quinta-feira, 19 de novembro de 2009

me, bladerunner



Foi na minha adolescência que eu descobri uma das minhas películas cinematográficas favoritas. Lembro bem das vezes em que eu fantasiava e me colocava no papel do Harrison Ford, sentado solitário num restaurante chinês em uma Los Angeles desolada pela tecnologia e pelo nosso estilo de vida pós-moderno, no hoje não tão longíquo 2019, imaginando-me como um verdadeiro caçador de replicantes (ou seria da essência humana, e de si mesmo?).

Pois bem, hoje navego pela internet e me deparo com essa notícia:

IBM anuncia que está mais perto de produzir chip que opera como o cérebro


Segundo a companhia, o novo algoritmo, batizado de "BlueMatter", desenvolvido junto com a Universidade de Stanford, "mede e rastreia as conexões entre todos os pontos corticais e subcorticais do cérebro humano" utilizando técnicas de ressonância magnética.


Ao mesmo tempo, os pesquisadores da IBM conseguiram realizar a primeira simulação do córtex cerebral quase em tempo real, que contém um bilhão de neurônios e 10 trilhões de sinapses individuais, mais do que o córtex do cérebro de um gato.


A simulação foi efetuada com o supercomputador Dawn Blue Gene/P instalado no laboratório Lawrence Livermore e formado por 147.456 processadores centrais e 144 terabytes de memória.


A IBM disse que estes dois avanços a aproximam do objetivo de produzir um chip "sinaptrônico" compacto e de baixo consumo de energia utilizando nanotecnologia, que será necessário para criar "novas classes de sistemas de computação" em um mundo que gera crescentes quantidades de informação digital.


"As empresas precisarão controlar, estabelecer prioridades, adaptar e tomar decisões rápidas sobre a base de fluxos crescentes de dados e informação crítica. Um computador cognitivo poderia juntar de forma rápida e exata as peças díspares deste complexo quebra-cabeça", aponta a IBM.


A fase seguinte do projeto, financiada com US$ 16,1 milhões da Agência de Defesa para Projetos Avançados de Pesquisa (Darpa, na sigla em inglês) do Pentágono, se centrará em componentes com arquitetura similar à do cérebro e em simulações para produzir um chip de protótipo. EFE jcr/bba



Eu não me considero um pessimista clássico, mas também o otimismo clássico passa longe da minha cabeça. Acredito que estou ali em algum lugar que poderíamos chamar de realista melancólico. E essa notícia tem um "q" de realismo melancólico.

Sempre tive uma sensação, quando assistia Bladerunner, de que o filme não se tratava de ficção científica, e pior, essa sensação só cresceu junto com o tempo e a proliferação da minha pelagem.

Nowadays, macaco pleno, vejo que uma fagulha quase-revolucionária surgiu fora das telas, e eu sou mais Rick Deckard do que nunca.





4 comentários:

Garota no hall disse...

A galileu é a revista pop nacional que mais explora e aponta o quanto a ciência se aproxima cada vez mais das questões filosóficas e sociológicas do homem - e comrpova com fatos que a ficção científica do cinema e da literatura não é tão "ficção" assim.

Cecilia disse...

Ai, que medo. Muito medo.

Rodrigo Carreiro disse...

Alexandre, você está certíssimo. Bela análise. Eu penso mais ou menos como você - por isso sou fã de qualquer filme que trate do fim do mundo (não meteoros gigantes, e sim o verdadeiro fim do mundo).

Cristina disse...

Bota melancolia nisso. Eu também sempre acreditei na (boa) ficção científica. Só fico pensando se a gente realmente precisa desse tipo de coisa.