quarta-feira, 4 de março de 2009

uma música que me emociona



Quem me conhece sabe que eu não sou muito de marejar os olhos. Aliás, tirando aqueles esporádicos momentos pra lá de personalíssimos, foram poucas as vezes em que isso aconteceu. Recentemente, lembro de ter ficado com os olhos marejados ao final da sessão do filme Na Natureza Selvagem, um daqueles excelentes filmes que não tem como você ficar indiferente.

Via de regra, I´m a rock. Porém, ainda sem saber exatamente o porquê, essa música me emociona profundamente toda vez que a escuto. Comentário a Respeito de John, um clássico do repertório do nosso (parafraseando a Sunflower) "Bob Dylan tupiniquim" Belchior.

A música tem uma "tripla face". De um lado, a homenagem ao John Lennon; do outro, um "sopro" ao mesmo tempo levemente melancólico e convidativo pelo fim da ditadura (ou "ditabranda", como prefere a Folha); e num terceiro lado, uma ode à autenticidade existencial e tudo o que vem com ela.

Lembro que a escutava quando criança, toda vez que eu, meus irmãos e meus pais descíamos a Serra do Mar rumo ao litoral pra visitar nossos avós paternos. Meu pai sempre levava uma fita cassete com uma seleção das músicas do rapaz do ceará, e essa música invariavelmente tocava enquanto meu pai engrenava a marcha lenta na Caravan preta pra descer a rodovia Anchieta.

Não sei, talvez ela seja uma espécie de elo que transpassa toda a minha relativamente curta existência. Quando a escuto, um mar de sensações das minhas memórias afloram. O cheiro da maresia dos momentos de infância na casa dos meus avós no litoral sul paulista, o cheiro da grama e o frio do sereno da Fazenda Garibaldi em Buri, onde passei a maior parte da minha infância. Ao mesmo tempo que me faz lembrar das minhas recentes investidas solitárias na cidade grande, os meus já distantes tempos na faculdade. Tudo cai junto como um raio. E aquele nó na garganta acontece já nos primeiros acordes.

Enfim, não consigo explicar. Só sei que poucas coisas conseguem cortar a minha alma como esse violino, essa gaita, e esse canto ao mesmo tempo altivo, melancólico, sereno, e vivaz.

3 comentários:

Ånderson disse...

depois vou ouvir essa música, agora fiquei curioso...

Garota no hall disse...

Em casa abro o YouTube para conferir. Mas, num assalto de chatice, já aviso: Não curto Belchior...

Sunflower disse...

Se corta a sa alma, é porque ainda existe alma pra ser cortada. E isso é bom.


beijas