domingo, 17 de maio de 2009

Oasis em São Paulo 09.05.2009

A pouco mais de três anos atrás eu escrevi um texto "apaixonado" sobre o show do Oasis no Credicard Hall, você pode lê-lo aqui. Dessa vez o meu coração não chegou a 200 batidas por minuto, como descrito lá, mas uma apresentação da banda de Manchester ainda me deixa com um sorriso bobo no rosto.

Talvez seja pelo fato de já não ser mais o debut, ou talvez sejam os anos a mais nas costas, mas foi inevitável assistir ao show com uma visão crítica mais apurada. Mesmo assim, achei essa apresentação melhor que a de 2006 (não vi as de 1998 e 2001; se alguém tiver visto todas, por favor dê o seu veredicto). A banda estava melhor, tecnicamente (talvez por influência do novo baterista) e no repertório.


Os grandes pontos negativos foram mais estruturais e da técnica de show do que da performance da banda. O povo da mesa de som do Oasis já não é dos melhores, e a acústica do Anhembi ajudou a piorar ainda mais as coisas. Som abafado, baixo, mal equalizado. Tudo bem que é rock and roll, mas o Oasis não é mais uma bandinha punk de pub inglês, mas sim uma banda de estádios. O bom senso tem que entrar aí. Pelo que eu notei essa é uma "marca" das apresentações ao vivo da banda no país, em 2006 não foi muito diferente.

Outra coisa que atrapalhou bastante também foi a chuva. Não a chuva em si, mas o momento em que ela desabou, durante o show de abertura da Cachorro Grande. Ao mesmo tempo que ofuscou a apresentação da banda gaúcha deixou o povo ensopado pra encarar os ventos frios gelados da noite de outono paulistana. Se ela tivesse vindo durante a apresentação dos Gallaghers a história seria outra, como foi no show de 2006 (o famoso e maravilhoso "dilúvio"). Bom, mas considerem esse parágrafo um resmungo de um sujeito que já está beirando os 30 e não é mais adepto do "topa tudo por Oasis".


Bom, mas vamos ao repertório:

1) Abriram com a já tradicional Fuckin' in the Bushes e emendaram com Rock and Roll Star. Adoro a última, mas poderiam ter começado com a maravilhosa Bag It Up não? Ô musiquinha subestimada essa. Pelo que eu tomei nota, eles não tocaram a preciosidade do Dig Out Your Soul em nenhum show da turnê! Fuck you Noel Gallagher! (pronto, adotei os modos de Manchester);

2) Seguiram-se Lyla (redonda), The Shock of The Lightning (muito boa ao vivo, com uma batida um pouco diferente), Cigarettes & Alcohol (sempre contagiante, um hino Oasis), The Meaning of Soul, To Be Where There´s Life (essa também ficou bem interessante ao vivo) e Waiting For The Rapture;

3) Um dos grandes momentos da noite pra mim veio com The Masterplan, música já classuda que ficou especialmente emocionante nessa apresentação; na seqüencia vieram Songbird (puro Beatles e sempre gostosa de se ouvir), Slide Away (outro grande e surpreendente momento), Morning Glory (manteve o pique da anterior levantando a galera), Ain't Got Nothin' (a mais fraca da noite e do repertório, na minha opinião);

4) Depois do ponto mais baixo da noite uma seqüencia de ótimas performances: The Importance Of Being Idle (música sempre deliciosa), I´m Outta Time (um dos lados do melhor momento da noite, Liam emulando John Lennon sem parecer ridículo; muito pelo contrário, perfeito), Wonderwall (o recinto todo uníssono, com femêas adolescentes uivando atrás de mim e acabando com meus tímpanos) e Supersonic (o maior hino do Oasis, sem dúvida; leva qualquer platéia da banda ao delírio, e o novo baterista contribuiu pro orgasmo roqueiro do momento);

5) Por fim veio o bis, com um set agradável, abrindo com a "queridinha" do Noel, Don´t Look Back in Anger (sempre enchendo o gogó da galera); logo após aparece o primeiro lado do citado melhor momento da noite pra mim com Falling Down (uma das minhas favoritas do último álbum e de todo o repertório da banda; inebriante e potente ao vivo), em seguida Champagne Supernova (caoticamente épica, e que mais uma vez mexeu com a galera); a apresentação termina com um cover beatle, na mais do que clássica I am The Walrus (Anhembi em uma só voz novamente).


Como dito, os grandes momentos da noite ficaram por conta de duas excelentes músicas do último trabalho da banda, uma do Liam e outra do Noel, cada um ao seu estilo. Isso as vezes me faz matutar se o DOYS seria uma espécie de Álbum Branco do Oasis, talvez já sinalizando uma possível nova fase ou o fim da banda. Sem falar no fato do Noel estar com um disco solo engatado e pronto pra bater asinhas sem o resto do grupo.


O melhor das apresentações do Oasis nem fica propriamente por um show magnífico ou impecácel (como foi o insuperável show do Radiohead que eu tive a oportunidade de presenciar esse ano na Chácara do Jóquei), mas sim pelo clima, pelas pessoas, por aquela legião peculiar de fãs que são tão ou mais fiéis que a torcida do Corinthians. Uma irmandade rara de se ver no universo pop/rock: o fã do Oasis (o original) é ao mesmo tempo um sujeito irascível e sensível, que bate no peito e advoga pra um certo rock autêntico, simples, direto e que celebrava a vida com uma certa e necessária melancolia a tiracolo.

É bonito de se ver, e eu me incluo no meio deles.

7 comentários:

Persiolino disse...

Ale,

Muito boa resenha, vou colocar um link no meu blog do Last FM.

Cara, acho uma pena mesmo essa falta de cuidado com o som do oasis. É uma pena que fazem isso com eles aqui. Acho que a maioria dos shows da banda no Brasil foi assim...

E que setlist; mesmo com os pontos negativos do show, queria muito ter visto o show ao vivo.

O que você escreveu sobre os fãs do oasis é verdade. Tudo que um fã do oasis deseja é que a banda continue fazendo este rock direto, de qualidade e simples...

Abraço

Menina Enciclopédia disse...

concordo com a maior parte do texto e acho que realmente fica difícil qq show se igualar ao do radiohead q presenciamos rss
vc já ouviu a versão "lisérgica de falling down"? rss muito boa! vou mandar o link pra vc
beijo!

Cecilia disse...

Fui ao show de 2006, e adorei. Aquela chuva foi uma das melhores "lavagem de alma" que já tive, em especial quando tocou "Don't look back in anger" e "The importance of being idle".

Não fui nesse, mas deveria. "I am the walrus"? Como perdi isso?

Adorei a resenha!

Garota no hall disse...

Será que o Manics aparece por aqui algum dia?

Rodrigo disse...

Eu estava lá em 2006 e realmente foi magnífico. Um momento sublime, apesar daquela chuva insana. Queria muito ter ido a esse (e a qualquer show do Oasis hehehe), mas morar na periferia do Brasil (leia-se Salvador) é difícil =/

vanessaxt disse...

Oi Alê! Que lindo texto.
Li tb de novo o seu de 2006 e percebi uma coisa, pra mim o show de 2006 foi como um auge da paixão e em 2009 foi como amar realmente, mas sem exageros. Hehheheh ptz q brega né! Mas é isso aí! Que pena que não te ofereci batatinhas dessa vez heheheh
Beijosss

Cristina disse...

Pois é, depois eu fiquei c/ vontade de ter ido. Mas esse ano ainda vai ter Coldplay e Killers, né? \o/