domingo, 23 de agosto de 2009

musas (13)


ANNE SEXTON

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

a opção Marina

O grande agito atual na blogosfera política é a possível candidatura da Marina Silva à presidência da república em 2010. Pra alguns, um "balão de ensaio" enchido pela oposição pra fraturar o "lulismo", com prazo certo de validade; para outros uma real e bem-vinda alternativa pra enriquecer o quadro político do alto escalão eleitoral brasileiro.

Em que pese algumas ressalvas, fico com a segunda turma. Acredito que a forte possibilidade de termos ela no quadro de candidatos à presidente ano que vem é algo positivo. Assim como Lula foi um divisor de águas político lá em 1989, ela pode ser (frise-se, aqui vale a aposta política, pois é uma incógnita) o novo divisor de águas da política atual. E não digo especificamente para a próxima eleição, onde as chances dela são pra lá de pequenas, mas pros próximos 5, 10 anos.

Eu tenho uma tese, que muita pouca gente concorda, de que os dois grandes grupos políticos progressistas que surgiram após a redemocratização (tucanos e petistas) cometeram um erro histórico gigantesco, lá no começo dos anos 90, ao se afastarem e reforçarem as diferenças políticas entre ambos ao invés de se aproximarem e cristalizarem os pontos comuns. Ambos, cada um a seu tempo, conquistaram o poder, mas ao custo de ter que se aliar ao que sobrou de mais arcaico do conservadorismo político pré-1988.

O resultado dessa brincadeira foi que o país perdeu, vai lá, uns 20, 30 anos de "gancho" para um mais célere desenvolvimento político-econômico-social. Já poderíamos estar desfrutando de um nível cultural, educacional, tecnológico e político muito mais pugente agora na virada da década.

Bom, mas eu cito essa "tese" porque, caso seja adotada a estratégia política certa e haja um trabalho árduo nesse sentido, a senadora Marina Silva poderia perfeitamente aglutinar o que resta dessas forças progressistas em torno de uma candidatura que poderia criar o germe da tão angustiada e necessária nova (e segunda) "onda política" do pós-1988, focada na gritante questão socioambiental. História, respeito, e conteúdo político pra isso ela tem.

É muita fantasia a curto prazo? Pode ser. Mas a longo prazo não. Política de qualidade se faz, antes de mais nada, com um percentual mínimo de idealismo, foi assim com a constituinte, foi assim com o "fator Lula", e terá que ser assim com o desenho que se projeta pro pós-Lula.

Como disse, isso irá depender da competência e visão dos articuladores que a eventual candidatura dela possa contar e da qualidade do que surgir do possível grupo político que viria da "refundação" do Partido Verde. De saída, levando-se em conta os quadros atuais do PV e adjacências, e mais as condicionantes políticas nas quais se encontram os citados grupos progressistas da pós-redemocratização, é sonhar demais para a próxima eleição presidencial.

De qualquer maneira, como no futebol (metáfora que o nosso atual presidente adora), na política tudo é possível, e ela flui sempre ao sabor das conveniências e oportunidades.

No curto prazo da realpolitik, alguns pontos interessantes:

1) Marina Silva não tem outra alternativa pra seu futuro político; 24 anos de militância no PT, 15 anos de Senado, 5 anos como Ministra de Estado, a falta de espaço e o escanteamento político; a mudança e a candidatura são um passo natural.

2) Lula tem pago o preço por "conveniências e oportunidades" passadas. A crise no Senado Federal, esse agito no tabuleiro da sucessão, são consequências de opções políticas feitas por ele.

3) A mudança traz de volta Ciro Gomes pra disputa. Se Marina for, ele com certeza irá. E aí reside o grande assombro: se Dilma não decolar, Marina não fizer milagre, pode rolar um 2º turno Serra X Ciro. Melhor eu bater três vezes na madeira aqui.

4) As qualidades (e defeitos) pessoais da moça. Até que ponto ela tem o tino político necessário ao cargo? Como ela lideraria com o vendaval de interesses, conchavos, sutilezas do centro do furacão político? E o seu conservadorismo na seara religiosa? E uma certa intransigência no "modus operandi" da questão ambiental?

É aguardar pra ver como a coisa se desenrola.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

pausa para o informe publicitário (9)



Lá atrás você desenha uma miríade de possibilidades. Ali na frente você se dá conta de que elas convergiram para o vácuo, ou se transmutaram na sua variante oposta.

É, não é mole. Bom, mas também nunca me disseram que seria.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

erramos: tabaco, nicotina, cigarro industrializado

Este blog cometeu um erro grosseiro na postagem de maio que comentava a lei anti-fumo intitulada fumaça (antiga "Fumar sim, nicotina não", tive que alterar por causa do dito) ao conceituar o tabaco e a nicotina. Deixei a entender lá na referida postagem (já consertada) que a nicotina seria uma substância química presente só no cigarro industrializado, o que não é correto. Na verdade a nicotina é um princípio ativo da folha do tabaco, presente em qualquer cigarrilha, cigarro, charuto a base do dito cujo.

A argumentação na verdade referia-se ao fato do cigarro industrializado comercializado atualmente ser confeccionado levando-se em conta uma combinação de substâncias químicas que potencializa de forma descomunal os possíveis efeitos cancerígenos das tragadas em relação às outras formas, incluindo as mais primitivas, do uso e fumo do tabaco, que era aliás utilizado de forma terapêutica pelos índios nativos americanos.

Essa errata remete-se às seguintes postagens, para esclarecimento: fumaça e sobre a patrulha fascista anti-fumo serrista.

domingo, 9 de agosto de 2009

sobre a patrulha fascista anti-fumo serrista

Deu ontem no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo:

O bar Livraria da Esquina, com show ao vivo na Barra Funda (zona oeste), adotou um esquema (...): fez um cercado, isolado por cordas, para os fumantes na calçada. Lá, os clientes podiam dar as suas tragadas sem deixar a cerveja.

Segundo a prefeitura, é uma situação nova, mas a boate ou bar que fizer um isolamento para os fumantes na calçada pode ser multado em R$ 500 por obstrução de passeio. Se os fumantes fizerem barulho, o Psiu pode multar o lugar pela Lei do Ruído, em R$ 27 mil.

O bar Livraria da Esquina diz que não isolou toda a calçada e que tomou a medida por questões de segurança. "Tem poucas opções para lidar com essa nova situação da lei antifumo", diz Denise Andriole, a dona.

(FSP, Cotidiano 2 - especial, p. C1 - assinante UOL/Folha)

Como podemos notar, o fumante hoje no estado de São Paulo não tem escapatória. O trator fascito-politicamente correto do senhor Governador José Serra está criando, na minha modesta opinião, uma das maiores babaquices políticas dos últimos tempos no Brasil.

Em nome da defesa da saúde pública, Serra joga pra platéia e faz um marketing político rasteiro de dar inveja a Mussolini e congêneres. Ao mesmo tempo que visga um eleitorado conservador moderado "limpinho", vai criar uma legião descontente não só de fumantes, mas de não-fumantes que vivem pelo bom senso.

E por falar em bom senso, já escrevi aqui no blog sobre essa nova legislação: Fumaça. Pegar a ponta mais fraca da corda é fácil. Agora, porque não se faz uma ofensiva pra que se torne o ato de fumar menos tóxico em vez de simplesmente banir o fumo? Porque o nosso caro Serra não se utiliza do seu poder político e do Estado pra criar um debate interessante (quiça internacional) em torno disso, visando criar padrões menos assassinos no que concerne aos cigarros industriais a base de tabaco e peitar a Phillip Morris? Será que é porque não dá voto?

Das melhores conversas que já tive numa mesa de bar com uma cervejinha na mão foram com amigos fumantes. Como fico eu então? Peço a conta e saio pra conversar na sarjeta ou dou um belo tapa no cigarro e passo um sermão na figura querida? E se eu convidar o cacique Tabajara pra tocar o "cachimbo da paz" debaixo de um toldo lá na "prainha" da Paulista? Como fica? (parágrafo de efeito meramente dramático; eu também tenho direito ao meu marketing)

Seguindo no raciocínio do nosso Comandante-em-Chefe estatal logo teremos que banir o refrigerante, pois uns 50 anos de vício em Coca-Cola também mata o gordinho que passa no mercado e leva aquela de 2,5 litros diários pra casa. E o que dizer do pra lá de assassino "McLanche Feliz"? Teve um sujeito lá nos EUA que resolveu cair no vício do hamburguer com cara simpática por 30 dias e estava quase pra bater as botas. E não me venham com esse papo de que não afeta o próximo, pois afeta sim o bolso do dito com os impostos pra bancar o nosso mesmo e único (como somos chiques) sistema de saúde.

E claro, se a coisa desembestar, não vai demorar muito pro nosso nobre Governador querer banir o café, pois deixa os dentes amarelos, causa gastrite, e óbvio, mata os mais exaltados. Só sei que quando a coisa chegar nesse ponto ele vai comprar briga comigo, e vou lá jogar os meus molotovs no Palácio dos Bandeirantes. Ou, se for o caso, no Palácio do Planalto (vai saber o que o futuro nos reserva).

A grande conclusão que eu tiro é que a razão sai perdendo nessa história, e quando a razoabilidade é deixada de lado na política a coisa degringola. Pior do que a falta de política é a política sem bom senso, terreno perigosíssimo.