sobre isso, essa inquietude deveras desesperadora que atinge o ser humano quando ele se encontra no completo breu.

O noticiário televisivo beira uma certa histeria no transcorrer do dia de hoje tentando entender as causas de uma falha que é sabidamente possível em qualquer rede ou sistema complexo. E não acho que eventuais interesses políticos expliquem por si só tamanha "neura" camuflada no jornalismo. O buraco provavelmente é mais embaixo.

É só olhar pras pessoas que estão ao seu lado, ou seus vizinhos, todos guardam uma inquietude primal quando todas as luzes se apagam e a velha e boa chama de fogo volta a ser o único porto seguro.

Por experiência própria, eu sinto que quanto mais você procura entender e vivenciar a escuridão melhor você consegue enxergar, trabalhar, e amadurecer o próprio espírito. E penso que falta um pouco disso em nós como civilização: tentar vivenciar de uma forma mais plena a escuridão, e, por consequência, entendermos melhor o que nós somos e representamos diante do vazio.

Como fazer isso? Uma noite deitado na grama de um sítio interiorano (com todas as luzes apagadas), uma parada no acostamento da estrada vicinal (desligando os faróis), com uma não necessariamente longa pausa para observar o firmamento noturno. Essa é uma opção, mas existem várias. Pra muita gente, dormir num quarto totalmente escuro já seria um grande avanço.

Embora a humanidade tenha alcançado um gigantesco grau de conhecimento tecnológico e de engenharia de tal forma complexos e refinados, ainda não conseguimos lidar de forma serena com medos que estão incrustrados na simplicidade espiritual da natureza.

Um dos livros mais antigos e influentes da humanidade já dizia que no começo era o nada e a escuridão. E ninguém nunca deu muita bola pra isso. O "cool" só teria aparecido com o verbo e a ação, em forma de luz. Mas eu sou daqueles que acreditam que a maturidade repousa na não-ação e no silêncio. O dia em que olharmos pra esse lado da moeda com mais carinho e menos "cagaço", vislumbraremos melhoras sensíveis em nós mesmos na trajetória de uma certa caminhada aparentemente sem destino.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

um país sério

"O que estarrece, e aí ficamos muito preocupados com a quadra vivida, é que uma decisão mandamental do Supremo tenha o cumprimento postergado. Causa espécie que o Senado da República se recuse a cumprir uma decisão do Supremo. Não sei. Talvez a quadra seja sinalizadora de fecharmos o Brasil para balanço."

Marco Aurélio Mello, Ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, na Folha Online.

Contextualizando:

Senado ignora Supremo e mantém senador cassado

(...)

ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Senado não afastou do cargo o senador Expedito Júnior (PSDB-RO), como manda a decisão do Supremo Tribunal Federal, e resolveu encaminhar o caso para ser analisado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). A posse do substituto teve de ser desmarcada.

O senador Expedito Júnior foi cassado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico e compra de votos na eleição de 2006.

Na semana passada, o STF julgou ação proposta pelo segundo colocado nas eleições, Acir Marcos Gurgacz (PDT-RO). Ele pediu para tomar posse no lugar de Expedito, já que tanto o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Rondônia -que o cassou em 2008- como o Tribunal Superior Eleitoral -que confirmou a decisão em junho deste ano- determinaram sua saída imediata.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mandou publicar a decisão e convocou o pedetista a assumir a cadeira ontem, ao mesmo tempo em que reuniu a Mesa Diretora para deliberar sobre o assunto.

Como a decisão deve ser colegiada, a Mesa decidiu mais uma vez ignorar o Supremo e aceitar o recurso de Expedito ontem para que ele pudesse se defender na CCJ. Com isso, a posse de Gurgacz foi adiada e o tucano segue no cargo.

Folha de S. Paulo, versão impressa; p. A4 - 04/11/2009

Qual o critério pra determinar se um país é "sério"?

Olhando a nossa volta verificamos que nossa nação está pungente, na crista da onda em termos econômicos e nas relações internacionais, teremos em breve o privilégio e o "peso" político de sediar dois eventos de alcance geopolítico global em um curto espaço de tempo - mas o ponto é: será que toda essa bonança nos torna um país "sério"?

Não é difícil determinar nesse caso a "seriedade" como um critério de amadurecimento político. Foi isso que supostamente De Gaulle (ou o inconsciente coletivo nacional) quis dizer e está implícito em toda crítica pertinente que é feita ao Brasil enquanto nação ou civilização.

Acredito que ao longo deste século, e em particular nos últimos 15 anos, o país amadureceu muito em termos políticos, mas ainda não podemos classificá-lo como um adulto pleno nesse cenário. Saímos de uma adolescência infantilóide mas ainda somos um jovem que teima em cometer erros grotescos. Criamos traços básicos de personalidade, porém perdidos em nossos objetivos existenciais. E claro que assim como muitos seres humanos, várias nações demoram séculos pra achar o seu rumo, e muitas vezes morrem sem tê-lo achado.

Eu lendo essa notícia entendo o estarrecimento do Ministro Marco Aurélio. O que está no cerne da seriedade e maturidade de um país em tempos de democracia liberal é o modo como os poderes e suas instituições básicas se respeitam e cumprem a lei. Não digo aqui da falta de respeito à lei pelo agir político dos cidadãos, o que é normal e até saudável, mas sim do não cumprimento de uma ordem judicial dentro do âmbito das relações institucionais mais altas da república.

A sorte nossa, ou vantagem, é que deixamos a dita adolescência pra trás e tudo acaba se resolvendo nas miudezas políticas que a nossa juvenil (porém maior de idade) democracia aprendeu a vivenciar. Antes isso do que a instabilidade total dos "países criança".

Mas convenhamos, já temos todas as condicionantes para dar um passo decisivo rumo à entrada no mundo das nações plenamente adultas e maduras. Porque tanta demora (injustificada)?

domingo, 20 de setembro de 2009

sobre ser côncavo ou convexo

Domingão crepuscular. Uma boa hora para a reflexão.

Percebi que estou chegando numa fase da vida em que certas decisões precisam ser tomadas. Elas são necessárias e inevitáveis. Algumas pessoas as tomam inconscientemente, outras as enxergam claramente, algumas fogem delas desesperadamente, outras simplesmente as protelam, e ainda existem aquelas que já cresceram com elas tomadas lá atrás, compulsória ou voluntariamente.

É algo que fica lá no âmago, um pano de fundo, regendo nosso espírito como uma espécie de maestro das últimas instâncias existenciais.

Não há como escapar, em algum momento da vida partimos para o "ser côncavo" ou para o "ser convexo". Não que essa bipolaridade seja excludente, nem que um caminho seja melhor que o outro, mas temos que decidir qual dos ditos será a linha mestre, o tronco, o dito rumo da nossa vida.

Sob o "ser côncavo" vamos "assentar a poeira", criar laços afeto-sociais sólidos, buscar uma fonte financeira rentável e duradoura, vamos perder amigos, criar família, vamos ter que sentir o mundo de uma forma mais elástica e benevolente, reprimir o ego, buscar no horizonte não as novidades, mas a segurança da "blindagem" das ditas raízes que anestesiam a schopenhauriana dor primal.

Sob o "ser convexo" vamos pulverizar nosso afeto e nossa sociabilidade, vamos conviver com a fonte financeira exígua, vamos perder mas sempre criar novas possibilidades de amizade, vamos sentir o mundo com um "sensorialismo espiritual" aguçado, vamos surfar sobre a vontade e representação schopenhaurianas, fortalecer nosso ego pra encarar o sofrimento sem a blindagem radicular, vamos trilhar nosso caminho auto-centrados e com uma certa solidão presencial, vamos ter que lidar com a contingente insegurança e buscar no horizonte as novidades que acalmam o espírito, teremos que ser eternos iludidos com as próprias e alheias limitações.

Como dito, a escolha é natural. Consultar a si mesmo e ter total consciência e controle do processo e da decisão é que é difícil, nada simples, mas estou (por hora) convencido da "convexitude" do meu ser. E isso não se deve só à minha miopia.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Facebook: tudo o que um site não deve ser


Pois é, aparecendo por aqui pra reclamar. Fazia tempo que não caía numa cilada no mundinho das mídias sociais, mas o facebook me pegou.

Talvez esteja exagerando um pouco no título dessa postagem, mas é um exagero necessário. O famoso e gigantesco site de relacionamentos é um especialista no que eu chamaria de "truculência cibernética". Não que eles não façam nada que a divindade Google, ou a Microsoft, ou qualquer outro "blockbuster" da arquitetura da informação não faça em termos de (falta de) boa política de privacidade. O problema é que eles não tem a mínima noção de como deixar um usuário mais atento seguro sobre como os seus dados pessoais são tratados.

A curiosidade humana junto a um estado de espírito "maria vai com as outras" me fez arriscar na criação de um usuário. A aventura durou 15 dias. Presenciei o que eu mais temia: os meus dados e informações passeando numa gororoba de aplicativos e dispositivos meta-publicitários que te deixam totalmente sem controle sobre o que você posta, informa, e armazena na rede.

Logo de cara, na inscrição pra criação da conta, após informar meu nome e e-mail, já fui bombardeado por dezenas de "sugestões de contatos" que me fez ter a sensação de que fizeram um "pente-fino" em todas as minhas fichas de dados pessoais off e on-line e descobriram que fulano e ciclano faziam de alguma forma parte da minha vida. Acharam amigos e contatos reais meus com a simples informação do meu nome e e-mail, sem que eu desse qualquer senha pra que tivessem acesso às tais informações, como é usual em 99% dos sites de relacionamentos.

Pelo menos eles foram eficientes. O problema é que nenhuma pessoa que vela pela sua privacidade on-line recebe de bom grado esse tipo de prestatividade. É de uma deselegância ímpar. Comparando, outros sites similares como Orkut e MySpace também te ajudam a buscar sua rede de contatos, mas perguntam antes e agem depois que você libera as informações constantes, via de regra, nas contas de e-mails.

Depois dessa recepção de amigo da onça, fui correndo pra seção de configurações pra restringir ao máximo a disponibilidade dos meus dados. Mesmo depois de ter criado uma hipotética muralha na configuração do dito, ainda assim, alguns dias depois, minha foto de perfil apareceu inocentemente num desses anúncios proto-publicitários que passeiam pelo site.

Agora, aqui entre nós: que tipo de confiança e segurança um site que trata dados pessoais desse jeito pode te passar?

E o melhor veio depois, quando fui tentar deletar meu perfil. Ou melhor, "desativar" meu perfil. Pois o facebook não exclue sua conta do sistema, ele apenas desativa com a possibilidade de retorno, com a seguinte mensagem:

Olá Alexandre,

Você desativou a sua conta do Facebook. Para reativar a sua conta a qualquer momento, efetue login no Facebook usando seu e-mail e senha de login antigos. Você conseguirá usar o site como costumava acessar.

Obrigado,

A equipe do Facebook

É mole? Então quer dizer que se eu não limpo meus dados de perfil antes de "desativar" a conta eles ficam lá, flutuando no mar de gororoba publicitária da rede do site ad eternum?

Tenho certeza que mesmo os publicitários mais aguerridos com bom senso profissional hão de concordar comigo que esse modo de operar é no mínimo deselegante. E burro, acima de tudo. Afinal, o mundo virtual não é feito apenas de lemmings idiotizados que não estão nem aí pra esse tipo de "estupro da personalidade" virtual.

E pra não acharem que sou um paranóico solitário, acessem e leiam o relato desse colega de blogosfera, com maiores detalhes: Invasão de Privacidade no Facebook.

Aqui tem um pouco mais do histórico de boníssimas maneiras do site: Facebook enfrenta processo por invasão de privacidade do Beacon.

Baby Facebook, no donut for you.

domingo, 23 de agosto de 2009

musas (13)


ANNE SEXTON

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

a opção Marina

O grande agito atual na blogosfera política é a possível candidatura da Marina Silva à presidência da república em 2010. Pra alguns, um "balão de ensaio" enchido pela oposição pra fraturar o "lulismo", com prazo certo de validade; para outros uma real e bem-vinda alternativa pra enriquecer o quadro político do alto escalão eleitoral brasileiro.

Em que pese algumas ressalvas, fico com a segunda turma. Acredito que a forte possibilidade de termos ela no quadro de candidatos à presidente ano que vem é algo positivo. Assim como Lula foi um divisor de águas político lá em 1989, ela pode ser (frise-se, aqui vale a aposta política, pois é uma incógnita) o novo divisor de águas da política atual. E não digo especificamente para a próxima eleição, onde as chances dela são pra lá de pequenas, mas pros próximos 5, 10 anos.

Eu tenho uma tese, que muita pouca gente concorda, de que os dois grandes grupos políticos progressistas que surgiram após a redemocratização (tucanos e petistas) cometeram um erro histórico gigantesco, lá no começo dos anos 90, ao se afastarem e reforçarem as diferenças políticas entre ambos ao invés de se aproximarem e cristalizarem os pontos comuns. Ambos, cada um a seu tempo, conquistaram o poder, mas ao custo de ter que se aliar ao que sobrou de mais arcaico do conservadorismo político pré-1988.

O resultado dessa brincadeira foi que o país perdeu, vai lá, uns 20, 30 anos de "gancho" para um mais célere desenvolvimento político-econômico-social. Já poderíamos estar desfrutando de um nível cultural, educacional, tecnológico e político muito mais pugente agora na virada da década.

Bom, mas eu cito essa "tese" porque, caso seja adotada a estratégia política certa e haja um trabalho árduo nesse sentido, a senadora Marina Silva poderia perfeitamente aglutinar o que resta dessas forças progressistas em torno de uma candidatura que poderia criar o germe da tão angustiada e necessária nova (e segunda) "onda política" do pós-1988, focada na gritante questão socioambiental. História, respeito, e conteúdo político pra isso ela tem.

É muita fantasia a curto prazo? Pode ser. Mas a longo prazo não. Política de qualidade se faz, antes de mais nada, com um percentual mínimo de idealismo, foi assim com a constituinte, foi assim com o "fator Lula", e terá que ser assim com o desenho que se projeta pro pós-Lula.

Como disse, isso irá depender da competência e visão dos articuladores que a eventual candidatura dela possa contar e da qualidade do que surgir do possível grupo político que viria da "refundação" do Partido Verde. De saída, levando-se em conta os quadros atuais do PV e adjacências, e mais as condicionantes políticas nas quais se encontram os citados grupos progressistas da pós-redemocratização, é sonhar demais para a próxima eleição presidencial.

De qualquer maneira, como no futebol (metáfora que o nosso atual presidente adora), na política tudo é possível, e ela flui sempre ao sabor das conveniências e oportunidades.

No curto prazo da realpolitik, alguns pontos interessantes:

1) Marina Silva não tem outra alternativa pra seu futuro político; 24 anos de militância no PT, 15 anos de Senado, 5 anos como Ministra de Estado, a falta de espaço e o escanteamento político; a mudança e a candidatura são um passo natural.

2) Lula tem pago o preço por "conveniências e oportunidades" passadas. A crise no Senado Federal, esse agito no tabuleiro da sucessão, são consequências de opções políticas feitas por ele.

3) A mudança traz de volta Ciro Gomes pra disputa. Se Marina for, ele com certeza irá. E aí reside o grande assombro: se Dilma não decolar, Marina não fizer milagre, pode rolar um 2º turno Serra X Ciro. Melhor eu bater três vezes na madeira aqui.

4) As qualidades (e defeitos) pessoais da moça. Até que ponto ela tem o tino político necessário ao cargo? Como ela lideraria com o vendaval de interesses, conchavos, sutilezas do centro do furacão político? E o seu conservadorismo na seara religiosa? E uma certa intransigência no "modus operandi" da questão ambiental?

É aguardar pra ver como a coisa se desenrola.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

pausa para o informe publicitário (9)



Lá atrás você desenha uma miríade de possibilidades. Ali na frente você se dá conta de que elas convergiram para o vácuo, ou se transmutaram na sua variante oposta.

É, não é mole. Bom, mas também nunca me disseram que seria.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

erramos: tabaco, nicotina, cigarro industrializado

Este blog cometeu um erro grosseiro na postagem de maio que comentava a lei anti-fumo intitulada fumaça (antiga "Fumar sim, nicotina não", tive que alterar por causa do dito) ao conceituar o tabaco e a nicotina. Deixei a entender lá na referida postagem (já consertada) que a nicotina seria uma substância química presente só no cigarro industrializado, o que não é correto. Na verdade a nicotina é um princípio ativo da folha do tabaco, presente em qualquer cigarrilha, cigarro, charuto a base do dito cujo.

A argumentação na verdade referia-se ao fato do cigarro industrializado comercializado atualmente ser confeccionado levando-se em conta uma combinação de substâncias químicas que potencializa de forma descomunal os possíveis efeitos cancerígenos das tragadas em relação às outras formas, incluindo as mais primitivas, do uso e fumo do tabaco, que era aliás utilizado de forma terapêutica pelos índios nativos americanos.

Essa errata remete-se às seguintes postagens, para esclarecimento: fumaça e sobre a patrulha fascista anti-fumo serrista.

domingo, 9 de agosto de 2009

sobre a patrulha fascista anti-fumo serrista

Deu ontem no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo:

O bar Livraria da Esquina, com show ao vivo na Barra Funda (zona oeste), adotou um esquema (...): fez um cercado, isolado por cordas, para os fumantes na calçada. Lá, os clientes podiam dar as suas tragadas sem deixar a cerveja.

Segundo a prefeitura, é uma situação nova, mas a boate ou bar que fizer um isolamento para os fumantes na calçada pode ser multado em R$ 500 por obstrução de passeio. Se os fumantes fizerem barulho, o Psiu pode multar o lugar pela Lei do Ruído, em R$ 27 mil.

O bar Livraria da Esquina diz que não isolou toda a calçada e que tomou a medida por questões de segurança. "Tem poucas opções para lidar com essa nova situação da lei antifumo", diz Denise Andriole, a dona.

(FSP, Cotidiano 2 - especial, p. C1 - assinante UOL/Folha)

Como podemos notar, o fumante hoje no estado de São Paulo não tem escapatória. O trator fascito-politicamente correto do senhor Governador José Serra está criando, na minha modesta opinião, uma das maiores babaquices políticas dos últimos tempos no Brasil.

Em nome da defesa da saúde pública, Serra joga pra platéia e faz um marketing político rasteiro de dar inveja a Mussolini e congêneres. Ao mesmo tempo que visga um eleitorado conservador moderado "limpinho", vai criar uma legião descontente não só de fumantes, mas de não-fumantes que vivem pelo bom senso.

E por falar em bom senso, já escrevi aqui no blog sobre essa nova legislação: Fumaça. Pegar a ponta mais fraca da corda é fácil. Agora, porque não se faz uma ofensiva pra que se torne o ato de fumar menos tóxico em vez de simplesmente banir o fumo? Porque o nosso caro Serra não se utiliza do seu poder político e do Estado pra criar um debate interessante (quiça internacional) em torno disso, visando criar padrões menos assassinos no que concerne aos cigarros industriais a base de tabaco e peitar a Phillip Morris? Será que é porque não dá voto?

Das melhores conversas que já tive numa mesa de bar com uma cervejinha na mão foram com amigos fumantes. Como fico eu então? Peço a conta e saio pra conversar na sarjeta ou dou um belo tapa no cigarro e passo um sermão na figura querida? E se eu convidar o cacique Tabajara pra tocar o "cachimbo da paz" debaixo de um toldo lá na "prainha" da Paulista? Como fica? (parágrafo de efeito meramente dramático; eu também tenho direito ao meu marketing)

Seguindo no raciocínio do nosso Comandante-em-Chefe estatal logo teremos que banir o refrigerante, pois uns 50 anos de vício em Coca-Cola também mata o gordinho que passa no mercado e leva aquela de 2,5 litros diários pra casa. E o que dizer do pra lá de assassino "McLanche Feliz"? Teve um sujeito lá nos EUA que resolveu cair no vício do hamburguer com cara simpática por 30 dias e estava quase pra bater as botas. E não me venham com esse papo de que não afeta o próximo, pois afeta sim o bolso do dito com os impostos pra bancar o nosso mesmo e único (como somos chiques) sistema de saúde.

E claro, se a coisa desembestar, não vai demorar muito pro nosso nobre Governador querer banir o café, pois deixa os dentes amarelos, causa gastrite, e óbvio, mata os mais exaltados. Só sei que quando a coisa chegar nesse ponto ele vai comprar briga comigo, e vou lá jogar os meus molotovs no Palácio dos Bandeirantes. Ou, se for o caso, no Palácio do Planalto (vai saber o que o futuro nos reserva).

A grande conclusão que eu tiro é que a razão sai perdendo nessa história, e quando a razoabilidade é deixada de lado na política a coisa degringola. Pior do que a falta de política é a política sem bom senso, terreno perigosíssimo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Prêmio TOP BLOG

Aos 45 minutos do segundo tempo resolvi me cadastrar e participar do Prêmio TOP BLOG: http://www.topblog.com.br/

Algo no estilo do famoso prêmio Ibest e congêneres. É a primeira edição, não custa nada participar. Afinal, esse blog está flutuando na blogosfera por não outra razão além do que ser visto e lido.

Iniciativas como essa, quando sérias, só agregam e ajudam a transformar o espaço virtual blogueiro de forma a dar mais credibilidade ao que é despejado ali.

Aos colegas blogueiros que se interessaram, a inscrição parece que termina hoje (30/07), acredito que às 24h. Então dá tempo ainda.

E claro, se você gosta do que é dito e escrito por aqui, pode votar em Empty Spaces Chronicles que está concorrendo na categoria blogs pessoais - cultura, é só clicar no banner localizado no final da barra de informações laterais aqui do blog, ou no link que vai depois dos dois pontos: Prêmio TOP BLOG - Empty Spaces Chronicles.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Para onde vai a Folha de S. Paulo? (3)

Mais uma para a série sobre o tipo de jornalismo que a Folha de São Paulo anda produzindo nos últimos tempos. Você lê um baita artigo do colunista Clóvis Rossi na segunda página do jornal (A2) e cinco páginas à frente (A7) se depara com isso:

(clique na foto para uma melhor visualização - FSP - 22/07/2009, p. A7)


(clique na foto para uma melhor visualização - FSP - 22/07/2009, p. A7)


(clique na foto para uma melhor visualização - FSP - 22/07/2009, p. A7)

Bom, eu não fiz quatro anos de comunicação social, posso não ter o melhor gabarito técnico pra analisar uma reportagem jornalística, mas na minha opinião esse é um exemplo clássico de como uma notícia objetiva pode ser tendenciosa, ou melhor, como a construção de uma notícia determina a interpretação que se quer passar do fato.

Reparem na construção do título e o tempo verbal adotado. Depois reparem na informação que vem nos subtítulos e no corpo do texto.

De duas uma: ou temos o dedo da chefia na edição final da reportagem ou o próprio jornalista assumiu uma posição clara no que tange à interpretação política do fato.

E o mais interessante é ver a versão online da mesma notícia, digamos, um pouco mais neutra até certo ponto:


Petrobras contratou firma com sede em canil

Empresa recebeu R$ 4,2 mi em 2008; projeto foi autorizado por gerente demitido por suspeita de desvio.

LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A Sibemol Promoções e Eventos, que declara como seu endereço o local onde funciona um canil, recebeu da Petrobras no ano passado R$ 4,2 milhões. Ao todo, a família dona da Sibemol e de duas outras empresas embolsou R$ 12,5 milhões da estatal em 2008, em contratos fechados sem licitação.
Os projetos foram escolhidos e autorizados pelo então gerente de comunicação da área de Abastecimento, Geovane de Morais. Conforme a Folha revelou no mês passado, ele foi demitido no começo deste ano por justa causa por suspeitas de desvio de recursos, entre outras irregularidades.
Há casos de serviços pagos por Morais e não prestados. Ele gastou em 2008 R$ 120 milhões a mais do que previsto no orçamento de sua área, sem autorização formal.
A Petrobras informou que ainda está analisando se há irregularidades nos contratos com a Sibemol e as outras duas empresas da família Brandão. A estatal acrescentou que enviou o caso de Morais ao Ministério Público Federal e à Controladoria Geral da União.
Raphael de Almeida Brandão, seu irmão, Luiz Felipe, e a mãe deles, Telma, são donos da Sibemol, da R.A. Brandão Produções Artísticas e da Guanumbi Promoções e Eventos. Eles não foram localizados pela Folha ontem.
Com sede no Rio de Janeiro, as três empresas foram contratadas pela Petrobras para prestar serviços variados, como apoio a projeto social em Minas Gerais, festival de cinema em Friburgo (RJ), locação de mobiliário em evento em Mossoró (RN) e serviços de produção de Carnaval em Salvador.
Conforme o jornal "O Globo" revelou ontem, no endereço declarado pela Sibemol funciona um canil onde há 60 cachorros, além de 200 gatos. As outras duas empresas não funcionam nos endereços informados à Receita Federal.
Os contratos com as empresas dos Brandão assim como os demais projetos autorizados por Morais foram objeto de duas sindicâncias na Petrobras.
A primeira apuração concluiu que o ex-gerente havia desrespeitado normas de contratação e de gastos. Outra comissão apontou indícios de desvio de recursos. A Petrobras decidiu pela demissão de Morais, mas ainda não efetivou o desligamento por ele estar de licença médica desde o final do ano passado.
Morais é ligado ao grupo político petista oriundo do movimento sindical de químicos e petroleiros da Bahia.

(Folha de São Paulo Online: Petrobras contratou firma com sede em canil) (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2207200910.htm)


No calhamaço de papel a Petrobrás "paga" em letras garrafais, já no ciberespaço a Petrobrás "contratou" e "recebeu". Além de terem sido acrescentados três páragrafos que não constam da versão impressa, pelo menos eu com a minha miopia não vi (destaquei em negrito). Porque essa mudança?

Notem que a notícia é a mesma, não se trata de outra edição da Folha Online, mas sim do jornal Folha de São Paulo exposto em versão digital na rede.

Queria o pitaco dos amigos jornalistas que frequentam o blog. Apesar dessas escrotices, no conjunto, ainda acho a Folha um dos melhores e mais gabaritados meios de comunicação do país. De qualquer maneira, é dose ter que ficar lendo isso.

É uma pena que o jornal aparentemente esteja investindo numa linha jornalística desse naipe pra manter uma "platéia fiel" de assinantes. Pode até manter um naco, mas vai eliminar uma razoável parcela com um mínimo de senso crítico.

Será que eu sou muito chato ou vocês concordam comigo que é jornalismo ruim mesmo?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Apollo 11, Lua, 20 de julho de 1969

(July 21, 1969 - Apollo 11. The Lunar Module approaches the Command and Service Module for docking, with earthrise in background. Aboard the LM were astronauts Neil Armstrong and Edwin Aldrin, returning from a 21-hour stay on the Moon - the first Moon landing by Man. (NASA) - Boston.com )

Lá se vão quarenta anos, quase meio século que transformaram a civilização. A partir desse ponto o homem dominou de tal modo os processos tecnológicos que uma espécie de "super-cronômetro existencial" disparou.

O que fica evidente é uma questão simples mas crucial: ou nos superamos ou nos aniquilamos.

E parece que falta pouco tempo hein? Se virarmos o século intactos já será uma vitória.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

e o mundo girando lá fora

Mergulhar no mundo dos concursos é como viver sob uma eterna sensação de coito interrompido.

É inevitável. Toda sua canalização de energias, cobranças pessoais, sofrem um corte no dia da prova. Aí no dia seguinte você reflete, argumenta consigo mesmo, fica matutando, indagando até que ponto aquilo tudo acrescenta, transforma, eleva.

Em mais de 6 anos, por 17 vezes, eu passei por isso. E vou passar de novo na semana que vem. O que me constrange é saber até que ponto vai, até que ponto realmente vale a pena. Incentivos não me faltam, nem suporte.

Reflito sobre isso principalmente levando-se em conta que já experimentei o outro lado da corda. Encarar os desafios de peito relativamente aberto. Sozinho nas possibilidades, olhando pro horizonte de uma cidade desafiadora. Foram 3 anos de uma certa magia. Uma pausa no coito interrompido.

Eu não vejo magia nesse trabalho dos concursos, esse é o problema. A experiência sensível é pra lá de limitada. É você, seu cérebro, sua ansiedade, e o mundo girando lá fora. Você fica ali, meio que anestesiado, enquanto as coisas acontecem.

O grande problema, é claro, é que o tempo passa. E o grande vislumbre do mundo adulto é saber que ele é um caminho que, dentro de um certo universo convencional e social, cada vez se estreita mais. As possibilidades teoricamente se reduzem. E, se você fica anestesiado enquanto a banda larga está disponível, pode pagar um preço diferenciado lá na frente.

Eis o meu dilema. Quem está nesse mesmo barco com a bússula meio avariada sabe do que eu estou falando.


ADENDO:

Interessante como nesses anos todos de "coito interrompido espiritual" eu acabei me desenvolvendo como uma espécie de "mini blogueiro-escritor-jornalista amador ". Será que esse é realmente o caminho a se investir ou apenas uma fuga? Outro dilema.

sábado, 11 de julho de 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

revisar é preciso

Nós blogueiros "amadores" não temos o costume de revisar com frequencia e de forma detalhada nossos textos, mas precisamos mudar essa atitude.

No meu último texto aqui no blog, sobre a situação política do Sarney, errei na colocação de um verbo, por puro ato falho, e o texto mudou totalmente de significado. E pior, significado errôneo.

Disse que se o Sarney renunciasse ao cargo, o vice-presidente do Senado iria assumir o cargo. Enquanto na verdade, neste caso, seriam convocadas novas eleições. O verbo correto na verdade era licenciar, onde nesse caso haveria a sucessão dita lá no texto. Só fui me dar conta do erro hoje, três dias depois de ter publicado e "passado o olho" no texto no mínimo umas cinco vezes.

Pode parecer besteira mas, por sermos meras "formiguinhas" do universo cibernético opinativo, temos a tendência a achar que as opiniões que emitimos não tem grande valor ou não geram efeitos.

Com um mínimo de reputação e organização que seu blog tenha ele irá repercutir, mesmo que pra um pequeno grupo de espectadores. E essas pessoas podem (e é muito provável) passar essas informações pra frente.

Temos que ficar ligados. Pois nosso texto mal ou não revisado pode induzir as pessoas a erro, e fazê-las entenderem a mensagem de forma completamente diversa da intenção original. Na internet, a cagada feita viaja na velocidade de uma diarréia.

terça-feira, 30 de junho de 2009

eu também sou fiscal do Sarney


José Sarney de Araújo Costa está encurralado. Pela esquerda, pela direita, e pela frente.

Aqueles que acompanham um pouco a política do país nos últimos anos sabe que a coisa não começa nem termina no bigode do sujeito. Há muito mais em jogo do que as deploráveis denúncias que jorram daquele prédio e aglutinam o que há de mais atrasado na nossa política. O xerume está lá há pelo menos 14 anos e ninguém sentiu o cheiro antes. Senadores, funcionários, nem os jornalistas que pisam diariamente naquele tapete azul.

Se Sarney licenciar, a presidência do Senado cairá no colo da oposição. Está claro qual é o jogo. Eu não gostaria de estar na pele do presidente Lula nesse momento. De uma forma ou de outra, ele pagará o preço por ter se aliado à banda mais atrasada da política nacional.

PSDB, PT, nenhuma das forças políticas novas que surgiram com a redemocratização do país conseguiram escapar de por o pé na lama da ala podre da velha guarda.

A par disso tudo, é muito legal ver a grande utilidade e eficácia da internet no exercício da cidadania ativa e na prática da política no sentido mais amplo e nobre possível. Movimentos, sites, ONGs fiscalizadoras, redes sociais. Mesmo aos trancos e barrancos e ainda de forma tímida e muitas vezes estabanada, o ciberespaço colabora para ajudar a decifrar as muitas "caixas pretas" da política (no sentido mais estreito e pobre possível) nacional.

Muita gente por aí está pregando o "fora Sarney". Eu discordo, e como bom advogado, prefiro ser mais um fiscal do Sarney e gritar dando o direito de defesa: licencia Sarney!

É assim que funciona nas melhores democracias. E se você também concorda e se considera um cidadão que preza a boa política, cole esse "bottom virtual" no seu blog ou site e o espalhe pela rede.

Um gesto simples, pequeno, meramente simbólico, mas não inócuo. Representa vontade política.


ADENDO:

Eu tive a oportunidade de visitar o Congresso internamente duas vezes. Em uma delas pude conhecer o pedaço encarpetado azul da ala esquerda do palacete. Visitei o plenário, andei por corredores. Foi fácil identificar o feeling e concluir que há algo de muito fétido por aquelas bandas. Gente demais e trabalho de menos, foi essa a sensação que tive.

Desde a recepção com quatro, cinco pessoas pra verificar a sua identidade. Passando pelos corredores lotados de ASPONES que passam o dia lendo jornal e jogando papo fora. E por aí vai.


(essa foto foi numa das visitas com o Congresso fechado - final de semana; cada senador com o seu notebook custeado com o nosso dinheirinho)

É lógico que não se pode pretender que uma instituição pública aja e exercite sua função como uma empresa privada. Não tem cabimento. Mas é óbvio que precisa haver um mínimo de profissionalismo, administração eficiente, e respeito com a coisa pública.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

musas (12)


ALESSANDRA NEGRINI

segunda-feira, 22 de junho de 2009

sobre a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão

Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira, que é inconstitucional a exigência do diploma de jornalismo e registro profissional no Ministério do Trabalho como condição para o exercício da profissão de jornalista. - Notícias STF

A repercussão sobre o assunto foi grande semana passada. E a polêmica também. Afinal, jornalismo é uma profissão que necessita de bacharelado para ser exercida ou não?

Embora a decisão dos Ministros, ao meu ver, não tenha sido muito bem fundamentada, com o nosso caro Ministro Gilmar Mendes chegando a fazer comparações toscas de jornalistas com cozinheiros (nada contra a classe dos cozinheiros), eu concordo com ela no mérito.

Independentemente da questão da restrição à liberdade de informação e expressão, o grande pilar das argumentações dos Ministros (artigo 5º, incisos IX e XIII, e artigo 220 da Constituição Federal), eu diria que há um pano de fundo na questão que não foi muito bem analisado nem explicitado pela mídia: a natureza do exercício e o objetivo da profissão.

Na minha opinião o jornalismo se posta entre aquelas profissões que poderíamos chamar de "convexas", naturalmente abertas em seu exercício e que não gravitam em torno de um centro específico de trabalho científico.

A comunicação social é generalista, atuando acima das outras ciências e "surfando" sobre elas. Tanto é assim que o cerne da formação de um jornalista é justamente uma forte base de conhecimentos gerais. Isto é, o bom jornalista é aquele que aglutina todas as outras profissões na sua. É uma característica da profissão.

Assim, não podemos falar do jornalismo como uma ciência que estrutura seu objeto, mas sim de uma estrutura que abarca e "digere" as demais ciências (essas sim seu objeto difuso).

E é interessante notar que o mercado está todo montado justamente na contramão da natureza da profissão. Por motivos que com certeza não são didáticos.

O jornalismo não deveria estar focado no bacharelado, mas sim no nível das especializações e cursos técnicos.

Nesse sentido, acho que a decisão foi correta. Com a dispensa da obrigação do diploma para o exercício da profissão é de se esperar que essa configuração prejudicial invertida se altere e que o jornalismo só ganhe em qualidade e aperfeiçoamento.

Não quero dizer com isso que as faculdades de jornalismo não tem razão de ser nem que não são necessárias, mas acho que elas não podem ser determinadas como o único "funil" daqueles que pretendem ingressar e trabalhar na área.

E nem penso que a dispensa do diploma vá provocar uma invasão de gente sem formação e vocação nas redações de jornais e afins. Pelo contrário, a dispensa do diploma deve mesmo trazer gente já formada e interessada de outras áreas para dentro do jornalismo. E melhor, irá depurar cada vez mais a qualidade dos profissionais da área, expurgando naturalmente aqueles que, com formação (específica ou não) ou sem formação, praticam o mau jornalismo (antiético e anti-técnico).

Agora, uma questão importante e que foi aparentemente escanteada pelo Supremo Tribunal Federal (não achei a íntegra da decisão ainda pra me posicionar melhor) é a que se refere a regulação eminentemente trabalhista dos jornalistas. A não necessidade de exigência do registro e do diploma não pode ser interpretada como "luz verde" para aniquilar o direito adquirido e as normas trabalhistas que regem a profissão.

Enfim, o jornalismo e os jornalistas só tem a ganhar com essa decisão. Ao contrário do que muita gente quer dar a entender, o fim da exigência do bacharelado não significa o fim da categoria profissional. É importante ter essa distinção em mente.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Gilmar X Joaquim (2)

"Essa tese de a Justiça 'ouvir as ruas' serve para encobrir déficits intelectuais. Eu posso assim justificar-me facilmente, não preciso saber a doutrina jurídica. Posso consultar o taxista". (Gilmar Mendes)

Trecho da entrevista do Ministro e Presidente do STF à revista Isto É, via Mônica Bergamo.

Depois reclamam dos "barracos" no plenário do Supremo Tribunal Federal.

Veja mais em: Gilmar X Joaquim.

L.I.M.P.E.

No ramo jurídico há um "macete" muito popular que ajuda a relembrar de forma quase instantânea uma matéria mais do que básica para qualquer concurso da área. Trata-se da famosa L.I.M.P.E. Abreviação formada com as siglas iniciais dos cinco princípios fundamentais do Direito Administrativo: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade, e Eficiência.

Resumindo, e pra não bancar o chato aqui, a Administração Pública e seus agentes devem pautar suas condutas pela vinculação dos seus atos à lei (legalidade), agindo de forma a não favorecer "chegados" (impessoalidade), preservando a ética profissional (moralidade), com a divulgação oficial de seus atos (publicidade), e sempre buscando a melhoria do serviço prestado à população (eficiência).

Isso soa na cabeça da qualquer concurseiro como um mantra. Uma voz que sussurra quase que 24 horas por dia.

Aí você abre o jornal:

É de doer, e você lembra que os nobres senadores da nossa República conseguiram fulminar com todos os princípios do Direito Administrativo de uma tacada só e da forma mais vexatória possível.

Algumas páginas a frente:

Não sei até que ponto serve de alívio saber que o barco é grande e que carrega também os ditos "branquelos de olhos azuis" do nosso presidente.

E o bendito do L.I.M.P.E. aqui buzinando na minha cabeça. Não aguento tanta ironia.

domingo, 14 de junho de 2009

sobre o blog da Petrobrás

O assunto político da semana passada na blogosfera foi a polêmica sobre o recém lançado blog Fatos e Dados, da portentosa Petrobrás. Lá estava eu hoje de manhã, sentado na mesa da cozinha, com meu capuccino na mão esquerda, e a coluna de domingo do ombudsman da Folha na minha frente, ipsis litteris:

(...)

Ao longo da semana, a relação entre a Petrobras e o MBC foi deixada de lado (o que parece confirmar a sua pouca relevância) e o debate, injustificadamente histérico, se concentrou na criação do blog Fatos e Dados pela estatal.

A Petrobras e qualquer entidade ou cidadão têm o direito indiscutível de criar quantos blogs, sites, jornais ou publicações de qualquer espécie que quiserem. Se ela deseja tornar públicas todas as perguntas de jornalistas que receber, também não há nada que a impeça nem legal nem eticamente (em especial se deixar claro a quem se dirigir a ela que vai fazer isso).

Não faz sentido a Petrobras querer editar o conteúdo dos veículos de comunicação. Mas não há problema em ela tornar público material que seja cortado durante o processo de edição feito por esses veículos.

A reação de muitos jornalistas, veículos e entidades à iniciativa foi claramente despropositada. Se alguém pode sair prejudicado pela decisão de revelar as questões de jornalistas antes da publicação das reportagens a que se destinam é a própria empresa, como seu recuo nesse ponto deixou claro: se as pautas exclusivas deixam de ser exclusivas porque a fonte as revela ao público, o mais indicado para quem as produz é não ouvir essa fonte antes de publicar a reportagem.

(...)

Carlos Eduardo Lins da Silva, Ombudsman da Folha de SP. "Muito barulho por quase nada". Coluna de 14/06/2009.

Concordo com cada linha. Confesso que fiquei surpreso com a reação da mídia, digamos, tradicional. Ver jornalistas do naipe do Kennedy Alencar da Folha indagando coisas como "Deu a louca na petrobrás?" foi triste. Isso só constata a divisão cada vez mais clara que existe no jornalismo atual. Entre aqueles que viraram a página e estão no século XXI e aqueles outros que permaneceram lá atrás.

Acabou-se o monopólio da informação, e claro, da interpretação desta. Observar esses espasmos reacionários de parte da mídia só demonstra o quanto ainda tem gente agarrado a um modo arcaico de enxergar e fazer o jornalismo.

Aproveito para parabenizar os bravos editores (que eu acredito serem jornalistas) do blog da empresa e deixo transcrito a postagem feita por eles lá, em referência ao texto do ombudsman da Folha:

(...)

A Petrobras concorda plenamente com o Ombudsman quando ele diz que “Não faz sentido a Petrobras querer editar os Veículos de Comunicação”. Reiteramos que este nunca foi e nem nunca será nosso propósito. A Companhia concorda que houve, como o próprio profissional faz questão de nomear, “um debate injustificadamente histérico” sobre o tema. E este debate levou à interpretação equivocada de que o objetivo da Petrobras seria editar o noticiário e intimidar os profissionais de imprensa.

Mais uma vez reforçamos que:

- O blog Fatos e Dados não expõe reportagens em curso, e nem poderia, pois desconhece inteiramente o conteúdo das pautas, a linha de abordagem, a totalidade das informações apuradas pelo veículo, entrevistados, entre outros fatores que compõe uma matéria jornalística.

- O jornalista, quando procura a Companhia, apenas envia as perguntas, sem revelar os detalhes da reportagem em curso. Portanto , as informações publicadas no blog Fatos e Dados se restringem aos questionamentos direcionados à empresa e as respostas enviadas por ela aos jornalistas.

(...)

Blog Fatos e Dados: "Ombudsman da Folha e o blog da Petrobras" - 14/06/2009.

domingo, 7 de junho de 2009

momento ombudsman (6): pesquisa

Hoje no banho dominical matutino refletia sobre o fato de que este blog sofre do mesmo problema que o editor dele vem sofrendo nos últimos tempos: falta de rumo.

Pensando nisso, e inspirado na colega e amiga garota know-how, resolvi colocar no ar uma pesquisa entre os leitores habituais ou não tão habituais do espaço sobre qual tema ou assunto mais lhes apetece, e a partir daí tentar esboçar qual realmente seria uma pretensa "face" de Empty Spaces Chronicles.

Não se trata a princípio de traçar um "modelo de pauta" estrito que poderíamos seguir, mas a idéia é ter um feedback sobre o aspecto "sucesso de público" do blog. E a partir daí estabelecer alguns parâmetros.

A dita ficará ativa no topo da barra lateral de informações deste blog por uma semana, carregando a seguinte indagação: "na sua opinião, quais são os tópicos mais interessantes deste blog?"

Se você não está nessa página de gaiato e gosta de ler os textos publicados por aqui, deixe seu voto. E claro, se quiser, faça um comentário neste post sugerindo, criticando, dando seu pitaco.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Campinas, a cosmopolita?

O fato de eu estar frequentando um curso que fica do outro lado da cidade está me ajudando a percorrer com mais assiduidade as ruas centrais da cidade de Campinas. Desde que voltei pra "terra das andorinhas", em meados do ano passado, só agora comecei a explorar com mais propriedade o perímetro que vai do Largo do Rosário, passa pela Igreja da N. S. do Carmo e segue até as Arcadas do Pátio dos Leões (PUC). E claro, o sentindo perpendicular, pegando desde a Prefeitura e o Colégio Carlos Gomes até o velho e recém-redescoberto Mercado Municipal.

(finjam que o "A"zinho sou eu voltando do curso pra casa)

A cidade pulsa, humanisticamente falando, com mais intensidade nessa região. Coisa que 80%, 90% dos campineiros "clássicos" só conhece dando uma olhadela por cima do vidro escuro do carro. Pois bem, tenho percorrido diariamente o pedaço. Algo que eu não fazia desde, deixa ver, 2003, 2004? Saudosa época em que me sentava nas carteiras das salas de aula da gostosinha "PUC Central".

Contemos aí, no mínimo, cinco anos de ausência. Notei que muita coisa mudou nesse meio termo, e pra melhor. Não só pela descoberta de novos pontos, lojas, mufungos. O coração da cidade começa a mostrar sinais de algo que eu sempre senti falta por aqui, ainda mais depois de ter vivenciado três anos de terra da garoa: um certo "cheiro" de cosmopolitismo.

Não que Campinas já possa ser considerada uma metrópole cosmopolita. Ao meu ver, ainda é uma metrópole provinciana. Com todos os defeitos e qualidades que essa qualificação possa acarretar. É só nos atentarmos para o fato de que a cidade ainda vive cultural e exclusivamente em função de shopping centers, malls, e congêneres.

Mas como disse, parece que isso está mudando. Pelo menos um germe disso surge no centro da cidade. Um germe que vem pra acompanhar e ajudar o único bastião de cultura mais dispersa de Campinas: o distrito de Barão Geraldo.

Nas andanças encontrei uma leve porém notável proliferação de sebos e outras bibocas culturais. Assim como uma expansão e melhora dos pequenos cafés e alguns restaurantes. Tudo ainda extremamente tímido, mas presente.

Em que pese a existência de faculdades e colégios na região, lembro-me que há cinco, seis anos atrás o visual era outro. Havia agito, havia o "climão" universitário, mas sem propriamente um desenvolvimento cultural urbano que acompanhasse. Bom, posso estar exagerando. Fiquei muito tempo ausente, e qualquer pólis de porte que se preze não pára no tempo.

De qualquer maneira, do meu ponto de vista, das minhas sensações, o centro da cidade mudou. E talvez, exagerando denovo, mudou espiritualmente. Um germinal esboço de vibração cultural parece que está a caminho.

Como é típico do "modus operandi" campineiro, pode ser só mais uma das eventuais "ondas" de humanismo que assolam a cidade de tempos em tempos. Ou pode ser também só um mero devaneio dos meus neurônios. Bom, sei lá, só torço pra que seja realmente algo significativo e que venha pra ficar. Pois Campinas precisa disso.

Riqueza econômica essa cidade já tem de sobra, agora falta aquela vibração humanística que qualquer pessoa mais sensível identifica como um simples "cheiro" emocional que passeia pelo ar.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

domingo, 17 de maio de 2009

Oasis em São Paulo 09.05.2009

A pouco mais de três anos atrás eu escrevi um texto "apaixonado" sobre o show do Oasis no Credicard Hall, você pode lê-lo aqui. Dessa vez o meu coração não chegou a 200 batidas por minuto, como descrito lá, mas uma apresentação da banda de Manchester ainda me deixa com um sorriso bobo no rosto.

Talvez seja pelo fato de já não ser mais o debut, ou talvez sejam os anos a mais nas costas, mas foi inevitável assistir ao show com uma visão crítica mais apurada. Mesmo assim, achei essa apresentação melhor que a de 2006 (não vi as de 1998 e 2001; se alguém tiver visto todas, por favor dê o seu veredicto). A banda estava melhor, tecnicamente (talvez por influência do novo baterista) e no repertório.


Os grandes pontos negativos foram mais estruturais e da técnica de show do que da performance da banda. O povo da mesa de som do Oasis já não é dos melhores, e a acústica do Anhembi ajudou a piorar ainda mais as coisas. Som abafado, baixo, mal equalizado. Tudo bem que é rock and roll, mas o Oasis não é mais uma bandinha punk de pub inglês, mas sim uma banda de estádios. O bom senso tem que entrar aí. Pelo que eu notei essa é uma "marca" das apresentações ao vivo da banda no país, em 2006 não foi muito diferente.

Outra coisa que atrapalhou bastante também foi a chuva. Não a chuva em si, mas o momento em que ela desabou, durante o show de abertura da Cachorro Grande. Ao mesmo tempo que ofuscou a apresentação da banda gaúcha deixou o povo ensopado pra encarar os ventos frios gelados da noite de outono paulistana. Se ela tivesse vindo durante a apresentação dos Gallaghers a história seria outra, como foi no show de 2006 (o famoso e maravilhoso "dilúvio"). Bom, mas considerem esse parágrafo um resmungo de um sujeito que já está beirando os 30 e não é mais adepto do "topa tudo por Oasis".


Bom, mas vamos ao repertório:

1) Abriram com a já tradicional Fuckin' in the Bushes e emendaram com Rock and Roll Star. Adoro a última, mas poderiam ter começado com a maravilhosa Bag It Up não? Ô musiquinha subestimada essa. Pelo que eu tomei nota, eles não tocaram a preciosidade do Dig Out Your Soul em nenhum show da turnê! Fuck you Noel Gallagher! (pronto, adotei os modos de Manchester);

2) Seguiram-se Lyla (redonda), The Shock of The Lightning (muito boa ao vivo, com uma batida um pouco diferente), Cigarettes & Alcohol (sempre contagiante, um hino Oasis), The Meaning of Soul, To Be Where There´s Life (essa também ficou bem interessante ao vivo) e Waiting For The Rapture;

3) Um dos grandes momentos da noite pra mim veio com The Masterplan, música já classuda que ficou especialmente emocionante nessa apresentação; na seqüencia vieram Songbird (puro Beatles e sempre gostosa de se ouvir), Slide Away (outro grande e surpreendente momento), Morning Glory (manteve o pique da anterior levantando a galera), Ain't Got Nothin' (a mais fraca da noite e do repertório, na minha opinião);

4) Depois do ponto mais baixo da noite uma seqüencia de ótimas performances: The Importance Of Being Idle (música sempre deliciosa), I´m Outta Time (um dos lados do melhor momento da noite, Liam emulando John Lennon sem parecer ridículo; muito pelo contrário, perfeito), Wonderwall (o recinto todo uníssono, com femêas adolescentes uivando atrás de mim e acabando com meus tímpanos) e Supersonic (o maior hino do Oasis, sem dúvida; leva qualquer platéia da banda ao delírio, e o novo baterista contribuiu pro orgasmo roqueiro do momento);

5) Por fim veio o bis, com um set agradável, abrindo com a "queridinha" do Noel, Don´t Look Back in Anger (sempre enchendo o gogó da galera); logo após aparece o primeiro lado do citado melhor momento da noite pra mim com Falling Down (uma das minhas favoritas do último álbum e de todo o repertório da banda; inebriante e potente ao vivo), em seguida Champagne Supernova (caoticamente épica, e que mais uma vez mexeu com a galera); a apresentação termina com um cover beatle, na mais do que clássica I am The Walrus (Anhembi em uma só voz novamente).


Como dito, os grandes momentos da noite ficaram por conta de duas excelentes músicas do último trabalho da banda, uma do Liam e outra do Noel, cada um ao seu estilo. Isso as vezes me faz matutar se o DOYS seria uma espécie de Álbum Branco do Oasis, talvez já sinalizando uma possível nova fase ou o fim da banda. Sem falar no fato do Noel estar com um disco solo engatado e pronto pra bater asinhas sem o resto do grupo.


O melhor das apresentações do Oasis nem fica propriamente por um show magnífico ou impecácel (como foi o insuperável show do Radiohead que eu tive a oportunidade de presenciar esse ano na Chácara do Jóquei), mas sim pelo clima, pelas pessoas, por aquela legião peculiar de fãs que são tão ou mais fiéis que a torcida do Corinthians. Uma irmandade rara de se ver no universo pop/rock: o fã do Oasis (o original) é ao mesmo tempo um sujeito irascível e sensível, que bate no peito e advoga pra um certo rock autêntico, simples, direto e que celebrava a vida com uma certa e necessária melancolia a tiracolo.

É bonito de se ver, e eu me incluo no meio deles.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

completando

Reverberando a brincadeira da minha amiga moça know-how. Um pouco de descontração.

COMPLETE:

- Eu tenho: miopia.
- Eu desejo: conhecer as ruas de Londres e as paisagens da Galécia (sic).
- Eu odeio: Ivete Sangalo.
- Eu escuto: ultimamente, muito Paul Weller.
- Eu tenho medo de: descrença na razão.
- Eu não estou: trabalhando (tecnicamente falando).
- Eu estou: um pouco irritado com a greve de ônibus local, pois eu preciso deles.
- Eu perco: cabelo.
- Eu preciso: sair de um certo aprisionamento existencial.
- Me dói: o pescoço (passei o final de semana com a mochila nas costas).

SIM OU NÃO?

- Tem um diário? não; quer dizer, tenho esse meu blog pessoal, o que não deixa de ser algo parecido.
- Gosta de cozinhar? depende do dia e do humor.
- Gosta de tempestades? sim, principalmente as daqui de Campinas nos finais de tarde.
- Há algum segredo que você não tenha contado à ninguém? não estou lembrando agora de algo importante, mas com certeza devo ter.
- Acredita no amor? eu prefiro dizer que sinto.
- Toma banho todos os dias? sim.
- Quer casar? acho que não, não é pra mim.
- Quer ter filhos? uma possibilidade, ainda tenho dúvidas pesadas.

QUAL É?

- A frase que mais usa no MSN: não costumo usar, as vezes uma letra de música interessante.
- Sua banda favorita: John, Paul, George, e Ringo.
- Seu maior desejo: nunca perder um certo e necessário "tesão existencial".
- 3 Lugares estranhos em que você transaria: num castelo medieval, com a puffy shirt do Seinfeld; em cima de uma mesa de bilhar; junto à janela de algum arranha-céu.

OUTRAS PERGUNTAS

- Signo: câncer.
- Cor dos olhos: castanhos.
- Número favorito: 11.
- Dia favorito: acho que não tenho um.
- Mês favorito: os que abocanham o outono.
- Estação do ano favorita: outono.
- Café ou chá? vou nos dois, mas o vício é por café.

VOCÊ:

- Tem problemas de auto estima: sim, principalmente quando estou confortável e perto da família (isso merece uma boa análise).
- Abriria mão de ficar com alguém muito gato por respeito ao próximo: depende, temos que analisar o caso concreto, como todo bom advogado.
- Iria a uma micareta: na, na, ni, na, não.
- Cuidaria de amigos bêbados: sim, e já cuidei.
- Dá toko sem problema nenhum: seria no sentindo de "dar um pé na bunda"? teríamos que analisar as circunstâncias, mas em princípio sim, se esse for o caminho.

NAS ÚLTIMAS 24HS VOCÊ:

- Chorou? não.
- Ajudou alguém? que eu me lembre não.
- Ficou doente? não.
- Foi ao cinema? não.
- Disse “te amo”? não.
- Escreveu uma carta? não.
- Falou com alguém? sim, várias pessoas.
- Teve uma conversa séria? não.
- Perdeu alguém? não.
- Abraçou alguém? sim, alguns.
- Brigou com algum parente? não.
- Brigou com algum amigo? não.

ALGUMA VEZ VOCÊ PODERIA:

- Beijar alguém do mesmo sexo? não.
- Fazer sexo com alguém do mesmo sexo? não.
- Saltar de pára-quedas? possível.
- Cantar em um karaokê? provável, mas depois de muito reflexão (e pressão de amigos).
- Ser vegetariano? pode ser, lá no quarto final de vida; mas a idéia é ir comendo menos carne (e comida em geral) com o passar da idade, como prega o bom senso.
- Se embebedar? sim, mas de forma cada vez mais rarefeita.
- Roubar uma loja? em estado de necessidade, sim; ainda não descobri qualquer sinal de cleptomania em mim.
- Se maquiar em público? bom, se me contratarem como palhaço um dia.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

musas (11)


MARILYN MONROE

fumaça

Hoje estava lendo o jornal quando me deparei com isso:

Ator terá de ir à Justiça para fumar em cena

Nova lei antifumo proíbe uso de cigarro, cachimbos e charutos em gravações em estúdios fechados e em peças de teatro

(...)

Peças de teatro, gravações de TV e filmagens de cinema em lugares fechados também serão enquadradas pela lei estadual de restrição ao fumo, que será sancionada nos próximos dias pelo governador José Serra.
Para acender um cigarro, charuto ou cachimbo em cena, o produtor precisará de autorização judicial. Terá de argumentar, no pedido ao juiz, que a ausência do tabaco prejudicaria a concepção artística de seu filme, videoclipe, novela ou montagem da peça teatral.

íntegra da notícia: aqui.

Antes de mais nada. Deixemos claro que eu não fumo, acho a nicotina um negócio realmente escroto, mas temos que ter um pouco de bom senso e tomar cuidado pra não embaralhar o culturalmente milenar ato de fumar com o moderno e propositalmente venenoso cigarro.

O artigo 6º inciso I do projeto de lei 577/08 aprovado e que aguarda sanção diz que não, mas no ritmo que a coisa vai logo teremos que banir os eventuais cachimbos recheados de ervas naturais que os índios fumam em suas cerimônias sacras muito mais antigas que a nossa maravilhosa república. Sem falar nos tradicionais narguiles dos simpáticos turcos, dos rituais do candomblé, e por aí vai.

Em vez de querer implantar um império do excesso do politicamente correto e da hipocondria, nosso caro governador José Serra poderia concentrar seus esforços no que realmente causa a matança em massa e o imenso prejuízo ao nosso sistema de saúde: a indústria do cigarro.

O ato de fumar não é sinônimo de consumir Philip Morris. Essa frase deveria ser pregada numa faixa em letras garrafais no gabinete do governador. Assim talvez ele se desse conta de que desestruturar a capitalização em cima do vício e o severo controle (químico mesmo, buscando a moderação da nocividade do tabaco) da produção do cigarro industrializado é o caminho.

Precisamos de saúde, precisamos de respeito ao próximo, mas também precisamos de liberdade individual (mínima), de cultura, e de muito bom senso.