quarta-feira, 29 de abril de 2009

Gilmar X Joaquim



Semana passada, a instância máxima da Justiça desse país observou uma discussão entre dois dos seus ministros que foi classificada como histórica. Não poderia deixar de comentar isso aqui. Todo mundo viu, ouviu, comentou, deu pitaco.

A grande maioria dos habitantes do mundo jurídico condenou a briga, inclusive a OAB, classificando como "lamentável" a atitude, e deixando claro o mau exemplo que isso representa pra sociedade. Eu concordo em termos, procurando ver e ressaltar o aspecto positivo da querela.

Dentre todos os acertos e desacertos do governo Lula (e são vários, pra ambos os lados), é inevitável constar que o dito criou um "clima" que deu maior transparência aos "podres" da nossa República, se é que poderíamos chamar assim. Desde a atuação da Polícia Federal (com seus méritos e excessos), passando pelo caso do "mensalão", dos cartões corporativos, tudo vai ficando mais claro e visível para aqueles que não fazem parte das ditas engrenagens da grande máquina política.

Essa discussão ocorrida no Supremo Tribunal Federal nada mais é que um fruto, uma reverberação extrema, dessa certa "maresia" de transparência política que aos poucos vai ganhando o cenário político. É feio, é constrangedor? É. Mas é algo muito mais saudável e salutar do que manter tudo sobre um manto (muitas vezes perigoso) de dissimulação e hipocrisia. Pra quem procura observar de forma mais profunda os meandros políticos do país, é sabido que por trás daquele bate-boca há muito mais do que uma simples rixa pessoal. Um grande embate político segue por detrás das cortinas.

Talvez uma boa parte dos nobres leitores desse espaço não saibam, mas o Supremo Tribunal Federal não é um órgão eminentemente jurídico, e sim político. Sua função é zelar pela preservação da Constituição, e Constituição, seja em qual canto do planeta apareça, é um conjunto normativo essencialmente político. Interpretar a Constituição Federal, é, em última instância, fazer política.

Lembremos ainda que ambos os ministros envolvidos na briga são indicações de políticos, e pior, políticos de campos ideológicos relativamente opostos. Gilmar Mendes foi indicado por FHC, e Joaquim Barbosa por Lula. Some-se a isso o fato de os citados magistrados serem atualmente os "caçulinhas" da Corte, os mais novos e com menos experiência.

Comento isso porque fico meio lesado com certo histrionismo e paranóia que anda em moda nos comentários políticos de boa parte da mídia. Como se os alicerces da nossa democracia estivessem desmoronando aos poucos. Muito pelo contrário, nossa democracia vai muito bem, e cada vez melhor.

Enfim, ninguém (civilizado) aplaude "barraco", seja num Tribunal ou na feira da esquina. Mas querer que uma certa hipocrisia velada paire sobre um dos principais tabuleiros políticos do país não é interessante nem saudável, e nem democrático.

Arroubos são exceções. Acontecem aqui, na China, e até nas mais altas e respeitosas Cortes Européias. Quando eles não acontecem esporadicamente é que a coisa pode ser preocupante.


OBS: não custa nada lembrar que se o nobre Ministro Barbosa pediu para não ser confundido com os "capangas" do Ministro Mendes, esse último também já classificou o trabalho da Polícia Federal como "coisa de gângster", não só pra seus pares, mas pra quem quisesse ouvir, via imprensa.

sábado, 25 de abril de 2009

Lugo, o garanhão, e a "relatividade" da moral católica

Confesso que não sou um super admirador das colunas da Barbara Gancia, mas nesta sexta ela acertou em cheio ao comentar o caso do ex-clérigo e presidente do Paraguai Fernando Lugo e sua polêmica prole; segue trecho:

...dom Orani Tempesta, um dos porta-vozes da CNBB, emitiu a seguinte opinião sobre o caso: "Cada pessoa responde à fidelidade ou à infidelidade daquilo que promete. Acho que não cabe à igreja julgar ninguém, mas a cada um de nós, vendo as coisas, dizer se está sendo fiel àquilo com que se comprometeu". Êpa, ôpa! Sinto aí um certo corporativismo em defesa do ex-colega. Se entendi direito, o bispo que virou presidente pode errar e se arrepender e não caberá a ninguém julgá-lo. Mas, quando os africanos decidem ser fiéis à ideia de usar preservativos para se defenderem de doenças sexualmente transmissíveis, aí a danação do inferno cai sobre eles. Ou, quando a mãe de uma menina estuprada pelo padrasto decide que a filha deve abortar, ela corre o risco de ser excomungada. E, quando os gays... Bem, deixa para lá, não é preciso ser teólogo para entender que existe tratamento VIP para uns e cadeira na geral do inferno para os menos privilegiados.

(FSP, 24/04/2009, Barbara Gancia: Igreja pega leve com Lugo - íntegra)

Assino embaixo. Eu como sujeito agnóstico e cético que sou tenho uma baita dificuldade pra digerir coisas como essa. Ver e escutar a Igreja Católica "formar opinião" hoje em dia me deixa triste. Pior é constatar que a coisa chega a beirar as vias da irresponsabilidade, como no caso da AIDS subsaariana.

Deixo a palavra com os eventuais leitores católicos "praticantes" desse espaço lá na página de comentários. Preciso de argumentos contrários interessantes, porque pra mim esse anacronismo tosco já passou de qualquer limite de razoabilidade.

Postagem que chove no molhado, mas vamos lá.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

grandes clássicos do "rock maconha"

Esses dois álbuns marcam algo como o início e o fim de um período onde uma certa "cena" do rock (se é que podemos chamar assim) brotou, floriu, e morreu. O que eu costumo chamar de "rock maconha". Foi meio que uma praga. Arrebatou várias bandas dos mais diversos estilos. E manchou, segundo diz boa parte da crítica especializada, a carreira de muita gente boa.

Algo como uma ressaca do dito "verão do amor" (1967) do fim dos anos 60. O povo que criou grandes pérolas pop com o uso de muito ácido, resolveu, em vez de virar careta, cair de cabeça em outro tipo de entorpecente. Eu não diria que foi um desastre como os entendidos apontam, mas muita bizarrice e esquisitice foi desenvolvida nesse tempo.


Atom Heart Mother - Pink Floyd (1970)


(a capa diz tudo não?)

O que acontece com uma banda que perde seu grande vetor criativo (Syd Barrett) em pleno fim dos anos 60? A resposta está nesse disco. Na verdade, a resposta já havia começado antes, no não menos "emaconhado" Ummagumma (1969), mas digamos que a completude se fez aqui.

Nessa época, o Floyd estava atirando pra todos os lados tentando estruturar uma direção sonora pra banda, que havia sido, sobre a liderança de Barrett, um dos grandes expoentes do movimento psicodélico de 1967. Juntemos à falta de direção o espírito cannabis sativa que estava impregnando o ar e temos um dos trabalhos mais sem pé nem cabeça que o rock and roll já produziu.

O álbum começa com a faixa-título. Uma "suíte" de mais de 20 minutos de duração, onde temos uma orquestra completamente desafinada tocando uma espécie de marchinha que se repete ad infinitum. No meio desse "refrão", surgem coisas como um relinchar de cavalo, uma moto arrancando a toda sei lá pra que onde, entre outras colagens sonoras totalmente aleatórias e sem sentido (pelo menos pra quem não "puxou um beck"). A música segue não menos bizarra com a entrada de um coral de vozes como se estivéssemos assistindo a um ensaio teatral de alguma ópera, seguido de um choroso e bluseiro solo de guitarra, e por aí vai. Na parte final da música, tudo se repete, com pequenas nuances que te deixam perplexo e sem entender pitomba nenhuma.

O disco segue com três canções que poderíamos chamar de normais, não fosse a infalível impressão de que, em cada uma delas, o respectivo autor sentou ao piano ou pegou o violão após ter tragado muita erva antes. E acaba em mais uma "suíte" instrumental que retrata uma espécie de café da manhã musicado (com direito a efeitos sonoros de caixas de fósforo e frigideiras ao fogo) de um tal de Alan, roadie da banda.

É um disco que acho que toda pessoa interessada em música pop deveria ouvir pra se ter uma noção de até onde se chega a "criatividade" humana dentro desse segmento artístico. Além disso, possui momento agradáveis, e é delicioso de se escutar naqueles esporádicos, "perdidos" e solitários fins de tarde de outono.

Interessante e curioso como a mesma banda que produziu essa bizarrice sonora tenha feito três anos mais tarde uma das maiores obras-primas de toda a história do rock/pop, o mítico Dark Side Of The Moon (1973).

Com a palavra, os autores:

"'What do you think of your early records like Atom Heart Mother and Ummagumma today?' I think both are pretty horrible. Well, the live disc of Ummagumma might be all right, but even that isn't recorded well." - David Gilmour - German news magazine "Der Spiegel" No. 23 - 5 June 1995

"Atom Heart Mother is a good case, I think, for being thrown into the dustbin and never listened to by anyone ever again! [...] It was pretty kind of pompous, it wasn't really about anything." - Roger Waters - Rock Over London Radio Station - 15 March 1985, for broadcast 7 April/14 April 1985.


Red Rose Speedway - Paul McCartney & Wings (1973)


(esse botão de rosa é muito suspeito..)

Já escrevi nesse blog criticando o álbum. Mas recentemente tenho escutado com mais freqüencia, e percebido que ele tem o seu valor. Não é dos discos diferenciados pós-Beatles do Macca, mas é um clássico. E mais, um clássico do "rock maconha".

Sir Paul McCartney estreiou em carreira solo com um trabalho que tem alguns traços da verve cannabis aqui comentada, o ótimo McCartney (1970), porém a consolidação mesmo só veio com esse petardo.

É sabido que o ponto fraco do ex-beatle sempre foi a parte lírica, mas aqui nesse trabalho ele deu uma apelada. Dos álbuns que ele lançou nos anos 70, esse com certeza é o que mais exala uma certa breguice e total esquisitice nas letras. Digamos que a cannabis aqui distorceu o já parco senso crítico do Macca pra elaborar as ditas. "My Love", apesar de ter uma bela melodia e ser uma singela homenagem a Linda, tem uma letra pra lá de brega, dispensando maiores comentários. Difícil é entender coisas como "Little Lamb Dragonfly" ou "Single Pigeon", ou a grande bizarrice "Loup (1st Indian on the Moon)" (?). Aliás, diria que essa música representa o fino trato do "rock maconha": um instrumental tosco sobre um suposto Neil Armstrong da nação indígena.

Tenho pra mim que no período de gravação desse trabalho o Macca passava a maior parte do tempo na horizontal com a Linda e puxando um fumo descontroladamente. Só isso explica esses 40 minutos de "nóia-brego-romântica".

De qualquer maneira, recomendo o petardo. É um disco que representa perfeitamente o lado mais otimista do climão de ressaca hippie do começo dos anos 70: se o sonho acabou, vamos pegar as migalhas, bater no liquidificador, "puxar um beck", e aproveitar. Enfim, "rock maconha" no seu estado mais purista.

Graças a um desses maravilhosos e misteriosos insights, Sir Paul parou pra pensar, controlou a erva, botou a carreira nos eixos e lançou alguns meses depois um de seus melhores trabalhos pós-beatles, o excelente Band On The Run (1973).

sexta-feira, 17 de abril de 2009

6 coisas sobre mim

Atendendo a pedido da minha "ex-sócia" e colega de "bloguismo" Fabiana, vou relatar seis fatos pretensamente (des)interessantes sobre a minha vida pessoal. Como diria o Marcelo Adnet, uma postagem "furfle" pra abrir o feriado. Nada útil.

1. Megalomania

Bom, quem acompanha a algum tempo esse blog já deve ter notado. Já tentei criar até uma "corporação blogueira" segmentada a partir da máxima "o que devemos usar para preencher os espaços vazios onde costumávamos conversar?". Sem falar na tentativa incipiente de formalizar um "portal site" com colaboradores eventuais. Fora do mundo virtual, minhas guinadas espirituais pretensiosas de certa maneira foram fundamentais pra aventuras interessantes e mudanças saudáveis que aconteceram na minha vida. Por outro lado, a alcunha "sonhador", "vivendo no mundo da lua" e a frase "você é muito idealista!" sempre rondaram a minha pessoa. Atualmente, o botãozinho de grandiloqüencia meu anda cada vez mais desligado. Pro bem e pro mal.

2. Vício em cafeína

Essa dispensa muitos comentários. Estou acompanhado de meio mundo, e muita gente que lê esse espaço sabe do que estou falando. Nada escapa. Café, chás, refrigerantes, balas, analgésicos. Já ouvi alguém dizer que o vício é algo quase intrínseco à natureza humana, eu hei de concordar. E como todo bom vício, é melhor vivenciado quando compartilhado. Sentar pra um bom bate-papo numa cafeteria é algo de um teor quase existencialista pra mim. No mais, sou adepto e sigo estritamente dentro da máxima daquela comunidade do orkut: "Vivendo pelo café, morrendo com estilo".

3. Sadismo pré-juvenil com animais domésticos

Deixemos bem claro que não se trata de crueldade consciente, pois eu era um pirralho na época. Como toda criança, a curiosidade era o lema. O ponto alto e mais sinistro dessa "fase" foi a tentativa mal sucedida (ainda bem; desistência voluntária mode on) de "cozinhar" um filhote cachorrinho de estimação da família num mini-forno de pão de queijo (pronto, confessei publicamente).

4. Mulheres "problemáticas" morenas

Eu tenho uma queda quase insuperável por mulheres ditas "difíceis" com madeixas e/ou tez morenas. Ninfomaníacas, sombrias, blasès, bem vestidas, inteligentes. Por uma dessas violentas ironias do destino, meu relacionamento atual e mais duradouro é com um ser feminino loiro quase que "anti-problemático".

5. Fala que eu te escuto

Talvez uma das minhas principais características pessoais: falar pouco. Em mais um caso de ironia-jumbo, eu me formei em Direito e sou advogado. Uma aberração dentro da classe? De certa forma sim. E já percebi que uma boa parcela do meu plantel de amigos fala pelos cotovelos. Seria algum tipo de compensação? Não sei dizer. Mas em que pese a boca fechada, não sou um animal anti-social no sentido estrito do termo. Pelo contrário. Esses dias estava refletindo sobre a minha sociabilidade dissimulada e de como subestimo essa minha faceta. A frase "cara legal" ronda a minha pessoa com uma certa e boa freqüencia. Eu é que visto meu "coturno espiritual" com um certo exagero.

6. Bocejar, bocejar, bocejar.

Quem convive bastante comigo e se atém a detalhes com certeza já percebeu. Independemente das condições de temperatura, pressão, e estado espiritual, sempre rola. E não tem nada ver com sono ou desinteresse. Como já comprovaram nossos ocupados cientistas judaicos-cristão-ocidentais, é pura oxigenação do cérebro.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Para onde vai a Folha de S. Paulo? (2)

Seguindo ainda nas "peraltices" do corpo de jornalismo da Folha de S. Paulo, segue mais um exemplo das transformações e da "guinada" do padrão técnico de trabalho do jornal, os quais comentei semana passada aqui no blog. O mais interessante é que a coisa não se resume só à seara estritamente política.

Com a palavra Marcelo Tas, em seu blog, numa postagem de hoje:

A intenção desse post é divulgar “Erramos” publicado pela Folha Online na última segunda, dia 13 de Abril. O erro apontado desmonta a base de reportagem publicada pela editoria de Informática na sexta, dia 10: "Garoto propaganda da Telefônica, Marcelo Tas recebe críticas durante a pane".

Infelizmente, a maioria dos internautas só leu na matéria infectada pelo erro que ficou, durante o feriadão, por dois dias entre as mais lidas da Folha Online. Tenho certeza que poucos desses leram o “Erramos”. Portanto, se você leu a matéria e tem interesse em entender o que aconteceu, continue a leitura e por favor divulgue. Se você não leu, esqueça e pode encerrar a leitura desse post por aqui.

continua...

Segue a íntegra da postagem com a versão do Tas: aqui. Leiam, e como bem ressaltou o Prof. Tibúrcio, divulguem.

sábado, 11 de abril de 2009

série "figurinhas do mundo alexandrino": garota duracell


Pois é, garota duracell é uma pilha. Uma pilha alcalina, para ser mais preciso. Mas não uma simples e comum pilha alcalina do tipo AAA, dessas que estão espalhadas pelo mundo aos milhões, muitas vezes poluindo nosso querido planeta (garota duracell é biodegradável). Ela é uma pilha charmosa, elegante, tímida, mas ao mesmo tempo temperadamente simpática. Um ser ímpar no mundo das pilhas, que costumam ser uniformizadas (chatas) no espírito e na vestimenta. Aliás, veste-se muito bem. Destaquemos o vestido preto que ela utiliza em intermitentes e singelas ocasiões.

Nossa amizade tem pouco mais de um ano, se não me falhe a memória, por volta de um ano e meio. Em que pese o relativo breve período, já temos uma amizade consolidada. Dessas em que as conversas giram e abragem os mais diversos e multifacetados temas, assuntos e sentimentos. Gosto de sentar com ela pra um café, um cinema, uma cerveja, ou na companhia pra uma boa balada. Aliás, é isso que define o que poderíamos chamar de "natureza ontológica" da garota duracell: as baladas em que ela está presente.

Convide-a pra sair e ofereça boa música, você saberá do que eu estou falando. Uma discreta mas profunda transformação ocorre. Toda aquela timidez dá lugar a uma interessante e contagiante dancinha que não tem mais fim. Uma singela seqüencia de movimentos e um sorriso delicioso dão o tom. Já tive a oportunidade de ficar quase meia-hora initerrupta observando a moça (de longe, obviamente) se "acabando" na pista de dança. É uma imagem que sempre tenho na cabeça quando procuro me lembrar das melhores possibilidades de beleza de espírito que pude presenciar.

Isso inclusive é algo que atormenta minha cabeça: como uma simples pilha pode exalar tanta humanidade? Já ouvi boatos de que o que circula dentro daquele revestimento nada tem a ver com flutuações alcalinas, de mercúrio, níquel-cádmio, ou coisa que o valha. Ali dentro teríamos puro e legítimo sangue humano! Boatos, frise-se.

Garota duracell é uma pilha jornalista vegetariana. Ainda está na flor da idade, mas a visão crítica do mundo que sai dali revela uma maturidade anormal. Possui um ceticismo saudável e levemente intransigente, que sabe temperar com inteligência os argumentos quando postos à prova. Discorre sobre cultura com alta propriedade, principalmente quando falamos de cinema, sua praia preferida.

É viciada em seriados e qualquer produto cultural que de alguma forma possa ser classificado com a alcunha "coisa de nerd". Metódica, detalhista, levemente idiossincrática, é uma clássica "filha de Monk".

Dona de um "tênis-redator", costuma perambular pelas ruas da terra da garoa com uma sóbria jaqueta adidas.

Na escala "alexandrina", garota duracell mede dez metros e meio de altura por três de diâmetro. Gosta de caminhar, e é fã de sorvete de pistache.

"Ponto fraco": batidas de coco com vodka.

"figurinhas do mundo alexandrino": desarquivando

Aproveitando pra desarquivar outros seres que habitam o bizarro mundo alexandrinho e já foram homenageados por aqui:

"Bis"inha da silva e biscoito Traskine.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Para onde vai a Folha de S. Paulo?

Já temos aí algo em torno de 15 anos de leitura quase diária do calhamaço do senhor Otavio Frias Filho. Credito boa parte do que eu sou hoje, em vários aspectos, à companhia desse jornal. Meu gosto pela leitura, pela redação, pela escrita, meu senso crítico. Enfim, eu formei minha personalidade e tudo que vem com ela tendo a Folha do meu lado, ali em cima da mesa, do sofá, na cama, ou no cesto de revistas.

Uma das coisas que me intriga no momento é saber o que se passa, que tipo de metamorfose ocorre dentro daquele prédio idoso da Alameda Barão de Limeira no centrão da capital paulista. Pois a Folha não é mais a mesma. Não digo na sua essência, mas no seu "modus operandi".

Nunca me enganei com a propaganda de pretensa imparcialidade jornalística do jornal. Ao contrário de outros jornalões como O Estadão e O Globo que sempre adotaram de forma clara uma certa posição ideológica, a Folha sempre se postou como uma espécie de bastião de imparcialidade dentro do jornalismo nacional.

Quem mergulha com um pouco mais de profundidade no mundo das notícias e as analisa com um certo senso crítico sabe que não existe imparcialidade nem neutralidade jornalística total. Em que pese toda a dinâmica do jornalismo girar em torno do que no Direito costumamos chamar de "verdade real", ela é uma pobre coitada que fica perdida em meio ao jogo de interpretações e argumentos, sem qualquer possibilidade de ser escancarada e desnudada por completo. Sempre foi assim, e sempre será.

Digo isso porque, independentemente dessa postura editorial enviesada de um certo ar de hipocrisia que o jornal sempre teve, a Folha nunca havia abandonado um trabalho plural e investigativo de primeira linha dentro do seu corpo de jornalistas. E coloco a locução verbal no passado porque os tempos realmente são outros.

Alguns críticos dizem que a Folha apenas está deixando "cair a máscara" e que esses "deslizes ideológicos" sempre ocorreram. Concordo até certo ponto. Mas eu não sei se é só isso. Acho que houve também, de alguns anos pra cá, uma queda de qualidade mesmo, proposital ou não, visando manter a sobrevida do jornal em tempos de vacas magras do jornalismo impresso. Procurando algo como uma "sectarização" e fidelização dos leitores. Algo aliás que talvez já tenho vindo tarde.

Só isso explica uma manchete de capa do último domingo do jornal, com uma longa reportagem interna:

"Grupo de Dilma planejava sequestrar Delfim".

Vale a pena dar uma lida no trabalho da jornalista Fernanda Odilla e comparar com a carta-resposta divulgada pelo entrevistado no dia seguinte à publicação da reportagem: resposta do jornalista e professor Antonio Roberto Espinosa, via Blog do Luis Carlos Azenha.

Vale também uma espiada na troca de e-mails feita no início dessa semana entre o entrevistado e um jornalista representante da Folha.

Sigo lendo matinal e diariamente (sempre que possível) a dita "Folha da Manhã", mas com um leve e incipiente desgosto cerebral. A Folha está ainda a milhões de léguas de distância de monstruosidades como a Revista Veja, obviamente. Mas é bom eles tomarem cuidado e instituirem uma pausa esporádica para reflexão. Pois a coisa começou a desandar. Pesemos o que vale mais: Um punhado de leitores fiéis ou um nome (ainda digno) a ser zelado?

domingo, 5 de abril de 2009

terceira idade, licença para matar

Pode parecer exagero, mas não é não. Essa semana quase fui esmagado por um desses seres geriátricos femininos frequentadores do SESC. Lá estava eu, a ponto de bala pra pegar impulso e mandar ver em uma piscina de crawl, quando a "véia" (peso-pesado) surgiu do nada, saltou, e deu uma baita barrigada uns dois metros na minha frente, ecoando o estrondo por todo o ambiente. Por uma fração de segundo eu não estaria aqui hoje escrevendo esse texto. Provavelmente estaria em algum hospital campineiro de cama, paraplégico, ou dentro de alguma sepultura.

Antes de mais nada, quero deixar claro que não tenho nada contra as pessoas da dita "idade do saber". Só acho que algumas delas, quando reunidas em grupo (principalmente se for do sexo feminino), e em determinadas situações, parece que perdem o bom senso e regridem mentalmente.

As diferenças entre essas senhoras e as típicas adolescentes de 14, 15 anos de idade desaparecem. Elas pulam, gritam, fazem arruaça no vestiário, na piscina, arranjam encrenca com a turma do nado amador (nós), enfim, provocam uma verdadeira "luta de classes" entre os frequentadores do SESC. E pior, possuem o apoio da "superestrutura" local, isto é, a diretoria da organização. Afinal, elas pagam pelas suas aulas terapêuticas de hidroginástica, nós somos simples e mortais usuários avulsos da piscina.

Recentemente aliás houve um entrevero que resultou em reclamação direta com a diretoria por parte de alguns nadadores. Já passávamos das 11h da manhã, com 10 ou mais nadadores na piscina ou se preparando pra entrar (horário de pico da nossa "gangue"), quando uma "ordem de cima" determinou que seria reservada apenas uma raia da piscina para o pessoal do nado livre, sendo que o resto (praticamente 3/4 da piscina) ficaria disponível pra hidroginástica. Uma parte dos nadadores simplesmente desistiu e foi conversar com a "chefia". Tá certo que tinha mais de 40 mulheres-monstro na piscina, mas será que é tão difícil conciliar os horários? Afinal, essas senhoras adoram acordar junto com o galo, e os dirigentes poderiam muito bem alterar o horário delas pra algo mais perto das 7h, 8h da matina.

Depois desse chamusco parece que a coisa acalmou. Porém, ainda segue um clima tenso de "guerra fria" no ar. Troca de olhares, risadinhas marotas, volta e meia alguma delas solta um "míssil tático com fins pacíficos". Até eu já revidei com minha "artilharia anti-aérea" (a bola de borracha do joguinho delas caiu na nossa raia dia desses; e eu, no meio da piscina nadando, devolvi dando uma bolada - sem querer, frise-se - na cabeça de uma delas).

Curtir a vida no "bico do corvo" enquanto se espera aquela senhora com a foice na mão é mais do que um direito, é um dever. E acho sensacional instituições como o SESC que tiram essas senhoras e senhores do total marasmo e tédio e dão sentido a vidas muitas vezes já sem grandes propósitos e intenções. Tiro o chapéu, e sei que um dia (que parece que cada vez se aproxima mais rápido) eu também estarei lá.

Mas não nos esqueçamos que bom senso não tem idade nem sexo. Ainda mais quando temos uma "bagagem" de respeito sendo carregada nas costas. Tem gente que acha que a chegada da velhice implica em uma necessária, lenta e gradual regressão a um estado de infantilidade, eu discordo totalmente.

Tirando casos de degeneração por doenças, outras excepcionalidades, e as evidentes limitações físicas, isso é conversa pra boi dormir. A velhice é (e deve sempre ser) o momento de plenitude da mente e do cuidado acurado do corpo. Destaque-se: uma afirmativa aditiva, e não alternativa.

Não é senhoras?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Coldplay, versão Thunderbirds



Clipe da versão extendida de Life in Technicolor, abertura do último álbum. Enviado pela minha "amiguxa" Jacyra Paes.