quinta-feira, 28 de maio de 2009

Campinas, a cosmopolita?

O fato de eu estar frequentando um curso que fica do outro lado da cidade está me ajudando a percorrer com mais assiduidade as ruas centrais da cidade de Campinas. Desde que voltei pra "terra das andorinhas", em meados do ano passado, só agora comecei a explorar com mais propriedade o perímetro que vai do Largo do Rosário, passa pela Igreja da N. S. do Carmo e segue até as Arcadas do Pátio dos Leões (PUC). E claro, o sentindo perpendicular, pegando desde a Prefeitura e o Colégio Carlos Gomes até o velho e recém-redescoberto Mercado Municipal.

(finjam que o "A"zinho sou eu voltando do curso pra casa)

A cidade pulsa, humanisticamente falando, com mais intensidade nessa região. Coisa que 80%, 90% dos campineiros "clássicos" só conhece dando uma olhadela por cima do vidro escuro do carro. Pois bem, tenho percorrido diariamente o pedaço. Algo que eu não fazia desde, deixa ver, 2003, 2004? Saudosa época em que me sentava nas carteiras das salas de aula da gostosinha "PUC Central".

Contemos aí, no mínimo, cinco anos de ausência. Notei que muita coisa mudou nesse meio termo, e pra melhor. Não só pela descoberta de novos pontos, lojas, mufungos. O coração da cidade começa a mostrar sinais de algo que eu sempre senti falta por aqui, ainda mais depois de ter vivenciado três anos de terra da garoa: um certo "cheiro" de cosmopolitismo.

Não que Campinas já possa ser considerada uma metrópole cosmopolita. Ao meu ver, ainda é uma metrópole provinciana. Com todos os defeitos e qualidades que essa qualificação possa acarretar. É só nos atentarmos para o fato de que a cidade ainda vive cultural e exclusivamente em função de shopping centers, malls, e congêneres.

Mas como disse, parece que isso está mudando. Pelo menos um germe disso surge no centro da cidade. Um germe que vem pra acompanhar e ajudar o único bastião de cultura mais dispersa de Campinas: o distrito de Barão Geraldo.

Nas andanças encontrei uma leve porém notável proliferação de sebos e outras bibocas culturais. Assim como uma expansão e melhora dos pequenos cafés e alguns restaurantes. Tudo ainda extremamente tímido, mas presente.

Em que pese a existência de faculdades e colégios na região, lembro-me que há cinco, seis anos atrás o visual era outro. Havia agito, havia o "climão" universitário, mas sem propriamente um desenvolvimento cultural urbano que acompanhasse. Bom, posso estar exagerando. Fiquei muito tempo ausente, e qualquer pólis de porte que se preze não pára no tempo.

De qualquer maneira, do meu ponto de vista, das minhas sensações, o centro da cidade mudou. E talvez, exagerando denovo, mudou espiritualmente. Um germinal esboço de vibração cultural parece que está a caminho.

Como é típico do "modus operandi" campineiro, pode ser só mais uma das eventuais "ondas" de humanismo que assolam a cidade de tempos em tempos. Ou pode ser também só um mero devaneio dos meus neurônios. Bom, sei lá, só torço pra que seja realmente algo significativo e que venha pra ficar. Pois Campinas precisa disso.

Riqueza econômica essa cidade já tem de sobra, agora falta aquela vibração humanística que qualquer pessoa mais sensível identifica como um simples "cheiro" emocional que passeia pelo ar.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

domingo, 17 de maio de 2009

Oasis em São Paulo 09.05.2009

A pouco mais de três anos atrás eu escrevi um texto "apaixonado" sobre o show do Oasis no Credicard Hall, você pode lê-lo aqui. Dessa vez o meu coração não chegou a 200 batidas por minuto, como descrito lá, mas uma apresentação da banda de Manchester ainda me deixa com um sorriso bobo no rosto.

Talvez seja pelo fato de já não ser mais o debut, ou talvez sejam os anos a mais nas costas, mas foi inevitável assistir ao show com uma visão crítica mais apurada. Mesmo assim, achei essa apresentação melhor que a de 2006 (não vi as de 1998 e 2001; se alguém tiver visto todas, por favor dê o seu veredicto). A banda estava melhor, tecnicamente (talvez por influência do novo baterista) e no repertório.


Os grandes pontos negativos foram mais estruturais e da técnica de show do que da performance da banda. O povo da mesa de som do Oasis já não é dos melhores, e a acústica do Anhembi ajudou a piorar ainda mais as coisas. Som abafado, baixo, mal equalizado. Tudo bem que é rock and roll, mas o Oasis não é mais uma bandinha punk de pub inglês, mas sim uma banda de estádios. O bom senso tem que entrar aí. Pelo que eu notei essa é uma "marca" das apresentações ao vivo da banda no país, em 2006 não foi muito diferente.

Outra coisa que atrapalhou bastante também foi a chuva. Não a chuva em si, mas o momento em que ela desabou, durante o show de abertura da Cachorro Grande. Ao mesmo tempo que ofuscou a apresentação da banda gaúcha deixou o povo ensopado pra encarar os ventos frios gelados da noite de outono paulistana. Se ela tivesse vindo durante a apresentação dos Gallaghers a história seria outra, como foi no show de 2006 (o famoso e maravilhoso "dilúvio"). Bom, mas considerem esse parágrafo um resmungo de um sujeito que já está beirando os 30 e não é mais adepto do "topa tudo por Oasis".


Bom, mas vamos ao repertório:

1) Abriram com a já tradicional Fuckin' in the Bushes e emendaram com Rock and Roll Star. Adoro a última, mas poderiam ter começado com a maravilhosa Bag It Up não? Ô musiquinha subestimada essa. Pelo que eu tomei nota, eles não tocaram a preciosidade do Dig Out Your Soul em nenhum show da turnê! Fuck you Noel Gallagher! (pronto, adotei os modos de Manchester);

2) Seguiram-se Lyla (redonda), The Shock of The Lightning (muito boa ao vivo, com uma batida um pouco diferente), Cigarettes & Alcohol (sempre contagiante, um hino Oasis), The Meaning of Soul, To Be Where There´s Life (essa também ficou bem interessante ao vivo) e Waiting For The Rapture;

3) Um dos grandes momentos da noite pra mim veio com The Masterplan, música já classuda que ficou especialmente emocionante nessa apresentação; na seqüencia vieram Songbird (puro Beatles e sempre gostosa de se ouvir), Slide Away (outro grande e surpreendente momento), Morning Glory (manteve o pique da anterior levantando a galera), Ain't Got Nothin' (a mais fraca da noite e do repertório, na minha opinião);

4) Depois do ponto mais baixo da noite uma seqüencia de ótimas performances: The Importance Of Being Idle (música sempre deliciosa), I´m Outta Time (um dos lados do melhor momento da noite, Liam emulando John Lennon sem parecer ridículo; muito pelo contrário, perfeito), Wonderwall (o recinto todo uníssono, com femêas adolescentes uivando atrás de mim e acabando com meus tímpanos) e Supersonic (o maior hino do Oasis, sem dúvida; leva qualquer platéia da banda ao delírio, e o novo baterista contribuiu pro orgasmo roqueiro do momento);

5) Por fim veio o bis, com um set agradável, abrindo com a "queridinha" do Noel, Don´t Look Back in Anger (sempre enchendo o gogó da galera); logo após aparece o primeiro lado do citado melhor momento da noite pra mim com Falling Down (uma das minhas favoritas do último álbum e de todo o repertório da banda; inebriante e potente ao vivo), em seguida Champagne Supernova (caoticamente épica, e que mais uma vez mexeu com a galera); a apresentação termina com um cover beatle, na mais do que clássica I am The Walrus (Anhembi em uma só voz novamente).


Como dito, os grandes momentos da noite ficaram por conta de duas excelentes músicas do último trabalho da banda, uma do Liam e outra do Noel, cada um ao seu estilo. Isso as vezes me faz matutar se o DOYS seria uma espécie de Álbum Branco do Oasis, talvez já sinalizando uma possível nova fase ou o fim da banda. Sem falar no fato do Noel estar com um disco solo engatado e pronto pra bater asinhas sem o resto do grupo.


O melhor das apresentações do Oasis nem fica propriamente por um show magnífico ou impecácel (como foi o insuperável show do Radiohead que eu tive a oportunidade de presenciar esse ano na Chácara do Jóquei), mas sim pelo clima, pelas pessoas, por aquela legião peculiar de fãs que são tão ou mais fiéis que a torcida do Corinthians. Uma irmandade rara de se ver no universo pop/rock: o fã do Oasis (o original) é ao mesmo tempo um sujeito irascível e sensível, que bate no peito e advoga pra um certo rock autêntico, simples, direto e que celebrava a vida com uma certa e necessária melancolia a tiracolo.

É bonito de se ver, e eu me incluo no meio deles.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

completando

Reverberando a brincadeira da minha amiga moça know-how. Um pouco de descontração.

COMPLETE:

- Eu tenho: miopia.
- Eu desejo: conhecer as ruas de Londres e as paisagens da Galécia (sic).
- Eu odeio: Ivete Sangalo.
- Eu escuto: ultimamente, muito Paul Weller.
- Eu tenho medo de: descrença na razão.
- Eu não estou: trabalhando (tecnicamente falando).
- Eu estou: um pouco irritado com a greve de ônibus local, pois eu preciso deles.
- Eu perco: cabelo.
- Eu preciso: sair de um certo aprisionamento existencial.
- Me dói: o pescoço (passei o final de semana com a mochila nas costas).

SIM OU NÃO?

- Tem um diário? não; quer dizer, tenho esse meu blog pessoal, o que não deixa de ser algo parecido.
- Gosta de cozinhar? depende do dia e do humor.
- Gosta de tempestades? sim, principalmente as daqui de Campinas nos finais de tarde.
- Há algum segredo que você não tenha contado à ninguém? não estou lembrando agora de algo importante, mas com certeza devo ter.
- Acredita no amor? eu prefiro dizer que sinto.
- Toma banho todos os dias? sim.
- Quer casar? acho que não, não é pra mim.
- Quer ter filhos? uma possibilidade, ainda tenho dúvidas pesadas.

QUAL É?

- A frase que mais usa no MSN: não costumo usar, as vezes uma letra de música interessante.
- Sua banda favorita: John, Paul, George, e Ringo.
- Seu maior desejo: nunca perder um certo e necessário "tesão existencial".
- 3 Lugares estranhos em que você transaria: num castelo medieval, com a puffy shirt do Seinfeld; em cima de uma mesa de bilhar; junto à janela de algum arranha-céu.

OUTRAS PERGUNTAS

- Signo: câncer.
- Cor dos olhos: castanhos.
- Número favorito: 11.
- Dia favorito: acho que não tenho um.
- Mês favorito: os que abocanham o outono.
- Estação do ano favorita: outono.
- Café ou chá? vou nos dois, mas o vício é por café.

VOCÊ:

- Tem problemas de auto estima: sim, principalmente quando estou confortável e perto da família (isso merece uma boa análise).
- Abriria mão de ficar com alguém muito gato por respeito ao próximo: depende, temos que analisar o caso concreto, como todo bom advogado.
- Iria a uma micareta: na, na, ni, na, não.
- Cuidaria de amigos bêbados: sim, e já cuidei.
- Dá toko sem problema nenhum: seria no sentindo de "dar um pé na bunda"? teríamos que analisar as circunstâncias, mas em princípio sim, se esse for o caminho.

NAS ÚLTIMAS 24HS VOCÊ:

- Chorou? não.
- Ajudou alguém? que eu me lembre não.
- Ficou doente? não.
- Foi ao cinema? não.
- Disse “te amo”? não.
- Escreveu uma carta? não.
- Falou com alguém? sim, várias pessoas.
- Teve uma conversa séria? não.
- Perdeu alguém? não.
- Abraçou alguém? sim, alguns.
- Brigou com algum parente? não.
- Brigou com algum amigo? não.

ALGUMA VEZ VOCÊ PODERIA:

- Beijar alguém do mesmo sexo? não.
- Fazer sexo com alguém do mesmo sexo? não.
- Saltar de pára-quedas? possível.
- Cantar em um karaokê? provável, mas depois de muito reflexão (e pressão de amigos).
- Ser vegetariano? pode ser, lá no quarto final de vida; mas a idéia é ir comendo menos carne (e comida em geral) com o passar da idade, como prega o bom senso.
- Se embebedar? sim, mas de forma cada vez mais rarefeita.
- Roubar uma loja? em estado de necessidade, sim; ainda não descobri qualquer sinal de cleptomania em mim.
- Se maquiar em público? bom, se me contratarem como palhaço um dia.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

musas (11)


MARILYN MONROE

fumaça

Hoje estava lendo o jornal quando me deparei com isso:

Ator terá de ir à Justiça para fumar em cena

Nova lei antifumo proíbe uso de cigarro, cachimbos e charutos em gravações em estúdios fechados e em peças de teatro

(...)

Peças de teatro, gravações de TV e filmagens de cinema em lugares fechados também serão enquadradas pela lei estadual de restrição ao fumo, que será sancionada nos próximos dias pelo governador José Serra.
Para acender um cigarro, charuto ou cachimbo em cena, o produtor precisará de autorização judicial. Terá de argumentar, no pedido ao juiz, que a ausência do tabaco prejudicaria a concepção artística de seu filme, videoclipe, novela ou montagem da peça teatral.

íntegra da notícia: aqui.

Antes de mais nada. Deixemos claro que eu não fumo, acho a nicotina um negócio realmente escroto, mas temos que ter um pouco de bom senso e tomar cuidado pra não embaralhar o culturalmente milenar ato de fumar com o moderno e propositalmente venenoso cigarro.

O artigo 6º inciso I do projeto de lei 577/08 aprovado e que aguarda sanção diz que não, mas no ritmo que a coisa vai logo teremos que banir os eventuais cachimbos recheados de ervas naturais que os índios fumam em suas cerimônias sacras muito mais antigas que a nossa maravilhosa república. Sem falar nos tradicionais narguiles dos simpáticos turcos, dos rituais do candomblé, e por aí vai.

Em vez de querer implantar um império do excesso do politicamente correto e da hipocondria, nosso caro governador José Serra poderia concentrar seus esforços no que realmente causa a matança em massa e o imenso prejuízo ao nosso sistema de saúde: a indústria do cigarro.

O ato de fumar não é sinônimo de consumir Philip Morris. Essa frase deveria ser pregada numa faixa em letras garrafais no gabinete do governador. Assim talvez ele se desse conta de que desestruturar a capitalização em cima do vício e o severo controle (químico mesmo, buscando a moderação da nocividade do tabaco) da produção do cigarro industrializado é o caminho.

Precisamos de saúde, precisamos de respeito ao próximo, mas também precisamos de liberdade individual (mínima), de cultura, e de muito bom senso.

sábado, 2 de maio de 2009

1001 covers para ouvir antes de morrer

Avisando os nobre leitores que me juntei ao meu grande amigo e biblioteca-pop-musical-ambulante Kojima San para colaborar no mais novo projeto do rapaz: listar 1001 covers interessantes que todo ser humano deveria ouvir antes de morrer. Se vocês me achavam megalomaníaco, esperem até ver isso:

1001 covers, o blog.

Antes que algum caça-níquel editorial tome a dianteira, Persiolino já está coletando material para mais um produto da fatídica série. E o melhor, tudo "de grátis" via blogosfera. Como diria meu velho, melzinho na chupeta.

Na minha estréia adentrei com Working Class Hero do John Lennon, executada pelo Green Day. Selecionada depois de um contato televisivo vespertino ocorrido quando eu fazia o meu esporádico mas sempre necessário café-nostalgia junto à minha antiga faculdade. Confiram.