sexta-feira, 14 de agosto de 2009

a opção Marina

O grande agito atual na blogosfera política é a possível candidatura da Marina Silva à presidência da república em 2010. Pra alguns, um "balão de ensaio" enchido pela oposição pra fraturar o "lulismo", com prazo certo de validade; para outros uma real e bem-vinda alternativa pra enriquecer o quadro político do alto escalão eleitoral brasileiro.

Em que pese algumas ressalvas, fico com a segunda turma. Acredito que a forte possibilidade de termos ela no quadro de candidatos à presidente ano que vem é algo positivo. Assim como Lula foi um divisor de águas político lá em 1989, ela pode ser (frise-se, aqui vale a aposta política, pois é uma incógnita) o novo divisor de águas da política atual. E não digo especificamente para a próxima eleição, onde as chances dela são pra lá de pequenas, mas pros próximos 5, 10 anos.

Eu tenho uma tese, que muita pouca gente concorda, de que os dois grandes grupos políticos progressistas que surgiram após a redemocratização (tucanos e petistas) cometeram um erro histórico gigantesco, lá no começo dos anos 90, ao se afastarem e reforçarem as diferenças políticas entre ambos ao invés de se aproximarem e cristalizarem os pontos comuns. Ambos, cada um a seu tempo, conquistaram o poder, mas ao custo de ter que se aliar ao que sobrou de mais arcaico do conservadorismo político pré-1988.

O resultado dessa brincadeira foi que o país perdeu, vai lá, uns 20, 30 anos de "gancho" para um mais célere desenvolvimento político-econômico-social. Já poderíamos estar desfrutando de um nível cultural, educacional, tecnológico e político muito mais pugente agora na virada da década.

Bom, mas eu cito essa "tese" porque, caso seja adotada a estratégia política certa e haja um trabalho árduo nesse sentido, a senadora Marina Silva poderia perfeitamente aglutinar o que resta dessas forças progressistas em torno de uma candidatura que poderia criar o germe da tão angustiada e necessária nova (e segunda) "onda política" do pós-1988, focada na gritante questão socioambiental. História, respeito, e conteúdo político pra isso ela tem.

É muita fantasia a curto prazo? Pode ser. Mas a longo prazo não. Política de qualidade se faz, antes de mais nada, com um percentual mínimo de idealismo, foi assim com a constituinte, foi assim com o "fator Lula", e terá que ser assim com o desenho que se projeta pro pós-Lula.

Como disse, isso irá depender da competência e visão dos articuladores que a eventual candidatura dela possa contar e da qualidade do que surgir do possível grupo político que viria da "refundação" do Partido Verde. De saída, levando-se em conta os quadros atuais do PV e adjacências, e mais as condicionantes políticas nas quais se encontram os citados grupos progressistas da pós-redemocratização, é sonhar demais para a próxima eleição presidencial.

De qualquer maneira, como no futebol (metáfora que o nosso atual presidente adora), na política tudo é possível, e ela flui sempre ao sabor das conveniências e oportunidades.

No curto prazo da realpolitik, alguns pontos interessantes:

1) Marina Silva não tem outra alternativa pra seu futuro político; 24 anos de militância no PT, 15 anos de Senado, 5 anos como Ministra de Estado, a falta de espaço e o escanteamento político; a mudança e a candidatura são um passo natural.

2) Lula tem pago o preço por "conveniências e oportunidades" passadas. A crise no Senado Federal, esse agito no tabuleiro da sucessão, são consequências de opções políticas feitas por ele.

3) A mudança traz de volta Ciro Gomes pra disputa. Se Marina for, ele com certeza irá. E aí reside o grande assombro: se Dilma não decolar, Marina não fizer milagre, pode rolar um 2º turno Serra X Ciro. Melhor eu bater três vezes na madeira aqui.

4) As qualidades (e defeitos) pessoais da moça. Até que ponto ela tem o tino político necessário ao cargo? Como ela lideraria com o vendaval de interesses, conchavos, sutilezas do centro do furacão político? E o seu conservadorismo na seara religiosa? E uma certa intransigência no "modus operandi" da questão ambiental?

É aguardar pra ver como a coisa se desenrola.

3 comentários:

Cecilia disse...

Pelo amor de Deus, tudo menos Serra x Ciro. Não conheço a Marina (como já disse por aqui antes, sou por fora do mundo político), mas qualquer "sangue novo" é melhor que as carinhas de sempre.

Cristina disse...

Mas eu voto na Marina. Uma opção a mais já é alguma conquista, realmente.

Persiolino disse...

Estamos mal de políticos e partidos...