domingo, 9 de agosto de 2009

sobre a patrulha fascista anti-fumo serrista

Deu ontem no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo:

O bar Livraria da Esquina, com show ao vivo na Barra Funda (zona oeste), adotou um esquema (...): fez um cercado, isolado por cordas, para os fumantes na calçada. Lá, os clientes podiam dar as suas tragadas sem deixar a cerveja.

Segundo a prefeitura, é uma situação nova, mas a boate ou bar que fizer um isolamento para os fumantes na calçada pode ser multado em R$ 500 por obstrução de passeio. Se os fumantes fizerem barulho, o Psiu pode multar o lugar pela Lei do Ruído, em R$ 27 mil.

O bar Livraria da Esquina diz que não isolou toda a calçada e que tomou a medida por questões de segurança. "Tem poucas opções para lidar com essa nova situação da lei antifumo", diz Denise Andriole, a dona.

(FSP, Cotidiano 2 - especial, p. C1 - assinante UOL/Folha)

Como podemos notar, o fumante hoje no estado de São Paulo não tem escapatória. O trator fascito-politicamente correto do senhor Governador José Serra está criando, na minha modesta opinião, uma das maiores babaquices políticas dos últimos tempos no Brasil.

Em nome da defesa da saúde pública, Serra joga pra platéia e faz um marketing político rasteiro de dar inveja a Mussolini e congêneres. Ao mesmo tempo que visga um eleitorado conservador moderado "limpinho", vai criar uma legião descontente não só de fumantes, mas de não-fumantes que vivem pelo bom senso.

E por falar em bom senso, já escrevi aqui no blog sobre essa nova legislação: Fumaça. Pegar a ponta mais fraca da corda é fácil. Agora, porque não se faz uma ofensiva pra que se torne o ato de fumar menos tóxico em vez de simplesmente banir o fumo? Porque o nosso caro Serra não se utiliza do seu poder político e do Estado pra criar um debate interessante (quiça internacional) em torno disso, visando criar padrões menos assassinos no que concerne aos cigarros industriais a base de tabaco e peitar a Phillip Morris? Será que é porque não dá voto?

Das melhores conversas que já tive numa mesa de bar com uma cervejinha na mão foram com amigos fumantes. Como fico eu então? Peço a conta e saio pra conversar na sarjeta ou dou um belo tapa no cigarro e passo um sermão na figura querida? E se eu convidar o cacique Tabajara pra tocar o "cachimbo da paz" debaixo de um toldo lá na "prainha" da Paulista? Como fica? (parágrafo de efeito meramente dramático; eu também tenho direito ao meu marketing)

Seguindo no raciocínio do nosso Comandante-em-Chefe estatal logo teremos que banir o refrigerante, pois uns 50 anos de vício em Coca-Cola também mata o gordinho que passa no mercado e leva aquela de 2,5 litros diários pra casa. E o que dizer do pra lá de assassino "McLanche Feliz"? Teve um sujeito lá nos EUA que resolveu cair no vício do hamburguer com cara simpática por 30 dias e estava quase pra bater as botas. E não me venham com esse papo de que não afeta o próximo, pois afeta sim o bolso do dito com os impostos pra bancar o nosso mesmo e único (como somos chiques) sistema de saúde.

E claro, se a coisa desembestar, não vai demorar muito pro nosso nobre Governador querer banir o café, pois deixa os dentes amarelos, causa gastrite, e óbvio, mata os mais exaltados. Só sei que quando a coisa chegar nesse ponto ele vai comprar briga comigo, e vou lá jogar os meus molotovs no Palácio dos Bandeirantes. Ou, se for o caso, no Palácio do Planalto (vai saber o que o futuro nos reserva).

A grande conclusão que eu tiro é que a razão sai perdendo nessa história, e quando a razoabilidade é deixada de lado na política a coisa degringola. Pior do que a falta de política é a política sem bom senso, terreno perigosíssimo.

Um comentário:

Aline-NC disse...

Olha, eu não gosto quando dão baforada na minha cara (e nem posso evitar : eu fico sufocada com qualquer tipo de fumaça, não precisa ser cigarro...) mas também penso que, daqui a algum tempo, vão restringir o que vou comer, ouvir e falar, tudo em nome do meu "bem-estar". Mais uma estratégia de marketing eleitoreiro-ditatorial...