terça-feira, 30 de junho de 2009

eu também sou fiscal do Sarney


José Sarney de Araújo Costa está encurralado. Pela esquerda, pela direita, e pela frente.

Aqueles que acompanham um pouco a política do país nos últimos anos sabe que a coisa não começa nem termina no bigode do sujeito. Há muito mais em jogo do que as deploráveis denúncias que jorram daquele prédio e aglutinam o que há de mais atrasado na nossa política. O xerume está lá há pelo menos 14 anos e ninguém sentiu o cheiro antes. Senadores, funcionários, nem os jornalistas que pisam diariamente naquele tapete azul.

Se Sarney licenciar, a presidência do Senado cairá no colo da oposição. Está claro qual é o jogo. Eu não gostaria de estar na pele do presidente Lula nesse momento. De uma forma ou de outra, ele pagará o preço por ter se aliado à banda mais atrasada da política nacional.

PSDB, PT, nenhuma das forças políticas novas que surgiram com a redemocratização do país conseguiram escapar de por o pé na lama da ala podre da velha guarda.

A par disso tudo, é muito legal ver a grande utilidade e eficácia da internet no exercício da cidadania ativa e na prática da política no sentido mais amplo e nobre possível. Movimentos, sites, ONGs fiscalizadoras, redes sociais. Mesmo aos trancos e barrancos e ainda de forma tímida e muitas vezes estabanada, o ciberespaço colabora para ajudar a decifrar as muitas "caixas pretas" da política (no sentido mais estreito e pobre possível) nacional.

Muita gente por aí está pregando o "fora Sarney". Eu discordo, e como bom advogado, prefiro ser mais um fiscal do Sarney e gritar dando o direito de defesa: licencia Sarney!

É assim que funciona nas melhores democracias. E se você também concorda e se considera um cidadão que preza a boa política, cole esse "bottom virtual" no seu blog ou site e o espalhe pela rede.

Um gesto simples, pequeno, meramente simbólico, mas não inócuo. Representa vontade política.


ADENDO:

Eu tive a oportunidade de visitar o Congresso internamente duas vezes. Em uma delas pude conhecer o pedaço encarpetado azul da ala esquerda do palacete. Visitei o plenário, andei por corredores. Foi fácil identificar o feeling e concluir que há algo de muito fétido por aquelas bandas. Gente demais e trabalho de menos, foi essa a sensação que tive.

Desde a recepção com quatro, cinco pessoas pra verificar a sua identidade. Passando pelos corredores lotados de ASPONES que passam o dia lendo jornal e jogando papo fora. E por aí vai.


(essa foto foi numa das visitas com o Congresso fechado - final de semana; cada senador com o seu notebook custeado com o nosso dinheirinho)

É lógico que não se pode pretender que uma instituição pública aja e exercite sua função como uma empresa privada. Não tem cabimento. Mas é óbvio que precisa haver um mínimo de profissionalismo, administração eficiente, e respeito com a coisa pública.

3 comentários:

Aline-NC disse...

E quem poderia imaginar que o famoso slogan do Sarney dos anos 80seria usado contra o próprio... Licencia Sarney!

Persiolino disse...

Licencia Sarney!!!

Anônimo disse...

Você fez algumas observações bom lá. Eu fiz uma pesquisa sobre o assunto e encontrada principalmente as pessoas com o consentimento do seu blog.